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Salmos 81:8 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Ouve-me, povo meu, e eu te atestarei: Ah, Israel, se me ouvires! "

Salmos 81:8

menu_book Versículo no contexto

6 Tirei de seus ombros a carga; as suas mãos foram livres dos cestos.

7 Clamaste na angústia, e te livrei; respondi-te no lugar oculto dos trovões; provei-te nas águas de Meribá. (Selá.)

8 Ouve-me, povo meu, e eu te atestarei: Ah, Israel, se me ouvires!

9 Não haverá entre ti deus alheio nem te prostrarás ante um deus estranho.

10 Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito; abre bem a tua boca, e ta encherei.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Deus, por meio do salmista, fala aqui a Israel, e neles também a nós, sobre quem já chegaram os fins dos séculos. Primeiro ele chama o povo à atenção plena e séria para o que está prestes a dizer (Salmo 81:8). “Ouve-me, povo meu”, ele diz. Quem deve ouvir, se não o seu próprio povo? Ele já os tinha ouvido e atendido muitas vezes, e agora pergunta se eles o ouvirão. Não basta escutar; é preciso obedecer e deixar-se guiar por ele.

Nada poderia ser mais razoável e mais justo, e ainda assim Deus coloca em forma de condição: “Se me ouvires”. É para o bem deles, e mesmo assim fica em aberto se ouvirão, porque seu pescoço é como nervo de ferro, teimoso e difícil de dobrar. Em seguida, ele os lembra do dever que têm para com ele como Senhor seu Deus e seu Redentor (Salmo 81:10): “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito”. Estas são as palavras de abertura dos Dez Mandamentos, e trazem um forte motivo para obedecê-los. Dever, gratidão e o próprio bem deles os prendem à obediência; e eles rompem esses laços se recusam obedecer.

Depois, Deus resume brevemente tanto os mandamentos como as promessas que lhes deu quando os tirou do Egito. O grande mandamento era que não tivessem outros deuses diante dele (Salmo 81:9). “Não haja em ti deus estranho”, isto é, nenhum além do seu próprio Deus. Os outros deuses são bem chamados de deuses estranhos, porque é coisa muito estranha que um povo que tem o Deus vivo e verdadeiro deseje outro. Deus é zeloso nesse ponto, pois não dá a sua glória a outrem; por isso deviam ser muito cuidadosos nessa área (Êxodo 23:13).

A grande promessa era que o próprio Deus, todo‑suficiente, estaria perto deles em tudo quanto o invocassem (Deuteronômio 4:7). Se permanecessem junto dele como seu forte protetor e governante, sempre o encontrariam como generoso provedor. “Enche bem a tua boca, e eu ta encherei”, como os filhotes de corvo que clamam de boca aberta e são alimentados pelas aves adultas. Aqui está o nosso dever: esperar muito de Deus e alargar nossos desejos para com ele. Esperamos pouco demais da criatura, mas nunca podemos esperar demais do Criador. Não há limitação em Deus; por que, então, haveria de haver em nós?

Aqui também está a promessa de Deus: “que farta de bens a tua boca” (Salmo 103:5). Há suficiência em Deus para encher nossos celeiros (Provérbios 8:21), satisfazer toda alma faminta (Jeremias 31:25), suprir toda necessidade, responder todo desejo justo e tornar-nos plenamente felizes. Os prazeres dos sentidos deixam a pessoa empanturrada e ainda insatisfeita (Isaías 55:2). Os prazeres de Deus satisfazem sem jamais se tornarem enjoativos. Podemos receber o bastante de Deus se pedirmos com fé. Pedi, e dar-se-vos-á. Ele dá liberalmente e não lança em rosto.

Deus assegurou a Israel que qualquer falta dessas bênçãos seria culpa deles, não dele. Nada teria sido bom demais ou grande demais para lhes conceder, se houvessem permanecido perto dele. Teria dado ainda muito mais, como disse em 2 Samuel 12:8.

