Versículo em destaque
Salmos 94:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Ó Senhor Deus, a quem a vingança pertence, ó Deus, a quem a vingança pertence, mostra-te resplandecente. "
Salmos 94:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Ó Senhor Deus, a quem a vingança pertence, ó Deus, a quem a vingança pertence, mostra-te resplandecente.
2 Exalta-te, tu, que és juiz da terra; dá a paga aos soberbos.
3 Até quando os ímpios, Senhor, até quando os ímpios saltarão de prazer?
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Nestes versículos, há um apelo solene a Deus contra os cruéis opressores do seu povo (Salmo 94:1-2). Isso, por si só, já é suficiente para fazer tremer os ímpios, porque o povo de Deus clama contra eles dia e noite, pedindo que o Senhor os defenda e vingue as injustiças que sofreram (Lucas 18:3, Lucas 18:7). A ideia é clara: se Deus ouve essas orações, como os opressores podem esperar escapar?
Observe os nomes usados para Deus, que fortalecem a fé nesse clamor. Ele é chamado de Deus a quem pertence a vingança e Juiz da terra. Assim, podem falar com confiança, porque ele é o juiz supremo, de quem procede o juízo sobre todos. Ele dá a lei e também profere a sentença de acordo com essa lei. Estabeleceu o seu trono para o juízo e, embora nomeie governantes como servos da justiça debaixo dele (Romanos 13:4), ele continua sendo o vingador principal, diante de quem até os governantes terão de responder.
Ele é também o juiz de toda a terra, não apenas de uma cidade ou nação. Ninguém está fora de sua autoridade, portanto ninguém pode dizer que um apelo a ele é inválido. Ele é justo por natureza. Sendo ao mesmo tempo capaz e disposto a punir o mal, as pessoas não devem tomar a vingança em suas próprias mãos. Deus disse: “Minha é a vingança” (Romanos 12:19), e é uma ousada presunção alguém colocar-se no lugar dele.
Isso deve servir de advertência aos que praticam o mal, quer o escondam com cuidado, quer o pratiquem às claras e com orgulho. Há um Deus a quem pertence a vingança, e certamente ele os chamará a prestar contas. E isso também consola os que sofrem injustiça, ajudando-os a suportar em silêncio e a confiar naquele que julga com retidão.
A oração também busca que Deus zele pelo seu próprio nome. Os ímpios perseguidores agiam como se Deus tivesse se retirado e abandonado a terra. Assim, a igreja, por assim dizer, clama: “Senhor, mostra-te. Faz com que saibam que tu és real e que estás ao lado dos que têm o coração reto diante de ti.” Os inimigos agiam como se Deus tivesse sido derrotado, porque o seu povo estava sofrendo. Por isso a oração é: “Levanta-te. Mostra a tua força. Não permitas que o teu nome seja pisado e desonrado.”
Eles também pedem que Deus humilhe os opressores: Dá o pago aos soberbos. Em outras palavras: “Trata com eles por toda a sua arrogância e por todo o mal que fizeram ao teu povo.” Essas orações são, ao mesmo tempo, advertências. Lançam temor sobre todos os violentos, porque o Deus justo os tratará conforme merecem.
Em seguida, encontramos uma humilde queixa dirigida a Deus sobre o orgulho e a crueldade desses opressores, acompanhada de uma pergunta respeitosa (Salmo 94:3-6). Os inimigos são descritos como ímpios e como obreiros de iniquidade. São profundamente maus em si mesmos, e por isso odeiam e perseguem aqueles cuja bondade os expõe. Os que são cruéis com os inocentes e odeiam os justos mostram até que ponto caíram.
O comportamento deles é orgulhoso e bárbaro. Eles se gabam, falam alto e em tom altivo, e agem como se não tivessem de responder a ninguém. Vivem como se o dia pertencesse a eles e como se certamente fossem vencer contra Deus e contra a sua verdade. Mas haverá um dia de acerto de contas por cada palavra dura que pecadores ímpios disseram contra Deus, contra a sua verdade, seus caminhos e seu povo (Judas 1:15).
Eles também são hostis ao povo de Deus precisamente porque pertencem a ele (Salmo 94:5). Esmagam o povo de Deus, despedaçam suas reuniões, seus bens, suas famílias, suas próprias vidas, e fazem tudo o que podem para afligir a herança de Deus. O povo de Deus é sua possessão especial. Eles pertencem a ele, ele se agrada deles, e a vida deles manifesta sua glória no mundo. Isso é um forte motivo para orar pela igreja: “Senhor, ela é tua. Tu tens direito sobre ela. Por que homens ímpios haveriam de ter liberdade para pisar aquilo que te pertence?”
Eles também são cruéis com os desamparados (Salmo 94:6). Não apenas oprimem e empobrecem. Matam viúvas e estrangeiros. Não se limitam a ignorar o órfão e tirar proveito dele, mas chegam a assassiná-lo, porque são fracos, desprotegidos e, às vezes, estão à mercê desses homens. Aqueles a quem deveriam proteger, são os que mais ferem. É difícil imaginar como seres humanos podem tornar-se tão selvagens.
Por isso, a oração se transforma em um clamor paciente: “Senhor, até quando continuarão fazendo isso?” Até quando a maldade dos ímpios há de prosseguir? Essa pergunta não é incredulidade. É o grito de quem sofre e anseia que Deus intervenha.
