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Salmos 80:8 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Trouxeste uma vinha do Egito; lançaste fora os gentios, e a plantaste. "

Salmos 80:8

menu_book Versículo no contexto

6 Tu nos pões em contendas com os nossos vizinhos, e os nossos inimigos zombam de nós entre si.

7 Faze-nos voltar, ó Deus dos Exércitos, e faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos.

8 Trouxeste uma vinha do Egito; lançaste fora os gentios, e a plantaste.

9 Preparaste-lhe lugar, e fizeste com que ela deitasse raízes, e encheu a terra.

10 Os montes foram cobertos da sua sombra, e os seus ramos se fizeram como os formosos cedros.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O salmista intercede pelo Israel de Deus, apresentando sua causa diante do trono da graça e suplicando por misericórdia e favor. Ele retrata o povo de Deus como uma videira (Salmo 80:8, Salmo 80:14) e como uma vinha (Salmo 80:15). Cristo é a raiz dessa videira (Romanos 11:18), e os crentes são os ramos (João 15:5). A videira é fraca, precisa de apoio, pode parecer simples ou pouco atraente à primeira vista, mas ela se espalha, dá fruto, e seu fruto é excelente. Assim é a igreja: uma videira escolhida e nobre, e devemos agradecer a Deus por tê-la plantado no deserto deste mundo e por preservá-la até hoje.

Observe, primeiro, como a videira da igreja do Antigo Testamento foi plantada no início. Deus a tirou do Egito com mão poderosa, e expulsou as nações de Canaã para lhe dar lugar, sete nações em troca de uma só. Alguns entendem o Salmo 80:9 assim: “Preparaste-lhe lugar”, isto é, Deus abriu espaço removendo o que estava no caminho. As nações foram varridas como pó pela vassoura da destruição. Depois de abrir espaço e plantar a videira, Deus fez com que ela lançasse raízes profundas, firmando solidamente o governo tanto religioso quanto civil, de tal forma que os vizinhos muitas vezes tentaram arrancá-la, mas não conseguiram.

Em segundo lugar, veja como ela se alargou e floresceu. A terra de Canaã ficou totalmente povoada. No começo, Israel não era numeroso o suficiente para encher a terra (Êxodo 23:29), mas no tempo de Salomão Judá e Israel eram tão numerosos como a areia do mar, e a terra se encheu deles, e ainda assim continuou sendo uma terra frutífera, sem ficar superpovoada (Salmo 80:10). Os montes de Canaã foram cobertos pela sua sombra, e os seus ramos se estenderam ao longe. Seus ramos não eram fracos como os de uma simples videira, mas fortes como os ramos de cedros excelentes. Israel tinha não só um grande povo, mas também valentes guerreiros.

Eles também estenderam o seu domínio sobre as terras vizinhas (Salmo 80:11). “Estendeu a sua ramagem até ao mar”, isto é, o Grande Mar, a oeste, “e até ao rio os seus renovos”, seja o ribeiro do Egito ao sul, o rio de Damasco ao norte, ou mais provavelmente o Eufrates ao leste (Gênesis 15:18). A grandeza de Nabucodonosor também é descrita como uma árvore frondosa (Daniel 4:20-21). Mas aqui é notável que a videira seja louvada por sua sombra, seus ramos e sarmentos, e nada se diga do seu fruto. Isso porque Israel era uma videira vazia (Oséias 10:1). Deus veio procurar uvas, mas encontrou uvas bravas (Isaías 5:2). Se uma videira não produz fruto, nenhuma árvore é mais inútil ou sem valor (Ezequiel 15:2, Ezequiel 15:6).

Em terceiro lugar, o salmista lamenta como essa videira foi devastada e arruinada. “Senhor, fizeste grandes coisas por esta videira; por que tudo isso deveria ser desfeito?” Se fosse uma planta que Deus não tivesse plantado, não seria de admirar vê-la arrancada. Mas Deus abandonará aquilo que ele mesmo trouxe à existência? (Salmo 80:12). Por que, então, derrubaste as suas sebeas? Havia boa razão para essa mudança no modo de Deus lidar com eles. Essa videira nobre se tornou a planta degenerada de uma vide estranha (Jeremias 2:21), trazendo desonra ao seu grande Dono. Por isso não é de se estranhar que ele tirasse a sua cerca protetora (Isaías 5:5). Ainda assim, o salmista usa o favor passado de Deus como argumento de oração e como encorajamento para confiar que Deus não os rejeitaria totalmente.

Note-se o ódio das nações gentias contra Israel. Assim que Deus derrubou suas cercas e os deixou expostos, exércitos inimigos se precipitaram, ávidos pela oportunidade de destruí-los. Os que passavam colhiam seus frutos, e o javali da selva e a fera do campo estavam prontos para devastá-los (Salmo 80:13). Mas observe também o quanto esses inimigos cruéis eram limitados. Enquanto Deus mantinha a cerca, eles não podiam arrancar sequer uma folha dessa videira. O diabo não pôde tocar em Jó enquanto Deus mantinha um cerco ao seu redor (Jó 1:10). Por isso é do interesse de qualquer povo permanecer no favor de Deus; assim não terá de temer a fera do campo (Jó 5:23). Se provocarmos Deus a retirar-se, nossa proteção se vai, e ficamos arruinados.

A triste condição de Israel é descrita no Salmo 80:16: está queimada pelo fogo, cortada, e o povo é tratado como espinhos e abrolhos, perto da maldição e destinado a ser queimado, já não como videiras guardadas e cuidadas. Eles não perecem apenas por causa do ataque da fera e do javali, mas por causa da repreensão do rosto de Deus. Era isso que temiam, e a isso atribuíam todos os seus males. Para nós as coisas vão bem ou mal conforme estejamos debaixo do sorriso ou da carranca de Deus.

