Versículo em destaque
Salmos 109:6 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Põe sobre ele um ímpio, e Satanás esteja à sua direita. "
Salmos 109:6
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
4 Em recompensa do meu amor são meus adversários; mas eu faço oração.
5 E me deram mal pelo bem, e ódio pelo meu amor.
6 Põe sobre ele um ímpio, e Satanás esteja à sua direita.
7 Quando for julgado, saia condenado; e a sua oração se lhe torne em pecado.
8 Sejam poucos os seus dias, e outro tome o seu ofício.
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Davi destaca aqui um homem em particular, alguém pior do que os demais e líder deles. Ele fala de modo piedoso e temente a Deus, não por amargura pessoal, mas por zelo pela glória de Deus e ódio ao pecado. Ele também tem em vista os inimigos de Cristo, especialmente Judas, que traiu Jesus e cujo pecado foi maior do que o de Pilatos, o governador romano que o condenou (João 19:11). Davi prediz e declara a ruína desse homem, e mais tarde Cristo chama Judas de “filho da perdição”, isto é, alguém marcado para destruição.
Calvino registra que era um abuso odioso, comum em seu tempo entre frades franciscanos e outros monges, alguém com rancor contratar esses religiosos para amaldiçoar diariamente um vizinho usando estas palavras do salmo. Ele conta até o caso de uma mulher na França que, após romper com seu único filho, pagou frades para o amaldiçoarem com estas mesmas expressões. É difícil imaginar mal maior do que usar a linguagem da Escritura para dar voz a uma paixão perversa ou para atiçar contendas com palavras tiradas do próprio altar de Deus.
Essas imprecações são muito severas, mas se dirigem àqueles que Deus já condenou, a menos que se arrependam e lhe deem glória. Aqui, o homem mau é primeiro apresentado como sendo levado a juízo e condenado como criminoso, com todo o horror de processo e sentença (Salmo 109:6-7). “Põe sobre ele um ímpio” significa, em parte, que Deus pode deixar que um perverso castigue outro perverso. Deus muitas vezes usa um pecador como vara contra outro, para saquear os saqueadores e tratar com falsidade aqueles que trataram com falsidade.
Alguns entendem “o ímpio” aqui como Satanás, e então isso se cumpre em Judas, em quem Satanás entrou, primeiro para levá-lo ao pecado e depois ao desespero. Outros entendem como o próprio coração mau do homem ou sua consciência se levantando contra ele. Que Satanás esteja à sua direita, isto é, no lugar de apoio e defesa, e que ali não haja socorro algum. Nesse caso, o homem fica desamparado, porque não tem advogado que possa dizer: “O Senhor te repreenda, ó Satanás” (Zacarias 3:1-2). Quando for julgado pelas pessoas, que seus velhos ardis falhem; quando comparecer diante do tribunal de Deus, que ainda assim seja achado culpado.
Que a sua oração se torne pecado, como o clamor de um condenado que não só é recusado, mas tratado como insulto ao tribunal. As orações dos ímpios se tornam pecado agora, porque vêm misturadas com hipocrisia e ódio, e serão pecado também no grande Dia, porque então será tarde demais para clamar: “Senhor, Senhor, abre-nos”. Que tudo se volte contra ele, até mesmo aquilo que parece melhor, e que todas as coisas cooperem para o seu mal.
Uma vez condenado, que seja executado como criminoso conhecido. Que sua vida seja abreviada e seus dias sejam poucos (Salmo 109:8). Homens sanguinários e falsos muitas vezes não chegam à metade de seus dias. Que outro tome seu ofício, seu lugar de serviço e honra. Pedro aplica isso a Judas quando Matias é escolhido para tomá-lo entre os apóstolos (Atos 1:20). Aqueles que abusam do encargo e da confiança que receberam, com justiça perdem seu ofício para alguém que será fiel.
Que sua família seja desfeita e deixada em tristeza. Que sua esposa fique viúva e seus filhos órfãos por causa de sua morte prematura (Salmo 109:9). Pela sua maldade, os homens perversos muitas vezes trazem ruína justamente sobre as esposas e filhos que deveriam cuidar. Se os filhos tivessem sustento garantido, ainda poderiam estar seguros, mas aqui são deixados como errantes e pedintes. Não têm lar estável, nem refeição certa, nem lugar fixo para morar. Saem de ruínas, como animais de uma toca, com medo, à procura de pão (Salmo 109:10), porque sabem que as pessoas têm razão para os odiar por causa de seu pai.
Que sua herança também seja arruinada, como muitas vezes os bens dos criminosos são confiscados (Salmo 109:11). Que o credor implacável lance mão de tudo o que ele tem, e que estranhos, sem qualquer direito de parentesco, se apossem do fruto de seu trabalho, seja por causa de seus crimes, seja por suas dívidas. Que sua posteridade seja miserável. Filhos órfãos às vezes são acolhidos pela misericórdia de outros, mas este homem perverso não mostrou misericórdia, por isso que nenhuma misericórdia seja mostrada a seus filhos depois de sua morte (Salmo 109:12). Os filhos de pais ímpios muitas vezes sofrem porque as pessoas fecham o coração para eles, ainda que não devessem, já que os filhos não são culpados do pecado de seu pai.
