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Miqueias 5:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Agora ajunta-te em tropas, ó filha de tropas; pôr-se-á cerco contra nós; ferirão com a vara na face ao juiz de Israel. "

Miqueias 5:1

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1 Agora ajunta-te em tropas, ó filha de tropas; pôr-se-á cerco contra nós; ferirão com a vara na face ao juiz de Israel.

2 E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.

3 Portanto os entregará até ao tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então o restante de seus irmãos voltará aos filhos de Israel.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui, como antes, vemos primeiro a vergonha e a aflição de Sião (Miquéias 5:1). A nação de Israel vinha decaindo há muitos anos, antes do exílio, e caindo em desgraça. “Agora ajunta-te em tropas, ó filha de tropas” é, ou um chamado aos inimigos de Sião, que já tinham exércitos preparados, para virem e fazerem o pior, pois Deus o permitiria; ou um desafio aos amigos de Sião, para que viessem e fizessem o melhor que pudessem por ela. Mesmo assim, ainda que se ajuntassem em tropas, isso seria inútil.

O profeta fala em nome do povo de Jerusalém: “pôr-se-á cerco contra nós”. O rei da Assíria já tinha feito isso, e depois o rei da Babilônia o faria. Eles não sabiam como se defender, e por isso os inimigos teriam êxito e feririam o juiz de Israel, o rei, o juiz supremo, e também os juízes inferiores, com a vara na face, em desprezo a seu posto e dignidade. Depois de os tornarem prisioneiros, os humilhariam como aos cativos mais desprezados. Israel já havia sido acusado de ter juízes corruptos, que se vendiam por suborno (Miquéias 3:11), e essa vergonha veio justamente sobre eles por terem abusado de seu poder. Ainda assim, era grande a dor de Israel ao ver seus juízes tratados com tamanho desprezo.

Alguns entendem isto como uma razão por que as tropas, isto é, o exército romano, haveriam de cercar Jerusalém: porque os judeus feririam o Juiz de Israel na face, numa referência ao ultraje que mais tarde fariam ao Messias, a quem bateram e zombaram, dizendo: “Profetiza, quem é que te feriu?”. Mas a primeira interpretação parece mais provável. O texto parece falar do cerco de Jerusalém pelos caldeus, e não pelos romanos, e da vergonha imposta a Zedequias e aos príncipes da casa de Davi.

Em seguida, vemos a exaltação e a honra do Rei de Sião. Depois de mostrar até que ponto a casa de Davi seria abatida, e como o escudo daquela poderosa família seria lançado fora como se nunca tivesse sido ungido com óleo, o profeta traz uma gloriosa promessa a respeito do Messias e de seu reino. Isso traria ânimo ao povo de Deus, que de outra forma poderia pensar que a aliança de Deus com a casa de Davi havia sido anulada, como o salmista chegou a temer (Salmo 89:38,39). No Messias, essa aliança permaneceria firme, e a honra da casa de Davi seria restaurada, elevada e preservada para sempre.

O Messias é descrito primeiro por sua pessoa e depois por seu ofício. Ele é o dominador em Israel, cujas “saídas” são desde a antiguidade, desde os dias da eternidade. Isso aponta para sua existência eterna como Deus. Suas “saídas”, como a luz que procede do sol, vêm desde os tempos antigos, desde a eternidade. É uma declaração tão clara da geração eterna de Cristo, seu ser o Filho de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos, que esta profecia só pode referir-se a ele. Fala de uma saída que já era realidade quando o profeta escreveu, de modo que as palavras devem ser tomadas assim: “suas saídas têm sido”. As duas expressões usadas para indicar eternidade apontam para o sentido mais pleno de eternidade, como em (Salmo 90:2). Convêm somente àquele que pôde dizer: “Antes que Abraão existisse, eu sou” (João 8:58).

Também se observa que a expressão “sair” é usada em (Deuteronômio 8:3) para a palavra que sai da boca, o que se ajusta bem a Cristo, o Verbo de Deus, que no princípio estava com Deus (João 1:1,2). Cristo é descrito também por seu ofício de Mediador, isto é, aquele que se interpõe entre Deus e o seu povo. Ele seria o dominador em Israel, rei sobre a sua igreja, e reinaria sobre a casa de Jacó para sempre (Lucas 1:32,33). Os judeus objetavam que Jesus não podia ser o Messias porque Israel não se submetera a ele e, ao contrário, o havia condenado à morte. Mas ele mesmo respondeu quando disse: “O meu reino não é deste mundo” (João 18:36).

