Versículo em destaque
Números 14:36 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E os homens que Moisés mandara a espiar a terra, e que, voltando, fizeram murmurar toda a congregação contra ele, infamando a terra, "
Números 14:36
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
34 Segundo o número dos dias em que espiastes esta terra, quarenta dias, cada dia representando um ano, levareis sobre vós as vossas iniqüidades quarenta anos, e conhecereis o meu afastamento.
35 Eu, o Senhor, falei; assim farei a toda esta má congregação, que se levantou contra mim; neste deserto se consumirão, e aí falecerão.
36 E os homens que Moisés mandara a espiar a terra, e que, voltando, fizeram murmurar toda a congregação contra ele, infamando a terra,
37 Aqueles mesmos homens que infamaram a terra, morreram de praga perante o Senhor.
38 Mas Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, que eram dos homens que foram espiar a terra, ficaram com vida.
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Aqui vemos a morte repentina dos dez espias incrédulos. Enquanto a sentença de Deus ainda estava sendo anunciada ao povo, antes mesmo de ser totalmente divulgada, eles morreram de praga perante o Senhor (Números 14:36, 14:37). Deus manifestou sua indignação especial contra aqueles que pecaram e ainda levaram Israel a pecar.
Eles pecaram ao trazer um relatório falso sobre a terra prometida. Ofendem profundamente a Deus aqueles que deturpam a fé, a desonram e lançam suspeitas sobre ela no coração das pessoas. Quem faz o serviço de Deus parecer algo baixo, sombrio, pesado, impossível, inútil ou indigno, está trazendo um mau relatório sobre a boa terra e pervertendo os caminhos do Senhor. Na prática, essa pessoa está tratando Deus como se fosse mentiroso.
Eles também fizeram Israel pecar. Deliberadamente incitaram toda a congregação a murmurar contra Deus. Líderes no pecado devem esperar um sinal especial da ira divina, pois Deus certamente os chamará a prestar contas pela ruína de almas da qual foram instrumentos.
Deus também mostrou o que poderia ter feito com toda a congregação. Ao cortar, dessa forma, um representante de cada tribo, deu um aviso da sentença que agora recaía sobre todos. Aquele que podia abater o representante de uma tribo poderia ter destruído a nação inteira de uma só vez, mas, em vez disso, faria isso pouco a pouco. As mortes impressionantes de pecadores notórios são um alerta da ruína final dos ímpios (2 Pedro 2:5, 2:6). Assim a ira de Deus se manifesta, para que os pecadores ouçam e temam.
Calebe e Josué foram preservados de modo especial. Estavam vivos (Números 14:38). É provável que os doze espias estivessem juntos diante de todo o povo, de modo que foi especialmente marcante para todo o acampamento ver dez caindo mortos pela praga, uma doença mortal e contagiosa, enquanto os dois permaneciam vivos e bem. Deus confirmou o testemunho deles e calou os que tinham falado em apedrejá‑los. Também lhes deu a certeza de que os guardaria no deserto, quando milhares cairiam à direita e à esquerda (Salmo 91:7). A morte nunca erra a pessoa a quem é destinada, e nunca leva por engano alguém a quem Deus determinou conservar com vida, mesmo no meio daqueles que têm de morrer.
Em seguida, Moisés anunciou a sentença a todo o povo (Números 14:36). Declarou o decreto que havia saído contra eles e que não podia ser revogado: todos deveriam morrer no deserto, e a terra de Canaã ficaria reservada para a próxima geração. Foi, sem dúvida, uma decepção pesada para Moisés, que desejava entrar em Canaã, e para todo o povo. Mas Moisés se submeteu. Eles, porém, choraram e prantearam muito.
Moisés encontrou consolo no fato de que Deus seria honrado por essa sentença. Já o povo foi esmagado pelo peso da própria culpa, pois reconheceram que tinham atraído aquilo sobre si mesmos. Antes, tinham chorado sem motivo (Números 14:1), e agora tinham razão para chorar. Assim os murmuradores são justamente transformados em pranteadores. Se tivessem se entristecido pelo pecado quando foram fielmente advertidos (Números 14:9), a sentença poderia ter sido evitada. Mas agora o pesar veio tarde demais e não lhes trouxe benefício. Não acharam lugar de verdadeiro arrependimento, embora o buscassem com lágrimas (Hebreus 12:17). Há esse tipo de pranto no inferno, mas lá as lágrimas não apagam o fogo nem aliviam a língua.
