Versículo em destaque
Miqueias 4:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Mas nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do SENHOR será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e a ele afluirão os povos. "
Miqueias 4:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Mas nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do SENHOR será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e a ele afluirão os povos.
2 E irão muitas nações, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor.
3 E julgará entre muitos povos, e castigará nações poderosas e longínquas, e converterão as suas espadas em pás, e as suas lanças em foices; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.
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Este capítulo começa com uma palavra de grande consolo, profundamente refrescante para aqueles que se importam com o bem da igreja de Deus. Muitas vezes vemos corrupção no meio do povo de Deus, especialmente entre governantes, sacerdotes e profetas, quando buscam o próprio interesse em vez da glória de Deus. Também vemos a igreja assolada, com Sião arada como um campo, e somos tentados a pensar que tudo vai desaparecer e que o nome de Israel será esquecido.
Porém, nossa fé não deve desfalecer nisso. Das cinzas da igreja, uma nova vida se levantará. Nas últimas palavras do capítulo anterior, o monte da casa do Senhor estava arruinado e vazio, como os montes cobertos de floresta brava. Poderia um deserto assim voltar a ser frutífero? Sim. As primeiras palavras aqui já mostram o monte da casa do Senhor novamente honrado, tanto quanto havia sido envergonhado por estar abandonado.
Ainda que Sião seja arada como um campo, Deus não rejeitou o seu povo. Pela queda dos judeus, veio a salvação aos gentios, às nações, tornando-se assim riqueza para o mundo (Romanos 11:11-12). Este é o mistério que Deus revela aqui por meio do profeta. Ele diz, nos três primeiros versículos deste capítulo, o mesmo que outro profeta disse na mesma época pela palavra do Senhor (Isaías 2:2-4), para que a promessa fosse confirmada por duas testemunhas. São promessas preciosas sobre a igreja do evangelho, já parcialmente cumpridas, e que se cumprirão cada vez mais, porque fiel é aquele que prometeu.
Em primeiro lugar, depois que a igreja judaica cair e for destruída, será estabelecida no mundo uma igreja para Deus, e isso será “nos últimos dias”, isto é, como alguns mestres judeus reconhecem, nos dias do Messias. O povo de Deus será reunido sob uma nova aliança, um novo compromisso solene de Deus, com uma nova forma espiritual de culto e novos ofícios para servi-lo. Serão dadas bênçãos melhores e providos meios superiores para a expansão e o fortalecimento do reino de Deus entre os homens, em comparação com a antiga dispensação. O monte da casa do Senhor voltará a ser um lugar firme onde os adoradores fiéis de Deus poderão permanecer, andar e edificar enquanto o servem (Miquéias 4:1).
Em segundo lugar, esta igreja será solidamente fundada e bem edificada. Será estabelecida no cume dos montes. O próprio Cristo a edificará sobre a rocha. Será como uma fortaleza inabalável sobre um fundamento seguro, de modo que as portas do inferno não poderão destruí-la nem enfraquecê-la (Mateus 16:18). Seus fundamentos ainda estão nos montes santos (Salmo 87:1), naqueles montes duradouros que não podem e não serão abalados.
Em terceiro lugar, ela será elevada e se tornará visível e bem conhecida. Será exaltada sobre os outeiros, e muitos ficarão admirados ao ver seu crescimento a partir de começos tão pequenos. O reino de Cristo brilhará com mais esplendor que qualquer reino terreno já teve. Será como uma cidade edificada sobre um monte, impossível de esconder (Mateus 5:14). A glória desta última casa é maior do que a da primeira (Ageu 2:9; ver também 2 Coríntios 3:7-8).
Em quarto lugar, muitos povos virão a ela, e continuarão a chegar conversões. Os povos afluirão para ela como um rio que nunca para de correr. Haverá um fluxo constante de crentes vindo de todas as direções, assim como antigamente os judeus subiam ao templo para adorar enquanto ele existia. Naquele tempo, muitas tribos subiam ao monte da casa do Senhor em busca do templo de Deus; mas, nos tempos do evangelho, muitas nações afluirão à igreja, voando como nuvens e como pombas às suas janelas. Ministros serão enviados para fazer discípulos de todas as nações, e não trabalharão em vão. À medida que muitos forem persuadidos a crer no evangelho e a receber a fé cristã, uns aos outros se estimularão e dirão: “Vinde, e subamos ao monte do Senhor, agora levantado no meio de nós, à casa do Deus de Jacó, o templo espiritual que está perto de nós e entre nós”.
Assim, o povo se tornará voluntário no dia do poder de Cristo (Salmo 110:3), e também ajudará a tornar outros voluntários, como André trouxe Pedro e Filipe trouxe Natanael ao conhecimento de Cristo. Chamarão outros ao monte (Deuteronômio 33:19), porque em Cristo há o bastante para todos e o bastante para cada um. Note-se o que esses novos crentes esperam encontrar na casa do Deus de Jacó. Eles vêm em busca de instrução: “Ele nos ensinará os seus caminhos”, isto é, o modo como ele quer que andemos com ele e o modo como podemos confiar que ele nos encontrará com misericórdia. A lição é clara: quando vimos adorar a Deus, também vimos para ser ensinados por ele.