Ele reina sobre o Israel espiritual, os filhos da promessa, todos os que seguem o Abraão que crê e o Jacó que ora. Ele governa seus corações por seu Espírito e sua graça, e governa sua comunhão por sua palavra e suas ordenanças. Não era ele dominador em Israel quando ventos e mares lhe obedeciam, quando demônios se sujeitavam a ele, quando afastava enfermidades dos doentes e chamava os mortos para fora de seus túmulos? Ninguém, senão aquele cujas saídas são desde a antiguidade, desde os dias da eternidade, era apto para ser dominador em Israel, cabeça da igreja e cabeça sobre todas as coisas em favor da igreja.

A profecia então declara o que aconteceria a seu respeito. Belém seria o lugar de seu nascimento (Miquéias 5:2). É essa a passagem que os escribas usaram quando disseram a Herodes, com segurança, onde o Cristo havia de nascer (Mateus 2:6). Por isso os judeus, de modo geral, sabiam que o Cristo viria de Belém, a cidade de Davi (João 7:42). Belém significa “casa de pão”, um lugar bem adequado para aquele que é o pão da vida. E, por ser a cidade de Davi, Deus ordenou por uma providência especial que aquele que seria o Filho de Davi, seu herdeiro e sucessor eterno, nascesse ali.

Ela é chamada Belém-Efrata, dois nomes do mesmo lugar (Gênesis 35:19). Era pequena entre as cidades de Judá, sem importância por seu povo ou por sua fama. Não havia nela nada que parecesse digno de tamanha honra. Mas Deus muitas vezes escolhe exaltar os humildes (Lucas 1:52). Cristo traria honra ao lugar de seu nascimento, não tiraria honra dele. Embora pequena, por causa disso se tornaria grande e, como registra Mateus, “de modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá”. Na verdade, Belém seria honrada acima de todas. Estar unido a Cristo confere honra até mesmo aos que são pequenos aos olhos do mundo.

A profecia também diz que, na plenitude do tempo, ele nasceria de mulher (Miquéias 5:3). “Portanto, os deixará” significa que Deus deixaria o seu povo Israel entregue à angústia e à aflição por um tempo, e retardaria a salvação há muito prometida e há muito esperada até o tempo determinado. Esse tempo chegaria quando a que está de parto tivesse dado à luz, quando a bem-aventurada virgem, que seria mãe do Messias, o trouxesse ao mundo em Belém, o lugar designado para isso. Esse é o sentido mais claro das palavras.

Embora as saídas do Messias fossem desde a eternidade, a redenção em Jerusalém e o consolo de Israel precisariam ser esperados (Lucas 2:25-38) até o tempo em que a que havia de dar à luz tivesse dado à luz. Até lá, ele os deixaria.

O livramento divino precisa ser aguardado até o tempo que Deus estabeleceu para realizá-lo. Então o restante dos irmãos de Cristo se voltará para os filhos de Israel, o povo que está em aliança com Deus. Como diz Malaquias, o coração dos filhos se voltará para os pais (Malaquias 4:6). Alguns entendem isso de todos os crentes, tanto gentios como judeus, que são introduzidos na comunidade de Israel. Sendo todos irmãos uns dos outros, Cristo não se envergonha de chamá-los irmãos (Hebreus 2:11).

Ele será um Príncipe glorioso, e seu povo será bem-aventurado sob o seu governo. Ele estará de pé e apascentará o seu rebanho, isto é, o instruirá, o governará e continuará fazendo isso, como bom pastor, com sabedoria, cuidado e amor. Assim a profecia prossegue: ele apascentará o seu rebanho como pastor, dará pastos verdejantes e providenciará pastores auxiliares para conduzi-lo até lá. Ele é o bom Pastor que vai adiante das ovelhas e reina no meio delas.

Ele fará isso, não como um simples homem, mas na força do Senhor. Estará revestido de poder divino, capaz de cumprir sua obra e vencer todo obstáculo. Fá-lo-á na majestade do nome do Senhor, seu Deus, mostrando claramente que o nome de Deus está nele (Êxodo 23:21). Essa é a majestade de seu nome, porque ele ensinava com autoridade, e não como os escribas. Os profetas começavam dizendo: “Assim diz o Senhor”, mas Cristo falava como Filho, não como servo, dizendo: “Em verdade, em verdade vos digo”. Isso era apascentar na majestade do nome do Senhor, seu Deus. Todo poder no céu e na terra lhe foi dado, poder sobre toda carne, e por esse poder ele ainda reina na majestade do nome do Senhor, seu Deus, nome que é sobre todo nome.

