Versículo em destaque

Lucas 24:50 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E levou-os fora, até betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou. "

Lucas 24:50

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48 E destas coisas sois vós testemunhas.

49 E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.

50 E levou-os fora, até betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou.

51 E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu.

52 E, adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Este evangelista não menciona a solene reunião de Cristo com os discípulos na Galileia. Em vez disso, ele reúne, em um só relato, o que Jesus disse ali e em outras ocasiões com o que dissera na primeira visita, na noite do dia da ressurreição. Assim, para concluir, fica apenas a ascensão aos céus a ser descrita, e ele o faz de modo bem sucinto.

Primeiro, ele mostra como Cristo se despediu dos discípulos de maneira solene. Cristo veio para ligar céu e terra e ficar entre ambos como mediador, aquele que reconcilia duas partes. Por isso, de certo modo, precisava pertencer aos dois mundos. Ele veio do céu à terra na encarnação, tomando forma humana para cumprir sua obra aqui; depois de concluí‑la, voltou ao céu para viver ali e levar diante do Pai os interesses do seu povo.

Ele subiu de Betânia, perto de Jerusalém, junto ao monte das Oliveiras. Ali havia prestado grandes serviços para a glória do Pai, e ali entrou em sua própria glória. Foi também naquele entorno que seus sofrimentos começaram. Betânia significa “casa de aflição”, lembrando que quem deseja ir ao céu deve erguer‑se de um lugar de sofrimento e dor; passa‑se pela angústia rumo à alegria. O monte das Oliveiras já havia sido designado, muito antes, como o lugar da ascensão de Cristo, onde “os seus pés estarão sobre o monte das Oliveiras” (Zacarias 14:4). Foi também dali, pouco tempo antes, que ele iniciou sua entrada triunfal em Jerusalém (Lucas 19:29).

As testemunhas de sua ascensão foram os discípulos. Ele os conduziu para fora a fim de o verem. É provável que tenha sido bem cedo, antes de a maioria das pessoas acordar, pois, depois da ressurreição, ele não se mostrou publicamente a todos, mas apenas a testemunhas escolhidas. Os discípulos não o viram sair do túmulo, porque podiam comprovar a ressurreição vendo‑o vivo depois. Mas viram‑no subir ao céu, porque, de outro modo, não poderiam ter testemunho direto da ascensão. Eles foram levados para isso, e mantiveram os olhos fixos nele enquanto subia.

A despedida foi dada com bênção. Ele levantou as mãos e os abençoou. Não partiu em ira, mas em amor. Deixou atrás de si uma bênção. Ergueu as mãos como o sumo sacerdote quando abençoava o povo (Levítico 9:22). Abençoou com autoridade, concedendo a bênção que conquistara. Abençoou‑os como Jacó abençoou seus filhos. Os apóstolos agora representavam as doze tribos, de modo que, ao abençoá‑los, ele abençoava todo o seu Israel espiritual, o seu povo na fé, colocando sobre eles o nome do Pai. Como Jacó e Moisés ao se separarem do povo de Deus, ele mostrou que, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou‑os até o fim.

Ele se apartou deles enquanto os abençoava. Isso não significa que tenha deixado de abençoá‑los ao partir, mas que sua partida não pôs fim à sua bênção. Sua intercessão no céu, sua obra de falar ao Pai em nosso favor, continua essa mesma bênção. Ele começou a abençoá‑los na terra e subiu ao céu para continuar a fazê‑lo. Como estava enviando seus apóstolos a pregar o evangelho ao mundo, deu‑lhes a sua bênção não apenas para eles mesmos, mas para que a transmitissem, em seu nome, a todos os que viessem a crer por meio da sua palavra. Nele seriam benditas todas as famílias da terra.

A ascensão é descrita de forma simples. Ele foi separado deles, tomado de sobre sua cabeça, como Elias foi tomado de Eliseu. A lição é clara: mesmo os amigos mais chegados precisam se separar. Aqueles que nos amam, oram por nós e nos ensinam ainda assim acabam afastados de nós. Não podemos esperar que a presença corporal do próprio Cristo permaneça neste mundo para sempre. Os que o conheceram segundo a carne agora precisavam deixar de conhecê‑lo desse modo.

Ele foi levado para o céu, não por força alheia, mas por seu próprio poder. Assim como ressuscitou dos mortos por seu próprio poder, também subiu por seu próprio poder, ainda que fosse acompanhado por anjos. Não precisou de carro de fogo nem de cavalos de fogo. Ele conhecia o caminho e, sendo o Senhor vindo do céu, podia a ele retornar por si mesmo. Subiu em uma nuvem, como o anjo que subiu na fumaça do sacrifício de Manoá (Juízes 13:20).

Em segundo lugar, os discípulos perseveraram fielmente em adoração e obediência, mesmo depois que ele se apartou deles. Prestaram‑lhe homenagem enquanto partia, mostrando que, embora ele estivesse indo para uma terra distante, continuavam a reconhecê‑lo como seu Rei. Eles o adoraram (Lucas 24:52). Cristo espera adoração daqueles que recebem bênçãos dele. Ele os havia abençoado, e, em gratidão, eles o adoraram. Essa nova manifestação de sua glória despertou neles novo louvor. Eles sabiam que, embora estivesse oculto de sua vista, ainda podia ver e receber a sua adoração. A nuvem que o tirou de diante dos olhos deles não os escondeu dele.

Eles voltaram para Jerusalém com grande alegria. Tinham sido instruídos a permanecer ali até que o Espírito fosse derramado sobre eles, e obedeceram, embora Jerusalém fosse um lugar perigoso para eles. Voltaram e permaneceram ali cheios de alegria. Houve uma mudança notável, que resultou do entendimento deles ter sido aberto. Quando Cristo dissera que precisava partir, a tristeza encheu seus corações. Mas agora, ao vê‑lo ir, ficaram cheios de alegria, porque finalmente compreenderam que seria melhor para eles e para a igreja que ele fosse embora e enviasse o Consolador, o Espírito Santo. A glória de Cristo é a alegria, a grande alegria, de todos os verdadeiros crentes ainda neste mundo, e será muito mais quando forem para a nova Jerusalém e o encontrarem ali em glória.

Enquanto esperavam a promessa do Pai, estavam cheios de devoção (Lucas 24:53). Frequentavam regularmente o templo nos horários de oração. Deus ainda não havia deixado completamente o templo, por isso eles também não o deixaram. Estavam continuamente no templo, como seu Mestre estivera muitas vezes quando se achava em Jerusalém. O Senhor ama as portas de Sião, e assim também devemos amar. Alguns entendem que os discípulos se reuniam em algum aposento do templo, talvez pertencente a algum levita que lhes fosse favorável. Outros julgam isso improvável, porque os principais sacerdotes e líderes dificilmente o permitiriam ou deixariam de perceber.

Eles sabiam que os sacrifícios do templo haviam sido substituídos pelo sacrifício de Cristo, mas ainda participavam dos cânticos do templo. Ao esperar as promessas de Deus, é apropriado recebê‑las com louvor. Louvar e bendizer a Deus nunca é fora de tempo. Nada prepara melhor o coração para receber o Espírito Santo do que a santa alegria e o louvor. O louvor aquieta os temores, suaviza as tristezas e mantém viva a esperança.

A palavra “Amém” no final parece ter sido acrescentada pela igreja e por cada crente quando o evangelho era lido. Ela expressa concordância com as verdades do evangelho e sincera participação com todos os discípulos de Cristo em louvar e bendizer a Deus. Amém, seja ele louvado e bendito para sempre.

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