Note-se também o que prometem fazer quando forem ensinados por Deus: “Andaremos pelas suas veredas”. Aqueles que, pela graça de Deus, estão firmemente resolvidos a praticar o que são ensinados podem, com razão, esperar que Deus os instrua.
Em quinto lugar, para que tudo isso aconteça, uma nova revelação seria proclamada ao mundo, e sobre ela a igreja seria edificada, enquanto multidões seriam nela reunidas. “De Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor.” O evangelho é chamado de palavra do Senhor porque foi o Senhor quem deu a palavra, e grande foi o exército dos que a anunciaram (Salmo 68:11). Vem de Deus e traz a autoridade de Deus. Começou a ser anunciada pelo próprio Senhor Cristo (Hebreus 2:3). Também é chamado de lei, lei da fé, porque estamos sob o governo de Cristo.
Esta palavra devia sair de Jerusalém, de Sião, a principal cidade da antiga dispensação, onde estavam o templo, os altares e as mensagens de Deus, e para onde os judeus acorriam de todos os lugares para adorar. O evangelho devia começar ali, mostrando o vínculo entre o Antigo e o Novo Testamento. O evangelho não se opõe à lei, mas a explica e brota dela, como um ramo do seu tronco. Cristo pregou em Jerusalém e ali operou milagres. Ali morreu, ressuscitou e subiu ao céu. Ali o Espírito Santo foi derramado. E aqueles que foram enviados para pregar arrependimento e remissão de pecados a todas as nações foram ordenados a começar em Jerusalém, para que, de lá, os rios corressem e regassem o mundo seco.
Em sexto lugar, o evangelho de Cristo levaria consigo poder convincente, aonde quer que fosse pregado (Miquéias 4:3). “Ele julgará entre muitos povos.”
O Messias, que é o legislador (Miquéias 4:2), aqui é apresentado como juiz, pois o Pai entregou todo o juízo ao Filho, e ele veio ao mundo para juízo. Sua palavra, a palavra do evangelho que devia sair de Jerusalém, é o cetro de ouro pelo qual ele governa e julga quando se assenta como Rei sobre o seu santo monte de Sião (Salmo 2:6). Por essa palavra ele repreenderá nações poderosas até muito longe, porque o Espírito coopera com a palavra para convencer o mundo (João 16:8). Foi prometido ao Filho de Davi que ele julgaria entre as nações (Salmo 110:6), e ele o faz quando sai no carro do seu evangelho eterno, vencendo e para vencer.
Um espírito pacífico e o amor mútuo são também felizes resultados do reino de Cristo. “Eles transformarão as suas espadas em relhas de arado.” Isso quer dizer que pessoas iracundas e apaixonadas, antes ferozes e selvagens, serão transformadas em pessoas mansas e dóceis (Tito 3:2-3). Aqueles que antes feriam os outros e não suportavam sofrer dano, depois da conversão serão capazes de suportar a injustiça, ainda que não pratiquem nenhuma.
Na medida em que o evangelho se espalha, torna as pessoas pacíficas, pois tal é a sabedoria que vem do alto, mansa e tratável. Se as nações fossem realmente impregnadas por ele, haveria paz por toda parte. Quando Cristo nasceu, houve paz em todo o Império Romano. Os primeiros crentes eram um só coração e uma só alma (Atos 4:32), e os primeiros cristãos eram conhecidos pelo amor profundo que tinham uns pelos outros. No céu, esta promessa chegará ao seu pleno cumprimento.
Promete-se, primeiro, que não haverá espírito briguento. A arte da guerra, que alguns consideram glória de um reino, será esquecida e posta de lado como inútil. “Não aprenderão mais a guerrear”, porque não terão necessidade de se defender nem desejo de atacar o próximo. “Nação não levantará espada contra nação.” O evangelho não torna as pessoas covardes, mas as torna pacíficas.
Em segundo lugar, todos estarão tranquilos, livres do mal e do medo do mal (Miquéias 4:4). “Assentar-se-ão seguros, e não haverá quem os espante.” Habitarão em segurança, sem se inquietar, “cada um debaixo de sua videira e debaixo de sua figueira”, desfrutando do fruto delas e não precisando de outro abrigo senão de suas folhas. “E não haverá quem os atemorize.” Não apenas não haverá nada que razoavelmente os possa assustar, mas eles mesmos não terão inclinação ao medo. Sob o governo de Cristo, como sob o de Salomão, haverá grande paz.
Embora os seguidores de Cristo tenham aflições no mundo, nele desfrutam de uma profunda calma. Se isso nos parece improvável, ainda assim podemos confiar, porque a boca do SENHOR falou. Nenhuma palavra dele cairá por terra. O que ele declarou por sua Palavra, ele cumprirá por sua providência, por seu cuidado sábio e por sua graça. Aquele que é o SENHOR dos Exércitos será também o Deus de paz, e aqueles a quem o SENHOR dos Exércitos, o governante de todos os exércitos, protege podem viver em santa tranquilidade.
