Versículo em destaque
1 João 5:6 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade. "
1 João 5:6
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
4 Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé.
5 Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?
6 Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade.
7 Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um.
8 E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num.
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A fé do crente é poderosa e vitoriosa, por isso precisa repousar em base sólida. Na verdade, ela possui a mais clara prova celestial da missão, autoridade e ofício divinos do Senhor Jesus. Cristo traz consigo as próprias credenciais, tanto na maneira como veio ao mundo quanto no testemunho que o acompanha.
Ele veio por água e sangue. Isso significa que ele não veio apenas para entrar no mundo, mas para se manifestar e agir como Salvador no mundo. Veio para nos salvar dos nossos pecados, dar-nos a vida eterna e conduzir-nos a Deus, e fez isso por meio de água e sangue, e por meio de ninguém menos que Jesus Cristo.
Somos contaminados tanto interior quanto exteriormente. Interiormente, o pecado corrompeu nossa natureza e domina nosso coração, de modo que precisamos de uma lavagem espiritual que alcance a alma. Por isso Cristo concede a lavagem do novo nascimento e a obra renovadora do Espírito Santo. Ele ilustrou isso quando lavou os pés dos discípulos e disse a Pedro, que se recusava a ser lavado: se ele não fosse lavado por Cristo, não teria parte com ele.
Também estamos contaminados exteriormente pela culpa e pelo poder condenatório do pecado sobre a nossa pessoa. Por causa dessa culpa, ficamos separados de Deus e excluídos de sua presença graciosa, a menos que sejamos purificados por sangue expiatório, sangue que faz pagamento pelo pecado. O céu determinou que, sem derramamento de sangue, não há remissão (Hebreus 9:22). Portanto, o Salvador do pecado tinha de vir com sangue.
Essas duas formas de purificação também foram mostradas nas antigas leis cerimoniais. Pessoas e objetos precisavam ser purificados por água e sangue. Houve muitas abluções e regulamentos externos estabelecidos até o tempo da reforma, e as cinzas de uma novilha misturadas com água purificavam o imundo (Hebreus 9:10, 13; Números 19:9). Da mesma maneira, quase todas as coisas eram purificadas com sangue segundo a lei (Hebreus 9:22). Esses ritos mostravam nossa dupla impureza e, ao mesmo tempo, apontavam para a dupla purificação do Salvador.
Isso apareceu de modo especial na morte de Jesus Cristo. Quando um soldado traspassou o seu lado com uma lança, saiu imediatamente sangue e água (João 19:34-35). João, o apóstolo amado, viu isso com os próprios olhos e registrou com cuidado, porque entendeu que havia ali um profundo significado. Água e sangue juntos abrangem tudo o que é necessário para a nossa salvação. A água representa a purificação de nossas almas para o céu, e o sangue honra a Deus, sustenta a sua lei e manifesta a sua justiça. Pelo sangue de Cristo somos justificados, isto é, considerados justos diante de Deus, reconciliados com ele e apresentados como justos perante a sua face (Romanos 3:25-26). Por esse sangue, a maldição da lei é satisfeita, e o Espírito purificador é concedido para a limpeza interior da nossa natureza (Gálatas 3:13).
A água e o sangue que saíram do lado do Redentor sacrificado, juntos, incluem tudo o que é necessário para a salvação. Eles consagram e santificam tudo o que Deus escolhe usar para esse grande fim. Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água pela palavra, a fim de apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa (Efésios 5:25-27). Aquele que vem por água e sangue é um Salvador completo e perfeito.
Cristo tem ainda outra testemunha, o Espírito Santo. Era adequado que o Salvador comissionado para o mundo tivesse um agente constante para sustentar a sua obra e testificar dele ao mundo. Um poder divino deveria acompanhá-lo, bem como ao seu evangelho e aos seus servos, mostrando ao mundo qual missão eles traziam e com que autoridade foram enviados. Jesus disse que o Espírito o glorificaria, tomaria do que é dele e o anunciaria ao seu povo e, por meio desse povo, ao mundo (João 16:14).
