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1 Reis 11:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E o rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras, além da filha de Faraó: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hetéias, "

1 Reis 11:1

menu_book Versículo no contexto

1 E o rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras, além da filha de Faraó: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hetéias,

2 Das nações de que o Senhor tinha falado aos filhos de Israel: Não chegareis a elas, e elas não chegarão a vós; de outra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se uniu Salomão com amor.

3 E tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Esta é uma história triste e surpreendente sobre a queda de Salomão em pecado e ruína espiritual. A Escritura relata isso com toda honestidade, e registros posteriores ainda fazem referência a esse fato, até mesmo nos dias de Neemias (Neemias 13:26). Nenhum rei foi como Salomão, e ele era amado por seu Deus; ainda assim, mulheres estrangeiras o levaram ao pecado. Em resumo, essa é a síntese de sua rebelião: a mulher o enganou e foi a primeira a transgredir.

Primeiro ele passou a buscar mulheres estrangeiras, e muitas. Aqui começou sua decadência. Ele se entregou às mulheres, embora sua mãe o tivesse advertido exatamente contra esse perigo, dizendo para não dar sua força às mulheres (Provérbios 31:3). Esse aviso talvez fizesse lembrar de Sansão, que perdeu sua força depois de confiar seu segredo a uma mulher. A luxúria já destruiu muitos reis, e a própria queda de Davi começou com pecados da carne, o que deveria ter servido de alerta para Salomão. O amor desordenado por mulheres já derrubou muitos feridos (Provérbios 7:26) e, como disse o bispo Hall, muitos tiveram a cabeça quebrada pela própria costela.

Salomão tomou muitas mulheres, até ter setecentas esposas e trezentas concubinas, mil ao todo, e, em sua própria confissão posterior, não encontrou nelas uma só mulher verdadeiramente boa (Eclesiastes 7:28). Uma mulher de virtude firme não se juntaria a um grupo assim. A lei de Deus havia proibido claramente que os reis multiplicassem esposas, assim como os proibia de multiplicar cavalos (Deuteronômio 17:16-17). Salomão já havia transgredido o mandamento quanto aos cavalos, inclusive trazendo-os do Egito (1 Reis 10:29), e agora vemos a transgressão ainda mais grave quanto às mulheres. Pecados menores, quando tolerados, abrem caminho para pecados maiores.

Davi também havia multiplicado suas esposas em excesso, e Salomão pode ter achado que isso tornava a prática aceitável. Quando pessoas piedosas dão mau exemplo em alguma área, podem causar grande dano, especialmente a seus próprios filhos. Um pecado de um homem bom pode fazer mais estrago nos outros do que muitos pecados de um ímpio. Talvez Salomão não tenha planejado, de início, ir além do número de seu pai, mas o pecado sempre desce ladeira abaixo. Uma vez começando, não é fácil parar. Deus deu, desde o princípio, uma só mulher para um só homem, e quem não acha que uma é suficiente, não achará que duas ou três sejam suficientes. A cobiça sexual, quando não é refreada, nunca permanece pequena.

Essas mulheres eram também estrangeiras, moabitas, amonitas e outras de nações com as quais Deus havia proibido Israel de se misturar em casamento (1 Reis 11:2). Alguns pensam que Salomão as tomou por razões políticas, para obter informações sobre aquelas nações. É de temer, porém, que as filhas de Israel lhe parecessem modestas demais, ao passo que aquelas estrangeiras o agradavam por seu modo solto de vestir, de se comportar e de conversar. Ou talvez ele achasse que convinha a um grande rei encher seu harém de coisas difíceis de obter, como se ser sua concubina fosse uma honra para elas. Na verdade, isso seria uma desgraça até para a mais humilde de suas súditas, quanto mais para aquelas mulheres em si.

O pior de tudo é que Salomão apegou-se a elas com amor (1 Reis 11:2). Não apenas as manteve, mas lhes deu o coração. Passava o tempo com elas, valorizava tudo o que diziam e faziam, e acabou desprezando a filha de Faraó, sua esposa legítima, juntamente com as mulheres de Israel. Salomão tinha grande sabedoria, mas ela foi desperdiçada porque ele não dominou seus desejos.

Essas mulheres então o levaram à adoração de falsos deuses, assim como as filhas de Moabe haviam conduzido Israel a Baal-Peor. Este foi o triste resultado de multiplicar esposas. Provavelmente isso enfraqueceu sua saúde, acelerou os efeitos da velhice e consumiu suas riquezas, embora fossem enormes. Pode ainda tê-lo distraído de seus negócios, de modo que ele perdeu rendas do exterior e teve de sobrecarregar o povo com altos impostos para sustentar seu esplendor (1 Reis 12:4). Mas nem mesmo esses males foram tão graves quanto este: suas mulheres fizeram com que seu coração se desviasse para outros deuses (1 Reis 11:3-4).

