Versículo em destaque
Salmos 38:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Ó Senhor, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor. "
Salmos 38:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Ó Senhor, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor.
2 Porque as tuas flechas se cravaram em mim, e a tua mão sobre mim desceu.
3 Não há coisa sã na minha carne, por causa da tua cólera; nem há paz em meus ossos, por causa do meu pecado.
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O título deste salmo merece atenção. Ele é chamado de “salmo para trazer à memória”, e o Salmo 70 tem o mesmo título. Parece ter sido escrito para ajudar Davi a se lembrar de duas coisas: primeiro, para recordar o estado do seu próprio coração em tempos de sofrimento; segundo, para servir aos outros como modelo de como pensar e falar quando estiverem aflitos.
Se Davi o escreveu enquanto estava doente e com dores, então ele nos ensina a usar os períodos de enfermidade para lembrar do nosso pecado. Na angústia, devemos deixar a consciência falar com clareza, colocar nossos pecados em ordem diante de nós e nos humilhar diante de Deus. Se ele o escreveu depois de ter sido curado, então o salmo é um registro do que sentiu e aprendeu em meio à aflição, para que pudesse voltar a essas boas impressões e aproveitá‑las de novo. Ezequias fez algo semelhante quando escreveu sobre o que passou depois de sua enfermidade.
Davi começa pedindo que Deus não o castigue em ira: “Ó Senhor, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor” (Salmo 38:1; ver também Salmo 6:1). Isso deve pesar em nosso coração quando sofremos. Seja qual for a prova que Deus envia, precisamos suplicar que ela não venha como expressão de sua ira e desgosto, pois isso tornaria o sofrimento muito mais difícil de suportar.
Ele fala, então, de forma amarga sobre quão profundamente o desagrado de Deus o atingiu: as “flechas” de Deus entraram nele. Por essas flechas, entende‑se os terrores vindos da parte de Deus, alinhados contra ele como um exército. Davi se sentia perseguido pelo temor da ira divina por causa de seus pecados, esperando juízo e ardente indignação. As flechas de Deus sempre acertam o alvo e ficam cravadas até que ele mesmo as retire e cure a ferida com seu consolo. Isso faz parte também da miséria dos que se perdem, pois as flechas da ira de Deus permanecerão neles para sempre.
Davi diz ainda que a mão de Deus o oprimia com força. Não foi algo leve ou passageiro, mas um peso duradouro, e ele conhecia o poder da ira do Senhor. Em outros momentos, essa mesma mão tinha agido em seu favor, como em (Salmo 18:14), mas agora lhe parecia contrária. Isso mostra como o conforto exterior é incerto, mesmo quando a graça salvadora de Deus permanece firme.
Ele declara: “Não há coisa sã na minha carne, por causa da tua ira” (Salmo 38:3). A amargura interior do medo e da tristeza afetou também o seu corpo. Mas pior do que a dor física era a dor no coração. A sensação da ira de Deus tirou dele a coragem de guerreiro, a dignidade de rei e até a alegria do doce salmista de Israel. Nada perturba mais um homem piedoso do que sentir a ira de Deus, pois isso mostra quão terrível é cair em suas mãos. O melhor caminho para conservar um coração em paz é viver no amor de Deus e evitar tudo o que o desagrada.
Davi então admite que o verdadeiro motivo da sua angústia era o seu pecado. Ele diz que seus ossos não tinham descanso e todo o seu ser tremia. É sim por causa da ira de Deus, ele reconhece, mas logo acrescenta: é por causa do meu pecado. Ele assume a culpa, porque seu sofrimento era fruto de sua própria maldade. Se nossos sofrimentos vêm da ira de Deus, devemos lembrar que a causa está no pecado. Se não houvesse pecado em nossa alma, não haveria dor em nossos ossos.
Ele sente o pecado como um fardo pesado: “As minhas iniquidades já alcançaram a minha cabeça” (Salmo 38:4). É como águas profundas que cobrem um homem prestes a se afogar, ou um peso insuportável. De fato, o pecado é um fardo. O poder do pecado em nós é um peso que nos puxa para baixo, e todos os crentes o sentem como um “corpo de morte” que carregam (Hebreus 12:1; Romanos 7:24). A culpa do pecado também é um peso, que primeiro conduz ao arrependimento e, se rejeitado, termina em perdição.
Ele também descreve o pecado como uma ferida: “As minhas chagas cheiram mal e estão corruptas” (Salmo 38:5). Como uma ferida sem tratamento que apodrece, o pecado, quando deixado sem cuidado, vai se tornando cada vez pior. Ele afirma que isso veio da sua loucura. O pecado é uma ferida, frequentemente agravada porque a pessoa não o confessa nem busca socorro (Gênesis 4:23; Salmo 32:3-4). Até uma pequena chaga, se ignorada, pode se tornar mortal; assim também um pequeno pecado, se não houver arrependimento.
