Versículo em destaque

Salmos 95:7 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Porque ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas da sua mão. Se hoje ouvirdes a sua voz, "

Salmos 95:7

menu_book Versículo no contexto

5 Seu é o mar, e ele o fez, e as suas mãos formaram a terra seca.

6 Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor que nos criou.

7 Porque ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas da sua mão. Se hoje ouvirdes a sua voz,

8 Não endureçais os vossos corações, assim como na provocação e como no dia da tentação no deserto;

9 Quando vossos pais me tentaram, me provaram, e viram a minha obra.

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auto_stories Comentário Bible Guided

A última parte deste salmo, que começa no meio de um versículo, chama aqueles que cantam salmos do evangelho a viverem vidas de acordo com o evangelho e a ouvirem a Palavra de Deus. Do contrário, como podem esperar que ele ouça suas orações e louvores? O povo de Cristo é chamado a ouvir a sua voz, pois ele disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz” (João 10:27). Se o chamamos de Mestre e Senhor, devemos fazer o que ele diz e nos tornar um povo disposto e obediente.

Precisamos ouvir a voz do seu ensino, da sua lei e do seu Espírito. Devemos ouvir, prestar atenção e obedecer. Devemos ouvir a sua voz, e não a voz de um estranho. Alguns entendem as palavras como um desejo: “Ah, se vocês hoje ouvissem a sua voz”, no sentido de: “Quem dera vocês fossem sábios para fazer o que é melhor para vocês”, como em “Se tu soubesses” (Lucas 19:42), isto é, “Ah, se tu tivesses sabido”. A voz de Cristo precisa ser ouvida hoje. O apóstolo enfatiza isso quando aplica este texto ao tempo do evangelho. Enquanto ele fala com você, cuide de ouvi-lo, porque este dia de oportunidade não durará para sempre. Aproveite enquanto se chama hoje (Hebreus 3:13, Hebreus 3:15). Ouvir a voz de Cristo é o mesmo que crer. Hoje, se você acolher o evangelho pela fé, isso é bom, mas amanhã pode ser tarde demais. Em algo tão sério, nada é mais perigoso do que adiar.

Há também a advertência contra endurecer o coração, porque isso não combina com um ouvido crente e obediente. Se você ouvir a sua voz e quiser aproveitar dela, não endureça o coração. Semente lançada sobre rocha nunca produz fruto maduro. Os judeus não creram no evangelho de Cristo porque seus corações estavam endurecidos. Não se deixaram convencer do mal do pecado nem do perigo em que o pecado os colocava, e assim não deram valor à oferta de salvação. Não quiseram se submeter ao jugo de Cristo nem aceitar suas exigências. Se o coração de um pecador está endurecido, isso é obra dele mesmo, e ele sozinho levará essa culpa para sempre.

Eles são advertidos pelo exemplo dos israelitas no deserto. “Cuidem para não pecar como eles pecaram, para que não sejam excluídos do descanso duradouro, como eles foram excluídos de Canaã.” Não sejam como seus pais, geração obstinada e rebelde (Salmo 78:8). Assim também aqui: não endureçam o coração como eles fizeram, isto é, seus antepassados, na provocação, ou em Meribá, o lugar onde contenderam com Deus e com Moisés (Êxodo 17:2-7), e no dia da tentação no deserto (Salmo 95:8). Eles continuaram provocando a Deus com desconfiança e murmuração, a ponto de todo o tempo no deserto poder ser chamado de dia da tentação, ou Massá, o outro nome daquele lugar (Êxodo 17:7), porque tentaram o Senhor dizendo: “Está o Senhor no meio de nós, ou não?”

Isso aconteceu no deserto, onde eles não podiam se socorrer a si mesmos e dependiam totalmente de Deus; e, mesmo assim, Deus lhes dava socorro admirável e sinais claros do seu poder e favor, mais do que qualquer povo tivera antes ou depois. Dias de prova também são dias de provocação. Nada provoca mais a ira de Deus do que não crer em sua promessa e duvidar de que ele a cumprirá por causa dos obstáculos aparentes. Quanto mais temos visto do poder e da bondade de Deus, maior é o nosso pecado se desconfiamos dele. Tentá-lo no deserto, onde vivemos do seu cuidado, é tanto ingrato quanto irracional. A dureza de coração está na raiz de toda nossa desconfiança de Deus e de nossas queixas contra ele. Um coração duro não acolhe as evidências da verdade de Deus nem se conforma com a sua vontade. Não se derrete, não se dobra. Os pecados dos outros devem servir de advertência para não os imitarmos. As murmurações de Israel foram escritas para nossa instrução (1 Coríntios 10:11).

Considere agora a acusação que Deus trouxe contra aqueles israelitas incrédulos (Salmo 95:9, Salmo 95:10). Muitos séculos depois, Deus ainda fala do comportamento deles com profunda indignação. O pecado deles foi incredulidade. Eles tentaram a Deus e o puseram à prova, como se a sua palavra não bastasse. Exigiram mais provas antes de avançar para Canaã e pediram que fossem enviados espias. Quando os espias trouxeram um relatório pessimista, rejeitaram o poder e a promessa de Deus e quiseram escolher um chefe e voltar para o Egito (Números 14:3-4). Isso é chamado de rebeldia (Deuteronômio 1:26, Deuteronômio 1:32).

