Versículo em destaque
2 Reis 3:6 - Significado e aplicação
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Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Por isso Jorão ao mesmo tempo saiu de Samaria, e fez revista de todo o Israel. "
2 Reis 3:6
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
4 Então Mesa, rei dos moabitas, era criador de gado, e pagava de tributo, ao rei de Israel, cem mil cordeiros, e cem mil carneiros com a sua lã.
5 Sucedeu, porém, que, morrendo Acabe, o rei dos moabitas se rebelou contra o rei de Israel.
6 Por isso Jorão ao mesmo tempo saiu de Samaria, e fez revista de todo o Israel.
7 E foi, e mandou dizer a Jeosafá, rei de Judá: O rei dos moabitas se rebelou contra mim; irás tu comigo à guerra contra os moabitas? E disse ele: Subirei; e eu serei como tu, o meu povo como o teu povo, e os meus cavalos como os teus cavalos.
8 E ele disse: Por que caminho subiremos? Então disse ele: Pelo caminho do deserto de Edom.
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Jorão mal havia tomado o trono e já empunhou a espada para subjugar Moabe. Coroas trazem grandes cuidados e perigos para as cabeças que as usam. As pessoas mal chegam à honra e logo se veem em guerra.
Aqui vemos os planos dessa campanha entre Jorão, rei de Israel, e Josafá, rei de Judá. Jorão reuniu um exército (2 Reis 3:6) e estimou o piedoso rei de Judá o bastante para convidá‑lo a se unir a ele: “Irás tu comigo à peleja contra Moabe?” Josafá concordou, dizendo: “Eu subirei; eu sou como tu” (2 Reis 3:7). Judá e Israel, embora tristemente divididos, ainda podiam se unir contra Moabe, inimigo comum. Josafá não os repreendeu por se terem separado da linhagem de Davi, nem colocou como condição de aliança que voltassem à lealdade, embora tivesse bons motivos para isso. Tratou Israel como um reino irmão. Não são verdadeiros amigos da paz e da força aqueles que nunca conseguem perdoar uma antiga ofensa e trabalhar com quem um dia feriu seus direitos.
Jorão também pediu conselho a Josafá (2 Reis 3:8). Buscou orientação de alguém mais sábio e experiente do que ele sobre como atacar Moabe. Josafá disse que não marchassem pelo caminho mais curto, atravessando o Jordão, mas que desviassem pelo deserto de Edom, para trazerem o rei de Edom e suas tropas com eles. Se dois são melhores do que um, o cordão de três dobras não se rompe facilmente. Josafá quase pagara caro por se associar a Acabe, e agora se associava ao filho de Acabe. Também dessa vez a campanha quase o levou à ruína. Nada se ganha ao se colocar em jugo desigual com incrédulos.
Então o exército aliado foi lançado em grande aflição. Antes mesmo de enfrentarem um inimigo, corriam risco de morrer de sede (2 Reis 3:9). Deveriam ter pensado nisso antes de marchar pelo deserto, o mesmo lugar, ou muito próximo, onde seus antepassados haviam padecido falta de água (Números 20:2). Deus às vezes permite que seu povo, por descuido próprio, se meta em apuros, para que sua providência, sabedoria, poder e bondade sobressaiam ao livrá‑los. A água é uma das coisas mais comuns e ordinárias, mas, quando falta, rapidamente humilha e destrói reis e exércitos.
O rei de Israel lamentou profundamente a sua aflição e o perigo de caírem nas mãos dos moabitas, que facilmente os derrotariam enquanto estivessem enfraquecidos pela sede (2 Reis 3:10). Ele havia convocado aqueles reis, mas culpou a Providência e falou como se Deus lhes tivesse feito mal: “O Senhor chamou estes três reis”. Assim a loucura do homem perverte o seu caminho, e o seu coração se irrita contra o Senhor (Provérbios 19:3).
Nesse ponto, Josafá, com sabedoria, sugeriu que pedissem conselho a Deus (2 Reis 3:11). O lugar em que estavam deveria tê‑los feito lembrar as maravilhas de que seus pais lhes falaram, especialmente a água tirada da rocha para alívio de Israel. Essa lembrança provavelmente animou Josafá a perguntar: “Não há aqui algum profeta do Senhor?” Ele estava ainda mais preocupado porque, por seu conselho, tinham tomado aquele longo desvio pelo deserto. Foi bom que Josafá buscasse a orientação do Senhor ali, mas teria sido muito melhor se o tivesse feito antes, ao decidir ir à guerra ou escolher aquele caminho. Assim talvez o aperto tivesse sido evitado. Pessoas piedosas muitas vezes são descuidadas e tardias em cumprir o dever, até que a necessidade e o sofrimento as forçam a isso.
