1 Crônicas 27 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique 1 Crônicas 27 na sua vida hoje

34 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e 1 Crônicas 27?

1 Crônicas 27 descreve a organização militar, administrativa e política do reino de Davi. O capítulo apresenta as divisões do exército que serviam em rodízio mensal, os líderes de cada tribo, os responsáveis pelos bens e propriedades do rei, além dos conselheiros mais próximos de Davi. O texto revela um governo bem estruturado, com funções distribuídas, liderança definida e reconhecimento de que, acima de toda organização humana, estava a promessa de Deus sobre Israel.

Temas principais em 1 Crônicas 27

Organização e ordem no povo de Deus (versiculos 1-15, 25-31)

O capítulo mostra um sistema detalhado de turnos militares, liderança por tribos e gerenciamento de recursos. Essa ordem não é apenas militar ou administrativa, mas uma expressão de responsabilidade e boa governança no povo escolhido.

Versiculos-chave: 1, 2, 25, 31

Liderança compartilhada e delegação (versiculos 1-2, 16-22, 25-34)

Davi não governa sozinho. Capitães, príncipes, administradores e conselheiros exercem funções específicas. Há um reconhecimento de que o governo eficaz passa pela confiança em outros líderes fiéis e capacitados.

Versiculos-chave: 1, 16, 32, 33

Dependência da promessa de Deus, não apenas de números (versiculos 23-24)

Davi evita contar os jovens abaixo de 20 anos, lembrando a promessa de Deus de multiplicar Israel como as estrelas do céu. A tentativa de um recenseamento completo provoca ira divina, mostrando o perigo de confiar mais em estatísticas do que na palavra do Senhor.

Versiculos-chave: 23, 24

Cuidado integral com o reino (versiculos 25-31)

O texto inclui não só exército e tribos, mas também vinhas, campos, gado, azeite, vinho e tesouros. A vida do reino é vista de forma abrangente, mostrando que o cuidado de Deus alcança tanto o espiritual quanto o material.

Versiculos-chave: 25, 27, 29

Conselho sábio no governo (versiculos 32-34)

Jônatas, Aitofel, Husai e outros são apresentados como conselheiros de Davi. A liderança de Davi é acompanhada por homens entendidos, indicando o valor da sabedoria, do conselho e da amizade fiel na condução do povo.

Versiculos-chave: 32, 33

Contexto historico e literario

1 Crônicas 27 está situado no fim do reinado de Davi, quando o reino de Israel já está consolidado e relativamente estável. É um período posterior às grandes guerras de conquista e expansão. Agora, o foco é organizar a manutenção do reino, proteger fronteiras e garantir a administração dos recursos.

O exército é dividido em doze turmas de vinte e quatro mil homens, cada uma servindo um mês por ano. Esse sistema de rodízio permitia ter um exército pronto sem sobrecarregar continuamente todo o povo. Além disso, cada tribo tem um líder ou príncipe reconhecido, sinal de que, mesmo com um rei central, as estruturas tribais continuam relevantes.

A menção ao recenseamento incompleto (vv. 23-24) remete ao episódio em que Davi tentou contar o povo e isso trouxe juízo de Deus (narrado mais amplamente em outras passagens bíblicas). Aqui, o cronista relembra o fato para destacar que a multiplicação de Israel depende da promessa divina, não do cálculo humano.

A lista dos responsáveis por tesouros, campos, vinhas, gados e produtos revela um reino com economia organizada: agricultura, pecuária, produção de vinho e azeite, além de tesouros armazenados em cidades, vilas e torres. Por fim, o círculo de conselheiros mostra como a corte de Davi funcionava com escribas, sábios e amigos influentes junto ao rei.

