Versículo em destaque
Lucas 20:27 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E, chegando-se alguns dos saduceus, que dizem não haver ressurreição, perguntaram-lhe, "
Lucas 20:27
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
25 Disse-lhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
26 E não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e, maravilhados da sua resposta, calaram-se.
27 E, chegando-se alguns dos saduceus, que dizem não haver ressurreição, perguntaram-lhe,
28 Dizendo: Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se o irmão de algum falecer, tendo mulher, e não deixar filhos, o irmão dele tome a mulher, e suscite posteridade a seu irmão.
29 Houve, pois, sete irmãos, e o primeiro tomou mulher, e morreu sem filhos;
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Essa discussão com os saduceus aparece antes no Evangelho, quase com as mesmas palavras, embora aqui Jesus explique a vida futura em mais detalhes. Em todas as épocas existem pessoas de mente corrompida que tentam destruir as verdades básicas da religião revelada. Hoje há aqueles que se dizem pensadores livres, mas na verdade pensam de forma enganosa sobre Deus. No tempo de Jesus havia os saduceus, um grupo judeu que zombava do ensino sobre a ressurreição dos mortos e a vida futura, embora esses temas estivessem claramente ensinados no Antigo Testamento e fizessem parte da fé de Israel.
Os saduceus negavam que houvesse ressurreição, vida futura ou continuidade da alma. Rejeitavam todo o mundo invisível dos espíritos e qualquer recompensa ou juízo futuros pelas obras praticadas no corpo. Se isso é tirado, toda a religião desmorona. Quando as pessoas querem enfraquecer uma verdade de Deus, muitas vezes a confundem e acumulam sobre ela perguntas difíceis. Foi exatamente isso que os saduceus fizeram.
Quando quiseram abalar a fé na ressurreição, apresentaram um caso que, na cabeça deles, não tinha resposta satisfatória. A história podia ser real ou, pelo menos, poderia ter acontecido: uma mulher teve sete maridos em sucessão. Eles perguntaram: “Na ressurreição, de qual deles será esposa?” Mas essa pergunta fugia do ponto principal, porque a morte encerra essa relação conjugal, e ela não é retomada.
Há uma grande diferença entre a vida neste mundo e a vida no céu, uma diferença enorme entre este século e o vindouro. Deturpamos a verdade de Cristo quando tentamos descrever o mundo dos espíritos a partir apenas do que conhecemos deste mundo visível e palpável. Nesta vida presente as pessoas se casam e são dadas em casamento. Isso é verdade para os filhos deste século, tanto bons quanto maus. Grande parte da vida aqui se ocupa em formar famílias e sustentá‑las. Muito do nosso prazer também vem dos relacionamentos, especialmente entre marido, esposa e filhos.
O casamento é um dom de Deus para esta vida, em que vivemos em corpos. É também uma proteção contra o pecado sexual, de modo que nossos desejos naturais sejam guiados e controlados, e não se tornem algo meramente animal. As pessoas neste mundo estão morrendo e saindo de cena; por isso se casam e têm filhos, para que a raça humana continue. Uma geração passa, outra vem. E desejam deixar seus próprios filhos como descendência, sobretudo porque o casamento é ordenado para formar uma descendência piedosa, um povo que sirva ao Senhor, uma geração que pertença a Ele (Malaquias 2:15).
O mundo vindouro é algo muito diferente. Ele é chamado de “aquele mundo” com peso e ênfase especiais. Nesse sentido, há dois mundos: o presente, visível, e o futuro, invisível. Cada um de nós deve compará‑los e dar, em seus pensamentos e cuidados, o primeiro lugar ao mundo que de fato merece.
Quem viverá naquele mundo? Serão os que forem julgados dignos de o alcançar, isto é, os que pertencem a Cristo, que comprou para nós aquele mundo, e que foram preparados para ele pelo Espírito, cuja obra é justamente nos habilitar para a glória. Não se trata de uma dignidade adquirida pela lei, por algo que tenhamos feito. É uma dignidade do evangelho, baseada no preço infinito que Cristo pagou para redimir o que comprou. Assim como somos considerados justos pela justiça de Cristo, também somos considerados aptos para a glória por sua graça. Eles são tornados adequados para aquele mundo: a velha corrupção de sua natureza é removida, e a graça de Deus molda de novo seus corações para aquela vida. Pela graça eles são feitos e tidos por dignos de alcançar aquele mundo, o que também sugere que devemos caminhar em sua direção com esforço e cuidado, pois há perigo de perdê‑lo. Devemos correr de tal maneira que o alcancemos.
Eles obterão a ressurreição dos mortos, isto é, a ressurreição bem‑aventurada. A ressurreição de condenação, que Jesus chama de ressurreição de juízo (João 5:29), é na verdade um levantar‑se para a morte, uma segunda e eterna morte. Ninguém consegue descrever ou imaginar plenamente a felicidade daquele mundo (1 Coríntios 2:9). Mas Cristo nos dá alguns pontos que podemos saber sobre ele.
Primeiro, na ressurreição não se casam nem se dão em casamento. Os que entram no gozo do seu Senhor ficarão totalmente satisfeitos com esse gozo e não precisarão da alegria especial de noivo e noiva. O amor naquele mundo é inteiramente celestial, e supera os amores mais puros e doces que conhecemos aqui neste mundo sensível. Ali, o próprio corpo será corpo espiritual, de modo que todos os prazeres dos sentidos deixarão de existir. E onde a santidade é perfeita, o casamento já não é necessário como proteção contra o pecado. Nada que contamine entra na nova Jerusalém.
