Versículo em destaque

Lucas 13:23 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E disse-lhe um: Senhor, são poucos os que se salvam? E ele lhe respondeu: "

Lucas 13:23

menu_book Versículo no contexto

21 É semelhante ao fermento que uma mulher, tomando-o, escondeu em três medidas de farinha, até que tudo levedou.

22 E percorria as cidades e as aldeias, ensinando, e caminhando para Jerusalém.

23 E disse-lhe um: Senhor, são poucos os que se salvam? E ele lhe respondeu:

24 Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão.

25 Quando o pai de família se levantar e cerrar a porta, e começardes, de fora, a bater à porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos; e, respondendo ele, vos disser: Não sei de onde vós sois;

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui, em primeiro lugar, temos uma pergunta dirigida ao Senhor Jesus. Não é dito quem a fez, se um amigo ou um inimigo. Ele dava liberdade para que as pessoas lhe fizessem perguntas, e ao mesmo tempo respondia também aos pensamentos ocultos e aos motivos do coração. A pergunta foi: São poucos os que se salvam? (Lucas 13:23). Pode ter sido uma pergunta maliciosa, feita para colocá-lo numa armadilha e prejudicar sua reputação. Se ele dissesse que muitos seriam salvos, poderiam acusá-lo de facilitar demais as coisas e baratear a salvação; se dissesse que poucos, poderiam acusá-lo de ser duro e estreito.

Também pode ter sido uma pergunta curiosa, mais voltada para especulação do que para obediência. Talvez ele estivesse discutindo esse assunto com outros e trouxe a questão a Cristo. Muitos se interessam mais em perguntar quem será salvo e quem não será, do que em perguntar o que devem fazer para ser salvos. É comum perguntar: “Tal pessoa pode ser salva?” Mas é uma boa notícia saber que podemos ser salvos sem ter resposta para cada uma dessas questões.

Ou talvez fosse uma pergunta de espanto. Ele poderia ter pensado em quão rigorosa é a lei de Cristo e em quão pecador é o mundo, e se admirado de como tão poucos poderiam ser salvos. Temos motivo para nos espantar que tantos ouçam a palavra da salvação, e ainda assim tão poucos a recebam como palavra salvadora. Ou pode ter sido uma pergunta sincera e prática: Se poucos são salvos, o que isso significa para mim? Todos devemos usar a verdade sobre a pequenez do número dos salvos de maneira séria e pessoal.

A resposta de Cristo nos mostra como usar essa verdade. Ele não deu um número direto, porque veio para guiar consciências, não para satisfazer curiosidades. Não pergunte: “Quantos serão salvos?” Antes pergunte: “Serei eu um deles?” Não se ocupe apenas com o que acontecerá com os outros. Pergunte: “O que devo fazer, e o que será de mim?”

Em sua resposta, Jesus dá uma ordem que desperta: “Porfiai por entrar pela porta estreita” (Lucas 13:24). Isso foi dito a todos, não apenas ao homem que perguntou. Todos os que hão de ser salvos precisam passar pela porta estreita. Isso implica uma mudança de vida completa, tão profunda quanto nascer de novo, e submeter-se a um padrão de vida rigoroso. Os que querem entrar precisam se esforçar seriamente. Chegar ao céu é coisa grave e não será alcançado sem cuidado, esforço, dificuldade e perseverança.

Devemos lutar com Deus em oração, como Jacó lutou com Deus. Devemos lutar contra o pecado e contra Satanás. Devemos lutar em cada dever da religião. E devemos ainda lutar contra o nosso próprio coração. A ideia é que devemos nos “agoniar”, como corredores que se empenham por um prêmio, usando todas as forças.

Cristo então acrescenta vários avisos para sustentar essa ordem. Se pensarmos em quantos fazem algum esforço em direção à salvação e ainda assim perecem por não irem longe o bastante, veremos ao mesmo tempo que poucos são salvos e que precisamos lutar. “Muitos procurarão entrar, e não poderão” (Lucas 13:24). Eles procuram, mas não porfiam. Muitos perdem a graça e a glória porque se contentam com uma busca fácil e preguiçosa por aquilo que só se alcança com esforço intenso.

