Versículo em destaque
Salmos 75:6 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Porque nem do oriente, nem do ocidente, nem do deserto vem a exaltação. "
Salmos 75:6
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
4 Disse eu aos loucos: Não enlouqueçais, e aos ímpios: Não levanteis a fronte;
5 Não levanteis a vossa fronte altiva, nem faleis com cerviz dura.
6 Porque nem do oriente, nem do ocidente, nem do deserto vem a exaltação.
7 Mas Deus é o Juiz: a um abate, e a outro exalta.
8 Porque na mão do Senhor há um cálice cujo vinho é tinto; está cheio de mistura; e dá a beber dele; mas as escórias dele todos os ímpios da terra as sorverão e beberão.
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Nesses versículos vemos duas grandes verdades sobre o domínio de Deus sobre o mundo, e duas lições úteis que decorrem delas. Davi as usa para confirmar o que já tinha dito. As duas verdades se encaixam bem na situação e ambas exigem fé.
Em primeiro lugar, o poder vem somente de Deus, por isso só Deus merece o louvor pela elevação de um rei ao poder (Salmo 75:6; Salmo 75:7). Davi atribuía a Deus o mérito de sua própria exaltação, porque sua autoridade vinha do Senhor. E, porque Deus lhe dera poder, Davi estava decidido a usar esse poder para Deus. Por isso era tolice qualquer um “exaltar o seu chifre” contra ele, isto é, agir com orgulho e arrogância contra ele.
Com frequência vemos mudanças repentinas em nações e reinos. Uma pessoa é abatida, outra é levantada, e isso nos surpreende. Mas essa passagem nos manda olhar além das causas visíveis e enxergar Aquele que realmente está por trás de tudo. Somos ensinados onde o poder começa e de onde vem a exaltação.
De onde vêm a promoção a um reino, ou a cargos de autoridade e confiança dentro de um reino? Não depende apenas da vontade do povo, nem apenas da vontade do príncipe. Ambos estão sob a vontade de Deus, pois ele tem todos os corações em suas mãos. Portanto, quem busca promoção deve começar olhando para Deus.
O salmo primeiro nos diz, de forma negativa, de onde o poder não vem: a exaltação não vem do oriente, nem do ocidente, nem do deserto. Isto é, não vem de nenhuma direção da terra. Nenhum vento favorável pode erguer alguém se Deus não o enviar de cima. Habilidade humana, riqueza, exércitos ou alianças não podem garantir promoção, se a causa primeira, o próprio Deus, não a conceder.
O ponto não é que os meios humanos nunca tenham importância, mas que não podem ter êxito por si mesmos. Nenhuma quantidade de ajuda do leste, do oeste ou do sul pode levantar alguém, se Deus não abrir o caminho. Nenhuma causa secundária pode produzir honra sem a causa primeira.
Um bispo, Lloyd, explicou em essência assim: as pessoas sabiam que o poder vinha do céu, mas muitas não sabiam de quem, no céu. Alguns povos orientais, que confiavam muito na astrologia, achavam que o poder vinha dos astros, especialmente do sol. Davi afirma que não vem nem do nascer nem do pôr de qualquer estrela, nem de qualquer outro corpo celeste. Vem do propósito secreto de Deus.
Ele não menciona o norte, talvez porque ninguém esperava que o poder viesse dali. Ou a palavra traduzida por “norte” também pode significar “lugar oculto”, apontando para o conselho escondido de Deus. De todo modo, nenhum vento é favorável para a exaltação se aquele que tem os ventos na mão não o dirigir.
O versículo também fala de maneira positiva: Deus é o juiz, o governante, o árbitro. Quando as pessoas disputam por honra, ele abate um e exalta outro, como lhe apraz. Ele faz isso para cumprir seus próprios planos e realizar seus propósitos. Age por seu próprio direito e não precisa dar explicações a nós sobre essas coisas.
Isso não é problema, porque ele é infinitamente sábio, santo e bom. Se ele tem o direito de levantar e abater quem quiser, isso não nos traz dano algum. Pelo contrário, é justamente a razão por que os governantes devem governar para Deus, pois eles mesmos terão de prestar contas a ele. É por Deus que os reis reinam.
Em segundo lugar, todas as pessoas também recebem de Deus o seu juízo (Salmo 75:8). Na mão do Senhor há um cálice, que ele dá aos filhos dos homens. É um cálice da providência, isto é, do modo como Deus ordena os acontecimentos, misturado com o que ele quiser. Muitas vezes é um cálice de aflição. Os sofrimentos de Cristo também são chamados de cálice (Mateus 20:22; João 18:11). Os juízos de Deus sobre os pecadores são chamados de o cálice da mão direita do Senhor (Habacuque 2:16).
