Versículo em destaque
Neemias 13:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Naquele dia leu-se no livro de Moisés, aos ouvidos do povo; e achou-se escrito nele que os amonitas e os moabitas não entrassem jamais na congregação de Deus, "
Neemias 13:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Naquele dia leu-se no livro de Moisés, aos ouvidos do povo; e achou-se escrito nele que os amonitas e os moabitas não entrassem jamais na congregação de Deus,
2 Porquanto não tinham saído ao encontro dos filhos de Israel com pão e água; antes contra eles assalariaram a Balaão para os amaldiçoar; porém o nosso Deus converteu a maldição em bênção.
3 Sucedeu, pois, que, ouvindo eles esta lei, apartaram de Israel todo o elemento misto.
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Foi uma grande honra para Israel, e uma grande proteção para sua santidade, ser o povo especial de Deus. Por isso, eles deviam manter-se separados, não se misturar com as nações, nem permitir que estas se tornassem uma só coisa com eles.
Aqui temos, em primeiro lugar, uma lei que atendia a esse propósito, e que, por providência divina, foi lida naquele dia diante do povo (Neemias 13:1). Parece ter sido no dia da dedicação do muro, porque eles uniram a leitura da palavra de Deus às suas orações e louvores. Os problemas posteriores mencionados no capítulo não foram todos resolvidos senão quando Neemias exerceu sua autoridade, mas a questão da mistura do povo pode ter sido tratada ali mesmo pelo próprio povo, como parece em (Neemias 13:3). Ou então, essa leitura pode ter acontecido na comemoração anual daquele dia, alguns anos depois, e por isso é chamada de “naquele dia”. Eles acharam na lei que os amonitas e moabitas não deviam ser admitidos como membros plenos entre eles, nem autorizados a se estabelecerem no meio deles ou a se ajuntarem a Israel (Neemias 13:1). A razão era que eles tinham sido hostis e cruéis para com o povo de Deus (Neemias 13:2). Não mostraram nem mesmo bondade comum, mas procuraram a ruína de Israel, embora Israel nada lhes tivesse feito de mal e até tivesse sido ordenado a não lhes fazer dano. Essa lei, com a sua razão, está em (Deuteronômio 23:3-5).
Em segundo lugar, o povo obedeceu prontamente a essa lei (Neemias 13:3). Isso mostra o valor da leitura pública da palavra de Deus. Quando é verdadeiramente ouvida, ela nos mostra o pecado e o dever, o bem e o mal, e onde temos errado. Tiramos proveito dessa descoberta quando ela nos leva a separar-nos do mal ao qual nos tínhamos apegado. Eles separaram de Israel toda a mistura de gente, que anteriormente tinha sido um laço para eles, pois a mistura de gente se tornara gananciosa e causadora de problemas (Números 11:4). Expulsaram essas pessoas como intrusas e como um perigo.
Em terceiro lugar, há o caso especial de Tobias, o amonita. O escritor provavelmente já o tinha em mente quando mencionou a lei (Neemias 13:1) e a razão dela (Neemias 13:2). Tobias tinha demonstrado o mesmo ódio a Israel que seu povo sempre demonstrara. Seu velho espírito aparece em sua ira contra Neemias (Neemias 2:10) e na resistência que ofereceu à obra de Neemias (Neemias 4:7-8). Note-se como Eliasibe, o sumo sacerdote, agiu muito mal ao dar hospedagem a Tobias até mesmo nos átrios do templo.
Eliasibe era aparentado a Tobias por casamento, e depois também por amizade (Neemias 13:4). Seu neto tinha se casado com a filha de Sambalate (Neemias 13:28). Provavelmente outro membro de sua família também se casara com alguém da família de Tobias e, incrível dizer, o sumo sacerdote considerou essa ligação uma honra. Orgulhava-se disso, embora fosse, na verdade, sua vergonha. A lei determinava claramente que o sumo sacerdote deveria casar-se com alguém do seu próprio povo, para não profanar a sua descendência entre o povo (Levítico 21:14-15). Eliasibe fazer aliança com um amonita, um servo, e ainda achar isso algo distinto, provavelmente porque Tobias era hábil, de boas maneiras e elogiado como “homem importante” (Neemias 6:19), mostrava profundo desprezo pela dignidade do seu santo ofício.
