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Números 23:13 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então Balaque lhe disse: Rogo-te que venhas comigo a outro lugar, de onde o verás; verás somente a última parte dele, mas a todo ele não verás; e amaldiçoa-mo dali. "

Números 23:13

menu_book Versículo no contexto

11 Então disse Balaque a Balaão: Que me fizeste? Chamei-te para amaldiçoar os meus inimigos, mas eis que inteiramente os abençoaste.

12 E ele respondeu, e disse: Porventura não terei cuidado de falar o que o Senhor pôs na minha boca?

13 Então Balaque lhe disse: Rogo-te que venhas comigo a outro lugar, de onde o verás; verás somente a última parte dele, mas a todo ele não verás; e amaldiçoa-mo dali.

14 Assim o levou consigo ao campo de Zofim, ao cume de Pisga; e edificou sete altares, e ofereceu um novilho e um carneiro sobre cada altar.

15 Então disse a Balaque: Fica aqui junto do teu holocausto, e eu irei ali ao encontro do Senhor.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos a segunda tentativa de amaldiçoar Israel. O lugar é mudado (Números 23:13). Balaque pensou que Balaão, depois de ver todo o arraial de Israel do alto das rochas (Números 23:9), ou tinha ficado impressionado demais com a beleza do povo para amaldiçoá‑lo, ou amedrontado demais para tentar. Por isso o levou a outro lugar, de onde só pudesse ver parte do povo. Balaque esperava que, vendo só uma porção, ela parecesse menos impressionante, e que ao menos conseguisse de Balaão uma maldição contra aquela parte visível. Provavelmente planejava, se isso desse certo, avançar depois contra o restante do arraial. Isso mostra como os inimigos do povo de Deus são inquietos e obstinados em seus esforços para destruí‑lo. Nada deixam de tentar. Como seria desejável que tivéssemos o mesmo zelo e planejamento em fazer o bem para a glória de Deus.

Os sacrifícios são repetidos. Novos altares são construídos, e em cada altar é oferecido um novilho e um carneiro, enquanto Balaque permanece tão próximo do sacrifício quanto antes (Números 23:14-15). Se fôssemos tão desejosos de buscar a bênção quanto Balaque foi de buscar a maldição, não reclamaríamos do custo nem do esforço envolvidos no culto. Balaão outra vez espera diante de Deus, e Deus vem ao seu encontro pela segunda vez, pondo novamente uma palavra em sua boca, não para revogar a primeira, mas para confirmá‑la (Números 23:16-17). Se Deus não mandou Balaão buscá‑lo em vão, certamente não procederá assim com nenhum dos filhos de Jacó. Eles certamente o encontrarão, não só como Mestre e Guia, mas também como seu generoso Galardoador.

Quando Balaão volta, Balaque está ansioso pela mensagem: “Que falou o Senhor?” Haveria agora sinais mais favoráveis, alguma esperança de sucesso? Essa também deve ser a nossa pergunta quando nos aproximamos para ouvir a palavra de Deus (Jeremias 23:35).

Segue‑se então uma segunda transformação da maldição em bênção, pelo poder soberano de Deus. Essa bênção é ainda maior e mais forte do que a primeira, e não deixa margem para esperança de mudança. Como Balaque tinha sido tão pronto em perguntar o que o Senhor dissera, Balaão agora se dirige a ele diretamente (Números 23:18): “Levanta‑te, Balaque, e ouve”. Ele tinha uma mensagem de Deus, e até um rei deve ouvi‑la com atenção e respeito. Ele devia escutar com toda a concentração, para que nenhuma palavra se perdesse. Eglom, um rei posterior, levantou‑se do assento quando ia receber a mensagem de Deus (Juízes 3:20).

Balaão comunica a Balaque duas verdades que certamente o desapontaram profundamente. Em primeiro lugar, diz que não há motivo algum para esperar que Israel possa ser destruído. Seria inútil tentar, e Balaque só enganaria a si mesmo se alimentasse esperança de sucesso. Ele apresenta três razões para isso.

Primeiro, Deus não muda (Números 23:19). “Deus não é homem, para que minta.” Os homens mudam de ideia e, assim, quebram suas promessas. Nesse sentido, eles mentem quando se arrependem. Deus não faz nem uma coisa nem outra. Ele não muda de propósito, logo não volta atrás em sua palavra. Balaão já havia reconhecido que não podia alterar o desígnio de Deus, e agora conclui que o próprio Deus não alterará o que determinou. Isso porque o homem é fraco e inconstante, mas Deus é perfeito e imutável. É impossível que Deus minta (Hebreus 6:18). E quando a Escritura diz que ele se arrepende, não significa que mude de vontade, e sim que modifica o modo de agir. Ele é um em propósito, e nada o faz voltar atrás.

