Versículo em destaque
Neemias 5:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Foi, porém, grande o clamor do povo e de suas mulheres, contra os judeus, seus irmãos. "
Neemias 5:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Foi, porém, grande o clamor do povo e de suas mulheres, contra os judeus, seus irmãos.
2 Porque havia quem dizia: Nós, nossos filhos e nossas filhas, somos muitos; então tomemos trigo, para que comamos e vivamos.
3 Também havia quem dizia: As nossas terras, as nossas vinhas e as nossas casas empenhamos, para tomarmos trigo nesta fome.
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Aqui vemos as lágrimas dos oprimidos, sobre as quais Salomão refletiu profundamente (Eclesiastes 4:1). Devemos considerá-las como foram apresentadas a Neemias, cuja responsabilidade, como governador, era defender os pobres e necessitados e livrá‑los da mão de opressores perversos (Salmo 82:4). Tempos difíceis, somados a corações endurecidos, tornaram a vida dos pobres miserável.
A época em que viviam era difícil. Havia fome de cereal (Neemias 5:3), provavelmente porque Deus havia retido a chuva para corrigir o desprezo deles pela casa do Senhor (Ageu 1:9‑11) e a falta de fidelidade nos tributos devidos ao culto (Malaquias 3:9‑10). Pessoas insensatas e pecadoras muitas vezes atraem sobre si mesmas os juízos de Deus e depois murmuram contra eles. Quando o alimento é escasso e caro, os pobres sentem o peso primeiro. Devemos agradecer a Deus pela misericórdia de termos pão em abundância e, ao mesmo tempo, pedir que nos livre do pecado ligado a essa abundância: o pecado da confiança orgulhosa e do excesso (Ezequiel 16:49).
O que tornava a escassez ainda pior era o fato de terem muitos filhos e filhas (Neemias 5:2). As famílias em maior necessidade eram as mais numerosas. Havia muitas bocas para alimentar, mas nada para colocar à mesa. Alguns têm bens, mas não têm filhos para herdá‑los. Outros têm filhos, mas não têm bens para lhes deixar. Quem tem ambos deve ser grato. Quem não tem nenhum dos dois pode aprender mais facilmente o contentamento.
Os que têm família grande e pouco dinheiro precisam aprender a viver pela fé no cuidado e nas promessas de Deus. Os que têm família pequena e muitos recursos devem empregar o que sobra para socorrer os necessitados. Mas não era só isso. O cereal estava caro e os impostos eram pesados. O tributo ao rei continuava tendo de ser pago (Neemias 5:4). Era mais um sinal de que ainda viviam em condição de servidão. Pode ter sido um imposto por cabeça e, se assim fosse, o grande número de filhos tornava o peso ainda maior. Quanto mais pessoas tinham para sustentar, mais tinham de pagar.
Não tinham dinheiro próprio para comprar alimento e pagar impostos, por isso foram obrigados a tomar emprestado. Suas famílias haviam saído da Babilônia com poucos bens. Já tinham gasto muito na construção de casas e, antes que pudessem se recompor, novos fardos caíram sobre eles. As dificuldades dos chefes de família pobres, que lutam para obter um sustento honesto e às vezes não conseguem prover o necessário aos seus, merecem a atenção compassiva de quem pode ajudar, seja com recursos, seja com autoridade.
As pessoas com quem lidavam também eram duras. Precisavam de dinheiro, mas só conseguiam por meio de empréstimos. Aqueles que emprestavam tiravam proveito da necessidade deles e os tratavam com dureza. Cobravam juros de doze por cento ao ano, um centésimo ao mês (Neemias 5:11). Se alguém toma grandes quantias emprestadas para o comércio, para ampliar seus negócios ou para comprar terras, não há razão para que o credor não participe dos lucros. Se alguém toma emprestado para esbanjar no pecado ou para consertar danos causados pelo desperdício, é justo que arque com o preço da própria insensatez. Mas se os pobres tomam emprestado para alimentar a família, e nós temos condições de ajudá‑los, então devemos emprestar sem explorar, ou, se é improvável que possam restituir, dar com liberalidade para atender à necessidade.
Eles também forçavam os pobres a hipotecar suas terras e casas como garantia dos empréstimos (Neemias 5:3). E mais: tomavam a renda dessas terras como forma de juros (Neemias 5:5; comparar com Neemias 5:11), tentando, pouco a pouco, se apoderar de tudo o que possuíam. E isso ainda não era o pior. Também tomavam seus filhos como servos, para escravizá‑los ou vendê‑los quando bem entendessem (Neemias 5:5). Foi isso que feriu mais profundamente o coração do povo. Seus filhos lhes eram tão caros quanto os filhos desses homens ricos eram para eles. Seus filhos tinham a mesma natureza humana e mereciam a mesma dignidade e liberdade (Malaquias 2:10; Jó 31:15). Eram também membros da mesma nação santa, israelitas livres de nascimento, marcados com o sinal da aliança. E, no entanto, seus filhos deviam tornar‑se escravos, e eles não tinham recursos para resgatá‑los.
Por isso apresentaram sua queixa a Neemias, não apenas porque ele era um grande homem, capaz de ajudá‑los, mas porque era um homem bom, disposto a fazê‑lo. Para onde mais poderiam ir os pobres lesados em busca de socorro, senão àqueles que foram colocados sobre eles para sua proteção? Para onde mais, senão à instância de justiça, à misericórdia que deveria habitar no coração do governante e naqueles encarregados de aliviar o rigor da lei?
Deixemos Neemias ouvindo a queixa deles e verificando se era verdadeira, pois os clamores dos pobres nem sempre são totalmente justos. Quanto a nós, consideremos os oprimidos com terna compaixão e lamentemos os pesados fardos que tantos carregam neste mundo. Coloquemo‑nos em seu lugar e lembremo‑nos deles em intercessão e ajuda concreta, como pessoas sobrecarregadas de cargas. Sintamos também justa indignação contra os opressores e odiemos o orgulho e a crueldade daqueles que vivem às custas das lágrimas e do sangue dos que estão sob seu poder. Os que não mostram misericórdia devem esperar juízo sem misericórdia.
O pecado desses judeus opressores se tornava ainda mais grave porque eles tão recentemente haviam sido libertos da casa da servidão. A gratidão deveria tê‑los levado a desfazer jugos pesados e a pôr em liberdade os oprimidos (Isaías 58:6).
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Deste capítulo
Neemias 5:2
"Porque havia quem dizia: Nós, nossos filhos e nossas filhas, somos muitos; então tomemos trigo, para que comamos e vivamos."
Neemias 5:3
"Também havia quem dizia: As nossas terras, as nossas vinhas e as nossas casas empenhamos, para tomarmos trigo nesta fome."
Neemias 5:4
"Também havia quem dizia: Tomamos emprestado dinheiro até para o tributo do rei, sobre as nossas terras e as nossas vinhas."
Neemias 5:5
"Agora, pois, a nossa carne é como a carne de nossos irmãos, e nossos filhos como seus filhos; e eis que sujeitamos nossos filhos e nossas filhas para serem servos; e até algumas de nossas filhas são tão sujeitas, que já não estão no poder de nossas mãos; e outros têm as nossas terras e as nossas vinhas."
Neemias 5:6
"Ouvindo eu, pois, o seu clamor, e estas palavras, muito me indignei."
Neemias 5:7
"E considerei comigo mesmo no meu coração; depois pelejei com os nobres e com os magistrados, e disse-lhes: Sois usurários cada um para com seu irmão. E convoquei contra eles uma grande assembléia."
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