João acrescenta que esse testemunho é plenamente digno de aceitação porque “o Espírito é a verdade” (1 João 5:6). Sendo o Espírito de Deus, ele não pode mentir. Alguns manuscritos trazem a leitura “porque Cristo é a verdade”, o que destacaria a verdade de Cristo como o conteúdo sobre o qual o Espírito testifica. O sentido, porém, permanece claro de qualquer forma: o Espírito dá testemunho de que Cristo é a verdade e, portanto, que o cristianismo é a verdade de Deus. Ainda assim, a leitura atual é apropriada, e a conservamos.
O Espírito é de fato o Espírito da verdade (João 14:17). Seu testemunho é digno de confiança porque ele é uma testemunha celestial, uma das testemunhas do céu quanto à verdade e à autoridade de Cristo. Pois há três que testificam no céu: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, e estes três são um.
Assim, 1 João 5:7 se encaixa muito bem aqui, como prova de que o testemunho do Espírito é digno de confiança. Ele precisa ser verdadeiro, ou a própria verdade, se não é apenas uma testemunha no céu, mas um em ser e essência com o Pai e o Verbo. Ou seja, ele não apenas concorda no testemunho, como poderia fazer um anjo, mas compartilha a mesma natureza divina.
Aqui, porém, somos detidos pela controvérsia sobre se 1 João 5:7 é genuíno. Alega-se que muitos antigos manuscritos gregos não o incluem. Não se entra aqui em toda a discussão. Os críticos não concordam plenamente quanto a quais manuscritos o contêm e quais não, e nem sempre informam de forma suficiente sobre o estado e o valor das cópias que examinam.
Ainda assim, há argumentos razoáveis em favor da leitura presente. Se substituirmos 1 João 5:7 por 1 João 5:8, o trecho fica muito parecido com uma repetição do que já foi dito em 1 João 5:6: Cristo veio por água e sangue, não só por água, mas por água e sangue, e o Espírito testifica. Então as três testemunhas seriam apenas o Espírito, a água e o sangue. Isso lhes daria uma introdução bem menos nobre do que a leitura atual dá.
Também se observa que muitos manuscritos trazem a expressão “na terra”. Isso parece apontar para alguma testemunha ou testemunhas em outro lugar, e os opositores dizem que essa expressão deve faltar na maioria dos livros que não contêm 1 João 5:7. Mas, pela mesma lógica, deveria faltar em todos. Se lermos 1 João 5:6 assim: “Este é aquele que veio por água e sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade”, não seria natural seguir com: “Porque três são os que testificam na terra”, a menos que o apóstolo estivesse nos dizendo que todas as testemunhas são terrenas, embora uma delas seja infalivelmente verdadeira, sim, a própria verdade.
Há também variação no próprio texto grego. Em 1 João 5:7, alguns manuscritos trazem “são um”, enquanto outros, incluindo ao menos a edição Complutense, registram “tendem a um” ou “concordam em um”. Em 1 João 5:8, onde se supõe que a passagem continue, alguns leem “sobre a terra” em vez do usual “na terra”. Isso sugere que a edição Complutense se baseou em alguma autoridade grega, e não apenas na versão latina ou em Tomás de Aquino, embora o testemunho dele possa ser somado a isso.
O versículo sete também se ajusta muito bem ao estilo e ao ensino de João. Ele usa frequentemente o título “o Pai”, quer se refira a Deus em geral, quer ao Pai em distinção do Filho. “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). “Não estou só, porque o Pai está comigo” (João 16:32). “Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador” (João 14:16). “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 João 2:15). “Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo, o Filho do Pai” (2 João 1:3).