Em seguida, ele os acusa de profundo desprezo pela sua autoridade como legislador e pela sua graça e favor como benfeitor (Salmo 81:11). Ele já tinha feito muito por eles e planejara fazer ainda mais, mas tudo ficou sem efeito. “Mas o meu povo não quis ouvir a minha voz”, diz ele, “fez ouvidos surdos a tudo o que eu dizia”. Ele se queixa de duas coisas. Primeiro, desobedeceram a seus mandamentos. Ouviram sua voz, mais claramente do que qualquer outro povo jamais ouvira, mas não quiseram prestar-lhe atenção verdadeira nem se deixar governar por ela, nem pela lei em si, nem pela justa razão que havia nela. Segundo, rejeitaram sua aliança com eles. “Israel não me quis.” O targum caldeu expressa: “Não se conformaram com a minha palavra.”

Deus estava disposto a ser o Deus deles, mas eles não estavam dispostos a ser o seu povo. Não gostaram das suas condições. “Eu quis ajuntá-los, mas eles não quiseram.” Não o quiseram, mas por quê? Não porque não tivessem sido convidados, pois foram livremente chamados à aliança com Deus. Não porque não pudessem, pois a palavra lhes estava perto, na boca e no coração. Foi simplesmente porque não quiseram. Deus ainda os chama de seu povo, porque os tinha comprado, ligado a si e reivindicado por muitos laços; e, ainda assim, nem mesmo eles quiseram ouvir nem obedecer. Israel, descendência de Jacó, amigo de Deus, tratou-o com leveza e não o quis.

Todo o mal no mundo ímpio vem da obstinação da vontade perversa. As pessoas não são piedosas porque não querem ser piedosas. Em seguida ele explica o juízo espiritual que trouxe sobre eles por causa disso (Salmo 81:12): “Assim, deixei‑os andar segundo a dureza do seu coração”. Esses desejos do coração tornaram-se inimigos mais perigosos e senhores mais cruéis do que qualquer nação vizinha jamais foi. Deus retirou o seu Espírito, removeu o freio da sua graça e os deixou entregues a si mesmos, e isso foi justo. Já que queriam fazer sua própria vontade, ele os deixou fazer a sua própria vontade. “Efraim está entregue aos ídolos; deixa-o” (compare Oséias 4:17).

É coisa justa que Deus entregue à própria cobiça aqueles que se apegam aos seus desejos pecaminosos e se entregam a eles. Por que o seu Espírito haveria de contender para sempre? A graça pertence a ele, e ele não a deve a ninguém. Contudo, ele jamais concedeu graça a alguém que pudesse dizer que a merecia, e nunca a retirou de alguém que não a tivesse antes perdido por si mesmo. “Não me quiseram, por isso os deixei.” Que sigam o seu próprio caminho.

E veja o que se seguiu. “Andaram segundo os seus conselhos”, no caminho dos seus próprios corações e segundo o que viam com os próprios olhos, tanto no culto quanto na vida diária. “Eu os deixei fazer o que queriam, e então fizeram o que era mau.” Seguiram seus próprios planos em vez do conselho e direção de Deus. Deus não foi causa do pecado deles. Apenas os deixou aos desejos do seu coração e aos projetos de sua mente. Se não agiram bem, a culpa recai sobre o próprio coração deles, e a responsabilidade, sobre a própria cabeça deles.

Por fim, ele demonstra sua boa vontade para com eles, expressando o desejo de que tivessem feito aquilo que seria o melhor para si mesmos. Ele via quão triste era a condição deles e quão certa seria sua ruína quando fossem entregues aos próprios desejos pecaminosos. Isso é pior do que ser entregue a Satanás, o que ainda pode fazer parte da correção (1 Timóteo 1:20) e da salvação (1 Coríntios 5:5). Mas ser entregue ao próprio coração pecaminoso é ser selado para condenação: “Quem é injusto faça injustiça ainda, e quem é sujo seja sujo ainda”. Que quedas terríveis esses desejos podem provocar.

Agora Deus olha para eles com piedade e mostra que só os entregou a si mesmos com grande relutância. “Como te deixaria, ó Efraim?” (Oséias 11:8, Oséias 11:9). Assim também aqui: “Ah! se o meu povo me tivesse ouvido!” Veja também (Isaías 48:18). Da mesma forma, Cristo lamentou sobre a Jerusalém obstinada: “Se tu conhecesses...” (Lucas 19:42).