Estrutura de 1 Crônicas 27

O capítulo é construído de forma altamente ordenada, refletindo o próprio tema da organização do reino:

  1. Divisões militares em turnos mensais (vv. 1-15)

    • Introdução às turmas e seu serviço mensal (v. 1).
    • Nome e origem de cada capitão responsável por um mês, com o número padrão de vinte e quatro mil por turma.
  2. Príncipes sobre as tribos de Israel (vv. 16-22)

    • Relação das tribos e do líder designado sobre cada uma.
    • Conclusão: “estes eram os príncipes das tribos de Israel” (v. 22).
  3. Comentário sobre o recenseamento e a promessa divina (vv. 23-24)

    • Davi não conta os abaixo de vinte anos em respeito à promessa de Deus.
    • Referência ao recenseamento interrompido por causa da ira de Deus.
  4. Administradores dos bens e recursos do rei (vv. 25-31)

    • Responsáveis pelos tesouros reais.
    • Encargos sobre agricultura, vinhas, azeite, vinho.
    • Supervisores de gados, camelos, jumentas e gado miúdo.
  5. Conselheiros e oficiais próximos de Davi (vv. 32-34)

    • Jônatas, tio de Davi, e Jeiel, com os filhos do rei.
    • Conselheiros principais: Aitofel, Husai, Joiada, Abiatar.
    • Conclusão ressaltando Joabe como general do exército.

O estilo é predominantemente de lista administrativa, com repetições intencionais (como “vinte e quatro mil” e “também em sua turma havia vinte e quatro mil”) para enfatizar a regularidade e a completude da estrutura.

Significado teologico

Teologicamente, 1 Crônicas 27 mostra que a vida do povo de Deus inclui ordem, estrutura e boa administração. O texto não apresenta milagres ou discursos, mas revela um aspecto da fidelidade: a organização responsável do que Deus confiou.

A referência à promessa divina (v. 23) é central. Davi lembra que o Senhor prometeu multiplicar Israel como as estrelas do céu. Isso mostra que, por trás de toda a estrutura militar e administrativa, a segurança real está na aliança de Deus, não no poder humano. O comentário sobre o recenseamento interrompido (v. 24) reforça que confiar excessivamente nos números e na força própria pode desagradar a Deus quando substitui a confiança na sua palavra.

Outro aspecto teológico importante é a visão abrangente do reinado sob a soberania de Deus. Vinhas, campos, rebanhos, tesouros e cargos são parte da realidade do povo de Deus, não separados da fé. A vida diante de Deus inclui trabalho, economia, liderança e planejamento. Ao registrar nomes e funções, o cronista também afirma que Deus se importa com pessoas concretas e com o serviço que prestam — inclusive em áreas aparentemente comuns, como lavoura, tesouros ou logística.

Por fim, a importância dos conselheiros e do círculo de liderança em torno de Davi ressalta a sabedoria como dom de Deus para governar. O governo segundo Deus não é improvisado, mas busca conselho, conhecimento e amizade fiel, tudo sob a direção da vontade do Senhor.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Em perspectiva terapêutica, 1 Crônicas 27 pode ser lido como um retrato de estrutura e limites saudáveis. O capítulo descreve um reino com funções claras, responsabilidades definidas e rodízio de tarefas, o que evita sobrecarga e caos. Essa ordem comunica segurança e previsibilidade, elementos importantes para a estabilidade emocional.

Há também um equilíbrio entre responsabilidade humana e confiança em Deus. Davi organiza o exército e a administração do reino, mas, ao lembrar a promessa de multiplicação, reconhece que o controle absoluto não está em suas mãos. Essa combinação pode aliviar a ansiedade ligada ao desejo de controlar tudo por conta própria.

Além disso, o destaque a conselheiros e amigos próximos do rei mostra o valor de apoio relacional e de pessoas sábias ao redor. Em termos de saúde emocional, indica a importância de redes de apoio, de buscar orientação e de não caminhar isoladamente em decisões importantes.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns elementos do texto podem ser delicados para pessoas com certas sensibilidades. A forte ênfase em listas de cargos, números e estrutura militar pode ser desconfortável para quem tem histórico de ambientes rígidos, autoritários ou controladores. A ideia de recenseamento ligado à ira divina (v. 24) também pode ser mal interpretada por quem já vivenciou culpa religiosa intensa, levando a medo exagerado de tomar decisões ou planejar.

Outra possível dificuldade é a sensação de distância: muitos nomes, funções e estruturas que parecem frios ou impessoais podem gerar a percepção de um Deus distante, preocupado apenas com organização e produtividade. Para alguém em sofrimento emocional, isso pode reforçar a impressão de não ser visto em sua dor pessoal.