Segundo, eles não podem mais morrer, e este é um dos motivos pelos quais não se casam. Neste mundo de morte, o casamento é necessário porque a morte abre, sem cessar, lacunas que precisam ser preenchidas. Mas onde não há funerais, não há necessidade de casamentos. Essa é parte da consolação daquele mundo: ali não há mais morte. A morte estraga toda beleza e enfraquece todo consolo neste mundo. Aqui a morte reina; lá, será excluída para sempre.
Terceiro, eles serão iguais aos anjos. Nos outros Evangelhos se diz que serão como os anjos; aqui se diz que serão iguais a eles, companheiros dos anjos. Sua glória e alegria não serão em nada inferiores às dos santos anjos. Verão a mesma visão, participarão da mesma obra e compartilharão as mesmas alegrias com os anjos santos. Quando os santos chegam ao céu, são recebidos ali como cidadãos. Por natureza eram estrangeiros, mas Cristo pagou o grande preço de sua liberdade, e agora têm os mesmos privilégios daqueles que “nasceram” ali, os anjos que pertencem àquele país por natureza. Serão companheiros dos anjos, conversarão com esses espíritos bem‑aventurados que tanto os amam, junto com uma multidão incontável à qual já estão unidos pela fé, pela esperança e pelo amor.
Quarto, eles são filhos de Deus, e nisso se assemelham aos anjos, que também são chamados filhos de Deus. Então a herança dos filhos será plenamente completada na adoção consumada. É por isso que os crentes são descritos como esperando a adoção, isto é, a redenção do corpo (Romanos 8:23). Enquanto o corpo permanece no túmulo, a adoção ainda não está completa. Mesmo agora já somos filhos de Deus (1 João 3:2).
Temos agora a natureza e a disposição de filhos, mas isso não estará completo até chegarmos ao céu. Eles são filhos da ressurreição, isto é, são preparados para a obra e para a alegria da vida vindoura. Nascem para aquele mundo, pertencem àquela família, foram treinados para isso aqui, e receberão ali sua herança. São também filhos de Deus porque são filhos da ressurreição. Deus reconhece como seus filhos apenas aqueles que são filhos da ressurreição, nascidos do alto, ligados ao mundo dos espíritos e preparados para aquele mundo.
É certo que há outra vida depois desta, e Deus deu prova clara disso nos primórdios da história do seu povo (Lucas 20:37, Lucas 20:38). Moisés demonstrou isso quando, na sarça ardente, chamou o Senhor pelo nome com que o próprio Senhor se revelou: Deus de Abraão, Deus de Isaque e Deus de Jacó. Abraão, Isaque e Jacó há muito tempo estavam mortos para este mundo; seus corpos tinham se tornado pó na cova de Macpela. Como, então, Deus poderia dizer, não “eu fui”, mas “eu sou” o Deus de Abraão? Não faz sentido o Deus vivo, a fonte da vida, manter essa relação com eles se fossem apenas ossos e pó em uma caverna. Precisamos concluir que eles continuavam vivos em outro mundo, porque Deus não é Deus de mortos, mas de vivos.
Lucas acrescenta: “pois para ele todos vivem”, isto é, todos os verdadeiros crentes vivem para Deus nesse sentido. Ainda que morram, vivem. Suas almas voltam a Deus que as deu (Eclesiastes 12:7) e vivem para Ele como o Pai dos espíritos. Seus corpos também viverão de novo no fim dos tempos pelo poder de Deus, pois Ele chama à existência as coisas que não existem, como se já existissem, porque é o Deus que vivifica os mortos (Romanos 4:17). Mas há ainda mais aqui. Quando Deus se chamou de Deus desses patriarcas, queria dizer que era a felicidade e a porção deles, um Deus plenamente suficiente para eles (Gênesis 17:1), e o seu galardão sobremodo grande (Gênesis 15:1). A história deles mostra que Ele não lhes deu, nesta vida, o cumprimento pleno dessa promessa. Logo, precisa haver outra vida depois desta, em que Ele fará por eles tudo o que sua promessa realmente significa, e pagará por inteiro o que empenhou quando disse que seria o Deus deles. Ele pode fazer isso, porque todos vivem para Ele, e Ele tem o suficiente para fazer feliz toda alma que vive para Ele: suficiente para todos e suficiente para cada um.
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Deste capítulo
Lucas 20:1
"E aconteceu num daqueles dias que, estando ele ensinando o povo no templo, e anunciando o evangelho, sobrevieram os principais dos sacerdotes e os escribas com os anciãos,"
Lucas 20:2
"E falaram-lhe, dizendo: Dize-nos, com que autoridade fazes estas coisas? Ou, quem é que te deu esta autoridade?"
Lucas 20:3
"E, respondendo ele, disse-lhes: Também eu vos farei uma pergunta: Dizei-me pois:"
Lucas 20:4
"O batismo de João era do céu ou dos homens?"
Lucas 20:5
"E eles arrazoavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que o não crestes?"
Lucas 20:6
"E se dissermos: Dos homens; todo o povo nos apedrejará, pois têm por certo que João era profeta."
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