Essas palavras são comoventes, como se vê em (Salmo 81:13-16). Nelas Deus mostra o quanto é contrário ao seu querer que alguém pereça, e como deseja que todos cheguem ao arrependimento. Ele não tem prazer na ruína de pessoas ou nações pecadoras. Também revelam o quanto os pecadores se prejudicam a si mesmos, e como a sua miséria será tanto maior porque poderiam ter sido felizes em condições tão simples.

Vemos aqui, primeiro, a grande misericórdia que Deus tinha preparada para seu povo, se o houvessem obedecido. Ter-lhes-ia dado vitória sobre os inimigos e concluído logo a obra. Não apenas manteriam sua posição, mas teriam subjugado os cananeus restantes e os vizinhos perturbadores ao redor (Salmo 81:14). Ele diz: “Em breve abateria os seus inimigos”; e só Deus pode, de fato, subjugar nossos adversários.

Ele não os teria submetido a uma guerra longa e desgastante. Teria feito isso depressa, voltando sua mão contra os inimigos, de modo que eles não poderiam permanecer de pé diante do seu povo. Isso mostra quão facilmente Deus poderia tê-lo feito, sem qualquer esforço. Com apenas um voltar de mão, sim, com o sopro de sua boca, ele mata o ímpio (Isaías 11:4). Se ele apenas voltar a sua mão, “os que aborrecem ao Senhor se lhe submeterão” (Salmo 81:15). Ainda que não cheguem a amá-lo, serão constrangidos a temê-lo e a reconhecer que não podem vencê-lo. Deus é honrado, e assim também o seu povo Israel, quando antigos rebeldes se rendem, ainda que de forma forçada e apenas exterior.

Além disso, ele teria firmado os filhos deles e os filhos de seus filhos, dando à nação um lugar estável e duradouro. Nenhum esforço de inimigos os teria expulsado. O tempo deles na terra teria sido como que para sempre, e teriam permanecido em segurança na boa terra que Deus lhes deu. Nunca teriam sido perturbados nela, muito menos removidos dela.

Ele também lhes teria dado abundantes bens (Salmo 81:16). Teria sustentado o povo com o melhor trigo, o grão mais fino e excelente. O trigo era uma das principais colheitas de Canaã, e muito dele era exportado (Ezequiel 27:17). Deus não apenas lhes teria provido o melhor pão, mas também os teria saciado com mel tirado da rocha. Até os lugares pedregosos teriam produzido mel, de modo que nenhuma parte da terra ficaria vazia ou estéril. Veja (Deuteronômio 32:13-14). Em resumo, Deus planejava torná-los felizes e bem supridos em todos os aspectos.

Em segundo lugar, Deus exigia apenas um dever da parte deles como condição para toda essa misericórdia. Não pedia mais do que que o povo o ouvisse, como um aluno ouve o mestre para receber instrução, ou como um servo ouve o senhor para receber ordens. Pedia também que andassem em seus caminhos, os caminhos do Senhor, que são retos e agradáveis, e que guardassem seus estatutos e atentassem para a direção de sua providência. Em nada disso havia algo injusto ou irrazoável.

Em terceiro lugar, vemos por que essa misericórdia foi retirada. Foi porque negligenciaram o dever. “Se o meu povo me tivesse ouvido”, diz Deus, “eu logo teria humilhado seus inimigos.” O pecado nacional, ou a desobediência nacional, é o grande fator que atrasa o livramento nacional. Quando Deus estava pronto para curar Israel e pôr tudo em ordem no meio do povo, então o pecado de Efraim veio à tona e impediu a cura (Oséias 7:1). Costumamos dizer: “Se tal método tivesse sido usado, ou se tal pessoa tivesse sido enviada, nossos inimigos teriam sido logo derrotados.” Mas pensamos errado. Se tivéssemos ouvido a Deus e feito o nosso dever, isso já teria acontecido. É o pecado que prolonga as nossas aflições e retarda a salvação. É disso que o próprio Deus se lamenta, como quem deseja que fosse diferente.

Assim, Deus quer que cumpramos o nosso dever para com ele, a fim de estarmos preparados para receber o seu favor. Ele se agrada em ser servido por nós, não porque isso acrescente algo a ele, mas porque é o que nos faz bem.

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