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Obadias 1:10 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Por causa da violência feita a teu irmão Jacó, cobrir-te-á a confusão, e serás exterminado para sempre. "

Obadias 1:10

menu_book Versículo no contexto

8 Porventura não acontecerá naquele dia, diz o Senhor, que farei perecer os sábios de Edom, e o entendimento do monte de Esaú?

9 E os teus poderosos, ó Temã, estarão atemorizados, para que do monte de Esaú seja cada um exterminado pela matança.

10 Por causa da violência feita a teu irmão Jacó, cobrir-te-á a confusão, e serás exterminado para sempre.

11 No dia em que o confrontaste, no dia em que estranhos levaram cativo o seu exército, e os estrangeiros entravam pelas suas portas, e lançaram sortes sobre Jerusalém, tu eras também como um deles.

12 Mas tu não devias olhar com prazer para o dia de teu irmão, no dia do seu infortúnio; nem alegrar-te sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem alargar a tua boca, no dia da angústia;

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auto_stories Comentário Bible Guided

Quando ouvimos o anúncio da sentença sobre Edom, e vemos que essa sentença é ruína completa, é natural perguntar: “Por quê? Que mal Edom fez? Qual é a razão da causa que Deus tem contra eles?” Sem dúvida, Edom tinha muitos pecados. Era um povo pecador, carregado de culpa. Contudo, o crime que é nomeado aqui como aquele que encheu a medida da sua iniquidade e trouxe esse juízo sobre eles é o mal que fizeram ao povo de Deus (Obadias 1:10).

A acusação é esta: “Por causa da violência feita a teu irmão Jacó.” Era um rancor antigo e herdado contra Israel, e por causa disso a vergonha os cobriria, e seriam exterminados para sempre. As injúrias feitas às pessoas são insultos contra Deus, o Deus justo que ama a justiça e odeia o mal. Como Juiz de toda a terra, ele defenderá os que são injustiçados e punirá os que praticam o mal.

Toda violência e toda injustiça são pecado, mas o pecado é ainda pior quando é cometido contra os próprios parentes. É violência contra o teu irmão, teu parente próximo, aquele a quem deverias socorrer e defender, especialmente se terceiros o tivessem ferido. Quão perverso é, então, quando você mesmo o prejudica. Você está maltratando o filho da sua própria mãe, e isso torna o pecado ainda mais grave (Salmo 50:20). É ainda pior quando o mal é feito contra o povo de Deus. Jacó estava em aliança com Deus, era amado por ele e protegido por ele. Deus considera tal mal como se fosse feito a ele mesmo; quem toca em Jacó toca na menina dos olhos de Deus.

Isso é alta traição, crime contra o mais alto Governante. Por isso Edom devia esperar um juízo vergonhoso e uma ruína que duraria para sempre. Nos versículos seguintes, aprendemos mais sobre a violência que Edom mostrou contra seu irmão Jacó, e vemos a prova dessa acusação. Não parece que os edomitas próprios tenham invadido Israel. Provavelmente isso se deveu à falta de força, não de vontade. Eles tinham ódio suficiente para fazê‑lo, se pudessem. Mas a principal acusação contra eles é o seu comportamento cruel para com Judá e Jerusalém quando esse povo estava em angústia e perto da destruição, provavelmente pelas mãos dos caldeus, os babilônios, ou em outra das calamidades sofridas pelos judeus. Esse parecia ser o modo de pensar estabelecido deles contra Israel (Salmo 137:7; Ezequiel 25:12).

Somos informados do que fizeram por meio do que são advertidos a não ter feito (Obadias 1:12‑14): “Não devias ter olhado, não devias ter entrado; mas vocês fizeram isso.” É sábio comparar o que fizemos com o que deveríamos ter feito. Devemos comparar nossa conduta com a regra de Deus para enxergar onde erramos e fizemos o que não devíamos fazer. Não devíamos estar naquele lugar naquele momento. Não devíamos estar com aquelas pessoas. Não devíamos ter dito o que dissemos nem ter tomado a liberdade que tomamos. Quando o pecado é visto à luz do mandamento de Deus, ele aparece como algo muito mais pecaminoso.