O nome “o Verbo” também é quase, senão totalmente, exclusivo deste apóstolo. Se outro escritor tivesse inventado esse texto, teria sido mais fácil, e mais natural conforme a linguagem batismal e o uso da igreja, empregar “o Filho” em vez de “o Verbo”. Tertuliano e Cipriano de fato usam o título “Filho” quando se referem a esse versículo. Alguns até alegam que eles não podem estar se referindo a esse texto porque falam do Filho, e não do Verbo. Contudo, as palavras de Cipriano, como o próprio Facundo as cita, parecem muito claras. O bem-aventurado Cipriano, bispo e mártir de Cartago, entendeu o testemunho de João como falando do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ele diz: “O Senhor afirma: Eu e o Pai somos um” e, de novo: “Está escrito do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e estes três são um.” Essas palavras exatas não se encontram em nenhum outro lugar senão em 1 João 5:7.
É provável que Cipriano, seja de memória, seja porque estivesse enfatizando mais as pessoas do que a formulação exata, tenha usado os nomes mais comuns na igreja, chamando a segunda pessoa de Filho em vez de Palavra. Se alguém aceitar a ideia de Facundo de que Cipriano queria dizer que o Espírito, a água e o sangue eram, na verdade, o Pai, a Palavra e o Espírito, que fique com essa ideia para si. Teria então de dizer que Cipriano mudou todos os nomes e até a ordem usada pelo apóstolo. O sangue, que Cipriano colocaria em segundo lugar, João o coloca por último. Também teria de dizer que Cipriano entendeu que o sangue do lado de Cristo significava o próprio Cristo, a água significava o Espírito Santo, e que o Espírito, chamado de verdade no versículo 6 e de Espírito da verdade no Evangelho, significava o Pai, ainda que em nenhum outro lugar João fale assim quando menciona o Pai junto com o Filho e o Espírito Santo.
Precisamos de provas sólidas antes de crer que o pai cartaginês entendeu o apóstolo dessa maneira. Quem o lê assim também tem de admitir que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são chamados de três testemunhas na terra. Mas o próprio Facundo admite que Cipriano diz: “estes três são um”. Essas são as palavras não de (1 João 5:8), mas de (1 João 5:7). Não se dizem dos três na terra, o Espírito, a água e o sangue, mas dos três no céu, o Pai, a Palavra e o Espírito Santo.
É dito ainda que o autor do livro Sobre o Batismo dos Hereges, considerado como sendo da época de Cipriano, cita as palavras de João em harmonia com os manuscritos gregos e as antigas versões assim: “João diz a respeito de nosso Senhor em sua epístola: Este é aquele, Jesus Cristo, que veio por água e sangue, não só por água, mas por água e por sangue; e o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade; pois são três os que testificam, o Espírito, a água e o sangue, e estes três concordam num só.” Se todos os manuscritos gregos e as antigas versões dizem do Espírito, da água e do sangue que eles “concordam num só”, então Cipriano não estava falando dessas palavras quando disse: “está escrito: são um”, ainda que as cópias de seu tempo tivessem algumas diferenças. Assim, as palavras de Cipriano continuam parecendo um forte apoio ao versículo 7 e sugerem também que um falsificador do texto dificilmente conseguiria acertar tão exatamente o nome apostólico dado ao segundo testemunho no céu: a Palavra.
Assim como apenas esse apóstolo registra a história da água e do sangue que saíram do lado do Salvador, ele é também aquele que, principalmente, registra a promessa e a profecia do Salvador acerca da vinda do Espírito Santo. No Evangelho de João, Cristo diz que o Espírito o glorificará, dará testemunho dele e convencerá o mundo do seu pecado de incredulidade e da justiça de Cristo (João 14:16, João 14:17, João 14:26; João 15:26; João 16:7-15). É, portanto, muito apropriado, de acordo com o modo de escrever desse apóstolo e com o seu Evangelho, que se mencione o Espírito Santo como testemunha de Jesus Cristo.
