Versículo em destaque

Lucas 8:4 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E, ajuntando-se uma grande multidão, e vindo de todas as cidades ter com ele, disse por parábola: "

Lucas 8:4

menu_book Versículo no contexto

2 E algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios;

3 E Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com seus bens.

4 E, ajuntando-se uma grande multidão, e vindo de todas as cidades ter com ele, disse por parábola:

5 Um semeador saiu a semear a sua semente e, quando semeava, caiu alguma junto do caminho, e foi pisada, e as aves do céu a comeram;

6 E outra caiu sobre pedra e, nascida, secou-se, pois que não tinha umidade;

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auto_stories Comentário Bible Guided

A seção anterior descreve o árduo trabalho de Cristo ao pregar (Lucas 8:1). Esta seção começa mostrando a disposição do povo em ouvi-lo (Lucas 8:4). Ele passava por todas as cidades para pregar, de modo que muitos poderiam simplesmente ter ficado em casa esperando que ele chegasse até eles. Mas alguns vieram a ele de todas as cidades. Eles não esperaram ele chegar, nem acharam que já tinham ouvido o suficiente quando ele foi embora. Iam ao seu encontro quando ele se aproximava e o seguiam quando ele avançava. Ainda assim, Jesus não deixou de ir às cidades só porque alguns vinham até ele. Muitos ainda não tinham zelo para trazê-lo a outros, por isso, em sua grande bondade, ele ia até eles. Ele se deixa encontrar por aqueles que não o buscavam (Isaías 65:1).

Parece que havia ali uma multidão imensa, um grande número de pessoas reunidas. Havia “peixe” em abundância para sua rede, e ele estava tão pronto e disposto a ensinar quanto eles estavam desejosos de ser ensinados. Nestes versículos encontramos regras e advertências necessárias e valiosas para ouvir a palavra, expostas na parábola do semeador, junto com a explicação e aplicação feitas por Cristo. Já vimos essa parábola em mais detalhes em outros relatos.

Quando Cristo contou essa parábola, os discípulos quiseram saber o que ela significava (Lucas 8:9). Eles perguntaram: “Que parábola é esta?” Nós também devemos desejar profundamente conhecer o pleno sentido da palavra que ouvimos, para não ficarmos confusos nem com entendimento parcial.

Cristo também os fez perceber a grande bênção que tinham por poder aprender o significado da sua palavra, enquanto outros não podiam: “A vós vos é dado” (Lucas 8:10). Aqueles que querem aprender de Cristo devem considerar com atenção que privilégio é ser por ele instruído. É uma bênção especial ser conduzido à luz desta maneira, enquanto outros permanecem em trevas. Somos bem-aventurados e eternamente devedores à graça livre se aquilo que para outros é apenas uma parábola, que só os diverte, para nós se torna verdade clara, trazendo luz, direção e transformação.

Da própria parábola e de sua explicação, devemos notar várias coisas. O coração humano é como o solo para a palavra de Deus. Ele pode receber a semente e produzir fruto, mas, se a semente não for lançada ali, não produzirá nada que valha a pena. Devemos, portanto, nos importar em aproximar a semente e o solo. De que serve a semente das Escrituras se nunca for semeada? E de que serve o “solo” do nosso coração se nunca for plantado com essa semente?

O resultado da semeadura depende muito do tipo de solo. Como é o solo, assim é a resposta à semente. A palavra de Deus é para nós cheiro de vida para vida, ou de morte para morte, conforme a forma como a recebemos.

O diabo é um inimigo astuto e amargo. Ele faz de tudo para nos impedir de tirar proveito da palavra de Deus. Ele tira a palavra do coração dos ouvintes descuidados, para que não creiam e não sejam salvos (Lucas 8:12). Isso nos ensina, primeiro, que não podemos ser salvos sem crer. A palavra do evangelho não nos salvará se não estiver acompanhada de fé. Segundo, mostra que o diabo faz tudo o que pode para nos impedir de crer. Ele tenta nos impedir de crer no que lemos ou ouvimos. Se damos atenção por um momento, ele trabalha para que logo esqueçamos e deixemos escapar (Hebreus 2:1). Se ainda lembramos, ele incita preconceito contra a palavra ou nos distrai com outra coisa. Tudo isso é feito para que não creiamos e não sejamos salvos, e para que ele nos impeça de crer e nos alegrar, enquanto ele mesmo crê e estremece.

Onde a palavra de Deus é ouvida com descuido, muitas vezes também é tratada com desprezo. A parábola diz que a semente que caiu à beira do caminho foi pisada (Lucas 8:5). Aqueles que fecham deliberadamente os ouvidos à palavra, na prática, a pisam aos pés. Eles desprezam o mandamento do Senhor.

Os que recebem alguma impressão da palavra, mas não profunda nem duradoura, mostrarão sua hipocrisia no tempo da prova, como a semente que cai sobre a pedra e não cria raiz (Lucas 8:13). Por algum tempo creem, mas só por pouco. Sua profissão parece prometer algo, mas, quando vem a tentação, afastam-se de seus bons começos. Quer a tentação venha pelos elogios do mundo, quer por suas ameaças, são facilmente vencidos.