Essas pessoas podem ter um desejo real de felicidade e uma boa opinião sobre a santidade. Podem até dar alguns passos corretos em direção a ambas. Mas suas convicções são fracas. Não meditam seriamente no que sabem e creem. Por isso, seus desejos permanecem frios, seus esforços fracos, e suas resoluções sem força nem firmeza. No fim, ficam aquém e perdem o prêmio por não prosseguirem. Cristo afirma isso com sua própria autoridade: “Digo-vos que…”. Podemos confiar em sua palavra, pois ele conhece tanto o conselho de Deus quanto o coração humano.

Pense também no dia que vem, quando as decisões serão tomadas, e então se verá por que poucos são salvos e por que precisamos lutar. “Quando o pai de família se levantar e cerrar a porta” (Lucas 13:25). Cristo é o pai de família. Ele observa todos que entram e saem no meio do seu povo. Por enquanto, pode parecer que as coisas permanecem abertas. Mas chegará o dia em que ele se levantará e fechará a porta.

Será uma porta de separação. Hoje, na vida externa da igreja, estão misturados os professos carnais, que dizem crer mas permanecem mundanos, e os professos espirituais, todos nos mesmos atos exteriores de culto. A porta permanece aberta entre eles, e parecem iguais nas práticas religiosas externas. Mas quando o pai de família se levantar, a porta será fechada entre uns e outros. Os que estiverem no átrio de fora ficarão de fora, e os que estiverem fora da santidade permanecerão como estão. A porta separará o precioso do vil, de modo que os pecadores não poderão mais se manter no meio dos justos.

Também será uma porta de recusa e exclusão. A porta da misericórdia e da graça por muito tempo permaneceu aberta para eles, mas não quiseram entrar. Não quiseram depender desse favor. Esperavam subir por outro caminho e alcançar o céu por seu próprio mérito. Assim, quando o pai de família se levantar, com justiça fechará essa porta. Não devem esperar entrar por ela então, mas serão deixados ao resultado da própria escolha. Do mesmo modo, quando Noé esteve seguro dentro da arca, Deus fechou a porta para manter de fora todos os que confiavam em seus próprios abrigos diante do dilúvio.

Pense ainda em quantas pessoas serão rejeitadas, embora estivessem muito seguras de que seriam salvas. Sua confiança falhará, e então se verá como são poucos os salvos. Devemos todos ser levados a porfiar. Considere quão certos estavam de ser admitidos, já ali à porta do céu.

Ali permanecem e batem, batendo como se tivessem direito de entrar e como se fizessem parte da casa. Dizem: “Senhor, Senhor, abre-nos”, como se tivessem algum título para ser recebidos entre os salvos, por terem se juntado exteriormente a eles. Muitos se perdem porque construíram sua esperança do céu sobre um alicerce falso, e nunca o examinaram. Como nunca duvidaram, julgaram que sua condição era segura.

Chamam a Cristo de “Senhor” como se o tivessem servido, e repetem “Senhor, Senhor” para mostrar urgência. Agora querem entrar pela porta que antes trataram com descuido. De bom grado se juntariam àqueles cristãos sérios que antes desprezavam em segredo. Sua súplica soa ousada, mas não se apoia em fundamento sólido.

Que razões apresentam para essa confiança? Em (Lucas 13:26), dizem que comeram e beberam na presença de Cristo. Tiveram o privilégio de ser seus convidados e participar de sua bondade. Judas Iscariotes, um dos discípulos de Jesus, comeu pão com Cristo e molhou com ele no mesmo prato. Hipócritas, escondidos atrás da religião externa, podem até participar da Ceia do Senhor e comer do pão dos filhos como se fossem filhos de Deus.

Eles também dizem: “Ensinaste nas nossas ruas.” Tinham ouvido o ensino de Cristo, conheciam sua doutrina e sua lei. Tratam isso como um favor especial e supõem que isso deve contar agora como garantia de favor. Seu pensamento é: “Ensinar-nos-ias, e depois não nos salvarias?” Mas ouvir a verdade não é prova de graça salvadora.

