Versículo em destaque
Números 7:10 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E ofereceram os príncipes para a consagração do altar, no dia em que foi ungido; apresentaram, pois, os príncipes a sua oferta perante o altar. "
Números 7:10
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
8 E quatro carros e oito bois deu aos filhos de Merari, segundo o seu ministério, debaixo da mão de Itamar, filho de Arão, o sacerdote.
9 Mas aos filhos de Coate nada deu, porquanto a seu cargo estava o santuário e o levavam aos ombros.
10 E ofereceram os príncipes para a consagração do altar, no dia em que foi ungido; apresentaram, pois, os príncipes a sua oferta perante o altar.
11 E disse o Senhor a Moisés: Cada príncipe oferecerá a sua oferta, cada qual no seu dia, para a consagração do altar.
12 O que, pois, no primeiro dia apresentou a sua oferta foi Naassom, filho de Aminadabe, pela tribo de Judá.
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Aqui temos o registro da grande cerimônia de dedicação dos altares, tanto o altar do holocausto quanto o altar do incenso. Esses altares já haviam sido separados para Deus quando foram ungidos (Levítico 8:10, 8:11), mas agora os príncipes, líderes das tribos, trouxeram suas ofertas voluntárias e começaram a usá‑los com honra e alegria. Eles demonstraram profundo respeito por esses sinais da presença de Deus no meio deles.
Em primeiro lugar, os príncipes e os grandes homens foram os primeiros e os mais dispostos a servir a Deus. Aqueles que ocupam posição mais elevada devem ir à frente nas boas obras; isso é que é verdadeira honra. Esta é uma lição para nobres, autoridades e todos os que exercem poder. Devem usar sua posição, riqueza e influência para sustentar a religião e o serviço de Deus onde vivem. Se têm mais do que os outros, mais bem deve sair de suas mãos; se não, são despenseiros negligentes que terão de prestar contas. Os grandes também precisam ser pessoalmente piedosos, não apenas usar sua autoridade para que outros adorem, mas eles mesmos praticarem a adoração. Isso honra a Deus (Salmo 138:4, 138:5) e anima os demais, que se dispõem mais facilmente à devoção quando veem que ela é respeitada. A maior das pessoas ainda é menor do que a menor das ordenanças de Deus, e até o dever religioso mais humilde não desonra quem ocupa o mais alto cargo.
Em segundo lugar, as ofertas eram ricas e custosas. Alguns entendem que os príncipes não arcaram sozinhos com todo o valor, mas que os chefes de cada tribo ajudaram a suprir aquilo que seu príncipe trouxe. Eles ofereceram coisas para o serviço contínuo: doze grandes bacias de prata e doze grandes bacias aspergidas de prata, cada uma de grande peso. As bacias maiores serviam para as ofertas de manjares, e as menores, para as libações, enquanto as colheres de ouro cheias de incenso provavelmente se destinavam ao altar de ouro, já que ambos os altares haviam sido ungidos juntos. Nas obras de culto e de misericórdia, devemos dar tão generosamente quanto pudermos. O Melhor deve ser servido com o melhor que temos. Israel podia bem suportar tais ofertas, pois Deus lhes dera pão do céu e em breve lhes daria a terra de Canaã.
Eles também trouxeram ofertas para uso imediato: holocaustos, ofertas pelo pecado, ofertas pacíficas e as ofertas de manjares que as acompanhavam. Com isso demonstraram grata aceitação e pronta obediência às leis sobre sacrifícios que Deus havia dado por meio de Moisés. É notável que, mesmo em um tempo de grande alegria, uma oferta pelo pecado ainda fosse incluída. Como até os nossos melhores serviços são misturados com pecado, é justo que o arrependimento tenha lugar mesmo em nossa adoração mais jubilosa. Em toda aproximação a Deus, precisamos olhar em fé para Cristo como o grande sacrifício pelo pecado e falar dele.
Em terceiro lugar, cada príncipe trouxe sua oferta em um dia diferente, seguindo a ordem em que haviam sido organizados. Assim, toda a celebração durou doze dias. Deus havia ordenado que fosse assim (Números 7:11). Isso provavelmente envolveu um sábado, talvez dois, mas era adequado, pois se tratava de obra santa para dia santo. Deus dispôs as coisas dessa forma por vários bons motivos. A celebração se estenderia por mais tempo e seria mais notada por todo o Israel, de modo que sua memória permaneceria viva. Cada tribo também receberia igual honra, assim como cada uma tinha sua pedra preciosa no peitoral de Arão. Além disso, era um modo mais ordeiro de fazer a obra de Deus, já que a obra de Deus não deve ser feita às pressas nem de forma confusa. Tomar tempo muitas vezes nos ajuda a fazê‑la melhor. Deus também mostrou quanto se agrada dos atos de culto e quanto devemos nos alegrar neles. A repetição desse serviço não deveria cansá‑los, nem deveríamos considerar o serviço fiel como fardo. Se Deus pede doze dias de serviço especial, não devemos recuar.
Essa disposição também deu aos sacerdotes e levitas, auxiliares no serviço do tabernáculo, prática repetida nos sacrifícios e ofertas. E como as ofertas pacíficas tinham de ser comidas no mesmo dia, a quantidade de cada dia era suficiente para uma boa refeição festiva, sem estimular a excessos. A temperança não deve se perder sob o pretexto de festas religiosas.