O governo de Cristo será muito feliz para o seu povo, porque este habitará seguro e em descanso para sempre. Porque ele vive, eles também viverão. Deitar-se-ão nos pastos verdejantes para os quais ele os conduz e habitarão para sempre no tabernáculo de Deus (Salmo 61:4). Sua igreja permanecerá, e ele ficará nela e com ela todos os dias, até a consumação dos séculos. Isso também será glorioso para o próprio Cristo, pois então ele será grande até os confins da terra. Cristo considera sua grandeza fazer o bem. As extremidades da terra lhe serão dadas por herança, e os confins do mundo verão a sua salvação.

Ele também garantirá a paz e o bem-estar de sua igreja e de seu povo contra todos os ataques de seus inimigos. “Este homem” será a paz deles quando os assírios entrarem na sua terra. Em seu primeiro sentido, isso aponta para o livramento de Ezequias, rei de Judá, e de seu reino das mãos de Senaqueribe, o rei da Assíria que os invadiu. Mas, por trás dessa cena histórica, está a promessa da segurança da igreja do evangelho e de todos os crentes contra os planos e ataques das potestades das trevas, Satanás e todos os seus auxiliares, o dragão e seus anjos, que procuram destruir a igreja dos primogênitos e todos os que a ela pertencem.

Considere o perigo em que os súditos de Cristo podem parecer estar. O assírio, um inimigo poderoso, entra em sua terra e pisa dentro de seus limites. Chega até mesmo a profanar seus palácios. Foi um tempo de angústia e medo esmagadores quando Senaqueribe invadiu Judá, tomou as cidades fortificadas e cercou Jerusalém (Isaías 36:1; Isaías 37:3). Isso retrata as portas do inferno combatendo o reino de Cristo, cercando o acampamento dos santos e a cidade santa, e ameaçando arrastar tudo para a ruína. Quando os terrores da lei apertam a consciência de uma alma convicta, quando as tentações de Satanás atacam o povo de Deus, e quando as aflições do mundo parecem querer arrancar todo consolo, então o assírio entrou na sua terra e pisou em seus palácios. Do lado de fora há lutas, e por dentro há temores.

Ainda assim, o povo de Cristo tem proteção garantida. O próprio Cristo será a sua paz. Quando o assírio vem com tanta força, parece não haver outra paz além da rendição e da destruição. Mas, mesmo assim, o Rei da igreja guardará a paz de sua igreja e será para ela um esconderijo (Isaías 32:1-2). Cristo é a nossa paz como sacerdote, porque faz expiação pelo pecado e nos reconcilia com Deus. Ele é a nossa paz como rei, porque vence os nossos inimigos e acalma nossos medos e paixões. Ele estabelece paz até mesmo no meio das maiores angústias. Em Cristo podemos ter paz quando o mundo nos traz tribulação, e nossas almas podem descansar nele.

Ele também levantará as pessoas certas para proteger o seu povo e derrotar os seus inimigos. Então serão colocados contra o inimigo sete pastores e oito príncipes, isto é, pessoas em número suficiente e adequadas para resistir, se opor a ele e guardar a igreja de Deus em paz. Eles terão o cuidado e a ternura de pastores e a coragem e a autoridade de príncipes, ou principais líderes. “Sete e oito” é uma forma de falar de um número definido sem indicar a contagem exata. Quando Deus tem uma obra a realizar, não lhe faltarão instrumentos apropriados para realizá-la. Quando ele quer, pode fazê-lo por meio de poucos. Ele não precisa levantar milhares, pois sete ou oito principais homens bastam, se Deus estiver com eles. Magistrados e ministros são esses pastores e principais homens, levantados para defender a causa justa da verdadeira religião contra os poderes do pecado e de Satanás no mundo.

A oposição contra a igreja será vencida, e os inimigos serão abatidos. Isso é mostrado pela devastação da Assíria e da Caldeia, os dois mais perigosos inimigos do povo de Deus. A destruição deles aponta para Cristo colocando seus inimigos por estrado de seus pés. Eles devastarão a terra da Assíria à espada, e a terra de Ninrode, isto é, Babilônia, nas suas entradas. Eles penetrarão na terra e passarão ao fio da espada todos os que encontrarem armados. Os que ameaçam arruinar a igreja de Deus apressam a sua própria ruína, e a destruição deles se torna a salvação da igreja. É assim que “ele nos livrará do assírio”. Quando Satanás caiu do céu como um relâmpago diante da pregação do evangelho, e quando os inimigos de Cristo, que não quiseram que ele reinasse sobre eles, foram abatidos diante dele, isso se cumpriu.

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