Por isso, é importante ler o capítulo lembrando que a organização aqui descrita está dentro de uma história maior de graça, cuidado e proximidade de Deus com seu povo, e não como um modelo rígido a ser imposto sem misericórdia ou sensibilidade.

Aplicacao pratica para hoje

1 Crônicas 27 inspira várias aplicações práticas para a vida cotidiana:

  1. Valor da organização e do planejamento
    Uma vida organizada, com responsabilidades definidas e ritmos saudáveis, pode proteger de sobrecarga. O sistema de turnos mensais aponta para a importância de descansar, alternar funções e não carregar tudo sozinho.

  2. Delegar e confiar em outros
    Davi confia a outros líderes o exército, as tribos, os tesouros e os bens. Na prática, isso incentiva a compartilhar tarefas no trabalho, na família e na comunidade, em vez de centralizar tudo em uma pessoa.

  3. Equilíbrio entre gestão e fé
    Planejar, organizar finanças, cuidar de bens e trabalho é bom, mas sem perder de vista que a segurança final está em Deus. Isso ajuda a fazer o melhor possível com responsabilidade, evitando tanto a negligência quanto o perfeccionismo controlador.

  4. Reconhecer o valor dos bastidores
    Muitos nomes do capítulo servem em áreas discretas, como lavoura, gado ou armazéns. Isso mostra que funções pouco visíveis também são importantes. Na prática, encoraja a valorizar trabalhos simples e serviços diários que sustentam a vida de uma família, igreja ou comunidade.

  5. Buscar conselho sábio
    A presença de conselheiros e amigos do rei incentiva a procurar pessoas maduras para dialogar sobre decisões difíceis. Isso pode significar pedir ajuda a mentores, líderes ou amigos fiéis ao lidar com escolhas importantes.

Perguntas frequentes

Por que 1 Crônicas 27 lista tantos nomes e cargos?

A lista de nomes e cargos mostra como o reino de Davi estava estruturado: exército em turnos, líderes por tribos, administradores de recursos e conselheiros. O propósito não é apenas histórico, mas também teológico: demonstrar que Deus age na história através de pessoas concretas, que a boa liderança inclui ordem e responsabilidade, e que o povo de Deus pode viver com organização em todas as áreas da vida.

Qual é o sentido do rodízio mensal de vinte e quatro mil homens?

O rodízio mensal de vinte e quatro mil homens por turma permitia ao reino manter um exército pronto, sem manter todo o povo constantemente engajado em serviço militar. Era uma forma de disciplina, proteção e equilíbrio entre defesa do país e vida civil. Isso reflete um cuidado em não sobrecarregar todos ao mesmo tempo e em manter ordem e preparo contínuo.

Por que Davi não contou os homens abaixo de vinte anos?

O texto explica que Davi não contou os abaixo de vinte anos porque o Senhor havia prometido multiplicar Israel como as estrelas do céu (v. 23). Contar todos, inclusive os jovens, poderia expressar uma confiança excessiva em números e na própria força, em vez de confiar na promessa divina. O recenseamento incompleto, ligado à ira de Deus (v. 24), funciona como lembrança de que a segurança de Israel não dependia de estatísticas militares, mas da fidelidade de Deus.

O que a lista de administradores de bens ensina para hoje?

A lista de administradores de tesouros, campos, vinhas, gado, azeite e vinho mostra que o reino de Davi cuidava da economia de forma séria e organizada. Para hoje, isso ensina a importância de boa administração dos recursos, planejamento financeiro, cuidado com o trabalho e reconhecimento de que tudo isso faz parte da vida diante de Deus. O serviço em áreas materiais também é digno e relevante.

Quem eram os conselheiros mais importantes de Davi nesse capítulo?