Eliseu foi indicado como o homem certo a consultar (2 Reis 3:11). Podemos estranhar, primeiro, que Eliseu estivesse acompanhando o exército, ainda mais numa marcha tão longa e cansativa. Veio como voluntário, sem ser chamado, sem ser notado, e não ocupava lugar de honra. Não estava ali como sacerdote de guerra (Deuteronômio 20:2) nem como chefe do conselho militar. Estava tão oculto que nenhum dos reis sabia ter um tesouro desses no acampamento, nem um amigo assim entre os seus servos. Podemos supor que estivesse ali por direção especial do céu, como o carro de Israel e seus cavaleiros. Deus muitas vezes vai adiante do seu povo com as bênçãos de sua bondade e provê sua palavra para aqueles que nem sequer a buscam.
Em segundo lugar, chama atenção que um servo do rei de Israel soubesse da presença de Eliseu, quando o próprio rei não sabia. Provavelmente era um servo semelhante a Obadias, o mordomo temente a Deus de Acabe. Eliseu se fez conhecido a um homem assim, não aos reis. O servo o descreveu dizendo que derramara água sobre as mãos de Elias, isto é, que fora servo de Elias, especialmente o auxiliando em coisas tão humildes quanto lavar‑se. Quem quiser ser grande deve aprender primeiro a servir, e quem deseja chegar alto deve começar de baixo.
Então os reis desceram até o lugar onde Eliseu estava (2 Reis 3:12). Josafá tinha tanto respeito por um profeta que trazia a palavra do Senhor que foi pessoalmente, em vez de mandá‑lo chamar. Os outros dois foram levados pela aflição a procurar o profeta. Aquele que se humilhou foi honrado, e aos olhos dos homens pareceu grande quando três reis vieram à sua porta em busca de socorro (Apocalipse 3:9).
A resposta de Eliseu foi muito direta com o ímpio rei de Israel (2 Reis 3:13). “Que tenho eu contigo?”, disse ele. Como quem diz: “Como podes esperar de mim uma resposta favorável? Vai aos profetas de teu pai e de tua mãe, que sustentaste na tua prosperidade, e deixa que eles te socorram na tua angústia.” Eliseu não se deixou enganar, como Josafá, pela reforma parcial e falsa de Jorão. Sabia que, embora Jorão tivesse removido o ídolo de Baal, os profetas de Baal ainda lhe eram caros, e alguns deles talvez até estivessem em seu acampamento. Em outras palavras: “Vai aos deuses que tens servido” (Juízes 10:14). Tu deixaste que o mundo e a carne te governassem; que eles, então, te ajudem. Por que Deus deveria ser consultado por ti? (Ezequiel 14:3)
Eliseu disse isso em santa indignação contra a impiedade de Jorão, e declarou que mal podia suportar olhar para ele ou sequer vê‑lo (2 Reis 3:14). Jorão devia ser honrado como rei; mas, como homem perverso, era vil e digno de reprovação (Salmo 15:4). Eliseu, como súdito, lhe mostraria respeito; como profeta, o faria reconhecer o seu pecado. Homens com uma vocação tão especial estavam habilitados, embora pessoas comuns não estejam, a dizer a um rei: “És ímpio” (Jó 34:18).
Jorão mostrou suficiente domínio próprio ao suportar pacientemente essa repreensão tão clara. Já não se importava em ouvir os profetas de Baal, mas veio humildemente ao Deus de Israel e ao seu profeta. Apresentou a necessidade diante do profeta como caso muito triste e pediu misericórdia. No fundo, admitiu que não merecia socorro, mas implorou que os outros reis não fossem arruinados por causa dele.
Eliseu também mostrou respeito ao piedoso rei de Judá e levou em conta a sua presença. Por amor a Judá, dispôs‑se a interceder ao Senhor por todos eles. É bom estar em companhia daqueles que têm o favor de Deus e o amor de seu profeta. Pessoas ímpias muitas vezes se beneficiam da amizade e da convivência com os piedosos.