Alguns israelitas então fizeram uma tentativa tola e inútil de entrar em Canaã mesmo assim. Estavam ansiosos por avançar em direção à terra (Números 14:40). Levantaram‑se de madrugada, reuniram suas forças, ajuntaram‑se como um só corpo e pediram que Moisés os conduzisse contra o inimigo. Já não falavam em escolher um capitão para o retorno ao Egito. Admitiram sua culpa, dizendo: “Pecamos”, e alegaram estar prontos para mudar: “Eis‑nos aqui, e subiremos”. Agora desejavam a terra que antes haviam desprezado e confiavam na promessa que antes haviam duvidado. Quando Deus julga, Ele é reconhecido como justo. Com o tempo, Ele mostrará aos pecadores a maldade de seus atos e palavras duras, fazendo‑os voltar atrás no que disseram.
Deus foi honrado por essa mudança de disposição, mas eles nada ganharam com isso, porque veio tarde demais. O decreto já havia sido dado, e sua destruição estava confirmada. Eles não buscaram o Senhor enquanto Ele se deixava achar, e agora Ele não se deixaria achar. Se as pessoas fossem tão diligentes em buscar o céu enquanto ainda é tempo quanto são depois que já é tarde, se fossem tão cuidadosas em ajuntar azeite enquanto o noivo demora quanto serão quando Ele enfim vier, muito melhor seria para elas.
Moisés rejeitou totalmente o plano deles e proibiu a marcha que preparavam: não subais (Números 14:41-43). Advertiu que isso seria pecado, porque contrariava o mandamento do Senhor. Deus já lhes havia dito, ao partirem, que voltassem pelo caminho do mar Vermelho. Aquilo que em seu tempo devido fora dever, podia tornar‑se pecado quando feito fora do tempo determinado. O mandamento, aqui, foi dado como castigo, mas ainda assim eles eram obrigados a obedecer, pois o Senhor é nosso Juiz tanto quanto nosso Legislador.
Moisés também os advertiu do perigo. “Isso não prosperará.” É insensato esperar sucesso em algo que fazemos contra a vontade de Deus. Os cananeus estavam diante deles, prontos para atacá‑los, e o Senhor não estaria com eles para defendê‑los. Teriam de contar apenas consigo mesmos e esperar cair diante de seus inimigos. Quem sai do caminho do dever se coloca fora da proteção de Deus e vai por sua própria conta e risco. É perigoso ir aonde não podemos esperar que Deus vá conosco.
Moisés chegou a predizer a derrota: eles cairiam à espada dos amalequitas e cananeus, que deveriam ter caído à espada de Israel. Como se desviaram do Senhor e de seguir o seu mandamento e promessa, o Senhor não estaria com eles. Deus certamente abandona aqueles que O abandonam, e quem é deixado sem Ele fica exposto a toda miséria.
Mesmo assim, insistiram em avançar. Nunca houve povo tão obstinado e tão decidido a caminhar contra Deus em tudo. Deus lhes mandou ir, e não quiseram. Proibiu‑os, e fizeram. É assim que o coração humano, em seu estado natural, manifesta inimizade contra Deus. Tentaram subir ao alto do monte (Números 14:44). Lutaram contra a sentença de justiça de Deus e avançaram em desafio a ela. Também desprezaram os sinais da presença divina, pois seguiram adiante deixando para trás Moisés e a arca da aliança. Tinham duvidado da força de Deus, e agora confiavam presunçosamente em sua própria força, sem Ele.
A expedição terminou exatamente como Moisés dissera (Números 14:45).
O inimigo tinha tomado posição no alto do monte para guardar a passagem contra os invasores. Quando seus espias informaram que Israel se aproximava, vieram ao encontro deles, os derrotaram e é provável que muitos israelitas tenham sido mortos. Nisso, começava a cumprir‑se a sentença de que seus corpos cairiam no deserto.
Isso mostra que, por melhor que pareça no início, qualquer empreendimento que começa em pecado não pode terminar bem. Se queremos paz com nossos amigos e êxito contra nossos inimigos, o caminho é fazer de Deus nosso amigo e permanecer no seu amor. Os judeus, como esses israelitas antigos, rejeitaram a justiça de Cristo, isto é, a condição de justo que Deus concede por meio de Cristo, e tentaram estabelecer a sua própria justiça. O resultado foi exatamente como aqui.
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Deste capítulo
Números 14:1
"Então toda a congregação levantou a sua voz; e o povo chorou naquela noite."
Números 14:2
"E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e contra Arão; e toda a congregação lhes disse: Quem dera tivéssemos morrido na terra do Egito! ou, mesmo neste deserto!"
Números 14:3
"E por que o Senhor nos traz a esta terra, para cairmos à espada, e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos ao Egito?"
Números 14:4
"E diziam uns aos outros: Constituamos um líder, e voltemos ao Egito."
Números 14:5
"Então Moisés e Arão caíram sobre os seus rostos perante toda a congregação dos filhos de Israel."
Números 14:6
"E Josué, filho de Num, e Calebe filho de Jefoné, dos que espiaram a terra, rasgaram as suas vestes."
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