No final do capítulo, são mencionados Jônatas, tio de Davi, como homem entendido e escriba; Jeiel, que estava com os filhos do rei; Aitofel, conselheiro do rei; Husai, o amigo do rei; além de Joiada, filho de Benaia, e Abiatar, depois de Aitofel. Por fim, destaca-se Joabe como general do exército. Essa rede de conselheiros e oficiais mostra que Davi se cercava de pessoas com sabedoria, habilidade e lealdade.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

1 Crônicas 27 é um daqueles capítulos que, à primeira vista, parecem distantes da experiência cotidiana por causa de tantos nomes e cargos. Mas por trás de cada nome e função há uma mensagem de cuidado e de ordem que pode aquecer o coração. O povo não vivia em caos; havia estrutura, divisão de tarefas, rodízio, gente responsável por proteger, cultivar, administrar e aconselhar. Essa organização comunica algo sobre o próprio caráter de Deus: Ele não deixa seu povo à deriva. Em um cenário assim, ninguém é chamado a carregar tudo sozinho. Cada grupo tem seu tempo de servir, cada líder tem seu espaço, e até funções discretas — como cuidar de vinhas, azeite ou gado miúdo — são reconhecidas. Isso mostra que, diante de Deus, o serviço simples, silencioso, cotidiano, também importa. Há consolo nessa verdade, especialmente para quem se sente invisível ou cansado por trabalhos que quase ninguém percebe. O breve comentário sobre o recenseamento aponta para uma tensão que muitas pessoas também sentem: a vontade de ter controle de tudo e o chamado a confiar em Deus. Davi organiza o reino, mas é lembrado de que a multiplicação e a segurança vêm do Senhor. Há um descanso em saber que não é preciso ter todas as contas fechadas, todos os riscos eliminados e todos os números sob controle para estar seguro. A vida pode ser organizada, e ainda assim permanecer nas mãos de um Deus que cuida além do que se consegue calcular. Também é significativo que Davi tenha ao seu redor amigos e conselheiros. A presença de Husai como “amigo do rei” diz muito sobre a importância de relacionamentos leais e próximos em meio às pressões da liderança e da responsabilidade. Ninguém foi criado para caminhar sozinho, nem mesmo um rei. Em tempos de peso e responsabilidades, Deus muitas vezes expressa seu cuidado através de pessoas que acompanham, escutam e aconselham com amor. Assim, mesmo em um capítulo cheio de listas, aparece um retrato de um Deus que vê cada pessoa, dá lugar a diferentes dons e não esquece aqueles que vivem nos bastidores. O coração encontra segurança ao saber que, na ordem de Deus, há espaço para cada vida, cada função, cada história — e que o valor de alguém não é medido pelo destaque, mas por ser conhecido e amado pelo Senhor.

Mind
Mind

1 Crônicas 27 oferece um quadro detalhado da estrutura administrativa e militar do reino de Davi, servindo como importante fonte para compreender a organização sociopolítica de Israel na monarquia unida. O cronista apresenta um sistema de milícia organizada em doze divisões de vinte e quatro mil homens, cada uma servindo um mês por ano. Isso sugere um exército de cidadãos com serviço periódico, mais próximo de uma milícia organizada do que de um exército permanente massivo, o que reduz custos e preserva a vida econômica do país. A menção de figuras como Jasobeão, Benaia e Asael conecta este capítulo a outras narrativas históricas, em que esses homens aparecem como guerreiros valentes. Isso indica continuidade de tradição: os heróis militares que se destacam em histórias de batalha também ocupam funções estruturais na organização do reino. O texto, assim, integra memória heroica e administração prática. A seção dos líderes tribais (vv. 16–22) mostra que, embora haja uma monarquia centralizada em Davi, as tribos mantêm certa autonomia sob príncipes específicos. Essa coexistência de um centro unificador com estruturas tribais é uma característica importante do período. A relação entre tribo e reino é mediada por esses líderes, o que contribui para a coesão nacional sem apagar completamente as diferenças regionais. Os versículos 23–24 são teologicamente densos. A decisão de Davi de não contar os jovens abaixo de vinte anos é interpretada à luz da promessa patriarcal: Israel seria tão numeroso quanto as estrelas. O cronista relembra o fracasso do recenseamento total, que trouxe ira divina, como um aviso contra a confiança excessiva em poder militar ou controle numérico. A crítica não é ao planejamento em si, mas a uma postura que substitui fé em Deus por segurança nos números. A lista dos administradores de recursos (vv. 25–31) revela uma economia estruturada em diferentes setores: tesouros centrais, tesouros regionais, agricultura (lavoura), viticultura, olivicultura, criação de gado, camelos, jumentas e rebanhos menores. Cada área tem um responsável, o que indica especialização e uma burocracia bem estabelecida. Isso contrasta com a imagem por vezes idealizada de uma sociedade agrária simples, mostrando um nível avançado de organização estatal. Por fim, os versículos 32–34 descrevem o círculo de conselheiros de Davi. Jônatas, tio de Davi, é um homem entendido e escriba, sinalizando o papel da escrita e do registro na administração do reino. Aitofel, frequentemente visto nas narrativas como conselheiro de notável sabedoria, e Husai, o amigo leal, compõem o quadro de três esferas importantes: sabedoria estratégica, lealdade afetiva e liderança militar (representada por Joabe). O cronista, ao registrar esses nomes, mostra que a monarquia davídica era sustentada não apenas por força militar, mas por uma rede de conselho, escrita e relações pessoais. Em conjunto, o capítulo reforça um ponto teológico caro ao cronista: o povo de Deus no contexto da promessa vive sua fé não apenas no culto, mas também na boa ordem da sociedade, na administração responsável e na busca de sabedoria para governar. A organização aqui não é mera burocracia; ela é parte da resposta fiel à vocação de ser o povo do Senhor no mundo.