Balaão apela ao próprio Balaque nesse ponto: “Porventura, diria ele e não o faria?” Se Deus falou em seu propósito, falhará em agir? Se falou em sua promessa, não a cumprirá? Devemos pensar em Deus como sempre fiel a si mesmo e à sua palavra. Seus decretos não podem ser revogados, e suas promessas não podem falhar. Balaão aplica essa verdade a Israel: “Eis que recebi mandado para abençoar; pois ele tem abençoado, e eu não o posso revogar” (Números 23:20). Ou seja, Balaão não consegue levar Deus a revogar essa bênção. Israel há muito era um povo abençoado, um povo a quem o Senhor abençoara. A bênção de Abraão repousava sobre eles. Nasceram debaixo da bênção da aliança e destinados à bênção de Canaã. Por isso, não podiam ser amaldiçoados, a menos que o próprio Deus, eternamente fiel, quebrasse sua palavra.

Segundo, Israel não está, naquele momento, separado para juízo (Números 23:21). “Não viu iniquidade em Jacó.” Isso não quer dizer que não houvesse pecado em Israel, nem que Deus não o enxergasse. Significa que não havia ali tal medida de pecado que levasse Deus a entregá‑los à ruína. Eram maus, mas não a ponto de serem rejeitados. Além disso, não havia entre eles idolatria, que é especialmente chamada de pecado e maldade. Desde o episódio do bezerro de ouro, nada semelhante tinha se manifestado em Israel. Eles provocavam a Deus de outras formas, mas não recaindo diretamente na adoração de ídolos. Balaão sabia que nada os separaria de Deus senão o pecado. Enquanto Deus não visse entre eles um pecado dominante, não enviaria sobre eles uma maldição destruidora. Enquanto se guardassem do pecado, Balaão não via modo de feri‑los. A lição é clara: enquanto nos guardamos do pecado, estamos guardados do dano.

Alguns entendem as palavras assim: “Não viu injustiça contra Jacó, nem contemplou aflição em Israel.” Ou seja, Deus não permitirá que a injustiça feita contra eles permaneça. Não deixará Israel ferido sem defesa, mas os protegerá e castigará os que os prejudicam. Deus não ficará como simples espectador do mal que se faz ao seu povo. O que se faz contra eles, ele toma como feito contra si mesmo, e retribuirá.

Terceiro, o poder que está do lado de Israel é irresistível. Balaão mostra a Balaque que lutar contra eles seria vão. Eles têm a presença de Deus com eles: “O Senhor, seu Deus, está com ele”, de modo especial, e não foi afastado por causa do pecado deles. Têm também o júbilo dessa presença, e se alegram nela como no brado de vitória de um rei. Exultam sobre os inimigos, certos do triunfo, e se gloriem em Deus como seu Rei e Defensor. Já tinham visto, na prática, o fruto dessa presença e desse poder, pois Deus os tirara do Egito (Números 23:22). O poder que fez isso jamais poderia ser detido ou vencido. Tendo Deus começado de maneira tão gloriosa com eles, certamente também terminaria de modo glorioso. Enquanto Deus estivesse com eles, teriam “força de boi selvagem”, capazes de enfrentar todos os que se opusessem. Ver também (Números 24:8).

Tal é a força que Deus concede ao seu povo. Disso, Balaão concluiu que era inútil tentar prejudicá‑los por qualquer artifício que conhecesse. Ele admite estar vencido. Não há encantamento nem maldição que prevaleça contra Jacó, logo nenhuma maldição pode derrotá‑lo. As maldições do inferno não podem anular as bênçãos do céu. Os homens podem insistir em tais tentativas, mas fracassarão sempre.

Alguns observam que “Jacó” pode representar a igreja em estado humilde e aflito, enquanto “Israel” a representa em estado próspero e honrado. Mas, esteja a igreja em alta ou em baixa, tenha muitos amigos ou poucos, sejam os acontecimentos externos favoráveis ou duros, o resultado é o mesmo: nenhuma arma forjada contra ela prosperará. Deus pode, com facilidade, e certamente fará isso, frustrar todo plano e intento das potestades das trevas contra sua igreja, de modo que não consigam destruí‑la.

Balaão também viu que isso seria lembrado depois. “Nesse tempo”, isto é, a respeito do que estava acontecendo agora, se diria de Jacó e de Israel: “Que coisas tem feito Deus!” Dir‑se‑ia isso com espanto, alegria e gratidão, e se desafiariam as nações vizinhas a mostrarem qualquer cuidado semelhante de parte dos seus deuses. A derrota dos inimigos da igreja deve ser sempre lembrada, para glória de Deus. Não há ninguém semelhante ao Deus de Jesurum, isto é, ao Deus de Israel.

