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Salmos 116:10 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Cri, por isso falei. Estive muito aflito. "

Salmos 116:10

menu_book Versículo no contexto

8 Porque tu livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágrimas, e os meus pés da queda.

9 Andarei perante a face do Senhor na terra dos viventes.

10 Cri, por isso falei. Estive muito aflito.

11 Dizia na minha pressa: Todos os homens são mentirosos.

12 Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Algumas antigas versões bíblicas gregas e orientais tratam estes versículos como um salmo separado do anterior. Alguns o chamam de “Salmo do Mártir”, provavelmente por causa do versículo 15. Aqui Davi faz três confissões: sua fé, seu temor e sua gratidão.

Primeiro, ele confessa sua fé: “Cri, por isso falei” (Salmo 116:10). O apóstolo cita essa frase e a aplica a si mesmo e aos demais ministros, que não se envergonhavam de pertencer a Cristo, mesmo sofrendo por causa dele (2 Coríntios 4:13). Davi cria na existência de Deus, no cuidado de Deus por ele e na promessa de Deus, especialmente na promessa dada por meio de Samuel de que um dia ele trocaria o cajado de pastor pelo cetro de rei. Ele passou por muitas aflições apoiado nessa promessa e, porque creu, falou. Falou com Deus em oração (Salmo 116:4) e em louvor (Salmo 116:12). Quem de fato crê em Deus se volta para ele em palavras.

Ele também falou consigo mesmo. Porque creu, ordenou à sua própria alma que voltasse ao seu repouso. E falou aos outros, declarando a seus amigos o que esperava e por que esperava, ainda que isso provocasse a ira de Saul e lhe trouxesse muito sofrimento. Aqueles que creem com o coração devem confessar com a boca, para a glória de Deus, para o bem do próximo e para dar prova da própria sinceridade (Romanos 10:10; Atos 9:19, 20). Os que vivem na esperança da glória não devem temer nem se envergonhar de reconhecer o compromisso com aquele que lhes comprou essa glória (Mateus 10:22).

Segundo, ele confessa seu temor: “Estive muito aflito. Eu dizia na minha pressa: Todo homem é mentira” (Salmo 116:11, no contexto). Alguns entendem isso como uma palavra precipitada, dita em meio ao choque, ao medo ou à fuga, quando Saul o perseguia. Ele se sentiu decepcionado pelas pessoas ao seu redor, inclusive pela corte de Saul e até por amigos que o abandonaram quando ele caiu em desgraça. Alguns pensam que isso poderia incluir até uma queixa velada contra Samuel, que lhe havia prometido o reino; outros entendem de forma diferente, como em (1 Samuel 27:1).

Isso mostra que a fé dos melhores santos não é perfeita e nem sempre é igualmente forte. Davi creu e falou bem no versículo 10, mas agora, sob pressão, falou mal por incredulidade. Quando a aflição é pesada e prolongada, somos tentados a cansar, desanimar e quase desesperar da ajuda. Por isso devemos ser lentos em julgar os outros e cuidadosos em vigiar nosso próprio coração na tribulação (Salmo 39:1-3). Se pessoas piedosas falam mal, muitas vezes é num momento de surpresa ou tentação, não por uma maldade planejada como a dos ímpios, que se assentam para falar contra os outros (Salmo 1:1; Salmo 50:19, 20).

O que dizemos mal na pressa precisa ser retirado por meio de arrependimento, como Davi fez (Salmo 31:22). Assim, não será levado em conta contra nós. Alguns, porém, entendem que Davi não falou de modo precipitado. Como foi levado à fuga e estava profundamente aflito, ele não confiou no homem, nem fez da ajuda humana a sua força. Nesse sentido, “todo homem é mentira” quer dizer que todo ajudador humano é pouco confiável em comparação com Deus. As pessoas são mutáveis e instáveis; por isso devemos deixar de apoiar-nos no homem e nos apegar firmemente a Deus. O apóstolo parece usar as palavras nesse sentido: “Seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso”, em comparação com Deus (Romanos 3:4).

