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Zacarias 8:9 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Assim diz o Senhor dos Exércitos: Esforcem-se as vossas mãos, ó vós que nestes dias ouvistes estas palavras da boca dos profetas, que estiveram no dia em que foi posto o fundamento da casa do Senhor dos Exércitos, para que o templo fosse edificado. "

Zacarias 8:9

menu_book Versículo no contexto

7 Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eis que salvarei o meu povo da terra do oriente e da terra do ocidente;

8 E trá-los-ei, e habitarão no meio de Jerusalém; e eles serão o meu povo, e eu lhes serei o seu Deus em verdade e em justiça.

9 Assim diz o Senhor dos Exércitos: Esforcem-se as vossas mãos, ó vós que nestes dias ouvistes estas palavras da boca dos profetas, que estiveram no dia em que foi posto o fundamento da casa do Senhor dos Exércitos, para que o templo fosse edificado.

10 Porque antes destes dias não tem havido salário para os homens, nem lhes davam ganhos os animais; nem havia paz para o que entrava nem para o que saía, por causa do inimigo, porque eu incitei a todos os homens, cada um contra o seu próximo.

11 Mas agora não serei para com o restante deste povo como nos primeiros dias, diz o Senhor dos Exércitos.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Deus, falando por meio do profeta, apresenta mais promessas de misericórdia para Judá e Jerusalém. É consolo acrescentado linha após linha, assim como antes tinham vindo repreensões linha após linha por causa do pecado. Essas palavras tinham o propósito de fortalecê-los no trabalho árduo que tinham diante de si.

Essas promessas eram para aqueles que tinham obedecido ao chamado de Deus por meio de seus profetas e se entregado de coração à reconstrução do templo (Zacarias 8:9). Deus diz, em outras palavras: “Sejam fortes de mãos”, isto é, continuem trabalhando fielmente para ele. Aqueles que ouviram essas palavras e não se rebelaram como seus pais tinham todos os motivos para se animar.

O povo recebeu essas promessas quando foi lançado o fundamento da Casa do Senhor. Eles já haviam iniciado a obra, e foram exortados a prosseguir até que o templo estivesse concluído. Tendo trabalhado por algum tempo em obediência à visão de Deus, eram justamente eles que precisavam dessas palavras de encorajamento.

O mesmo vale para nós: aqueles que estão ocupados servindo a Deus podem esperar ajuda da parte dele. Os que colocam as mãos no dever que Deus lhes deu encontrarão suas mãos fortalecidas pelas promessas de misericórdia. E os que evitam os pecados de seus pais não só escapam da antiga maldição, como também podem ver essa maldição transformada em bênção.

O profeta então os lembra das aflições que por tanto tempo carregaram (Zacarias 8:10). Essas dificuldades são mencionadas para que as novas bênçãos brilhem ainda mais, para glória de Deus e consolo deles. Seus tempos tinham sido muito ruins, e as angústias eram muitas e pesadas.

Em primeiro lugar, o comércio tinha desmoronado. Não havia trabalho a fazer nem dinheiro a ganhar. Antes dessa fase de reforma, não havia salário nem para as pessoas nem para os animais. A terra produzia tão pouco que os lavradores mal tinham motivo para contratar trabalhadores ou juntas de animais, e os pobres mal conseguiam sustentar suas famílias.

Em segundo lugar, viajar era perigoso. O comércio por terra e mar tinha se rompido, e as pessoas temiam até visitar amigos. Não havia paz para quem saía nem para quem entrava, por causa da miséria ao redor. Seus inimigos, como os samaritanos e amonitas, faziam incursões contra eles, e ladrões e assaltantes tornavam cidade e campo inseguros.

Em terceiro lugar, não havia verdadeira paz entre vizinhos. Deus diz: “Pus todos os homens, cada um contra o seu próximo.” Isso vinha em parte do pecado, pois tais contendas nasciam dos desejos egoístas humanos, e Deus não era o autor desse mal. Mas era também uma miséria enviada como juízo justo por causa da desobediência deles. Como tinham mostrado um espírito teimoso contra Deus, ele os entregou à divisão entre si. Os que abandonam o amor a Deus perdem também o consolo do amor mútuo.