O que Balaão diz aqui sobre a grandeza do Deus de Israel acima de todos os deuses das nações pode ser o que Moisés tinha em mente ao declarar: “Porque a sua rocha não é como a nossa Rocha, sendo até os nossos inimigos juízes” (Deuteronômio 32:31). O próprio Balaão foi uma dessas testemunhas. Assim, Balaque não tinha motivo para esperar que Israel pudesse ser arruinado. Ao contrário, tinha mais razão para temer dano da parte deles, pois era provável que trouxessem destruição sobre as nações ao redor. Se ele e sua terra escapassem, não seria por serem fortes demais para Israel, mas simplesmente porque não estavam incluídos na missão designada a esse povo.

Balaão, em essência, diz: “Olha e treme.” O povo que até então permanecia acampado em repouso era como leão deitado, tranquilo. Em breve se levantaria como leão que não descansa enquanto não tiver apanhado a presa e bebido o sangue dos mortos. Isso aponta para as vitórias que Balaão prevê sobre os cananeus. Eles não abaixariam as armas antes de conquistar plenamente a terra à sua frente. Quando a casa do vizinho está em chamas, há boas razões para supor que a nossa também corre perigo.

O que aconteceu depois dessa decepção? Balaque e Balaão ficaram cansados de toda a situação. Balaque agora queria que seu adivinho se calasse. Já que Balaão não podia dizer o que Balaque desejava, Balaque preferia que ele não dissesse nada. “Nem de maneira alguma o amaldiçoes; nem de maneira alguma o abençoes” (Números 23:25). É como se dissesse: “Se você não pode amaldiçoá-los, então peço que também não os abençoe. Se você não pode ajudar as minhas forças, pelo menos não as enfrente, nem as desanime.” Deus pode fazer com que aqueles que se afastam dele fiquem exaustos com a multidão dos seus planos (Isaías 47:13; Isaías 57:10).

Balaão ainda reconhecia que estava debaixo do governo de Deus. Ele retoma o que já havia dito no início de todo esse processo: “Tudo o que o Senhor falar isso farei” (Números 23:26). Isso ensina, em primeiro lugar, que o ser humano não dirige seus próprios passos. Ele pode traçar muitos planos em seu coração, mas o propósito de Deus é o que permanecerá. Em segundo lugar, ensina que, assim como nenhuma arma forjada contra a igreja prosperará, também toda língua que se levantar contra ela em juízo Deus a fará calar e a condenará (Isaías 54:17).

Mesmo assim, eles resolveram tentar de novo. Achavam humilhante aceitar a derrota e, por isso, insistiram, embora isso só os conduzisse a maior vergonha. Essa foi a terceira tentativa.

Primeiro, mudaram o lugar. Balaque, por fim, se convenceu de que o problema não era culpa de Balaão, como antes supusera, mas que, de fato, Balaão estava sendo impedido por Deus. Agora ele espera levá-lo a um lugar onde Deus talvez permitisse que ele amaldiçoasse Israel (verso 27). Balaque e Balaão provavelmente se sentiram encorajados a tentar outra vez porque Deus havia permitido que Balaão fosse na segunda vez, ainda que o tivesse proibido na primeira. Como tinham conseguido forçar esse ponto uma vez, esperavam conseguir o mesmo de novo. Do mesmo modo, quando os pecadores são poupados e o juízo é adiado, muitas vezes se tornam ainda mais resolutos em fazer o mal.

O lugar escolhido por Balaque foi o alto de Peor, o ponto mais elevado de toda a sua terra, onde provavelmente se prestava culto a Baal e, por isso, era chamado Baal-Peor. Ele escolheu esse lugar porque pensou que, se fosse habitação de Baal, o deus de Moabe, talvez o Senhor, Deus de Israel, não quisesse ou não pudesse ir ali para impedir a maldição. Ou talvez tenha imaginado que, se aquele lugar agradava ao seu deus, também agradaria ao Senhor, e então Balaão ficaria em melhor disposição para amaldiçoar. As pessoas podem ter ideias muito tolas a respeito de Deus, e seus pensamentos sobre ele são vazios e enganosos. Os sírios, por exemplo, imaginaram que o Senhor era Deus dos montes, mas não dos vales (1 Reis 20:28), como se o poder de Deus dependesse do lugar.

Em segundo lugar, repetiram o sacrifício: sete novilhos e sete carneiros sobre sete altares (versos 29, 30). Eles continuavam gastando mais com essas ofertas, embora não tivessem qualquer promessa de que seu esforço teria sucesso. Quanto a nós, que temos a promessa de que a visão final falará a verdade e não mentirá, não devemos desanimar por causa da demora. Devemos perseverar na oração e não esmorecer (Lucas 18:1).

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