Então o salmo apresenta uma acusação de ateísmo contra os perseguidores e responde a essa impiedade. Seus pensamentos incrédulos aparecem na afirmação: “O Senhor não verá” (Salmo 94:7). Ainda que sua maldade seja escancarada, e embora se rebelem tanto contra a natureza quanto contra a consciência, ainda assim dizem que Deus não dará atenção. Podem pensar que ele só deixa passar pecados pequenos, ou que esconderam tão bem seus crimes que nunca serão julgados. Chegam até a lisonjear a si mesmos, supondo que o Deus de Jacó, embora seu povo confie nele, não se importará o bastante para chamá-los a prestar contas. Dessa forma, negam o governo de Deus sobre o mundo, zombam de sua aliança com o seu povo e desafiam a certeza do juízo final.
Se alguém disser que o Deus vivo não verá, ou que o Deus de Jacó não notará as injustiças feitas ao seu povo, é um tolo, e a loucura está com ele. Contudo, o salmista ainda fala claramente com essas pessoas, para convencê-las e levá-las ao arrependimento antes que sejam envergonhadas (Salmo 94:8). É como se dissesse: “Vós, brutais de entendimento, procurai compreender, e deixai-vos guiar pela razão.” O ateu pode se gabar de ser sábio, filósofo ou político, mas na prática está agindo como um animal sem entendimento. Se essas pessoas pensassem com clareza, creriam.
Deus fala por meio do profeta como se já tivesse passado tempo demais sem que agissem como seres humanos, usando o entendimento. É como se dissesse: “Insensatos, quando sereis sábios o bastante para saber que Deus vê e se importa com tudo o que dizeis e fazeis, e para viver de modo coerente com isso, como quem há de prestar contas?” Ninguém é tão mau a ponto de devêssemos desistir de tentar trazê-lo de volta. Ninguém é tão tolo ou brutal que não devamos ainda provar se pode tornar-se sábio. Enquanto há vida, há esperança.
Para mostrar a loucura dos que questionam o conhecimento e a justiça de Deus, o salmista argumenta a partir da criação. O próprio corpo atesta a verdade. Deus formou o ouvido e o plantou na cabeça como se planta uma árvore no solo. Não ouvirá ele? Certamente ouve, e muito melhor do que nós. Ele formou o olho, e o cuidado de sua estrutura supera de longe qualquer outra parte do corpo. Não verá ele? Poderia ele dar essa capacidade a uma criatura sem possuí-la em grau infinitamente maior em si mesmo? Todos os poderes encontrados na natureza procedem do Deus da natureza (Êxodo 4:11). E, se nos conhecemos corretamente, mesmo por meio de nosso corpo e sentidos, já estamos sendo conduzidos ao conhecimento de Deus. Se vemos e ouvimos porque ele nos deu visão e audição, então, com certeza, ele vê e ouve muito mais. Os ídolos das nações tinham olhos e não viam, ouvidos e não ouviam, mas o nosso Deus não é limitado como nós. Ele nos deu vista e ouvido, e somos responsáveis diante dele por como usamos essas faculdades.
O salmista também argumenta a partir da providência, o governo de Deus sobre o mundo. Ele corrige as nações por seu falso culto e idolatria; quanto mais não corrigirá o seu próprio povo por sua incredulidade e irreverência? Ele pune os homens por oprimirem e ferirem uns aos outros; quanto mais não tratará com aqueles que afirmam ser seus filhos e, no entanto, perseguem os que realmente o são? Todos estamos debaixo de sua correção, porque todo o mundo está sob o seu governo. Se ele reina como Rei das nações, quanto mais agirá como o Deus de Jacó. Um outro sentido provável é que Deus instrui as nações dando-lhes a sua lei, e depois as julga por essa mesma lei. Se não houvesse juízo segundo a lei, essa lei teria sido dada em vão. A mesma palavra pode significar tanto “corrigir” quanto “ensinar”, porque a disciplina é dada para instruir, e a instrução deve vir acompanhada de disciplina.
O salmista também argumenta a partir da graça. Deus é aquele que ensina o ser humano a conhecer; se ele é quem dá o conhecimento, como não haveria ele mesmo de saber? Ele não apenas concedeu a luz da razão, como Deus da criação, mas também a luz da revelação, como Deus de graça. Ele mostrou às pessoas o que é a verdadeira sabedoria. Se ele comunica esse conhecimento a outros, então certamente todo o conhecimento está nele em plenitude (Jó 28:23, Jó 28:28).
Assim como os rios que saem de uma fonte mostram que a fonte é abundante, da mesma forma todo conhecimento que procede de Deus mostra que o conhecimento está primeiro em Deus. Essa verdade responde aos que dizem: “O Senhor não o verá” (Salmo 94:7), e também nos adverte que Deus repara até em nossos pensamentos (Salmo 94:11). “O Senhor conhece os pensamentos do homem, que são vaidade.” Ele conhece especialmente aqueles pensamentos falsos que imaginam que Deus deixará o pecado passar impune, e vê como são vazios e insensatos.
Ele conhece todos os pensamentos humanos, e a maior parte deles é vã, pois as imaginações do coração humano são más, só más, continuamente. Mesmo os nossos melhores pensamentos são misturados com fraqueza e inconstância. Por isso precisamos guardar cuidadosamente nossos pensamentos, porque Deus lhes dá atenção. Pensamentos são como palavras diante de Deus, e pensamentos vãos são ofensas perante ele.
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Deste capítulo
Salmos 94:2
"Exalta-te, tu, que és juiz da terra; dá a paga aos soberbos."
Salmos 94:3
"Até quando os ímpios, Senhor, até quando os ímpios saltarão de prazer?"
Salmos 94:4
"Até quando proferirão, e falarão coisas duras, e se gloriarão todos os que praticam a iniqüidade?"
Salmos 94:5
"Reduzem a pedaços o teu povo, ó Senhor, e afligem a tua herança."
Salmos 94:6
"Matam a viúva e o estrangeiro, e ao órfão tiram a vida."
Salmos 94:7
"Contudo dizem: O Senhor não o verá; nem para isso atenderá o Deus de Jacó."
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