Life
Life

1 Crônicas 27 é um quadro concreto de como responsabilidade, planejamento e delegação funcionam na prática. Em vez de apenas falar de fé em termos abstratos, o capítulo mostra um reino que organiza seu exército, administra recursos e distribui liderança por todo o território. Isso aponta para hábitos e posturas muito úteis em qualquer área da vida cotidiana. A divisão do exército em doze turmas que servem mês a mês mostra um modelo de gestão de tempo e de energia: nem todos estão na linha de frente o tempo todo. Há rodízio, há períodos de serviço intenso e períodos em que se retorna à vida normal. Isso inspira a pensar em ciclos saudáveis de trabalho e descanso, evitando tanto a ociosidade quanto a exaustão constante. Em ambientes de trabalho, família ou ministério, esse princípio se traduz em não concentrar todas as demandas em poucas pessoas e em planejar rotinas que sejam sustentáveis no longo prazo. O capítulo também mostra o poder da delegação. Davi não tenta controlar pessoalmente o exército, as tribos, as vinhas, o azeite, o gado e os tesouros. Ele coloca pessoas específicas para cada área. Na vida prática, isso lembra a importância de confiar tarefas a outros, desenvolver novas lideranças, reconhecer habilidades diferentes e permitir que cada um contribua com o que faz melhor. Isso vale para equipes profissionais, para responsabilidades domésticas e para comunidades de fé. Outro ponto forte é a seriedade com que se administram recursos materiais. Há responsáveis pela lavoura, pelo vinho, pelo azeite, pelos rebanhos e pelos tesouros das cidades e campos. Isso pode servir como um chamado à boa gestão financeira e patrimonial: organizar orçamentos, cuidar dos bens com diligência, planejar colheitas e reservas, reduzir desperdícios. A espiritualidade bíblica inclui disciplina na área material, com senso de prestação de contas. O episódio lembrado do recenseamento ajuda a equilibrar planejamento e confiança. Planejar, contar, organizar é correto, mas se isso deriva em controle obsessivo e em segurança baseada apenas em números, perde-se o foco. Na prática, significa fazer o melhor na gestão da vida — mas sabendo que há limites e que o futuro não está totalmente nas mãos humanas. Por fim, a presença de conselheiros e amigos próximos de Davi aponta para a necessidade de redes de apoio. Decisões importantes não são tomadas no vazio: há gente que conhece, que aconselha, que confronta, que encoraja. Em termos de vida prática, isso incentiva a buscar mentores, pessoas de confiança, colegas experientes, e a não enfrentar sozinho os desafios de liderança, família ou carreira. A vida se torna mais sábia quando se compartilha o peso com gente madura ao redor.

