1 Reis 5:1
" NÃO repreendas asperamente o ancião, mas admoesta-o como a pai; aos moços como a irmãos; "
Entenda os temas principais e aplique 1 Reis 5 na sua vida hoje
25 versículos | Almeida Corrigida Fiel
O povo vivia dividido entre o Senhor e Baal. No Carmelo, Deus se revela de forma incontestável, desmascarando a impotência dos ídolos e chamando Israel de volta à exclusividade na adoração.
Elias denuncia a oscilação de Israel entre dois pensamentos e exige uma posição clara. A fé verdadeira não se acomoda em meio-termo entre Deus e outros deuses.
Elias ora antes do fogo e antes da chuva. Sua oração é simples, confiante e perseverante, ligando as promessas de Deus ao cumprimento visível diante do povo.
Ao restaurar o altar com doze pedras, Elias simboliza a restauração da aliança e da unidade do povo. Deus responde com fogo, levando o povo a se prostrar e reconhecer novamente a sua soberania.
A execução dos profetas de Baal mostra a seriedade da idolatria e do engano espiritual em Israel, e como Deus defende seu nome e seu povo contra falsos profetas.
1 Reis 18 está situado no reino do Norte (Israel) durante o reinado de Acabe, um dos reis mais ímpios da história de Israel. Acabe e sua esposa Jezabel haviam institucionalizado o culto a Baal, um deus cananeu associado à fertilidade e à chuva, financiando centenas de seus profetas (v.19) e perseguindo os profetas do Senhor. Jezabel matou muitos deles, enquanto Obadias, servo de Acabe mas temente ao Senhor, escondeu cem profetas em cavernas (v.3-4, 13). A seca de três anos e meio tinha começado no capítulo anterior como juízo divino sobre a idolatria (cf. 1Rs 17), atingindo uma sociedade agrária profundamente dependente da chuva. Baal era supostamente o deus que enviava chuva; por isso, a ausência de chuva expõe a falsidade desse culto. O monte Carmelo, local do confronto, ficava próximo ao Mediterrâneo, região de chuva relativamente frequente, o que torna a seca ainda mais impactante. Reunir “todo o Israel” e os profetas de Baal e Aserá (v.19-20) para um desafio público evidencia o caráter nacional dessa crise espiritual: não é apenas um conflito entre Elias e Acabe, mas entre o Senhor e a idolatria que dominava o reino. A destruição dos profetas de Baal (v.40) também reflete a legislação da aliança (por exemplo, Deuteronômio 13), que previa juízo severo contra falsos profetas que levassem o povo a outros deuses.
O capítulo é narrativo, com ritmo crescente que conduz ao clímax no monte Carmelo:
Missão de Elias e contexto da fome (v.1-6)
Encontro de Elias com Obadias e Acabe (v.7-18)
Convocação de Israel e desafio aos profetas de Baal (v.19-24)
Fracasso dos profetas de Baal (v.25-29)
Restauração do altar do Senhor e oração de Elias (v.30-37)
Fogo do Senhor e confissão de Israel (v.38-39)
Juízo sobre os profetas de Baal (v.40)
Anúncio e chegada da chuva (v.41-45)
Força sobrenatural sobre Elias (v.46)
Este capítulo apresenta uma das cenas mais marcantes da revelação de Deus em Israel. Primeiro, enfatiza a exclusividade do Senhor: não há espaço para dividir a confiança entre o Deus de Israel e outros deuses. A pergunta de Elias – “Até quando coxeareis entre dois pensamentos?” (v.21) – é teologicamente central, afirmando que o Senhor não aceita sincretismo. Segundo, expõe a impotência da idolatria. Baal, suposto deus da chuva e do trovão, não consegue enviar nem fogo nem chuva. Em contraste, o Senhor, com uma simples oração de seu profeta, envia fogo dos céus e, depois, chuva abundante. Terceiro, ressalta a aliança: as doze pedras do altar (v.31) remetem às doze tribos e à identidade de Israel como povo de Deus. O fogo que consome o sacrifício e o altar aponta para a aceitação do sacrifício e para a restauração da relação entre Deus e o povo. Quarto, o texto sublinha que o objetivo de Deus não é apenas demonstrar poder, mas “fazer voltar o coração” de Israel (v.37). A intervenção divina é ao mesmo tempo juízo sobre a idolatria e graça restauradora. Por fim, a oração de Elias mostra a dinâmica entre promessa e intercessão: Deus prometeu chuva (v.1), mas Elias ora até que a promessa se concretize (v.41-45). A fé bíblica se expressa em obediência, coragem diante do poder político e religioso, e persistência em oração baseada na palavra do Senhor.