Observe primeiro a situação de Judá e Jerusalém quando os edomitas agiram de modo tão vil e zombaram deles. Era um dia de angústia para eles, e Obadias o chama de o dia da sua calamidade três vezes (Obadias 1:13). Para os edomitas, era tempo de paz e prosperidade, enquanto Israel estava em aperto. Muitas vezes o juízo começa pela casa de Deus, e os filhos são corrigidos enquanto os de fora ficam aparentemente sem ser tocados. Também era um dia de destruição, quando cidade e campo estavam arrasados. Estrangeiros haviam entrado pelas portas de Jerusalém, a cidade estava arrombada depois de um longo cerco, e os oficiais do rei da Babilônia se assentavam às portas como juízes sobre a terra. Eles lançavam sortes sobre o despojo de Jerusalém, como soldados dividindo os vestidos de Cristo, decidindo que parte da cidade e de seus bens cada conquistador levaria.

Era também um dia em que estrangeiros levavam as suas forças (Obadias 1:11), prendendo os soldados e arrastando‑os em vergonha e pobreza para sua própria terra, ou levando tantos que pareciam ser um exército. Era o dia em que o teu irmão, que por muito tempo morara em casa na sua própria terra, tornou‑se estrangeiro e exilado em terra alheia. Em tal tempo, os edomitas, como vizinhos e irmãos, deveriam ter tido piedade, ajudar, chorar com eles e consolá‑los, e tremer ao pensar que o mesmo poderia acontecer com eles em seguida. Se isso foi feito na árvore verde, que será feito na seca?

Agora considere como os edomitas agiram naquela angústia, e por isso são condenados. Eles olharam com prazer para o sofrimento do povo de Deus. Ficaram do outro lado, à distância, quando deveriam ter vindo em socorro dos vizinhos aflitos. Viram o seu aperto com olhar frio e indiferente, como o sacerdote e o levita que passaram ao largo do homem ferido. Os que ficam apenas assistindo as aflições de seus próximos, quando podem ajudar, terão muito que responder. Mas Edom fez mais que apenas olhar. Eles olharam com desprezo, com satisfação e com alegria. Riram ao ver Israel atribulado e pensaram: “Ah, era isso que queríamos.” Alimentavam os olhos com o triste espetáculo da ruína de Jerusalém, como pessoas que havia muito tempo esperavam por isso e desejavam ver tal dia.

É preciso ter cuidado com o modo como olhamos para os sofrimentos dos irmãos. Se não podemos olhar com simpatia e ternura, é melhor nem olhar. “Não devias ter olhado”, assim, “no dia de teu irmão.” Eles também se alegraram e insultaram, zombando da dor de Judá e divertindo a si mesmos e aos companheiros com isso. Regozijaram‑se sobre os filhos de Judá no dia da sua destruição. Nem sequer esconderam o prazer que sentiam com a queda de Judá. Pelo contrário, declararam-no abertamente e falaram grosseira e orgulhosamente contra eles. Alegraram‑se, gritaram de triunfo e os pisaram.

As pessoas têm o espírito de Edom quando se alegram com as aflições de alguém, especialmente com os sofrimentos dos israelitas, o povo de Deus. Os edomitas também falaram com arrogância contra Israel. Zombaram dos judeus sofredores e os desprezaram, enquanto se vangloriavam da própria segurança e prosperidade de Edom. Agiram como se aquela inversão de situações provasse que agora Esaú era o amado e Jacó o rejeitado.

Os que se exaltam por causa da vergonha alheia devem esperar ser abatidos. O orgulho que se alimenta da humilhação de outro terminará em humilhação própria.

Edom foi ainda mais longe. Eles entraram pela porta do povo de Deus quando Jerusalém estava em aperto e se apoderaram dos seus bens (Obadias 1:13). Não ajudaram a conquistar a cidade, mas se juntaram ao saque e procuraram tirar sua parte do despojo. Justificavam‑se dizendo que era melhor eles pegarem do que deixar perder, mas continuavam tomando o que não lhes pertencia.