Que sua memória seja vergonhosa e apagada (Salmo 109:13). Que sua descendência seja cortada e seu fim seja destruição, como observa o Dr. Hammond. Na geração seguinte, que seu nome seja apagado ou lembrado com desprezo e ira, e que um sinal permanente de desgraça permaneça sobre ele (Salmo 109:15). O pecado é o que leva alguns a mortes infames e arruína outras famílias e bens, deixando pobreza, vergonha e miséria para os filhos. O Dr. Hammond aplica isso também à última dispersão e ruína da nação judaica por ter crucificado Cristo. Seus líderes e seu povo foram cortados, sua terra foi devastada, e seus descendentes se tornaram fugitivos e errantes.
A dureza dessas imprecações se justifica pela causa que está por trás delas. Para sustentar a oração por vingança até sobre os filhos do pecador, o salmo traz à tona também os pecados de seus antepassados, a iniquidade de seus pais e o pecado de sua mãe (Salmo 109:14-15). Deus muitas vezes visita tal culpa sobre filhos e netos, e não é injusto ao fazê-lo. Quando o pecado se prolonga numa linhagem de família, a maldição o segue com propriedade.
Dessa forma, todo o sangue inocente que havia sido derramado na terra, desde o justo Abel, foi exigido daquela geração hostil. Ao matar Cristo, eles encheram a medida da culpa de seus pais e acumularam atrás de si uma trilha de juízo tão longa quanto a trilha de culpa que vinha desde antes. Eles mesmos já tinham concordado com isso quando disseram: “O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos”.
Para mostrar por que tais maldições sobre o próprio pecador são justas, o salmo volta ao seu pecado, aquilo que clamava por juízo. Ele amou a crueldade, por isso sangue lhe deve ser dado a beber (Salmo 109:16). Ele não se lembrou de usar de misericórdia. Ignorou as razões que deveriam movê-lo à piedade e esqueceu os que precisavam de compaixão. Em vez disso, perseguiu o pobre, a quem deveria proteger e socorrer, e matou o de coração quebrantado, a quem deveria consolar e restaurar. Trata-se de um homem verdadeiramente bárbaro, próprio apenas para a ruína.
Ele também amou amaldiçoar; portanto, que a maldição venha sobre a sua cabeça (Salmo 109:17-19). Ele lançava maldições contra aqueles que estavam além do alcance de sua crueldade, mas essas palavras vazias e insensatas voltarão sobre ele. Ele não se agradou da bênção. Não tinha prazer em desejar o bem aos outros, nem em vê-los bem. Não se dispôs a proferir palavra bondosa nem a praticar boa ação em favor de ninguém; assim, que todo bem fique longe dele.
Ele se vestiu de maldição. Usou-a como ornamento e se orgulhava disso, porque conseguia amedrontar os que o cercavam com as maldições que disparava com tanta liberdade. Também nela confiava como em armadura, pensando que o protegeria das afrontas dos que temia. Então que tenha dela em abundância. Se ele amou amaldiçoar, que a maldição de Deus entre nele como água e o inche como um homem de hidropisia. Que penetre em seus ossos como óleo.
A palavra de maldição de Deus é viva e eficaz, e alcança até entre juntas e medulas. Ela opera de modo profundo e eficaz. Segura a alma. É coisa penetrante, contra a qual não há remédio. Que o cerque por todos os lados como uma veste (Salmo 109:19). Que a maldição de Deus sobre ele se torne a sua vergonha, assim como sua maldição contra os outros era seu orgulho. Que se apegue a ele como um cinto, e que jamais se veja livre dela. Que lhe seja como a água da prova de ciúme, que fazia o ventre inchar e a coxa cair em ruína.
Tudo isso aponta para a completa ruína de Judas e para os juízos espirituais que vieram sobre os judeus por terem crucificado Cristo. O salmo encerra esses pedidos de juízo com um solene Amém, que significa mais do que “assim seja”. Significa: “Eu sei que assim será”. “Seja isto da parte do Senhor o galardão dos meus contrários” (Salmo 109:20). E esse será o galardão de todos os que se opõem ao Senhor Jesus. Seus inimigos, que não querem que ele reine sobre eles, serão trazidos e mortos diante dele. Ele também retribuirá tribulação aos que atribulam o seu povo.
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Deste capítulo
Salmos 109:1
"Ó Deus do meu louvor, não te cales,"
Salmos 109:2
"Pois a boca do ímpio e a boca do enganador estão abertas contra mim. Têm falado contra mim com uma língua mentirosa."
Salmos 109:3
"Eles me cercaram com palavras odiosas, e pelejaram contra mim sem causa."
Salmos 109:4
"Em recompensa do meu amor são meus adversários; mas eu faço oração."
Salmos 109:5
"E me deram mal pelo bem, e ódio pelo meu amor."
Salmos 109:7
"Quando for julgado, saia condenado; e a sua oração se lhe torne em pecado."
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