O que tornou esse pecado ainda pior foi que eles tinham visto a obra de Deus. Viram o que ele fez ao tirá-los do Egito e, naquele mesmo momento, viam o seu cuidado diário, no pão que chovia do céu e na água da rocha que os seguia. Não podiam ter tido provas mais claras de que Deus estava com eles. E, no entanto, para eles ver não foi o mesmo que crer, porque endureceram o coração, mesmo depois de verem o que Faraó ganhou ao endurecer o dele.

Deus também indica as causas do pecado deles: “Este é um povo cujo coração se desvia, e eles não conhecem os meus caminhos.” A incredulidade, a desconfiança, a murmuração e as contendas com Deus brotaram da ignorância e de um julgamento distorcido. Primeiro, eles não conheceram os seus caminhos. Viram as suas obras (Salmo 95:9), e Deus lhes fez conhecer os seus atos (Salmo 103:7), mas não entenderam os seus caminhos, nem os caminhos da sua providência, pelos quais ele os guiava, nem os caminhos dos seus mandamentos, nos quais queria que andassem para se aproximar dele. Não os conheceram de verdade, por isso não os aprovaram. A razão pela qual as pessoas se afastam dos caminhos de Deus é que, no fundo, não os conhecem realmente.

Segundo, erraram em seu coração. Desviaram-se do caminho e voltaram atrás no coração. O pecado é um tipo de erro, um erro prático, um erro do coração. Tais erros são reais e tão mortais quanto os erros da mente. Quando desejos pecaminosos distorcem o julgamento de uma pessoa e afastam a alma do dever e da obediência, isso é um erro do coração.

A resposta de Deus ao pecado deles também foi clara: “Por quarenta anos estive desgostoso com essa geração.” Os pecados do povo que professa o nome de Deus não só o irritam, mas o entristecem, especialmente a sua desconfiança. Deus registra quantas vezes o contristam e por quanto tempo o fazem (Números 14:22). Isso mostra a paciência de Deus com pecadores provocadores. Ele se desgostou com eles durante quarenta anos, e ainda assim esses anos terminaram com a geração seguinte entrando em Canaã em triunfo. Se nossos pecados entristeceram a Deus, então também devem entristecer a nós. E, em meio a todos os nossos pecados, nada deve nos pesar mais do que saber que eles o entristecem.

A sentença sobre eles foi esta: “Por isso jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso.” Se eles entrarem no meu descanso, então eu mudo e não sou verdadeiro. A forma plena dessa sentença está em Números 14:21 em diante.

Note, primeiro, de onde veio essa sentença: da ira de Deus. Ele jurou solenemente em sua justa e santa indignação. Mas as pessoas não devem imitar isso de modo pecaminoso, jurando movidas por sua ira descontrolada. Deus não é dominado por paixões como nós, mas a Escritura fala dele como irado, e muito irado, com o pecado e com os pecadores, para mostrar quão maligno é o pecado e quão justa é a sua autoridade.

Esse veredicto é um sinal claro de que o pecado é algo terrível, pois merece um tipo de juízo que um Deus ofendido pode, com justiça, aplicar. Segundo, veja qual foi a sentença: que eles não entrariam em seu descanso, o descanso que ele havia preparado para eles. Ele havia separado uma terra para eles e para seus descendentes, mas nenhum daqueles que foram contados ao sair do Egito estaria entre os vivos quando o povo entrasse em Canaã, exceto Calebe e Josué.

Terceiro, note como Deus confirmou isso: “Jurei.” Não foi apenas um propósito, mas um decreto fixo. O juramento mostrava que o seu propósito não mudaria. O Senhor jurou, e não se arrependerá. Isso excluía qualquer suposição de que ele deixaria essa advertência cair no esquecimento. As ameaças de Deus são tão certas quanto as suas promessas.

O caso de Israel também se aplica ao povo que viveu no tempo de Davi, quando este salmo foi escrito. Eles deviam ouvir a voz de Deus e não endurecer o coração, como seus pais fizeram. Se se tornassem obstinados como eles, Deus poderia negar-lhes os privilégios do seu templo em Jerusalém, o lugar que ele chamou de seu descanso. Mas essa advertência também se aplica aos cristãos, como o apóstolo demonstra.

Um descanso espiritual e eterno está colocado diante de nós e prometido a nós, e Canaã era uma figura desse descanso. Todos nós, pelo menos de nome, estamos a caminho desse descanso. No entanto, muitos que parecem caminhar para lá ficarão aquém e nunca entrarão. O que os impede? O pecado, especialmente a incredulidade, o pecado que rejeita o remédio e se afasta do apelo de Deus.

Aqueles que, como Israel, desconfiam de Deus, duvidam do seu poder e bondade e preferem os alhos e cebolas do Egito ao leite e mel de Canaã, serão justamente excluídos do seu descanso. Essa será a própria sentença deles, pois foi o que escolheram para si. “Temamos, pois” (Hebreus 4:1).

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