Versículo em destaque
Salmos 84:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos! "
Salmos 84:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos!
2 A minha alma está desejosa, e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo.
3 Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu.
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As Bem-Aventuranças (5 Dias)
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O salmista havia sido impedido à força de adorar a Deus em público, e essa ausência fez com que ele sentisse o valor desses cultos mais profundamente do que antes. Aquilo que ele antes tomava como algo comum agora lhe parecia precioso. Quando as pessoas são privadas do santo culto, muitas vezes passam a enxergar com mais clareza o quão amável ele é.
Ele primeiro contempla a beleza dos lugares santos de Deus: “Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos!” Alguns entendem que ele chama Deus de “Senhor dos Exércitos” por causa dos anjos, os exércitos celestiais, que assistem à sua presença no santuário. O tabernáculo é mencionado no plural porque havia vários átrios para o povo, além do lugar santo e do santíssimo. Para um coração santificado pela graça, o santuário de Deus é de uma beleza indizível. Sua forma externa pode parecer simples, mas sua verdadeira glória é espiritual e interior.
Em seguida, ele mostra o quanto anseia voltar ao culto, ou melhor, a Deus mesmo no culto (Salmo 84:2). Seu desejo é inteiro, envolvendo corpo, alma e espírito, todos atraídos para isso. É um anseio intenso, como a cobiça de um homem ambicioso ou rico em busca do que mais deseja. Ele clama, desfalece, sente-se quase incapaz de suportar a demora. Contudo, o que realmente quer não são apenas os átrios exteriores, mas o Deus vivo, o Deus que pode ser conhecido e desfrutado em comunhão (João 1:3). O culto vale pouco se ali não nos encontramos com Deus.
Ele chega até a invejar as aves que podem fazer seus ninhos perto do altar de Deus (Salmo 84:3). O pardal encontra casa, e a andorinha, ninho para si. Davi preferiria viver num ninho de pássaro junto ao altar de Deus do que num palácio longe dele. Em certo momento ele desejou ter asas como de pomba para fugir para o deserto (Salmo 55:6), mas aqui ele se contentaria em ter asas de um pequeno pássaro, se isso o levasse ocultamente aos átrios de Deus. Mesmo que seu destino fosse vigiar sozinho no telhado, como um pardal solitário, ele julgaria isso melhor, contanto que pudesse estar perto dos altares de Deus (Salmo 102:7).
Ele está disposto a ficar só no serviço de Deus, em vez de se ver cercado de gente servindo ao pecado. A palavra traduzida como “pardal” pode se referir a qualquer pequeno pássaro, e Davi parece pensar com especial carinho nas aves que não apenas passam pelo santuário, mas ali fazem morada. Ele não deseja ser um viajante que apenas pernoita; quer que a casa de Deus seja sua casa. Ele também nota que essas aves fazem ninho ali para seus filhotes, o que lhe lembra que aqueles que têm um lugar na casa de Deus devem desejar que seus filhos também o tenham.
Alguns entendem o versículo de outra maneira: as aves recebem de Deus lugares de descanso, mas Davi, que suspira pelos altares de Deus como seu lugar de repouso, não consegue alcançá-los. Se Deus provê tão bem para as aves, fará menos por seu próprio servo? Como uma ave que vagueia longe do ninho, Davi se sente deslocado até poder voltar (Provérbios 27:8). Pessoas cuja alma tem em Deus o verdadeiro lar não podem deixar de ansiar por estar estabelecidas perto do seu culto.
Havia dois altares, um para o sacrifício e outro para o incenso, e Davi parece ter ambos em vista em seu desejo pelos átrios de Deus. Também em nosso culto devemos olhar para Cristo tanto como satisfação quanto como intercessão, isto é, sua oferta pelos nossos pecados e sua intercessão por nós diante de Deus. Davi encerra esta parte chamando a Deus de “SENHOR dos Exércitos, meu Rei e meu Deus”. Um súdito aflito deve buscar proteção em seu rei, e o povo de Deus deve buscar socorro em seu Deus. Davi quer viver e morrer sustentado pelo Senhor dos Exércitos e por seus altares.
Depois ele declara quão bem-aventurados são aqueles que podem servir junto a esses altares. Primeiro, ele abençoa os ministros, sacerdotes e levitas, que moravam perto do tabernáculo e serviam ali por turnos (Salmo 84:4). Ele não tem pena deles por estarem sempre ocupados e dedicados a coisas sérias. Antes, ele os invejaria mais do que invejaria os maiores governantes da terra. Alguns chamam de bem-aventurados os ricos, mas Davi chama de bem-aventurados os fiéis. Sua felicidade não está em bom salário, mas em bom serviço. “Continuamente o louvarão.” Se há algum antegosto do céu na terra, ele se encontra no louvor constante a Deus.
Isso também aponta para o céu. Bem-aventurados são os que ali habitam, anjos e santos glorificados, porque não cessam de louvar a Deus dia e noite. Por isso devemos empregar tanto tempo quanto pudermos nessa obra bem-aventurada, pois é a obra que esperamos desfrutar para sempre.
Ele também diz que o povo é bem-aventurado, aqueles que, embora não morem continuamente no tabernáculo como os sacerdotes, podem subir em certas ocasiões de festa, especialmente nas três grandes festas em que todos os homens deviam comparecer perante o Senhor (Deuteronômio 16:16).
Davi não via isso como um peso sobre o povo. Pelo contrário, ele invejava a alegria dos que podiam ir e servir ao Senhor ali (Salmos 84:5-7). Ele descreve como bem-aventurado o povo cuja vida é marcada pela confiança em Deus e pela devoção a ele.
