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2 Reis 22:11 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Sucedeu, pois, que, ouvindo o rei as palavras do livro da lei, rasgou as suas vestes. "

2 Reis 22:11

menu_book Versículo no contexto

9 Então o escrivão Safã veio ter com o rei e, dando-lhe conta, disse: Teus servos ajuntaram o dinheiro que se achou na casa, e o entregaram na mão dos que têm cargo da obra, que estão encarregados da casa do Senhor.

10 Também Safã, o escrivão, fez saber ao rei, dizendo: O sacerdote Hilquias me deu um livro. E Safã o leu diante do rei.

11 Sucedeu, pois, que, ouvindo o rei as palavras do livro da lei, rasgou as suas vestes.

12 E o rei mandou a Hilquias, o sacerdote, a Aicão, filho de Safã, a Acbor, filho de Micaías, a Safã o escrivão e a Asaías, o servo do rei, dizendo:

13 Ide, e consultai o Senhor por mim, pelo povo e por todo o Judá, acerca das palavras deste livro que se achou; porque grande é o furor do Senhor, que se acendeu contra nós; porquanto nossos pais não deram ouvidos às palavras deste livro, para fazerem conforme tudo quanto acerca de nós está escrito.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nada mais se diz aqui sobre os reparos do templo. Sem dúvida aquela boa obra continuou firme, mas agora o livro da lei que ali foi achado passa a ocupar o centro da cena, e com razão. Ele não é guardado no quarto particular do rei como uma curiosidade antiga, algo raro para ser admirado. É lido diante do rei. Aqueles que realmente honram a Bíblia são os que a estudam e vivem com ela diariamente, alimentando-se desse pão e andando à luz dela. Pessoas de posição e ocupadas com muitos negócios devem considerar o conhecimento profundo da Palavra de Deus como seu maior dever e honra.

Vemos primeiro o efeito que a leitura da lei teve sobre Josias. Ele rasgou as suas vestes, envergonhado pelo pecado do seu povo e temeroso da ira de Deus. Há muito ele cria que o seu reino estava em má situação por causa da idolatria e da maldade no meio deles, mas não tinha percebido quão ruim era até ouvir a lei sendo lida. O rasgar das vestes mostrava que o seu coração também estava sendo rasgado, porque Deus havia sido desonrado e o juízo estava vindo sobre o seu povo.

Em seguida, vemos como ele se voltou para Deus por causa disso. Ele disse: “Ide, consultai ao SENHOR por mim” (2 Reis 22:13). Podemos supor que ele queria saber duas coisas. Primeiro, o que deveria ser feito para desviar a ira de Deus e impedir que os juízos merecidos por seus pecados caíssem sobre eles? Quando as pessoas são convencidas do pecado e do juízo que se aproxima, devem perguntar: “Que devo fazer para ser salvo?” e “Como me apresentarei diante do SENHOR?”. E, se perguntarem isso, que perguntem logo, antes que seja tarde demais. Segundo, ele queria saber o que deveriam esperar e para o que deveriam se preparar. Ele reconheceu: “Nossos pais não deram ouvidos às palavras deste livro”. Se este é realmente o padrão certo, então seus pais estiveram claramente muito errados. Quando o mandamento veio, o pecado se mostrou vivo e foi visto como realmente era. No espelho da lei, ele passou a ver os pecados do povo como muito mais numerosos, graves e profundamente malignos do que antes.

Disso ele concluiu que uma grande ira devia estar acesa contra eles. Se aquilo era verdadeiramente a Palavra de Deus, e se Deus seria fiel a ela, como certamente seria, então todos estavam arruinados. Ele nunca tinha imaginado que as advertências da lei fossem tão severas, nem que as maldições da aliança fossem tão terríveis quanto agora pareciam. Era hora de ponderar seriamente se aquelas coisas estavam contra eles. Aqueles que realmente sentem o peso da ira de Deus não podem deixar de ter grande desejo de alcançar o seu favor e aprender como fazer paz com ele. Governantes devem interceder em favor do povo e procurar impedir os juízos de Deus que veem aproximar-se.

Josias enviou essa consulta por meio de alguns dos seus principais homens, nomeados em (2 Reis 22:12) e novamente em (2 Reis 22:14). Assim ele honrou a mensagem de Deus, mandando pessoas de mais alta posição para tratar disso. Enviou-os a Hulda, a profetisa (2 Reis 22:14). O dom de profecia, esse tesouro de valor inestimável, às vezes era concedido não apenas a quem se considerava “vasos fortes”, mas também a vasos mais fracos, para que o poder fosse claramente visto como sendo de Deus. Miriã ajudou a conduzir Israel para fora do Egito (Miquéias 6:4), Débora os julgou, e agora Hulda lhes ensinava a vontade de Deus. O fato de ser uma mulher casada não diminuía o seu chamado como profetisa, pois o casamento é honroso em tudo.