Agora Deus promete uma mudança em seu modo de lidar com eles (Zacarias 8:11). “Não serei para com o restante deste povo como nos primeiros dias.” Nosso bem-estar depende de como Deus age para conosco, pois toda criatura é aquilo que ele faz dela. Se já não agimos contra ele como antes, ele também já não agirá contra nós como antes. Ele se opõe apenas aos teimosos e rebeldes.

Eles também teriam grande fartura e abundância de bens (Zacarias 8:12). A semente que lançassem prosperaria e traria colheita farta. A vide daria seu fruto para alegrar o coração, e a terra produziria seus produtos para fortalecer o coração. Teriam o suficiente tanto para a necessidade quanto para o deleite. Até o orvalho do céu desceria, mostrando o cuidado de Deus para com os homens na terra e a dependência deles dele.

Uma chuva pesada pode levar o alimento embora, como diz (Provérbios 28:3), mas aqui o orvalho suave irriga a terra para que possa alimentar tanto o que semeia como o que come. Deus faria com que o restante do seu povo desfrutasse de todas essas coisas boas. Eles eram apenas um restante, um grupo muito pequeno, mas, por estarem trabalhando para ele, Deus velaria para que nada lhes faltasse do que lhes fosse realmente conveniente.

Isso está de acordo com o que o profeta Ageu já dissera: “Desde este dia vos abençoarei” (Ageu 2:16, Ageu 2:19). O povo fiel de Deus possui ricas bênçãos nele. “Todas as coisas são vossas, porque vocês pertencem a Cristo.”

Eles também recuperariam seu bom nome entre as nações (Zacarias 8:13). Tinham sido uma maldição entre os gentios, isto é, as pessoas falavam deles com desprezo, os culpavam e lhes desejavam o mal por causa de sua condição vergonhosa. Alguns até usavam o nome deles como forma de maldição, quando alguém queria proferir o pior tipo de praga.

Mas Deus diz: “Eu vos salvarei, e sereis bênção.” Sua restauração seria tão amplamente notada para honra deles quanto sua ruína e dispersão haviam sido notadas para vergonha. Seriam louvados e admirados tanto quanto antes foram zombados e rejeitados. A maioria das pessoas olha com favor ou com desdém para seus vizinhos conforme a providência parece sorrir ou não para eles. Mas, quando Deus claramente abençoa um povo como seu, mostra favor e põe honra sobre ele, também nós devemos respeitá-lo e tratá-lo com bondade. Os abençoados do Senhor são uma bênção para a terra, e assim devemos considerá-los.

Essa promessa é dada tanto à casa de Israel quanto à casa de Judá, porque muitos das dez tribos voltaram do cativeiro com as duas tribos e participaram das bênçãos. É provável que, depois do retorno do primeiro grupo, muitos outros se juntaram a eles ao verem como sua situação estava mudando.

O próprio Deus decide fazer-lhes o bem, como em (Zacarias 8:14-15). Todo o consolo deles começa no pensamento do amor de Deus por eles (Jeremias 29:11). Compare-se essas promessas com as advertências anteriores. Quando eles provocaram sua ira com seus pecados, Deus disse que os castigaria, e assim o fez. Esse era o seu propósito firme: trazer juízo sobre eles; e, como não se desviaram da rebeldia, ele não retirou a ameaça, mas deixou que a sentença da Lei seguisse seu curso.

O juízo de Deus sobre os pecadores nunca é um ato repentino ou descuidado. É sempre resultado de um conselho sábio, e há propósito nessa parte de sua vontade. Se o pecador não se volta, Deus não se volta. Mas agora, tendo eles agradado a Deus com seu serviço, ele diz que lhes fará o bem. Ele não seria tão fiel às promessas quanto fora às ameaças? Certamente. Ele diz, em essência: “Agora tornei a pensar em fazer bem a Jerusalém nestes dias em que vocês começam a dar ouvidos à voz de Deus pelos seus profetas, e esses pensamentos também serão cumpridos.”