Também era muito mais fácil para um copista, por desatenção ou porque o manuscrito estivesse apagado ou gasto no topo ou no rodapé de uma página, omitir uma passagem do que para alguém inventar e inserir uma. Uma pessoa que fizesse isso teria de ser ousada e sem vergonha, achando que poderia escapar de ser desmascarada, e ainda ímpia, por ousar acrescentar algo a um livro tido como sagrado. E é difícil imaginar que, quando o apóstolo está falando da fé do cristão em vencer o mundo e dos fundamentos para manter firme a fé em Jesus Cristo, ele teria deixado de fora o testemunho pleno que o sustenta. Isso é ainda mais forte quando ele prossegue dizendo: “Se recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior”, porque esse testemunho que ele acaba de descrever é o testemunho de Deus acerca de seu Filho (1 João 5:9).
Nos três testemunhos terrestres não há nem todo o testemunho de Deus, nem sequer qualquer testemunho que seja, em si mesmo, diretamente divino. Aqueles que rejeitam esse texto por negarem a Trindade não aceitarão que o Espírito, a água ou o sangue sejam o próprio Deus. Mas, na leitura que temos diante de nós, há um nobre conjunto de testemunhas e testemunhos em favor da verdade do Senhor Jesus e da autoridade divina de sua obra. Aqui está, creio eu, um dos mais claros resumos breves das razões da fé em Cristo, da prova que o Salvador traz consigo e da evidência de nosso cristianismo em toda a Escritura. Só por essa razão, mesmo que deixemos de lado a doutrina da Trindade divina, o texto merece plena aceitação.
Tendo esses sólidos motivos ao nosso lado, prosseguimos. O apóstolo já nos disse que o Espírito que testifica de Cristo é a verdade, e agora mostra que isso é assim, declarando que o Espírito está no céu, com outros que só podem ser verdadeiros, ou a própria verdade, unindo-se a ele no testemunho: “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um” (1 João 5:7).
Aqui temos uma Trindade de testemunhas celestiais, por assim dizer, pessoas que deram testemunho ao mundo de que Jesus Cristo é verdadeiro e que seu ofício e suas reivindicações são justos. A primeira na ordem é o Pai. Ele confirmou a missão de Cristo todo o tempo em que Jesus esteve na terra, especialmente proclamando-o em seu batismo (Mateus 3:17), confirmando-o na transfiguração (Mateus 17:5) e sustentando-o com obras miraculosas: “Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis. Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras, para que conheçais e acrediteis que o Pai está em mim e eu nele” (João 10:37, João 10:38). Ele também o declarou em sua morte (Mateus 27:54) e depois o ressuscitou dentre os mortos e o recebeu em glória. Cristo disse que o Espírito convenceria o mundo “da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais” (João 16:10), o que também é afirmado em (Romanos 1:4).
A segunda testemunha é a Palavra, nome misterioso que aponta para a natureza mais elevada do Salvador, Jesus Cristo. Isso mostra que ele existia antes do mundo, que fez o mundo e que era verdadeiramente Deus com o Pai. Ele deve dar testemunho da natureza humana, ou do homem Cristo Jesus, em e por meio de quem nos remiu e salvou. Ele o fez, primeiro, pelas obras poderosas que realizou, como em (João 5:17): “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.” Segundo, ele o fez dando glória a Cristo na transfiguração: “E vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai” (João 1:14). Terceiro, ele o fez ressuscitando-o dos mortos: “Derribai este templo, e em três dias o levantarei” (João 2:19).