Terceiro, Davi confessa sua gratidão, a partir do versículo 12. Deus foi mais bondoso do que seus temores previam e o livrou de suas angústias. Diante disso, ele pergunta o que pode dar em retribuição: “Que darei eu ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito?” (Salmo 116:12). Ele fala como alguém que sente o peso de muitas misericórdias, não de apenas uma. Este salmo pode ter sido escrito após um livramento especial (Salmo 116:6, 7), mas essa única misericórdia trouxe muitas outras à memória. Ao falar das misericórdias de Deus, devemos descrevê-las como grandes e ricas.

Ele fala também como alguém ansioso por mostrar gratidão. Ele sabe que não pode retribuir a Deus de modo justo ou equivalente. Ninguém consegue fazer um retorno à altura de Deus, nem merecer seu favor. Mas Davi quer oferecer algo que lhe seja agradável, algo que revele um coração agradecido. Ele pergunta: “Que darei?” como quem pensa seriamente em como honrar a Deus. Ao recebermos muitos dons de Deus, também devemos perguntar o que podemos devolver.

Ele conclui que responderá a Deus com culto e ações de graças. “Tomarei o cálice da salvação” (Salmo 116:13). Isso provavelmente se refere à oferta de libação exigida na lei, oferecida em ação de graças e associada à alegria partilhada com amigos pela bondade de Deus. Pode também significar o cálice que Deus coloca em sua mão. Nesse caso, Davi declara que aceitará de bom grado, das mãos de Deus, tanto o cálice da aflição quanto o cálice do consolo. Muitos mestres fiéis entendem o cálice da salvação como o cálice amargo do sofrimento, que Deus torna proveitoso ao seu povo, de modo que se converte em meio de bem espiritual. Os sofrimentos de Davi apontavam para os sofrimentos de Cristo, e, em nossas próprias aflições, participamos dos sofrimentos de Cristo. Nesse sentido, o cálice de Cristo se tornou verdadeiramente um cálice de salvação. As palavras de Davi combinam com o espírito de Jesus, que disse: “Não beberei eu o cálice que o Pai me deu?” (João 18:11).

Davi também declara: “Oferecer-te-ei sacrifícios de louvor” (Salmo 116:17). Eram os sacrifícios de ações de graças que Deus havia ordenado (Levítico 7:11, 12 e seguintes). Os que têm um coração realmente agradecido o demonstram por meio de ofertas de gratidão. Primeiro, devemos oferecer a nós mesmos a Deus como sacrifícios vivos (Romanos 12:1; 2 Coríntios 8:5) e depois empregar o que temos para sua honra, em atos de culto e de misericórdia. Fazer o bem e repartir com os outros são sacrifícios que agradam a Deus (Hebreus 13:15, 16). Se Deus tem sido generoso conosco, o mínimo que podemos fazer é ser generosos com os pobres (Salmo 16:2, 3). Por que dar a Deus algo que não nos custa nada?

Ele acrescenta: “Invocarei o nome do Senhor.”

Era o que já havia prometido no versículo 2 e repete no versículo 13 e no versículo 17. Quando recebemos uma gentileza de outra pessoa, às vezes dizemos que esperamos não ter de incomodá-la de novo. Mas Deus considera as orações do seu povo como honra e prazer, nunca como peso. Assim, em gratidão pelas misericórdias passadas, devemos continuar vindo a ele em busca de novas misericórdias e perseverar em invocá-lo.

Ele também continuará a falar bem de Deus, porque Deus é muito cuidadoso com a vida e o consolo do seu povo. “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos” (Salmo 116:15). A morte deles é tão importante para Deus que ele não entregará Davi nas mãos de Saul, nem de Absalão, seu filho rebelde, nem de qualquer dos seus inimigos, por mais que eles desejem sua morte. Davi encontrou consolo nessa verdade quando estava em profunda angústia e perigo. Agora que o desfecho confirmou essa verdade, ele a usa para consolar outros que possam enfrentar aflições semelhantes.