Esse capítulo dialoga profundamente com temas de crise, ambivalência interna e restauração. A seca prolongada simboliza períodos de grande escassez emocional, espiritual e até material, nos quais a pessoa se sente sem recursos e sem saída. O povo de Israel vivia dividido, “coxeando entre dois pensamentos” (v.21), algo que lembra estados de confusão, indecisão e perda de referência. A narrativa mostra que, em tempos assim, a raiz do sofrimento nem sempre é apenas externa (como a falta de chuva), mas também interna: corações divididos, confiança espalhada em muitos “deuses” concorrentes. Elias passa por tensão extrema: isolamento aparente, sensação de ser o único, risco de morte, confronto público. Ainda assim, ele se ancora na voz de Deus e em uma identidade clara de servo (v.36). Há um movimento terapêutico na restauração do altar do Senhor (v.30-32): reconstruir aquilo que foi quebrado na relação com Deus, pedra sobre pedra, antes mesmo de buscar sinais espetaculares. Quando o fogo cai, o centro não é o triunfo pessoal de Elias, mas a cura da visão do povo: eles reconhecem quem Deus é (v.39). Por fim, a oração persistente pela chuva (v.42-44) se assemelha a processos de cuidado intensivo: repetição, espera, pequenos sinais (uma pequena nuvem) que antecipam mudanças profundas. O capítulo oferece um quadro de reorientação interior, onde corações cansados e confusos são chamados à clareza, à volta para Deus e à esperança de que, depois de longas secas, ainda pode vir “grande chuva”.
Alguns elementos do texto, lidos sem cuidado, podem ser gatilhos ou alimentar interpretações prejudiciais. O confronto violento com os profetas de Baal (v.40) pode mexer com quem tem histórico de abuso religioso, perseguição ou experiências traumáticas com figuras de autoridade espiritual; é preciso lembrar que a cena pertence a um contexto específico da aliança de Israel, não como modelo de conduta pessoal ou comunitária hoje. A zombaria de Elias (v.27) pode reforçar a ideia de que é aceitável humilhar pessoas com crenças diferentes, o que não se alinha com o ensino cristão posterior sobre mansidão e amor ao próximo. A sensação de Elias de estar sozinho (v.22), se absolutizada, pode alimentar pensamentos de isolamento extremo ou de messianismo individual, como se toda a responsabilidade espiritual caísse apenas sobre uma pessoa. A cena de automutilação dos profetas de Baal (v.28) pode ser sensível para quem luta com autolesão; é importante destacar que o texto descreve essa prática como parte de um culto enganoso e ineficaz, não como algo aceitável. Também é necessário cuidado para não ler a seca e a fome como modelo direto para interpretar todo sofrimento atual como castigo específico; o texto se insere em uma história de aliança particular e não legitima culpar automaticamente pessoas em crise por pecados escondidos.
O capítulo inspira escolhas concretas em áreas diversas da vida. Primeiro, convida a identificar “divisões internas”: situações em que se tenta servir a Deus e, ao mesmo tempo, confiar de forma absoluta em outros apoios (status, dinheiro, imagem, relacionamentos), como Israel vacilando entre o Senhor e Baal (v.21). Essa tomada de consciência leva à necessidade de decisões mais claras sobre prioridades. Segundo, valoriza a restauração paciente de práticas que sustentam a fé, simbolizadas na reconstrução do altar (v.30-32): reorganizar o tempo para estar com Deus, retomar a participação na comunidade, recuperar hábitos que foram abandonados em períodos de seca espiritual. Terceiro, aponta para uma postura de oração alinhada à vontade de Deus: Elias ora com base na palavra recebida (v.36-37, 41-45), o que inspira a buscar na Escritura fundamentos para orar com confiança, em vez de apenas reagir a emoções do momento. Quarto, o texto questiona a dependência de espetáculos religiosos: o poder de Deus se manifesta, mas o foco é a mudança de coração, não o show. Isso sugere que decisões de fé devem se apoiar mais em convicções profundas do que em experiências intensas e passageiras. Por fim, a perseverança de Elias diante de uma realidade hostil encoraja fidelidade ética e espiritual mesmo quando o ambiente, a cultura ou pessoas próximas seguem caminhos contrários: permanecer íntegro, falar a verdade com coragem e seguir obedecendo, ainda que em minoria aparente.