A terceira testemunha é o Espírito Santo, um nome nobre e honroso, que aponta para aquele que é dono da santidade, concede santidade e é a fonte da santidade. O Espírito de santidade deve ser verdadeiro e fiel quando coloca seu selo e seu solene testemunho sobre alguém. Ele fez isso com o Senhor Jesus, cabeça do mundo cristão, de várias maneiras. Primeiro, produziu a natureza humana santa de Cristo no ventre da virgem: “Descerá sobre ti o Espírito Santo” (Lucas 1:35). Segundo, desceu visivelmente no batismo de Cristo: “o Espírito Santo desceu em forma corpórea” (Lucas 3:22). Terceiro, deu a Cristo poder sobre os espíritos do inferno e das trevas: “Se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é chegado a vós o reino de Deus” (Mateus 12:28). Quarto, desceu com poder visível sobre os apóstolos, concedendo-lhes dons e poder para pregarem Cristo e o seu evangelho depois que Jesus subiu ao céu (Atos 1:4, Atos 1:5; Atos 2:2-4). Quinto, sustentou o nome, o evangelho e a causa de Cristo por meio de dons e obras miraculosas nos discípulos e entre as igrejas durante duzentos anos (1 Coríntios 12:7).
Essas são testemunhas no céu, e dão testemunho desde o céu. Elas são um, não apenas porque concordam no mesmo testemunho, sendo três que testificam a mesma verdade, mas também de modo mais profundo, por estarem no céu. São um em ser e essência celestiais; e, se são um com o Pai, necessariamente são um só Deus.
A essas testemunhas celestiais se junta, ainda que de maneira diferente, uma tríade de testemunhas na terra, que permanecem aqui embaixo: “Há três que testificam na terra: o Espírito, a água e o sangue; e estes três concordam num” (1 João 5:8). A primeira testemunha é o espírito. Aqui não se trata da mesma pessoa do Espírito Santo que está no céu. Devemos antes lembrar o que o Salvador disse, registrado por este mesmo apóstolo: “O que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:6).
Os discípulos de Cristo, como todos os outros, nascem segundo a carne. Eles vêm ao mundo com uma natureza pecaminosa e carnal, inimiga de Deus. Essa natureza precisa ser morta e removida. Uma nova natureza precisa ser concedida. Velhos pecados e corrupções devem ser expulsos, e o verdadeiro discípulo deve tornar-se uma nova criação. A regeneração, isto é, o renovar das almas, é um testemunho a respeito do Salvador. É sua obra salvadora já iniciada, embora ainda não esteja completa.
Esse é um testemunho na terra, porque continua na igreja aqui, e não se manifesta de modo tão público e espantoso como os milagres vindos do céu. Esse Espírito inclui não apenas o novo nascimento e a conversão da igreja, mas também seu crescimento em santidade, vitória sobre o mundo, paz, amor, alegria e toda graça que torna os crentes prontos para a herança dos santos na luz.
A segunda testemunha é a água. Antes ela foi considerada como meio de salvação, mas aqui é uma testemunha a respeito do próprio Salvador, mostrando sua pureza e seu poder de tornar outros puros. Ela aponta, em primeiro lugar, para a pureza de sua própria natureza e de sua conduta no mundo. Ele foi santo, inofensivo e sem mácula. Em segundo lugar, aponta para o testemunho de João Batista, que deu testemunho dele, preparou um povo para ele e os direcionou a ele (Marcos 1:4, Marcos 1:7, Marcos 1:8).
Em terceiro lugar, aponta para a pureza do próprio ensino de Cristo, pelo qual as almas são lavadas e purificadas. “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado” (João 15:3). Em quarto lugar, aponta para a santidade real de seus discípulos. Seu corpo é a santa igreja católica, isto é, toda a igreja dos crentes. “Purificando as vossas almas na obediência à verdade, pelo Espírito” (1 Pedro 1:22). Em quinto lugar, aponta para o batismo que ele instituiu para trazer discípulos à sua comunhão, no qual ele declara claramente, por esse sinal: “Se eu não te lavar, não tens parte comigo”. Não se trata apenas de lavar a imundícia do corpo, mas de “resposta de uma boa consciência para com Deus” (1 Pedro 3:21).