Primeiro, são pessoas que agem na religião a partir de uma profunda confiança em Deus. “Bem-aventurado o homem cuja força está em ti”, isto é, aquele que faz de Deus sua força e nele se apoia firmemente, como quem corre para uma torre forte em busca de segurança (Provérbios 18:10). Verdadeiramente felizes são os que prosseguem no culto e no dever não em sua própria força, que certamente falhará, mas na força da graça de Jesus Cristo, de quem vem toda a nossa capacidade. Davi ansiava voltar aos tabernáculos de Deus para fortalecer-se no Senhor seu Deus, tanto para o serviço quanto para o sofrimento.
Segundo, são pessoas que amam as santas ordenanças, isto é, os meios estabelecidos por Deus para culto e instrução. “Em cujo coração estão os caminhos” significa que, tendo feito de Deus sua maior felicidade, eles se alegram em todo caminho que leva a ele, em todo meio pelo qual sua fé cresce e sua comunhão com ele se mantém viva. Não apenas andam nesses caminhos, mas os guardam junto ao coração. Sua maior preocupação e alegria estão concentradas nisso.
Os que mantêm a Nova Jerusalém em vista devem também guardar em seu coração as veredas que levam até lá. Devem vigiar esses caminhos, pensar neles, manter-se próximos a eles e cuidar para não se desviar. Se fazemos da promessa de Deus a nossa força, devemos fazer da palavra de Deus a nossa regra e por ela caminhar.
Terceiro, são pessoas que continuam avançando em meio a dificuldades e desânimos, enquanto esperam em Deus no culto (Salmos 84:6). Quando os adoradores subiam do interior do país para as festas, muitas vezes o caminho passava por vales secos e arenosos, onde corriam risco de morrer de sede. Para se protegerem, cavavam pequenas covas para reter a água da chuva e, quando chovia, as poças se enchiam e se tornavam um socorro para eles e para outros. Se estivermos prontos para receber a graça de Deus, essa graça não nos faltará, mas será suficiente para toda necessidade.
Alguns entendem Baca como vale de lágrimas, um lugar de tristeza. Outros tomam como vales encharcados, que em tempo de chuva podiam ficar difíceis de atravessar por causa da água ou da lama. As pessoas drenavam e abriam valetas nesses lugares para fazer uma estrada para os que subiam a Jerusalém. Devemos cuidar das estradas que levam à igreja tanto quanto das que levam ao mercado.
Tudo isso mostra duas coisas. Primeiro, eles tinham um coração disposto para a jornada. Ao irem às festas solenes em Jerusalém, não deixavam que mau tempo ou maus caminhos os impedissem, nem usavam essas coisas como desculpa para ficar em casa. Dificuldades no caminho do dever provam nossa determinação, e quem fica sempre olhando o vento jamais semeará. Segundo, eles tiravam o melhor proveito do caminho para Sião. Consertavam o que podiam e suportavam o que não podiam remover. Nosso caminho para o céu passa por um vale de Baca, mas até esse vale pode tornar-se lugar de refrigério se fizermos bom uso dos consolos que Deus provê para os peregrinos da cidade celestial.
Quarto, são pessoas que continuam avançando até chegar ao fim da jornada, e não param antes disso (Salmos 84:7). “Vão indo de força em força.” O grupo aumenta à medida que mais gente se junta de cada povoado por onde passam, até que o ajuntamento se torna grande. Aqueles que moravam mais perto do templo esperavam pelos que vinham de mais longe e diziam: “Vamos à casa do SENHOR” (Salmos 122:1-2), para que fossem juntos, como um só corpo, demonstrando amor mútuo.
Ou pode significar que cada viajante, em vez de ficar exausto com a extensão do caminho e as durezas da estrada, tornava-se mais animado e alegre à medida que Jerusalém se aproximava. Prosseguiam cada vez mais fortes, como Jó descreve (Jó 17:9). Assim Deus promete que os que esperam no SENHOR renovarão as suas forças (Isaías 40:31). Mesmo quando são fracos, aí é que são fortes.
Alguns entendem a expressão como “vão de virtude em virtude”, usando a mesma palavra que descreve a mulher virtuosa. Aqueles que prosseguem firmes na vida cristã experimentarão Deus acrescentando graça sobre a graça que já receberam (João 1:16). Serão transformados de glória em glória, passando de um estágio luminoso de graça a outro (2 Coríntios 3:18), até que cada um compareça diante de Deus em Sião, para dar‑lhe glória e receber suas bênçãos. Os que crescem na graça, por fim, serão aperfeiçoados em glória.
A antiga versão caldaica entende assim: eles vão da casa do santuário para a casa de instrução, e o esforço que dedicaram à lei de Deus se apresentará diante do Senhor, cuja majestade habita em Sião. É necessário seguir adiante, passando de um dever a outro, da oração à Palavra, de praticar o que já aprendemos a aprender ainda mais. Procedendo assim, o fruto disso aparecerá, para glória de Deus e para nosso consolo duradouro.
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Deste capítulo
Salmos 84:2
"A minha alma está desejosa, e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo."
Salmos 84:3
"Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu."
Salmos 84:4
"Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvar-te-ão continuamente. (Selá.)"
Salmos 84:5
"Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados."
Salmos 84:6
"Que, passando pelo vale de Baca, faz dele uma fonte; a chuva também enche os tanques."
Salmos 84:7
"Vão indo de força em força; cada um deles em Sião aparece perante Deus."
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