Os prazeres desta vida são tão perigosos quanto espinhos que sufocam a boa semente da palavra. Isso é acrescentado aqui (Lucas 8:14), embora não apareça do mesmo modo nos outros Evangelhos. Aqueles que não são presos pelos cuidados desta vida nem enganados pelas riquezas, e até se gabam de estar acima dessas coisas, ainda podem ser impedidos de chegar ao céu por uma preguiça escolhida e por amor ao conforto e ao prazer. Mesmo prazeres lícitos podem arruinar a alma se forem desfrutados demais e amados em excesso.

Não basta que o fruto apareça. Ele precisa chegar à plena maturidade. Se isso não acontece, é como se não houvesse fruto algum. O que Mateus e Marcos chamam de infrutífero, Lucas descreve como não chegando a dar fruto perfeito. A obra não está de fato feita se não prosseguir até o fim.

A boa terra que produz bom fruto é um coração honesto e bom, bem disposto a receber instrução e mandamento (Lucas 8:15). É um coração livre da corrupção pecaminosa dominante e firmemente inclinado para Deus e para o dever. É um coração reto, um coração sensível, um coração que treme diante da palavra. Tal coração ouve a palavra, entende, recebe e guarda. Mateus diz que a entende, Marcos diz que a recebe, e Lucas diz que a guarda. O solo não só recebe a semente, ele a retém. O estômago não só recebe o alimento ou o remédio, ele o conserva.

Onde a palavra é bem guardada, o fruto é produzido com perseverança. Lucas também acrescenta isso. É preciso paciência para sofrer e paciência para esperar. Precisamos de paciência para suportar as aflições e perseguições que podem vir por causa da palavra. Também precisamos de paciência para continuar fazendo o bem até o fim.

Diante de tudo isso, é necessário cuidar de como ouvimos (Lucas 8:18). Devemos vigiar contra tudo o que nos impeça de aproveitar a palavra. Devemos guardar o coração enquanto ouvimos, para que ele não nos engane. Devemos ter cuidado para não ouvir com descuido ou só pela metade. Também devemos nos guardar de qualquer preconceito contra a palavra que ouvimos. E, depois de ouvir, precisamos vigiar de perto nosso espírito, para não perder o que recebemos.

Em seguida, ele dá instruções necessárias tanto para os designados a pregar a palavra como para os que a ouviram. Aqueles que receberam o dom devem usá-lo em serviço aos outros.

Ministros que foram encarregados do evangelho, e crentes que cresceram pela palavra e agora estão em condições de ajudar outros, devem ver a si mesmos como candeias acesas. Ministros devem espalhar sua luz por meio de pregação séria e pública, e os cristãos, por meio de conversas simples e familiares, pois uma candeia não deve ser coberta por um vaso nem colocada debaixo da cama (Lucas 8:16). Ministros e cristãos são chamados a ser luzes no mundo, sustentando a palavra da vida. Sua luz deve brilhar diante das pessoas. Eles não devem apenas ser bons, mas também fazer o bem.

Devemos esperar que o que agora é feito em segredo, e a partir de motivos ocultos, logo será trazido à luz e conhecido (Lucas 8:17). O que foi confiado a você em oculto deve ser tornado conhecido por você, porque o seu Senhor não lhe deu dons para serem enterrados, mas para serem usados. Que o que agora está escondido seja manifestado, porque, se você não o revelar, será revelado contra você, como prova de sua infidelidade.

Os dons que temos serão mantidos ou tirados de nós, dependendo de serem usados para a glória de Deus e para o bem dos irmãos. “Ao que tiver, se lhe dará mais” (Lucas 8:18). A pessoa que tem dons e os usa bem receberá mais. A que enterra o seu talento o perderá. Em Marcos está escrito: “Ao que não tiver, até o que tem lhe será tirado”, e em Lucas: “até o que pensa ter lhe será tirado”. Isso significa que a graça que se perde era apenas aparente, nunca verdadeira graça. As pessoas apenas parecem ter aquilo que não usam, e a mera religião exterior será perdida e abandonada. “Saíram de nós, mas não eram de nós” (1 João 2:19). Devemos assegurar-nos de ter graça em sinceridade, a verdadeira raiz da questão em nosso interior. Essa é a boa parte que nunca será tirada daqueles que de fato a possuem.

Há também grande estímulo para aqueles que se mostram ouvintes fiéis da palavra, fazendo a obra que ela exige. Isso aparece no cuidado especial de Cristo por seus discípulos, quando os colocou acima até de seus parentes mais chegados (Lucas 8:19-21), história que já foi mencionada antes. Note-se, primeiro, como a multidão se apertava em torno de Cristo. Havia tanta gente reunida que era difícil aproximar-se dele, e, ainda assim, eles não deixaram que a multidão os afastasse do seu ensino.

Alguns de seus parentes mais chegados estavam entre os que menos se interessavam em ouvi-lo pregar. Em vez de entrarem e tomarem lugar, como poderiam ter feito se tivessem chegado a tempo e quisessem escutá-lo, ficaram do lado de fora, querendo apenas vê-lo. Provavelmente, por uma preocupação tola de que ele se cansasse demais de tanto falar, pretendiam apenas interrompê-lo e fazê-lo parar.

Jesus preferiu permanecer em sua obra em vez de deixá-la para dar atenção aos seus conhecidos. Ele não interromperia a pregação para falar com sua mãe e seus irmãos, porque fazer a vontade do Pai era o seu prazer. Cristo se alegra em chamar de seus parentes mais próximos e queridos aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a praticam. Esses são mais chegados a ele do que até mesmo sua mãe e seus irmãos.

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