Deus tem um povo neste mundo: seus santos, seus misericordiosos, pessoas que receberam misericórdia dele e mostram misericórdia por amor a ele. Os santos de Deus são mortais e morrerão. Há quem deseje a morte deles e se esforce para consegui-la, e às vezes consegue. Mesmo assim, sua morte é preciosa aos olhos do Senhor. Sua vida é preciosa também (2 Reis 1:13), e o seu sangue igualmente (Salmo 72:14). Muitas vezes Deus livra maravilhosamente seus santos da morte quando estão a um passo dela. Ele também toma cuidado especial com a morte deles, ordenando cada detalhe para o bem deles.

Ainda que pessoas que os matam façam pouco caso disso, pagarão caro quando Deus as chamar a prestar contas pelo sangue dos santos (Mateus 23:35). Mesmo que ninguém mais se importe quando os justos morrem, Deus mostrará que se importa profundamente. Isso deve nos tornar dispostos a morrer, até mesmo a morrer por Cristo, se formos chamados a isso, porque nossa morte será registrada no céu. Que aquilo que é precioso para Deus também se torne precioso para nós.

Por fim, Davi se compromete a ser servo de Deus por todos os seus dias. Depois de perguntar: “Que darei?”, ele agora oferece a si mesmo, o que vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios (Salmo 116:16). “Ó Senhor, deveras sou teu servo.” Aqui ele declara a relação em que está diante de Deus. “Sou teu servo. Escolho ser teu servo. Decido ser teu servo. Viverei e morrerei a teu serviço.”

Ele havia chamado o povo de Deus, a quem Deus ama, de santos. Mas, ao falar de si mesmo, não diz: “Verdadeiramente sou teu santo”, o que lhe pareceria pretensioso demais. Ele diz: “Sou teu servo.” Davi era rei, e, ainda assim, se gloria em ser servo de Deus. Não é vergonha, mas grande honra, que os maiores reis da terra sirvam ao Deus do céu. Ele não está apenas usando uma expressão de cortesia, como quando se diz: “Sou seu criado, senhor.” Não, ele quer dizer: “Senhor, de fato sou teu servo. Tu sabes todas as coisas e sabes que o sou.” Ele repete porque se agrada desse pensamento e está resolvido a mantê-lo: “Sou teu servo, sou teu servo. Que outros sirvam ao senhor que escolherem; eu, deveras, sou teu servo.”

Ele também apresenta o fundamento desse relacionamento. As pessoas podem tornar-se servas de duas maneiras. Primeiro, por nascimento: “Senhor, eu nasci na tua casa. Sou filho da tua serva, portanto pertenço a ti.” É uma grande misericórdia nascer de pais piedosos, porque isso coloca sobre nós um dever e nos dá um motivo para pedir a misericórdia de Deus. Segundo, por redenção: aquele que pagava o preço para libertar um cativo tomava essa pessoa como seu servo. “Senhor, tu rompeste as minhas cadeias. Aqueles laços de morte que me cercavam, tu me livraste deles. Por isso sou teu servo, e tenho direito à tua proteção, assim como obrigação de fazer a tua obra.” Os próprios laços que ele quebrou passam a nos prender a ele com mais firmeza.

Ele também será cuidadoso em pagar os seus votos e cumprir tudo o que prometeu a Deus, não apenas os sacrifícios de louvor que havia prometido trazer, mas toda e qualquer promessa que fez ao Senhor no tempo da aflição (Salmo 116:14). “Pagarei os meus votos”, e novamente no Salmo 116:18, “agora, na presença de todo o seu povo.” Votos são dívidas que precisam ser pagas, pois é melhor não fazer voto algum do que fazer voto e não cumpri-lo. Ele resolverá seus votos sem demora. Não fará como um mau devedor, adiando o pagamento ou pedindo mais prazo. “Pagá-los-ei agora” (Eclesiastes 5:4).

Ele os pagará abertamente. Não esconderá seu louvor em um canto. Todo serviço que ele deve a Deus, fará na presença de todo o povo, não para chamar atenção para si mesmo, mas para mostrar que não se envergonha de servir ao Senhor e para estimular outros a se unirem a ele. Pagará seus votos nos átrios do tabernáculo, onde muitos israelitas se reuniam, no meio de Jerusalém, para que a devoção fosse tida em mais alta consideração.

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