O uso prático dessas promessas é claro. Primeiro, são destinadas a consolar o povo de Deus. “Não temais” (Zacarias 8:15) e “fortaleçam-se as vossas mãos” (Zacarias 8:9), e, ainda, ambos juntos: “Não temais, mas fortaleçam-se as vossas mãos” (Zacarias 8:13). O trabalho pesado diante deles não deveria afastá-los do dever nem fazê-los servir com o coração abatido, pois o resultado seria bom e a recompensa, grande. Isso deveria despertá-los a prosseguir com força e alegria. Os perigos vindos de seus inimigos também não deveriam assustá-los, porque aqueles que têm Deus ao seu lado, com sua promessa de lhes fazer bem, não precisam temer o que as pessoas possam fazer contra eles.

Em segundo lugar, essas promessas os convocam ao dever, como em (Zacarias 8:16-17). Os mesmos deveres que os profetas anteriores insistiram com seus pais ao adverti-los sobre a ira vindoura, este profeta agora insiste com eles com base na promessa de misericórdia (Zacarias 7:9-10). Em outras palavras, ele diz: “Deixem com Deus o cumprimento do que prometeu, à sua maneira e no seu tempo, mas apenas se vocês fizerem com cuidado a parte de vocês. Estas são as coisas que vocês devem fazer. Esta é a parte de vocês na aliança, o acordo que liga Deus ao seu povo. Estas são as coisas que vocês devem guardar, para que não impeçam que o favor de Deus chegue até vocês.”

Eles não deviam jamais dizer mentiras, mas falar sempre com sinceridade, tanto nos negócios quanto nas conversas do dia a dia. “Falai a verdade cada um com o seu próximo” significa que cada pessoa deve dizer aquilo que é verdadeiro, conforme melhor conhece. Deviam temer toda palavra que parecesse até mesmo se aproximar de uma mentira. O apóstolo Paulo cita esse mandamento em (Efésios 4:25) e o fundamenta dizendo que somos membros uns dos outros.

Os que lidam com a justiça pública deviam cuidar para que ninguém fosse tratado com injustiça e para que os prejudicados fossem reparados. “Executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas” significa que os juízes sentados às portas da cidade deviam conduzir cada causa com a verdade e com a paz em vista. Deveriam fazer justiça, compor contendas quando possível e evitar processos desnecessários. Seu juízo devia ser verdadeiro para produzir paz, fazendo amigos onde antes havia conflito; mas devia também ser pacificador apenas até onde a verdade permitisse.

Ninguém deve guardar ódio no coração contra o seu próximo. Isso retoma o que já havia sido dito em (Zacarias 7:10). Não basta impedir que as mãos pratiquem o mal; é preciso vigiar o coração para que ele não planeje nenhum dano contra o próximo (Provérbios 3:29). A ofensa e o mal devem ser esmagados logo no início, antes que cresçam e se fortaleçam.

É necessário ter grande respeito pelos juramentos e lidar com eles com muito cuidado. Nunca se deve jurar falsamente, e nem mesmo amar um juramento falso. Ou seja, é preciso odiá-lo, temê-lo e manter-se longe dele. Não se deve ter prazer em colocar outros sob juramento de forma que isso possa levá-los a jurar falsamente. Também não se deve desejar que alguém jure falsamente para trazer algum benefício próprio, nem que quebre a palavra para nos favorecer. É dada uma forte razão para todos esses mandamentos: “São coisas que eu odeio.” Portanto, se desejam ter Deus como amigo, precisam odiar essas coisas também. Esses pecados estão entre as sete coisas que o Senhor odeia (Provérbios 6:16-19).

Devemos evitar o pecado não apenas porque Deus se ira contra ele e porque é perigoso para nós, mas também porque Deus o odeia. E, porque ele odeia o pecado, é vergonhoso para nós praticá-lo e é uma grande ingratidão contra ele.

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