O vinho é vermelho, o que aponta para a ira de Deus nos juízos que ele envia sobre os pecadores. Essa ira é a parte amarga, o absinto e o fel de seu sofrimento e miséria. É vermelha como fogo e sangue, porque queima e destrói. É um vinho “cheio de mistura”, preparado com cuidado e sabedoria para cumprir o seu propósito.
Quando Deus dá esse cálice ao seu povo, ele é misturado com misericórdia e graça. Quando o dá aos ímpios, é misturado com maldição. É vinho mesclado com fel. Esses juízos são derramados sobre todos em alguma medida, como também lemos em Apocalipse 15:7 e Apocalipse 16:1. Até os piedosos podem sentir algumas gotas disso em aflições comuns.
Mas as borras do cálice são reservadas para os ímpios. A angústia exterior é apenas o recipiente que carrega a ira dentro dele. Na parte de cima pode-se sentir pouco dessa ira, mas o sedimento no fundo é juízo puro. É isso que os pecadores receberão. Já o experimentam agora no temor da consciência e, depois, nos tormentos do inferno.
Eles terão de espremer o cálice até a última gota. Beberão tudo, porque a maldição penetrará fundo neles, como água no interior do corpo e óleo nos ossos. O cálice da ira de Deus se tornará um cálice de tremor, e esse tremor durará para sempre (Apocalipse 14:10). Enquanto os ímpios prosperam neste mundo, seu cálice pode parecer mesclado e agradável, mas o pior está no fundo. Os ímpios estão sendo reservados para o dia do juízo.
A partir dessas verdades, Davi tira duas boas lições práticas, em harmonia com o dever mencionado no início do salmo. Sendo assim, ele louvará a Deus e lhe dará glória pelo poder que recebeu dele (Salmo 75:9). Enquanto viver, continuará anunciando o que as obras maravilhosas de Deus anunciam (Salmo 75:1). A exaltação do Filho real de Davi, o Messias, será um dia parte do louvor eterno dos santos.
Ele louvará a Deus não só como seu Deus, mas como o Deus de Jacó. Sabe que Deus o levantou por amor ao servo de Jacó e porque amava o seu povo Israel. A posição de honra de Davi foi um dom de misericórdia ao povo da aliança.
Ele também usará o poder que lhe foi confiado para os fins que Deus determinou, como já tinha dito (Salmo 75:2; Salmo 75:4). Como deve fazer quem está em autoridade, ele tenciona ser terror para os malfeitores, humilhar o orgulho deles e quebrar seu poder. Embora não atinja toda cabeça, cortará todos os chifres dos ímpios, isto é, as forças com que prejudicam o próximo. Em outras palavras, torná-los-á incapazes de fazer o mal.
Isso está de acordo com a promessa de Deus de suscitar artífices que derrubariam os chifres das nações que tinham espalhado Judá e Israel (Zacarias 1:18-21). Ao mesmo tempo, Davi se decide a proteger e honrar os que fazem o que é justo. Os chifres dos justos serão exaltados, isto é, eles serão promovidos e colocados em posições de responsabilidade. Os que são bons e têm desejo de fazer o bem não ficarão sem capacidade nem oportunidade de servir bem.
Isso combina com o propósito expresso por Davi no Salmo 101:3 e seguintes.
Nisso, Davi age como figura de Cristo, isto é, sua vida aponta para Jesus. Cristo destruirá os ímpios com o sopro de sua boca e exaltará o poder e a honra dos justos (Salmo 112:9).
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Deste capítulo
Salmos 75:1
"A ti, ó Deus, glorificamos, a ti damos louvor, pois o teu nome está perto, as tuas maravilhas o declaram."
Salmos 75:2
"Quando eu ocupar o lugar determinado, julgarei retamente."
Salmos 75:3
"A terra e todos os seus moradores estão dissolvidos, mas eu fortaleci as suas colunas. (Selá.)"
Salmos 75:4
"Disse eu aos loucos: Não enlouqueçais, e aos ímpios: Não levanteis a fronte;"
Salmos 75:5
"Não levanteis a vossa fronte altiva, nem faleis com cerviz dura."
Salmos 75:7
"Mas Deus é o Juiz: a um abate, e a outro exalta."
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