Sua confiança falhará, e todos os seus argumentos serão rejeitados como inúteis. Cristo dirá: “Não vos conheço, nem sei de onde sois” (Lucas 13:25). E repete: “Não vos conheço, apartai-vos de mim” (Lucas 13:27). Ele não está negando que realmente comeram e beberam em sua presença, ou que tenha ensinado em suas ruas. Está mostrando que essas coisas externas nunca significaram amizade verdadeira com ele.

Primeiro, ele os desautoriza. “Não vos conheço” quer dizer: “Vocês não pertencem à minha família.” O Senhor conhece os que são seus, mas não reconhece como seus os que não o são. Eles não procedem dele, não fazem parte de sua casa, não são ramos de sua videira. Ele nada tem com eles como seu povo.

Depois ele os lança fora. “Apartai-vos de mim” é a miséria do inferno em si, porque o pior do inferno é a separação de Cristo. Significa: “Afastem-se da minha porta, aqui não há nada para vocês, nem mesmo uma gota de água.” Essa sentença é terrível porque os exclui do Salvador para sempre.

Em seguida, ele declara a razão desse juízo: “Vós todos os que praticais a iniquidade.” A ruína deles está em terem fingido piedade enquanto viviam secretamente no pecado. Sob a máscara da religião, serviram ao diabo vestindo o uniforme de Cristo. Sua profissão exterior encobria uma vida ainda inclinada ao mal.

Seu castigo será terrível. Haverá pranto e ranger de dentes, a mais profunda dor e indignação (Lucas 13:28). E o que tornará essa tristeza ainda mais aguda será a visão de outros desfrutando a felicidade que eles perderam. Verão Abraão, Isaque, Jacó e os profetas no reino de Deus, enquanto eles mesmos são lançados fora. Os santos do Antigo Testamento estão no reino de Deus, porque receberam o benefício do Messias antes de sua vinda, olhando adiante para o seu dia.

Isso também mostra que algumas pessoas que viveram depois da vinda de Cristo ficarão de fora do reino. Elas talvez tenham presumido que estavam seguras e até avançado com confiança, mas serão excluídas em vergonha. Não terão parte nem herança nele. O que torna sua miséria ainda pior é que verão os profetas que desprezaram e rejeitaram, e verão a si mesmas, antes tão seguras de si, lançadas fora. Essa é uma visão que faz as pessoas rangerem os dentes de fúria e arrependimento (Salmo 112:10).

É preciso considerar também quem será salvo no fim. Virão pessoas do oriente e do ocidente, e os últimos serão os primeiros (Lucas 13:29, Lucas 13:30). As palavras de Jesus mostram que apenas alguns daqueles que nós acharíamos mais prováveis de serem salvos realmente o serão. Mas não se deve concluir disso que o evangelho é inútil. Mesmo que Israel, como nação, não seja reunido, Cristo continuará sendo glorioso. Muitos do mundo gentio, pessoas de fora de Israel, serão trazidos para o reino da graça agora e para o reino da glória depois.

Quando chegarmos ao céu, encontraremos muitas pessoas que nunca imaginaríamos ver ali. E sentiremos falta de muitas que julgávamos, com certeza, que estariam lá. Os que se assentam no reino de Deus muitas vezes são aqueles que tiveram de viajar longe e lutar muito para chegar ali. Vieram do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e enfrentaram muitos obstáculos e desânimos. Isso mostra que quem deseja entrar nesse reino precisa esforçar-se para entrar, como a rainha de Sabá, que veio de longe para ouvir a sabedoria de Salomão.

Os que agora trabalham no serviço de Deus e da verdadeira religião em breve descansarão no reino de Deus. Muitos que pareciam tão promissores para o céu ficarão aquém, enquanto outros que pareciam estar muito atrás alcançarão o prêmio. Isso deve nos mover a um esforço santo. Devemos ser despertados pelo zelo e pela prontidão de outros, assim como Paulo desejava que os judeus fossem provocados pelo exemplo dos gentios (Romanos 11:14). Se outros podem avançar e entrar, por que eu também não haveria de me esforçar?

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