Todas as ofertas eram exatamente iguais, sem diferença de tribo para tribo. Isso mostrava que todas as tribos de Israel tinham igual participação no altar e igual interesse nos sacrifícios oferecidos nele. Uma tribo podia ter lugar mais honroso no acampamento do que outra, mas todas eram igualmente aceitáveis a Deus, assim como o eram seus serviços. Também nós não devemos ter acepção de pessoas na fé de nosso Senhor Jesus Cristo (Tiago 2:1).
Naassom, príncipe de Judá, trouxe sua oferta primeiro, porque Deus dera a Judá o lugar mais honroso no acampamento. As outras tribos aceitaram essa ordem e seguiram conforme Deus lhes havia determinado a forma de acampar. Judá, a tribo de onde veio Cristo, foi à frente, e depois vieram as demais. Na dedicação das almas a Deus, cada pessoa é apresentada em ordem própria, com Cristo como as primícias (1 Coríntios 15:23).
Alguns observam que Naassom é o único que aqui não é expressamente chamado de príncipe (Números 7:12). Escritores judeus explicam isso dizendo que o título não lhe é dado para que ele não se ensoberbecesse por ter oferecido primeiro, ao passo que os outros são chamados príncipes porque eles, mesmo os de linhagens mais antigas, se submeteram e ofereceram depois dele. Outros dizem que o título “príncipe de Judá” pertence propriamente a Cristo, porque “a ele congregarão os povos”.
Embora todas as ofertas fossem iguais, o relato do presente de cada tribo é repetido integralmente. A Escritura nunca traz repetição vazia, então por que faz isso aqui? Não é como se bastasse dizer que cada líder trouxe a mesma oferta que o primeiro. Deus quis que cada tribo fosse nomeada e que cada oferta fosse registrada.
Primeiro, isso serviu para encorajar esses príncipes e suas tribos. Visto que cada oferta é escrita por extenso, ninguém poderia pensar menos do presente de qualquer tribo. Diante de Deus, ricos e pobres estão no mesmo nível. Também foi para estimular todos os atos de devoção e bondade. O que é dado a Deus é, em certo sentido, emprestado a ele, e ele mantém registro cuidadoso disso, com o nome de cada pessoa ligado ao dom. Ele retribuirá, e até um copo de água fria receberá sua recompensa. Ele não é injusto para se esquecer da obra e do trabalho de amor (Hebreus 6:10). O próprio Cristo observou atentamente o que era lançado na arca do tesouro (Marcos 12:41). Ainda que o presente seja pequeno, ou destinado a ajudar outros, se for dado conforme nossa capacidade, será lembrado e recompensado na ressurreição dos justos.
O total é somado ao final do relato (Números 7:84-88). Isso mostra o quanto Deus se agradou dessas ofertas voluntárias e quanto elas representaram ao somar a parte de cada príncipe. Quanto o santuário de Deus seria enriquecido e embelezado se cada um fizesse sua parte em seu próprio lugar, por meio de vida pura, culto dedicado, caridade generosa e serviço útil ao próximo!
Deus mostrou sua graciosa aceitação dessas ofertas falando com Moisés como um homem fala com seu amigo, de cima do propiciatório (Números 7:89; 12:8). Ao falar com Moisés, em efeito falava com todo o Israel, dando‑lhes esse sinal de seu favor (Salmo 103:7). Podemos saber que Deus ouve e aceita nossas orações quando nos dá graça para ouvir e receber sua palavra, pois é assim que a comunhão com ele se mantém viva.
Não sabemos por que não deveríamos pensar que, em cada um desses dias, enquanto os sacerdotes e os ofertantes provavelmente se banqueteavam com as ofertas pacíficas, Moisés estivesse no tabernáculo recebendo algumas das leis e instruções que já encontramos neste livro e no anterior. O bispo Patrick também observa que o fato de Deus falar com Moisés com voz audível e clara, como se estivesse revestido de um corpo santo, podia ser visto como sinal da futura encarnação do Filho de Deus, na plenitude dos tempos, quando o Verbo se faria carne e falaria em linguagem humana. Pois, embora Deus tenha falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais, nestes últimos dias nos falou pelo Filho.
Muitos dos antigos escritores também entenderam que aquele que falava com Moisés como a shekiná, isto é, a glória visível de Deus, de entre os querubins, era o Verbo eterno, a segunda pessoa da Trindade. Era uma suposição piedosa e ponderada, pois toda a comunhão de Deus com o homem se dá por meio de seu Filho, por quem fez o mundo, governa a igreja e permanece o mesmo ontem, hoje e para sempre.
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Deste capítulo
Números 7:1
"E aconteceu, no dia em que Moisés acabou de levantar o tabernáculo, e o ungiu, e o santificou, e todos os seus utensílios; também o altar, e todos os seus pertences, e os ungiu, e os santificou,"
Números 7:2
"Que os príncipes de Israel, os cabeças da casa de seus pais, os que foram príncipes das tribos, que estavam sobre os que foram contados, ofereceram,"
Números 7:3
"E trouxeram a sua oferta perante o Senhor, seis carros cobertos, e doze bois; por dois príncipes um carro, e cada um deles um boi; e os apresentaram diante do tabernáculo."
Números 7:4
"E falou o Senhor a Moisés, dizendo:"
Números 7:5
"Recebe-os deles, e serão para servir no ministério da tenda da congregação; e os darás aos levitas, a cada qual segundo o seu ministério."
Números 7:6
"Assim Moisés recebeu os carros e os bois, e os deu aos levitas."
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