Foi uma misericórdia para Jerusalém que, quando as Bíblias eram escassas, ainda tivessem profetas. Mais tarde, quando a profecia cessou, tiveram mais Bíblias. Deus nunca se deixa sem testemunho, porque não deixa os pecadores sem desculpa. Jeremias e Sofonias profetizavam naquele tempo, mas os mensageiros do rei escolheram Hulda como oráculo. Talvez porque seu marido, Salum, tinha um cargo na corte, como responsável pelas vestes, e assim a conheciam melhor e confiavam mais no chamado dela do que no de qualquer outro. Provavelmente já haviam consultado Hulda antes e tinham visto que a palavra de Deus em sua boca era verdadeira. Ela morava em Jerusalém, no segundo bairro da cidade, chamado Misné. Os judeus dizem que ela profetizava entre as mulheres, as damas da corte, pois ela mesma fazia parte daquele círculo, e é provável que seus aposentos ficassem ali.

Feliz a corte que tinha uma profetisa tão próxima e sabia valorizá-la. Hulda não respondeu com a linguagem polida de um funcionário da corte, dizendo: “Por favor, apresentem meus respeitos ao rei”. Ela falou como profetisa, em nome daquele diante de quem todos os homens são iguais: “Assim diz o SENHOR Deus de Israel: Dizei ao homem que vos enviou a mim” (2 Reis 22:15). Mesmo os reis, embora pareçam deuses para nós, são apenas homens diante de Deus, e ele os trata assim. Para Deus não há acepção de pessoas por causa de posição ou poder.

Primeiro ela comunicou a Josias quais juízos Deus tinha reservado para Judá e Jerusalém (2 Reis 22:16, 2 Reis 22:17). “A minha ira se acenderá contra este lugar”, disse ela. E o que é o inferno senão o fogo da ira de Deus contra os pecadores? Note duas coisas sobre isso. Primeiro, sua força e duração. Ela se acende de tal modo que não pode ser apagada. O decreto já saiu. Agora é tarde demais para tentar detê-lo. A culpa de Jerusalém não será removida por sacrifício ou oferta. O inferno é fogo inextinguível. Segundo, ela mostrou como esse juízo se relaciona com o pecado do povo e com as advertências de Deus. Eles haviam feito aquelas coisas como que de propósito, para provocá-lo. Era um fogo que eles mesmos acenderam. Continuaram provocando, até que por fim Deus se indignou. A desgraça viria exatamente conforme as palavras do livro que o rei de Judá tinha lido. A Escritura seria cumprida. Os que não quiseram ser governados pelo mandamento seriam governados pela pena. Deus se mostrará tão terrível para os pecadores impenitentes quanto a sua Palavra declara que ele é.

Depois ela lhe anunciou a misericórdia que Deus havia reservado para ele. Destacou a grande sensibilidade e preocupação de Josias com a glória de Deus e o bem do seu reino (2 Reis 22:19). “Porque o teu coração se amoleceu.” Deus fará distinção entre aqueles que fazem diferença em si mesmos e aqueles que não fazem. A maioria do povo estava endurecida e não tinha humilhado o coração, assim como os reis ímpios antes dele. Mas o coração de Josias era terno. Ele sentiu o impacto da Palavra de Deus, tremeu diante dela e se rendeu a ela. Entristeceu-se profundamente com o desonra feita a Deus pelos pecados de seus pais e de seu povo. Temeu os juízos de Deus, que via se aproximando de Jerusalém, e suplicou com urgência que fossem afastados. Isso é um coração terno. Ele se humilhou diante do SENHOR e demonstrou isso rasgando as vestes e chorando diante de Deus, provavelmente em seu quarto particular. Mas Deus, que vê em secreto, viu, ouviu e guardou cada lágrima dessa sensibilidade em seu odre. Os que mais temem a ira de Deus são os menos prováveis de experimentá-la.

Parece que estas palavras — “conduzirei a terra à desolação” (Levítico 26:32) — impressionaram profundamente Josias. Quando ouviu sobre a desolação e a maldição, isto é, que Deus os abandonaria e os entregaria ao mal, ele rasgou as vestes. Até então o povo ainda não estava totalmente desolado nem completamente debaixo da maldição, mas a advertência penetrou direto em seu coração.

Deus também lhe concedeu um adiamento do juízo até depois de sua morte (2 Reis 22:20): “Eu te recolherei a teus pais”. Os santos daquele tempo claramente esperavam felicidade após a morte, pois “ser recolhido a seus pais” era muitas vezes usado como promessa. Josias não pôde impedir o juízo em si, mas Deus prometeu que ele não viveria para vê-lo.

Esse foi um pequeno galardão terreno para uma devoção tão extraordinária, especialmente considerando que Josias morreu na metade da vida, antes dos quarenta anos. Se não houvesse vida futura, essa promessa seria pouca recompensa por sua fidelidade. Mas como há outro mundo, ele seria ricamente recompensado ali (Hebreus 11:16). Quando o justo é tirado do meio do mal que viria, entra em paz (Isaías 57:1, 2).

Essa promessa é feita a Josias aqui: “Tu serás recolhido em paz à tua sepultura”. Isso não descreve o modo como ele morreu, pois foi morto em batalha. Refere-se ao momento em que morreu. Ele morreu pouco antes do cativeiro babilônico, a grande calamidade que fez todas as outras parecerem pequenas.

Por isso se pode dizer verdadeiramente que ele morreu em paz, porque não viveu para participar daquela desgraça. Morreu no amor e no favor de Deus, e isso lhe deu uma paz que nenhuma aflição exterior, nem mesmo a morte em batalha, poderia tirar.

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