A partir disso, o salmista apresenta seus pedidos a Deus. Primeiro, pede que Deus socorra a videira (Salmo 80:14-15). Ele deseja que Deus atente para sua condição e faça o que lhe parecer bem: “Volta-te, suplicamos, Senhor dos Exércitos, pois pareces ter-te afastado de nós. Olha desde o céu, de onde te retiraste, do lugar onde vês todas as injustiças que nos fazem, do lugar de poder de onde podes enviar verdadeiro socorro, do lugar onde está o teu trono de juízo, ao qual recorremos, e de onde preparaste uma pátria melhor para os verdadeiros israelitas. De lá, lança um olhar de graça e concede uma visita graciosa a esta videira. Vê com compaixão a nossa condição dolorosa, e deixamos a ti a forma exata do socorro que nos darás.”

Ele pede que Deus olhe para a vinha, ou melhor, para a raiz que a sua destra plantou e que, por isso, deve proteger, e para o ramo que tornou forte para si mesmo, a fim de manifestar o seu louvor (Isaías 43:21). A ideia é que Deus a formou para si, e por isso deve ser confiado para cuidar dela. A obra de Deus é perfeita. A palavra hebraica aqui às vezes é lida como “ramo” e às vezes como “filho”, isto é, o filho que Deus tornou forte para si no seu conselho. Esse ramo deveria brotar da linhagem de Israel, o servo e Renovo mencionado em Zacarias 3:8. Portanto, até que ele viesse, Israel como nação, e especialmente a casa de Davi, precisava ser preservado e mantido vivo. Ele é a videira verdadeira (João 15:1; Isaías 11:1). “Não a destruas, pois há bênção nela” (Isaías 65:8).

Em segundo lugar, o salmista pede que Deus ajude o lavrador da vinha, o homem da sua destra, aquele rei da linhagem de Davi que deveria sair e entrar à frente do povo (Salmo 80:17-18). “Seja a tua mão sobre o varão da tua destra”, ou seja, que a mão de Deus o proteja, o reconheça, o fortaleça e lhe dê bom êxito. Essa linguagem aparece também em Esdras 7:28: “Fui fortalecido, porque a mão do Senhor, meu Deus, estava sobre mim.”

Seu rei é chamado de homem da destra de Deus porque representava toda a nação, que era preciosa para Deus, como Benjamim, “filho da minha destra”. Ele era o principal em seus negócios, e instrumento na mão de Deus para lhes fazer muito bem. Defendia-os de sua própria insensatez e de seus inimigos, e os guiava pelo caminho certo. Era também um pastor subordinado debaixo do grande Pastor de Israel.

Os governantes, que detêm autoridade real, devem lembrar que são filhos de Adão, isto é, meros seres humanos. Se são fortes, é porque Deus os fortaleceu, e ele os fortaleceu para si mesmo. Eles são seus servos, destinados a promover os interesses do seu reino entre os homens. Se fizerem isso com sinceridade, a mão de Deus estará sobre eles. Devemos orar com fé para que seja assim e, então, acrescentar esta resolução: se Deus estiver com nossos governantes, nós estaremos com ele. Não nos afastaremos de uma causa que vemos que Deus sustenta e favorece. Se Deus guiar, nós o seguiremos.

Devemos também orar: “Dá-nos vida, põe forças em nós, reaviva os nossos interesses que desfalecem, reanima nossos espíritos desanimados, e então invocaremos o teu nome.” Continuaremos a fazê-lo em toda circunstância, pois sabemos que não é esforço perdido. Não podemos invocar a Deus como convém, se ele não nos der vida. É ele quem insufla vida em nossas almas e dá vigor às nossas orações.

Muitos intérpretes, tanto judeus quanto cristãos, veem nessa passagem uma referência ao Messias, o Filho de Davi, protetor e Salvador da igreja e guarda da vinha. Primeiro, ele é o homem da destra de Deus, aquele a quem Deus jurou por sua destra, como verte o Targum caldeu. Deus o exaltou à sua destra, e ele é, de fato, a sua destra, o braço do Senhor, pois toda autoridade lhe foi dada.

Em segundo lugar, ele é aquele Filho do Homem a quem Deus revestiu de força para si mesmo, para a glória do seu nome e para o avanço do seu reino entre os povos. Em terceiro lugar, a mão de Deus está sobre ele em toda a sua obra, para sustentá-lo e levá-lo adiante, para protegê-lo e encorajá-lo, de modo que o propósito do Senhor prospere em suas mãos. Em quarto lugar, a firmeza da fé dos crentes vem inteiramente da graça e da força acumuladas para nós em Jesus Cristo (Salmo 68:28). Nele encontramos a nossa força, e por meio dele somos capacitados a perseverar até o fim. Que a mão de Deus esteja sobre ele, que o nosso socorro seja posto sobre aquele que é poderoso. Que ele seja plenamente capaz de salvar, e aí estará a nossa segurança. Então não nos desviaremos de ti.

Por fim, o salmo termina com o mesmo pedido que já foi repetido duas vezes: “Converte-nos” (Salmo 80:19). O modo de invocar o nome de Deus se intensifica a cada vez: “Ó Deus” (Salmo 80:3), “Ó Deus dos Exércitos” (Salmo 80:7) e “Ó Senhor, Deus dos Exércitos” (Salmo 80:19). Quando nos achegamos a Deus em busca de sua graça, de seu favor para conosco e de sua obra em nós, devemos orar com fervor, perseverar em oração e orar ainda com mais insistência.

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