O desafio com o sacrifício e o fogo tocava diretamente na área em que Baal supostamente era forte: como deus da tempestade, do trovão e do raio, esperava-se que ele pudesse responder com fogo do céu. Ao colocar dois altares e exigir que nenhum fosse aceso por mãos humanas (v.23-24), Elias cria um cenário em que o verdadeiro Deus se revelaria de forma pública e incontestável. Quando o Senhor responde com fogo que consome até a água e as pedras (v.38), fica claro que Baal é impotente e que só o Senhor é Deus. O objetivo era confrontar a idolatria e chamar o povo de volta à fé na aliança.
A expressão descreve alguém que manca, que não consegue andar firmemente em uma direção. No contexto, Elias acusa o povo de tentar servir ao Senhor e, ao mesmo tempo, a Baal. Não se trata de dúvida honesta, mas de um coração dividido, que quer manter aliança com Deus sem abrir mão de outros ídolos e seguranças. Elias chama Israel a uma definição: se o Senhor é Deus, deve ser seguido de forma exclusiva; se Baal é deus, então que o sigam. A fé bíblica não aceita uma lealdade repartida entre o Deus verdadeiro e outros senhores concorrentes.
A execução dos profetas de Baal (v.40) deve ser entendida dentro do contexto específico de Israel como nação da aliança, regida por leis que previam juízo severo contra quem induzisse o povo à idolatria (como em Deuteronômio 13). Os profetas de Baal não eram apenas indivíduos com outra crença, mas líderes de um culto oficial que afastava o povo de Deus e estava ligado à perseguição dos profetas do Senhor promovida por Jezabel. A cena não é um modelo para atitudes religiosas hoje, mas um episódio histórico de juízo dentro da história particular de Israel, mostrando a seriedade com que Deus trata o engano espiritual que destrói seu povo.
As doze pedras correspondem ao número das tribos de Israel (v.31), lembrando o nome que Deus deu a Jacó: Israel. Mesmo o reino estando politicamente dividido (Norte e Sul), o ato de Elias aponta para a identidade original e integral do povo da aliança. Restaurar o altar quebrado significa, simbolicamente, restaurar a adoração verdadeira e a relação de todo o povo com o Senhor. É um gesto de memória e de esperança: o Deus que chamou Israel continua sendo o mesmo, e o caminho de volta passa por reconstruir o lugar de encontro com Ele, segundo sua própria ordem.
O texto mostra Elias orando com perseverança: ele se inclina, coloca o rosto entre os joelhos e manda o servo olhar em direção ao mar repetidas vezes (v.42-43). Somente na sétima vez aparece uma pequena nuvem, sinal da chuva que viria (v.44-45). O número sete na Bíblia frequentemente expressa plenitude ou completude, mas, aqui, o foco está mais na insistência em oração do que em um simbolismo numérico exato. Deus já havia prometido que daria chuva (v.1), e Elias ora até que a promessa se manifeste. Isso ilustra que a fé não é passividade: ela se expressa em intercessão constante, mesmo quando, inicialmente, “não há nada” visível.