A terceira testemunha é o sangue, o sangue que Cristo derramou como nosso resgate. Esse sangue testifica por Jesus Cristo de muitas maneiras. Primeiro, selou e completou os sacrifícios do Antigo Testamento, pois “Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós”. Segundo, confirmou suas próprias previsões e a verdade de todo o seu ensino e ministério (João 18:37). Terceiro, manifestou seu amor incomparável a Deus, pois ele se dispôs a morrer como sacrifício para a honra e glória de Deus, fazendo expiação pelos pecados do mundo (João 14:30, João 14:31).
Quarto, mostrou seu amor indescritível por nós, e nenhum enganador amaria as pessoas de um modo que não pudesse ser usado para iludi-las, como foi o caso do amor de Cristo (João 14:13-15). Quinto, mostrou que o Senhor Jesus não tinha nenhum objetivo egoísta de ganho ou poder terrenos. Nenhum impostor planeja para si mesmo desprezo e uma morte cruel (João 18:36). Sexto, impõe um dever a seus discípulos de sofrer e morrer por ele. Nenhum enganador chamaria seguidores para seu lado a um custo tão alto. “E odiados de todos sereis por causa do meu nome.” “Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus” (João 16:2). Cristo frequentemente chama seus servos a participarem de seus sofrimentos: “Saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério” (Hebreus 13:13).
Isso também mostra que nem Cristo nem seu reino são deste mundo. Sétimo, os benefícios que procedem de seu sangue, se forem devidamente compreendidos, provam imediatamente que ele é verdadeiramente o Salvador do mundo. Oitavo, essas coisas são mostradas e seladas em sua própria ceia: “isto é o meu sangue do novo testamento”, isto é, o sangue da aliança que confirma o novo concerto, “que é derramado por muitos, para remissão dos pecados” (Mateus 26:28).
Tais são as testemunhas na terra. Tal é o testemunho multiforme dado ao fundador da nossa religião. Não é de admirar que quem rejeita toda essa evidência seja julgado blasfemo contra o Espírito de Deus e seja deixado para perecer em seus pecados, sem remédio. Essas três testemunhas, por diferirem mais umas das outras do que as três testemunhas celestiais, não são tanto apresentadas como sendo uma só, mas como sendo por uma só, isto é, concordam em um mesmo propósito e causa, e no mesmo testemunho que é dado desde o céu.
O apóstolo conclui com toda razão: “Se recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior; porque o testemunho de Deus é este, que de seu Filho testificou” (1 João 5:9). Aqui temos uma suposição perfeitamente razoável. Este é o testemunho de Deus, o testemunho pelo qual Deus tem dado testemunho acerca de seu Filho. Isso só pode significar um testemunho imediato e inegável, especialmente o testemunho do Pai a respeito do Filho. Deus, por si mesmo, o proclamou e o fez conhecido ao mundo.
Vemos também a autoridade e o valor desse testemunho, argumentados do menor para o maior. Se recebemos o testemunho dos homens, e tal testemunho precisa ser recebido em todos os tribunais e entre todas as nações, então o testemunho de Deus é maior. Ele é a própria verdade, com a mais alta autoridade e perfeita confiabilidade. A regra é então aplicada a este caso: este é o testemunho de Deus, do Pai, bem como do Verbo e do Espírito, que ele tem dado testemunho acerca de seu Filho.
Deus, que não pode mentir, deu ao mundo garantias suficientes de que Jesus Cristo é seu Filho, o Filho de seu amor, e Filho por ofício, enviado para reconciliar e restaurar o mundo a si mesmo. Assim, ele tem testificado a respeito da verdade e da origem divina da religião cristã, e do caminho certo e determinado pelo qual somos conduzidos a Deus.
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Deste capítulo
1 João 5:1
"Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido."
1 João 5:2
"Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos."
1 João 5:3
"Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados."
1 João 5:4
"Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé."
1 João 5:5
"Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?"
1 João 5:7
"Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um."
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