Por estar aparentado com Tobias, queria mantê-lo por perto. Tobias, como homem de negócios, muitas vezes tinha motivos para estar em Jerusalém, e dificilmente por bons motivos. Eliasibe gostou de seu novo parente e o quis perto de si. Não tinha em seus próprios aposentos um quarto suficientemente bom para ele, então tomou vários pequenos cômodos que eram usados para guardar suprimentos, derrubou as paredes que os separavam e fez um grande aposento para Tobias nos átrios do templo (Neemias 13:5). Isso foi vergonhoso em muitos aspectos. Tobias, o amonita, foi tratado com honra em Israel e recebeu acolhida distinta. O sumo sacerdote, que deveria ensinar a lei e dar exemplo de piedade, em vez disso quebrou a lei e usou sua autoridade como responsável pelos cômodos do templo para favorecer Tobias. Deu-lhe hospedagem na casa de Deus, como se desafiasse o próprio Deus, quase como erguer ali um ídolo, como reis ímpios haviam feito antes. Um amonita nem sequer podia entrar na congregação, e no entanto um dos piores amonitas era convidado e honrado no templo.
Pior ainda, Eliasibe tirou dali os suprimentos do templo para dar lugar a Tobias e assim os expôs à perda e ao mau uso, embora pertencessem aos sacerdotes. Dessa forma, ele corrompeu a aliança de Levi, como Malaquias denuncia naquela mesma época (Malaquias 2:8). Neemias registra com razão: “Mas em todo esse tempo não estive em Jerusalém” (Neemias 13:6). Se ele estivesse ali, o sumo sacerdote não teria ousado fazer tal coisa. O inimigo que semeia o joio no campo de Deus sabe fazê-lo quando os servos dormem ou estão ausentes (Mateus 13:25). O bezerro de ouro foi feito enquanto Moisés estava no monte.
Neemias então agiu com firmeza como governador, expulsou Tobias com tudo o que lhe pertencia e restaurou os cômodos ao seu uso correto. Quando chegou a Jerusalém e ouviu, pelos fiéis que se entristeciam com isso, quão íntimos tinham se tornado o sumo sacerdote e o principal inimigo, ficou profundamente angustiado (Neemias 13:7-8). Doeu-lhe ver a casa de Deus profanada, os inimigos de Deus sendo favorecidos e merecendo confiança, e a causa de Deus sendo traída por aquele que deveria tê-la protegido. Nada aflige mais um homem bom, ou um bom governante, do que ver os ministros da casa de Deus agindo mal.
Neemias tinha autoridade e a usou a favor de Deus. Tobias teve de sair. Ele não temeu ofendê-lo, nem temeu a ira de Tobias ou de Eliasibe. Não se desculpou dizendo que o assunto era exclusivo do sumo sacerdote. Agiu com zelo pela justiça e lançou fora o intruso, jogando para fora todos os seus móveis. Não os guardou para si, mas os removeu para que Tobias não encontrasse nenhum conforto à sua espera caso tentasse voltar. Da mesma forma, o nosso Senhor purificou o templo para que a casa de oração não se tornasse covil de ladrões. E, do mesmo modo, aqueles que querem expulsar o pecado de seus corações, esses templos vivos, precisam lançar fora também o “mobiliário” do pecado, tudo aquilo que o alimenta. É preciso despojá-lo, deixá-lo sem recurso, retirar aquilo que nutre o desejo pecaminoso. Assim é que o pecado é mortificado.
Depois disso, os suprimentos do templo foram trazidos de volta, e os utensílios da casa de Deus recolocados em seus devidos lugares. Mas, antes, os cômodos tiveram de ser aspergidos com água de purificação e tornados limpos, porque haviam sido contaminados. Do mesmo modo, quando o pecado é expulso do coração pelo arrependimento, que o sangue de Cristo seja aplicado pela fé, e então o coração seja preenchido com as graças do Espírito de Deus para toda boa obra.
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Deste capítulo
Neemias 13:2
"Porquanto não tinham saído ao encontro dos filhos de Israel com pão e água; antes contra eles assalariaram a Balaão para os amaldiçoar; porém o nosso Deus converteu a maldição em bênção."
Neemias 13:3
"Sucedeu, pois, que, ouvindo eles esta lei, apartaram de Israel todo o elemento misto."
Neemias 13:4
"Ora, antes disto, Eliasibe, sacerdote, que presidia sobre a câmara da casa do nosso Deus, se tinha aparentado com Tobias;"
Neemias 13:5
"E fizera-lhe uma câmara grande, onde dantes se depositavam as ofertas de alimentos, o incenso, os utensílios, os dízimos do grão, do mosto e do azeite, que se ordenaram para os levitas, cantores e porteiros, como também a oferta alçada para os sacerdotes."
Neemias 13:6
"Mas durante tudo isto não estava eu em Jerusalém, porque no ano trinta e dois de Artaxerxes, rei de babilônia, fui ter com o rei; mas após alguns dias tornei a alcançar licença do rei."
Neemias 13:7
"E voltando a Jerusalém, compreendi o mal que Eliasibe fizera para Tobias, fazendo-lhe uma câmara nos pátios da casa de Deus."
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