Este capítulo respira tensão, cansaço e, ao mesmo tempo, uma grande virada de esperança. O povo estava há anos em seca, fome, incerteza. A terra rachada também fala de corações secos, confusos, divididos. A frase de Elias – “Até quando coxeareis entre dois pensamentos?” – toca em uma ferida profunda: viver puxado para lados diferentes, sem paz, sem firmeza, como alguém que manca e não consegue caminhar direito. Elias aparece como alguém muito só. Ele se sente “o único” profeta do Senhor diante de centenas de profetas de Baal (v.22). Carrega medo de perseguição, pressão política, expectativa do povo. Mesmo assim, não reage com força própria; ele se coloca como servo, ora com simplicidade: que Deus se manifeste e faça voltar o coração do povo (v.36-37). O centro da oração dele não é o próprio bem-estar, é o coração de Israel, ferido e distante. É bonito perceber que, antes do fogo cair, Elias restaura o altar quebrado (v.30). Há um carinho nesse gesto: juntar as pedras, uma por uma, lembrar as tribos, a história, a identidade. É como se Deus se aproximasse do povo cansado lembrando de onde ele veio e quem ele é. O fogo que desce não é só demonstração de poder; é resposta a uma oração que pede restauração interior. Quando o povo cai com o rosto em terra e confessa que só o Senhor é Deus (v.39), é como se a secura interna começasse a se quebrar. A cena da chuva também carrega consolo. Depois de tanto tempo de céu fechado, o texto descreve uma nuvem pequena como a mão de um homem (v.44). Um sinal tão modesto, mas suficiente para anunciar que a grande chuva vinha chegando. Em muitas histórias humanas, é assim: primeiro surgem pequenos sinais de mudança, quase discretos, que já trazem alívio ao coração. A imagem de Elias curvado, com o rosto entre os joelhos, perseverando em oração enquanto ainda “não há nada” (v.43), acolhe quem está esperando por respostas há muito tempo. 1 Reis 18 mostra que Deus não esquece dos corações em meio à fome, à confusão, à idolatria do entorno. Mesmo depois de uma longa seca, Ele não só envia chuva, mas se ocupa em reorientar afetos, desfazer enganos, devolver um centro. Há cuidado em chamar o povo de volta, em restaurar o altar, em responder com fogo e com água. Nesse encontro entre fogo que consome e chuva que refresca, há um Deus que continua olhando com seriedade e ternura para corações divididos, cansados e sedentos.
Do ponto de vista exegético, 1 Reis 18 é um texto densamente teológico e cuidadosamente construído. Ele articula a crise do reino do Norte em torno de três eixos principais: a aliança com o Senhor, a sedução da idolatria baalita e o papel do profeta como representante da palavra divina. Historicamente, Acabe, influenciado por Jezabel, havia integrado o culto a Baal às estruturas de poder (v.19). Baal era associado à fertilidade e à chuva, o que torna a seca prolongada um golpe direto à sua suposta competência. O local do confronto, o Carmelo, reforça o contraste: uma região naturalmente favorável à vegetação, agora marcada pela aridez sob juízo divino. O discurso de Elias em 18:21 condensa a acusação profética: Israel “coxeia entre dois pensamentos”. O verbo evoca instabilidade física e, combinado ao contexto, sugere sincretismo religioso. Não é apostasia total do Senhor, mas uma mistura de lealdades que esvazia a singularidade de YHWH. A prova com dois altares e dois sacrifícios (v.23-24) não busca entreter, mas estabelecer, diante de todo o povo, um critério objetivo: o Deus que responder por fogo é o verdadeiro. O fogo é um sinal recorrente de presença e aprovação divina (Êxodo 3; Levítico 9), de modo que a cena ressoa com episódios anteriores da história de Israel. O comportamento dos profetas de Baal (v.26-29) é descrito com ironia: longas invocações, danças sobre o altar, automutilação, “mas não houve voz, nem resposta, nem atenção alguma” (v.29). A repetição negativa enfatiza o vazio da idolatria. Em contraste, a oração de Elias é breve, teologicamente densa, e centrada em três pontos: afirmar que o Senhor é Deus em Israel, confirmar Elias como seu servo, e explicar que tudo foi feito segundo a palavra divina (v.36). O pedido final salienta o propósito: “para que este povo conheça” e “tu fizeste voltar o seu coração” (v.37). A intervenção divina visa conhecimento e conversão. A restauração do altar com doze pedras (v.30-32) tem forte carga simbólica. Mesmo num reino politicamente dividido, Deus continua vendo Israel na sua totalidade, conforme o nome dado a Jacó. O profeta reencena a identidade da aliança antes do milagre, indicando que a verdadeira reforma começa pela recuperação da relação correta com Deus, não pelo espetáculo. O enchimento do altar com água (v.34-35) intensifica a impossibilidade humana de produzir fogo, afastando qualquer suspeita de fraude e sublinhando a natureza sobrenatural da resposta. A segunda parte do capítulo (v.41-46) reforça o papel da oração na realização das promessas divinas. Deus já havia prometido chuva (v.1), mas Elias se envolve numa postura de intercessão insistente, intermediando entre a palavra proferida e sua concretização histórica. A pequena nuvem como “mão de um homem” (v.44) funciona como prenúncio simbólico: um sinal mínimo que anuncia um grande desfecho. O versículo final, com Elias correndo à frente do carro de Acabe pela “mão do Senhor” (v.46), sugere que o profeta, fortalecido por Deus, precede o rei no caminho, como se a palavra divina fosse à frente do poder político. O texto, assim, apresenta o profeta e sua mensagem como o verdadeiro eixo da história de Israel, acima e além das estruturas humanas.