Davi então derrama sua tristeza diante do Senhor. Sua mente estava perturbada, sua consciência ferida, e ele não encontrava descanso em si mesmo. Um espírito ferido é difícil de suportar. Ele diz que andava encurvado e triste, lamentando o dia inteiro (Salmo 38:6). Estava sombrio e abatido, e isso o fazia sentir‑se um peso para si próprio. Seu espírito era fraco e quebrantado, e seu coração inquieto (Salmo 38:8). Nisso, Davi aponta para Cristo, que, em sua agonia, declarou: “A minha alma está profundamente triste”. Essa é uma das dores mais difíceis que alguém pode ter. Nenhum sofrimento exterior deveria arrancar de nós tantas queixas, desde que Deus conserve nosso juízo e nos dê paz de consciência.
Ele também estava enfermo e fraco no corpo. Seus lombos estavam cheios de enfermidade dolorosa, um inchaço, úlcera ou inflamação. Alguns pensam que tenha sido um furúnculo, como o de Ezequias, e não havia nada são em sua carne. Como Jó, estava enfermo da cabeça aos pés.
Isso nos mostra, primeiro, como são fracos os corpos que carregamos. Estão expostos a muitas enfermidades dolorosas, e tais males logo se tornam um peso para a alma que habita neles. São sempre como uma nuvem e um fardo. Mostra também que os corpos dos maiores e melhores homens têm as mesmas raízes de doença que os de qualquer outro, e enfrentam os mesmos perigos. O próprio Davi, embora grande rei e homem piedoso, não foi poupado das piores enfermidades. Não havia saúde nem mesmo em sua carne.
Provavelmente isso aconteceu depois do seu pecado no caso de Urias, e assim ele sofreu em seu corpo pelos pecados da sua carne. Sempre que estivermos fracos ou enfermos, devemos lembrar como Deus tem sido desonrado em e por meio de nossos corpos. Ele estava fraco e quebrado em extremo, como o próprio salmo mais adiante declara (Salmo 38:8). Seu coração palpitava, batendo acelerado de medo e dor (Salmo 38:10). Sua força e seus membros o abandonavam. A luz de seus olhos se foi, seja por muito chorar, por alguma doença que afetava seus olhos, seja pelo abatimento do espírito e repetidos desfalecimentos.
A doença humilha o corpo mais forte e o ânimo mais corajoso. Davi era conhecido por sua coragem e grandes vitórias, mas quando Deus tratou com ele por meio da enfermidade física e do terror interior, sua força se esvaiu, seu coração desmaiou e ele se tornou fraco como água. Portanto, ninguém confie na própria força, e ninguém se glorie como se a tristeza jamais pudesse alcançá‑lo. A tribulação pode chegar quando menos se espera.
Seus amigos se mostraram cruéis com ele (Salmo 38:11). Aqueles que antes haviam participado de suas alegrias agora se mantinham afastados da sua dor. Não quiseram compartilhar sua tristeza nem chegar perto o suficiente para ouvir suas queixas. Como o sacerdote e o levita que passaram de largo (Lucas 10:31), mantiveram distância. Até seus parentes, ligados por laços de sangue e família, ficaram de longe.
Isso mostra como temos pouca razão para confiar nos homens ou ficar surpresos quando falha a bondade humana. A aflição prova as amizades e separa o que é verdadeiro do que é falso. É mais sábio assegurar‑se de ter um amigo no céu, que não ficará longe de nossa dor e cujo amor não pode ser rompido por tribulação ou angústia. Nas suas aflições, Davi também aponta para Cristo em sua agonia. Cristo na cruz estava fraco e muito quebrantado, e seus amigos e parentes olhavam de longe, sem se aproximar.
No meio de suas queixas, Davi se consola sabendo que Deus vê tanto suas dores quanto suas orações (Salmo 38:9). “Senhor, todo o meu desejo está diante de ti. Tu conheces o que preciso e o que anseio. O meu gemido não te é oculto. Tu sabes os fardos que carrego e as bênçãos pelas quais suspiro.” Os gemidos que não podem ser colocados em palavras não estão escondidos daquele que sonda os corações e conhece a mente do Espírito (Romanos 8:26-27). Ao cantar e orar estas palavras, pela fé devemos colocar todo fardo sobre Deus, junto com toda a nossa ansiedade a respeito dele, e então descansar em paz.
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Deste capítulo
Salmos 38:2
"Porque as tuas flechas se cravaram em mim, e a tua mão sobre mim desceu."
Salmos 38:3
"Não há coisa sã na minha carne, por causa da tua cólera; nem há paz em meus ossos, por causa do meu pecado."
Salmos 38:4
"Pois já as minhas iniqüidades ultrapassam a minha cabeça; como carga pesada são demais para as minhas forças."
Salmos 38:5
"As minhas chagas cheiram mal e estão corruptas, por causa da minha loucura."
Salmos 38:6
"Estou encurvado, estou muito abatido, ando lamentando todo o dia."
Salmos 38:7
"Porque as minhas ilhargas estão cheias de ardor, e não há coisa sã na minha carne."
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