A Babilônia destruiu Jerusalém, mas Edom tornou‑se culpado também por mexer no despojo. Foram como cúmplices depois do fato, partilhando do crime e respondendo por ele. As pessoas só prejudicam a si mesmas quando procuram enriquecer‑se com as ruínas do povo de Deus. Enganam‑se se pensam poder chamar de seu um bem apenas porque o conseguiram agarrar num dia de calamidade.

Edom fez ainda pior do que roubar: derramou o sangue dos próprios irmãos no dia da calamidade (Obadias 1:14). Quando os caldeus, o exército babilônio, matavam os judeus, muitos tentavam fugir. Mas os edomitas, com crueldade, bloquearam os caminhos onde várias estradas se encontravam e impediram a fuga. Alguns eles mesmos mataram, e outros entregaram aos perseguidores para agradar aos conquistadores.

Nunca deveriam ter tratado assim pessoas indefesas. Tiveram a oportunidade de proteger aqueles que nunca lhes haviam feito mal, mas, em vez disso, os traíram. Assim são as supostas misericórdias dos ímpios: superficiais e cruéis. É doloroso ler sobre gente que foge de um inimigo apenas para cair nas mãos de um vizinho traiçoeiro de quem nunca desconfiara. Isso também desperta justa indignação contra aqueles capazes de tamanha desumanidade para com pessoas que mereciam compaixão.

Em tudo isso, Edom se uniu aos inimigos declarados de Israel. Obadias diz: “Tu também foste como um deles”, isto é, eram tão culpados quanto os próprios atacantes. Quem ajuda os malfeitores e apoia as suas obras más será contado com eles e julgado com eles.

Essa violência também trará vergonha sobre Edom. Logo descobrirão que o cálice está circulando, o cálice de tremor. Quando eles próprios caírem em angústia semelhante àquela que o povo de Deus enfrentou, terão vergonha de se lembrar de como zombaram deles (Obadias 1:15). O dia do Senhor está perto sobre todas as nações, quando Deus retribuirá angústia aos que angustiaram a sua igreja. O juízo pode começar pela casa de Deus, mas não terminará ali.

Devemos deixar que esse aviso nos impeça de zombar dos outros em sua dor, porque não sabemos quão depressa a situação deles pode se tornar a nossa. Deus retribuirá os males feitos ao seu povo. Como alguém fez, assim lhe será feito. O Deus justo dá a nações e a indivíduos conforme as suas obras, e muitas vezes a punição corresponde ao próprio pecado. Os que abusaram de outros muitas vezes acabam sofrendo abuso da mesma forma.

Deus encontrará o tempo e o modo de vingar os males feitos ao seu povo. Assim como eles beberam no seu santo monte, isto é, como o povo de Deus bebeu profundamente do cálice do sofrimento em Sião, assim todas as nações beberão, na sua vez (Obadias 1:16). Se Deus não poupou a cidade que traz o seu nome, por que aqueles que nunca conheceram o seu nome deveriam esperar escapar? Veja (Jeremias 25:29). Isso faz parte do peso do juízo contra Edom (Jeremias 49:12). Se aqueles que não deveriam ter bebido acabaram bebendo, certamente Edom, povo debaixo da ira de Deus, não ficará sem castigo.

Não, Edom certamente beberá o cálice de tremor. O cálice será tirado do povo de Deus e entregue aos que os afligiram, como em (Isaías 51:22-23). Na verdade, o castigo deles será pior do que a angústia de Israel. O povo de Deus sofreu apenas por um momento e então o seu aperto findou, mas seus inimigos beberão continuamente o vinho da ira de Deus (Apocalipse 14:10). As escórias do cálice são reservadas aos ímpios da terra (Salmo 75:8). Eles o esvaziarão até a última gota.

O povo de Deus pode beber por um tempo o vinho de atordoamento (Salmo 60:3), mas se reerguerá e voltará a si. As nações que se opõem a eles, porém, beberão e desaparecerão como se nunca tivessem existido. Nada restará delas, nem mesmo lembrança. Assim pereçam todos os teus inimigos, Senhor. Assim perecerão, se não se converterem.

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