1 Reis 18 encaixa de forma prática em muitos dilemas do cotidiano: escolhas divididas, pressões de ambiente, esperas demoradas e necessidade de reconstrução. O povo de Israel vivia tentando conciliar dois sistemas: o culto ao Senhor e o culto a Baal. Isso lembra situações em que alguém tenta manter um discurso de fé, mas organiza a vida como se outros “deuses” fossem, na prática, o centro: carreira, aprovação de pessoas, consumo, controle absoluto da própria história. O chamado de Elias à definição (v.21) toca em decisões concretas: prioridades no uso de tempo e dinheiro, relacionamentos que influenciam valores, compromissos éticos no trabalho. Não é possível sustentar para sempre uma vida “manca”, oscilando de acordo com o que é mais vantajoso no momento. O texto aponta para a necessidade de ajustar a prática diária à confissão de fé, mesmo que isso tenha custo social ou profissional. Outro ponto prático é a restauração do altar quebrado (v.30-32). Antes do grande sinal, Elias faz algo simples e trabalhoso: junta pedras, organiza a lenha, prepara o sacrifício. Há uma lógica: primeiro se recompõe o lugar da adoração, depois vem a resposta visível. Na vida real, isso pode se traduzir em retomar disciplinas que parecem pequenas — tempo consistente de leitura bíblica, participação na comunidade de fé, reconciliações necessárias —, que preparam o terreno para mudanças mais profundas. Não se trata de “forçar” Deus a agir, mas de alinhar o cotidiano com o que se crê. A postura de Elias na oração pela chuva (v.42-44) também sugere práticas saudáveis. Ele sabe da promessa, mas continua agindo: se recolhe, ora, manda o servo verificar, insiste sete vezes. Em termos de decisão e planejamento, há aqui um equilíbrio entre esperar e agir. Em vez de paralisar diante da falta de resultados imediatos (“não há nada”, v.43), ele mantém o foco no que foi dito por Deus e continua dando pequenos passos na mesma direção. Isso dialoga com processos longos: estudo, mudança de carreira, restauração de casamento, reestruturação financeira. Pequenos sinais, como a “pequena nuvem”, já são motivo para ajustar ações de forma prudente. Por fim, Elias mostra que fidelidade nem sempre é confortável. Ele confronta Acabe, enfrenta multidões e parece estar em minoria absoluta (v.22). No dia a dia, isso pode significar sustentar padrões diferentes no ambiente de trabalho, não compactuar com corrupção, assumir compromissos éticos mesmo quando a maioria escolhe o mais fácil. O capítulo encoraja a manter a coerência entre crença e prática, a reconstruir o que foi quebrado na relação com Deus e a caminhar com perseverança, mesmo quando o “céu” ainda parece fechado.