Ele esfriou e se tornou descuidado em seu próprio culto e negligente no serviço ao Deus de Israel. Seu coração já não foi totalmente entregue ao Senhor seu Deus, e ele não o seguiu de modo pleno, como Davi havia feito (1 Reis 11:4, 1 Reis 11:6). Não devemos imaginar que ele tenha abandonado completamente o culto ao verdadeiro Deus, muito menos que tenha interrompido o serviço do templo, que continuava normalmente. Mas ele se tornou menos constante e menos sério ao ir à casa do Senhor e ao comparecer ao altar. Perdeu o primeiro amor e o zelo por Deus. Não perseverou até o fim como começou, e, por isso, é dito que não foi perfeito, porque não foi constante. Ele não seguiu ao Senhor de todo, pois se desviou de segui-lo e não perseverou.

Davi teve muitas falhas, mas nunca negligenciou o culto a Deus nem se tornou descuidado com ele, como aconteceu com Salomão. Suas mulheres usaram de todos os artifícios para afastá-lo, e aí começou sua rebelião. Ele também tolerou a idolatria delas e não hesitou em participar. Pensa-se que a filha de Faraó tenha abraçado a fé de Israel, mas, quando o próprio Salomão se tornou negligente no culto ao Senhor, ele não se empenhou para conduzir suas outras mulheres à verdadeira fé. Em vez disso, para agradá-las, construiu altares e santuários para os deuses delas (1 Reis 11:7-8), sustentou seus sacerdotes e, às vezes, chegou a participar de seus sacrifícios. Ele parece ter tratado isso com leviandade, como se dissesse: “Que mal há nisso? Não são todas as religiões iguais?” O bispo Patrick observa que essa tem sido, com frequência, a fraqueza de pessoas muito inteligentes.

Ao favorecer uma esposa dessa maneira, as outras ficariam ressentidas se ele não fizesse o mesmo por elas. Assim, ele agiu assim com todas as suas mulheres (1 Reis 11:8). No fim, tornou-se tão ímpio que construiu um alto para Quemos no monte que está ao oriente de Jerusalém, no monte das Oliveiras, como se fosse um contraste ao templo que ele mesmo havia erguido. Aqueles altos permaneceram ali, sem serem totalmente destruídos, até os dias de Josias (2 Reis 23:13).

Aqui é adequado fazer uma pausa e lamentar a queda de Salomão, e, com razão, ficar maravilhado diante dela. Como se escureceu o ouro, e como se mudou o ouro mais fino! Que o céu se espante com isso, e que nós tremamos, como diz Jeremias em caso semelhante (Jeremias 2:12). É espantoso que Salomão, já na velhice, tenha sido enredado por desejos carnais, justamente aquelas paixões que costumam pertencer à juventude.

Assim como nunca devemos presumir que nossas boas resoluções sejam fortes o bastante, também não devemos imaginar que nossos desejos corruptos sejam fracos demais para nos causar dano. Nunca devemos nos sentir seguros a ponto de baixar a guarda. É surpreendente que alguém tão sábio quanto Salomão, famoso por seu entendimento penetrante e bom juízo, tenha se deixado desviar por mulheres insensatas. E é notável que o homem que tantas vezes e tão claramente advertiu os outros sobre o perigo do amor desordenado às mulheres tenha sido tão profundamente enredado por ele mesmo. É mais fácil enxergar o perigo e apontá-lo para os outros do que evitá-lo em nossa própria vida.

É igualmente doloroso ver que um homem tão bom, tão zeloso pelo culto de Deus e tão familiarizado com as coisas divinas tenha caído em conduta tão pecaminosa. É o mesmo Salomão que fez aquela grande oração na dedicação do templo. Será que este é mesmo Salomão? Será que toda a sua sabedoria e devoção terminaram assim? Nunca um navio foi tão mal destroçado, nem uma coroa tão desonrada.

O que dizer de tudo isso? Não precisamos perguntar por que Deus permitiu que acontecesse. Seus caminhos estão além de nós, como uma vereda no mar e sobre águas profundas. Ele sabia como trazer glória para si mesmo até mesmo a partir desse fracasso. Deus já havia previsto algo desse tipo quando falou a respeito daquele que edificaria o templo: “Se vier a transgredir, etc.” (2 Samuel 7:14).

Mas devemos perguntar que bom uso podemos fazer desse aviso. Quem pensa estar em pé atente para não cair. Vemos quão fracos somos por nós mesmos, sem a graça de Deus, e por isso precisamos viver em contínua dependência dessa graça. Percebemos também quão perigosa pode ser a prosperidade e quão difícil é resistir às suas tentações. Salomão, como Jesurum, engordou e deu coices. O pão na medida certa, pelo qual Agur orou, é mais seguro e melhor do que o pão em abundância, que deixou Salomão farto em excesso.

Devemos ver ainda quanto aqueles que fizeram forte profissão de fé precisam vigiar. Se já demonstraram zelo na religião, o diabo os atacará com mais força, e, se caírem, maior será a vergonha. O final de uma vida boa é o que comprova o valor de todo o restante. Por isso, é preciso ter cuidado, para que, depois de termos corrido bem, não venhamos a terminar em falta.

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