Então Eliseu se recolheu, preparando‑se para receber instrução de Deus. A presença de Jorão o agitara e o deixara inquieto, ainda que não tivesse pecado em sua ira nem falado de modo precipitado. Mesmo assim, o zelo o deixara menos apto para orar e para a atuação do Espírito, que requer mente calma e firme. Por isso chamou um tangedor (2 Reis 3:15), um músico piedoso que tocava harpa e cantava salmos com ela. Ouvir os louvores de Deus bem entoados, como Davi organizara, elevaria o seu espírito, firmaria seus pensamentos e o ajudaria a estar pronto tanto para falar com Deus como para ouvir dele.
Vemos também uma companhia de profetas profetizando com saltérios e tamborins diante deles (1 Samuel 10:5). Quem deseja comunhão com Deus precisa manter o espírito sossegado e pacífico. Quando Eliseu foi restaurado e sua perturbação interior foi acalmada por essa música santa, a mão do Senhor veio sobre ele. Naquele momento, a sua visita recebeu mais honra do que a visita de três reis.
Por meio de Eliseu, Deus assegurou que o desfecho daquela aflição seria bom e glorioso. Em breve lhes seria dada água (2 Reis 3:16–17). Para provar a fé e a obediência deles, ordenou que enchessem o vale de covas para reter a água. Quem espera a bênção de Deus deve abrir espaço para recebê‑la, cavando poços para a chuva encher, como no vale de Baca, que se tornou um manancial (Salmo 84:6). E, para tornar o milagre ainda maior, disse que teriam água em abundância, embora não houvesse nem vento nem chuva.
Elias, pela oração, trouxe água das nuvens, mas Eliseu a trouxe de um lugar que ninguém sabia dizer qual era. A origem dessas águas seria tão oculta quanto a nascente do rio Nilo. Deus não fica limitado às causas secundárias, aos meios ordinários que ele costuma usar. Normalmente, ele confirma a herança de seu povo com chuvas abundantes (Salmo 68:9), mas aqui o fez sem chuva, ao menos sem chuva naquele lugar. É bem provável que algumas fontes do grande abismo tenham sido abertas para esse fim. Para tornar o milagre ainda maior, parece que somente aquele vale se encheu de água, e nenhum outro lugar participou disso.
Aquela provisão também seria um sinal de vitória, como se vê em (2 Reis 3:18). “Isso ainda é pouco aos olhos do Senhor”, isto é, Deus faria muito mais do que apenas impedir que morressem. Ele os faria voltar em triunfo. Assim como Deus dá de graça àqueles que não merecem, também dá de maneira abundante, de acordo com a grandeza dele, muito além do que pedimos ou pensamos. Seus dons vão além de nossos pedidos e expectativas. Os que buscam sinceramente o orvalho da graça de Deus o receberão, e por meio dele se tornarão mais do que vencedores.
Foi-lhes prometido que dominariam o país rebelde e lhes seria permitido devastá-lo (2 Reis 3:19). A lei proibia que cortassem árvores frutíferas durante o cerco de uma cidade (Deuteronômio 20:19), mas essa regra não se aplicava quando o objetivo era exercer justiça, abatendo uma nação que se recusara a pagar o tributo que devia.
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Deste capítulo
2 Reis 3:1
"E Jorão, filho de Acabe, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, no décimo oitavo ano de Jeosafá, rei de Judá; e reinou doze anos."
2 Reis 3:2
"E fez o que era mau aos olhos do Senhor; porém não como seu pai, nem como sua mãe; porque tirou a estátua de Baal, que seu pai fizera."
2 Reis 3:3
"Contudo aderiu aos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com que fizera Israel pecar; não se apartou deles."
2 Reis 3:4
"Então Mesa, rei dos moabitas, era criador de gado, e pagava de tributo, ao rei de Israel, cem mil cordeiros, e cem mil carneiros com a sua lã."
2 Reis 3:5
"Sucedeu, porém, que, morrendo Acabe, o rei dos moabitas se rebelou contra o rei de Israel."
2 Reis 3:7
"E foi, e mandou dizer a Jeosafá, rei de Judá: O rei dos moabitas se rebelou contra mim; irás tu comigo à guerra contra os moabitas? E disse ele: Subirei; e eu serei como tu, o meu povo como o teu povo, e os meus cavalos como os teus cavalos."
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