Espiritualmente, 1 Reis 18 é um chamado à pureza de devoção e à profundidade da entrega. A pergunta de Elias — “Se o Senhor é Deus, segui-o” (v.21) — não é uma simples provocação intelectual, mas um convite à totalidade do coração. O problema de Israel não era desconhecer o nome de Deus, mas diluir sua lealdade em um cenário de pluralidade de deuses. A cena do Carmelo revela que a alma humana não foi feita para dividir sua confiança fundamental entre muitos senhores concorrentes. A restauração do altar com doze pedras (v.30-32) ajuda a enxergar o processo de formação espiritual como algo que envolve memória, identidade e aliança. Cada pedra remete a uma tribo, a uma história, a um pertencimento. Antes do fogo, vem a lembrança: quem é o povo, quem é o Deus que o chamou, que nome Ele deu a Jacó: Israel. De maneira análoga, a jornada espiritual precisa, vez ou outra, retornar às bases — quem Deus é, o que Ele já fez, o que significa pertencer-lhe. A formação da alma passa por esse reerguer de altares internos, onde a vida volta a ser oferecida como sacrifício a Ele. A oração de Elias também ilumina o modo como se vive diante de Deus. Ele não busca um milagre por vaidade espiritual; pede que o Senhor se manifeste como Deus em Israel, e que fique claro que ele é apenas servo, agindo conforme a palavra (v.36). A intenção final é que “este povo conheça” e que Deus faça voltar o coração (v.37). Esse tipo de oração revela um coração já moldado: não busca primeiro uma experiência intensa, mas a glória de Deus e a transformação de outros. No caminho de maturidade espiritual, cresce o desejo de ver a vontade de Deus realizada, mais do que a de experimentar sinais isolados. O fogo que desce e consome tudo — sacrifício, lenha, pedras, água, pó (v.38) — pode ser lido como imagem da santidade de Deus, que não se limita a uma parte da vida. Quando o Senhor se manifesta, Ele não quer apenas uma área; Ele toca estrutura, hábitos, até o que parece sólido como pedra. A reação do povo, prostrado e confessando “Só o Senhor é Deus!” (v.39), aponta para a resposta adequada da alma quando se depara com a realidade divina: rendição, adoração, reconhecimento. A chuva que chega depois da seca longa (v.45) fala de um Deus que discipline e restaura. A seca fora juízo, sim, mas não o fim da história. Depois do fogo que purifica vem a água que renova. A pequena nuvem como “mão de um homem” (v.44) sugere que, na peregrinação espiritual, os sinais de mudança às vezes são pequenos, mas carregam em si a promessa do que virá. A mão do Senhor sobre Elias, dando-lhe força para correr à frente do carro de Acabe (v.46), simboliza que é o Espírito de Deus que capacita a caminhada, não a energia própria. No horizonte da eternidade, o Carmelo antecipa um juízo final sobre toda idolatria e um chamado definitivo à adoração exclusiva. A alma é convidada a responder desde já, não apenas com palavras, mas com uma vida que, pedra por pedra, se deixa reconstruir como altar vivo para o Deus único.
" NÃO repreendas asperamente o ancião, mas admoesta-o como a pai; aos moços como a irmãos; "
" As mulheres idosas, como a mães, às moças, como a irmãs, em toda a pureza. "
" Honra as viúvas que verdadeiramente são viúvas. "
" Mas, se alguma viúva tiver filhos, ou netos, aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família, e a recompensar seus pais; porque isto é bom e agradável diante de Deus. "
" Ora, a que é verdadeiramente viúva e desamparada espera em Deus, e persevera de noite e de dia em rogos e orações; "
" Mas a que vive em deleites, vivendo está morta. "
" Manda, pois, estas coisas, para que elas sejam irrepreensíveis. "
" Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel. "
" Nunca seja inscrita viúva com menos de sessenta anos, e só a que tenha sido mulher de um só marido; "
" Tendo testemunho de boas obras: Se criou os filhos, se exercitou hospitalidade, se lavou os pés aos santos, se socorreu os aflitos, se praticou toda a boa obra. "
" Mas não admitas as viúvas mais novas, porque, quando se tornam levianas contra Cristo, querem casar-se; "
" Tendo já a sua condenação por haverem aniquilado a primeira fé. "
" E, além disto, aprendem também a andar ociosas de casa em casa; e não só ociosas, mas também paroleiras e curiosas, falando o que não convém. "
" Quero, pois, que as que são moças se casem, gerem filhos, governem a casa, e não dêem ocasião ao adversário de maldizer; "
" Porque já algumas se desviaram, indo após Satanás. "
" Se algum crente ou alguma crente tem viúvas, socorra-as, e não se sobrecarregue a igreja, para que se possam sustentar as que deveras são viúvas. "
" Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; "
" Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário. "
" Não aceites acusação contra o presbítero, senão com duas ou três testemunhas. "
" Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor. "
" Conjuro-te diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, e dos anjos eleitos, que sem prevenção guardes estas coisas, nada fazendo por parcialidade. "
" A ninguém imponhas precipitadamente as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro. "
" Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades. "
" Os pecados de alguns homens são manifestos, precedendo o juízo; e em alguns manifestam-se depois. "
" Assim mesmo também as boas obras são manifestas, e as que são de outra maneira não podem ocultar-se. "
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