As igrejas também permanecerão fiéis em seu dever, usando bem a paz que recebem, sem provocar o SENHOR a tirá-la delas (Miqueias 4:5). Quando as igrejas têm descanso, são edificadas, fortalecidas e consoladas, e se dispõem a ser tão leais ao seu Deus quanto as outras nações são aos seus, embora os deuses delas nada sejam. Onde as promessas semelhantes são dadas, segue-se: “Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do SENHOR” (Isaías 2:2 e seguintes). Aqui está dito: “Andaremos em o nome do SENHOR, nosso Deus”. A paz é de fato uma bênção quando nos torna mais decididos a nos apegar ao SENHOR.
É digno de nota quão firmes as outras nações eram em relação aos seus deuses. “Todos os povos andarão, cada um em nome do seu deus.” Eles assumem seu deus, se apegam a ele, o adoram e servem, dele dependem e nele confiam. Tudo aquilo que o ser humano transforma em deus, ele passa a usar, invocar e levar o seu nome para dentro de todas as suas ações e negócios. Os marinheiros na tempestade clamavam, cada um, ao seu deus (Jonas 1:5). Não se encontrava exemplo de nação que trocasse os seus deuses (Jeremias 2:11). Se os astros do céu eram os seus deuses, eles os amavam, serviam e seguiam (Jeremias 8:2).
O povo de Deus agora resolve ser igualmente firme para com ele. “Andaremos em o nome do SENHOR, nosso Deus.” Isso significa reconhecê-lo em tudo o que fazemos, conduzir a vida com referência constante a ele, nada empreender sem o seu aval e confessar abertamente que pertencemos a ele. Essa resolução é firme. Não é assunto para discussão: “Andaremos em o nome do SENHOR, nosso Deus.” É algo justo e razoável, porque ele é o nosso Deus. E é uma decisão duradoura: “Faremos isso para todo o sempre, e nunca o deixaremos.” Ele será nosso para sempre, e assim nós seremos dele para sempre, sem arrependimento dessa escolha.
Apesar da dispersão, das tribulações e fraqueza da igreja, ela será formada, estabelecida e tornada muito significativa (Miqueias 4:6, Miqueias 4:7). A igreja havia estado em condição baixa e frágil nos últimos tempos do Antigo Testamento, em parte por causa da corrupção da nação judaica, em parte por causa da opressão que sofreu. Eram como um rebanho de ovelhas feridas, perseguidas e espalhadas (Ezequiel 34:16, Jeremias 50:6, 17). As pessoas piedosas entre eles, e também em outros lugares, inclinadas para Deus, estavam dispersas, fracas, e em certo sentido perdidas e lançadas para longe.
É prometido que todas essas injustiças seriam corrigidas e a enfermidade curada. O próprio Cristo veio às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mateus 15:24) e enviou seus apóstolos a elas (Mateus 10:6). Dentre os judeus mancos, incapazes de se manter firmes por si mesmos, Deus ajuntou um remanescente (Miqueias 4:7), aquele remanescente escolhido pela graça, de que trata (Romanos 11:7), que recebeu o evangelho de Cristo. E dentre os gentios, que estavam longe, como são descritos em (Efésios 2:13, Atos 2:39), ele levantou uma grande nação. Um número muito maior deles foi trazido para dentro da igreja do que de judeus (Gálatas 4:27). A igreja do evangelho é essa forte nação contra a qual as portas do inferno jamais prevalecerão. A igreja de Cristo é mais numerosa do que qualquer outra nação, e forte no Senhor e na força do seu poder.
O Messias será o Rei desse reino. Ele o guardará e governará, dirigindo todos os seus negócios da melhor maneira, até o fim dos tempos. O Senhor Jesus reinará sobre eles em Sião, por sua Palavra e seu Espírito, por meio de suas ordenanças, e isso continuará desde então para sempre. Do aumento de seu governo e da paz não haverá fim.
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Deste capítulo
Miqueias 4:2
"E irão muitas nações, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor."
Miqueias 4:3
"E julgará entre muitos povos, e castigará nações poderosas e longínquas, e converterão as suas espadas em pás, e as suas lanças em foices; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra."
Miqueias 4:4
"Mas assentar-se-á cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os espante, porque a boca do Senhor dos Exércitos o disse."
Miqueias 4:5
"Porque todos os povos andam, cada um em nome do seu deus; mas nós andaremos em nome do Senhor nosso Deus, para todo o sempre."
Miqueias 4:6
"Naquele dia, diz o Senhor, congregarei a que coxeava, e recolherei a que tinha sido expulsa, e a que eu tinha maltratado."
Miqueias 4:7
"E da que coxeava farei um remanescente, e da que tinha sido arrojada para longe, uma nação poderosa; e o Senhor reinará sobre eles no monte Sião, desde agora e para sempre."
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