Soul
Soul

Lido à luz da formação espiritual, 1 Crônicas 27 revela que a vida diante de Deus envolve muito mais do que momentos explícitos de culto. O capítulo apresenta a rotina do reino: exército em ordem, tribos sob liderança, campos e rebanhos cuidados, tesouros administrados, conselheiros em atividade. Tudo isso acontece sob a promessa de Deus de multiplicar Israel como as estrelas do céu. A espiritualidade bíblica, portanto, abrange a estrutura da existência inteira. O ponto central aparece no contraste entre organização e confiança. Davi estrutura o reino, mas o cronista destaca que ele não conta os jovens abaixo de vinte anos porque confia na promessa do Senhor. O recenseamento interrompido, que trouxe juízo, expõe o risco de transformar o planejamento em autoexaltação e a contagem em substituto da fé. Na jornada da alma, isso se traduz na tentação de buscar segurança última em recursos, forças, projetos ou estratégias, esquecendo que a verdadeira segurança está na aliança de Deus. Espiritualmente, o capítulo convida a ver o trabalho e a administração da vida como parte da vocação recebida. Os responsáveis pelas vinhas, pelo azeite, pelo gado e pelos tesouros não exercem ministérios religiosos, mas ainda assim estão ao serviço do propósito de Deus para o seu povo. Isso ajuda a integrar fé e profissão, oração e rotina: a vida inteira pode ser vivida como resposta ao chamado de Deus, inclusive na forma como se administra o tempo, os bens e as responsabilidades. Os conselheiros de Davi também apontam para uma dimensão espiritual profunda: a busca por sabedoria, discernimento e companhia fiel. Aitofel, Husai, Jônatas e outros representam formas de graça mediada por pessoas — conselhos sábios, amizade leal, orientação escrita. A vida espiritual não se desenvolve apenas no segredo individual, mas também por meio de relacionamentos que apontam para a vontade de Deus e ajudam a discernir caminhos em meio à complexidade. A menção de tantos nomes lembra que, aos olhos de Deus, cada pessoa no corpo tem um lugar. Alguns estão à frente do exército, outros nos bastidores das adegas e dos campos, outros próximos do rei em conselho. Do ponto de vista eterno, o valor não está no prestígio do cargo, mas em pertencer ao povo de Deus e participar de sua obra. A alma é chamada a encontrar sua identidade, não na função, mas na relação com o Senhor que conhece cada nome, registra cada serviço e sustenta o seu povo segundo a promessa. Assim, 1 Crônicas 27 convida a uma espiritualidade integrada: confiar na promessa de Deus, organizar a vida com responsabilidade, enxergar o trabalho como parte do chamado, buscar conselho sábio e lembrar que, por trás de toda estrutura, está o Deus que conduz a história rumo ao cumprimento de seu propósito eterno.

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Versiculos em 1 Crônicas 27

1 Crônicas 27:1

" Estes são os filhos de Israel segundo o seu número, os chefes dos pais, e os capitães dos milhares e das centenas, com os seus oficiais, que serviam ao rei em todos os negócios das turmas que entravam e saíam de mês em mês, em todos os meses do ano; cada turma de vinte e quatro mil. "

1 Crônicas 27:4

" E sobre a turma do segundo mês estava Dodai, o aoíta, com a sua turma, cujo líder era Miclote; também em sua turma havia vinte e quatro mil. "

1 Crônicas 27:5

" O terceiro capitão do exército, para o terceiro mês, era Benaia, filho de Joiada, chefe dos sacerdotes; também em sua turma havia vinte e quatro mil. "

1 Crônicas 27:7

" O quarto, do quarto mês, era Asael, irmão de Joabe, e depois dele Zebadias, seu filho; também em sua turma havia vinte e quatro mil. "

1 Crônicas 27:16

" Sobre as tribos de Israel estavam: sobre os rubenitas era líder Eliezer, filho de Zicri; sobre os simeonitas, Sefatias, filho de Maaca. "

1 Crônicas 27:23

" Não tomou, porém, Davi o número dos de vinte anos para baixo, porquanto o Senhor tinha falado que havia de multiplicar a Israel como as estrelas do céu. "

1 Crônicas 27:24

" Joabe, filho de Zeruia, tinha começado a numerá-los, porém não acabou; porquanto viera por isso grande ira sobre Israel; assim o número não se pôs no registro das crônicas do rei Davi. "

1 Crônicas 27:25

" E sobre os tesouros do rei estava Azmavete, filho de Adiel; e sobre os tesouros dos campos, das cidades, e das aldeias, e das torres, Jônatas, filho de Uzias. "

1 Crônicas 27:32

" E Jônatas, tio de Davi, era do conselho, homem entendido, e também escriba; e Jeiel, filho de Hacmoni, estava com os filhos do rei. "

Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.