Versículo em destaque
Lucas 13:10 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E ensinava no sábado, numa das sinagogas. "
Lucas 13:10
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
8 E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque;
9 E, se der fruto, ficará e, se não, depois a mandarás cortar.
10 E ensinava no sábado, numa das sinagogas.
11 E eis que estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; e andava curvada, e não podia de modo algum endireitar-se.
12 E, vendo-a Jesus, chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade.
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Aqui vemos a cura milagrosa de uma mulher que há muito tempo sofria de um espírito de enfermidade. Nosso Senhor Jesus passava os seus sábados nas sinagogas (Lucas 13:10). Devemos considerar seriamente o dever de fazer o mesmo sempre que pudermos, e não imaginar que podemos guardar o dia do Senhor do mesmo modo ficando em casa, ainda que com um bom livro. As reuniões públicas de adoração são instituição do próprio Deus, e devemos apoiá‑las, mesmo que apenas poucos estejam presentes.
Quando ele estava na sinagoga no sábado, ali ele ensinava; o verbo indica uma ação contínua. Ele persistia em ensinar o povo e transmitir conhecimento. Ensinar era o seu lugar natural, o ambiente ao qual pertencia. Para confirmar a verdade que pregava, e mostrar que ela era digna de confiança e de plena aceitação, realizou um milagre de misericórdia.
Em primeiro lugar, a pessoa necessitada era uma mulher na sinagoga que havia dezoito anos estava aflita com um espírito de enfermidade (Lucas 13:11). Um espírito maligno, permitido por Deus, trouxera esse mal sobre ela. Isso a mantinha curvada, presa por fortes contrações, de modo que ela não podia endireitar‑se de forma alguma. Depois de tantos anos, a doença estava além de qualquer cura humana. Ela não podia ficar ereta, o que faz parte da dignidade do ser humano em contraste com os animais.
Embora o seu corpo estivesse deformado e a fizesse parecer desprezível, e embora possamos supor que isso lhe causasse grande dor, ainda assim ela ia à sinagoga no sábado. Isso mostra que fraquezas do corpo não deveriam nos afastar do culto público, a menos que sejam realmente graves. Deus pode nos socorrer de maneiras que não esperamos.
A misericórdia de Cristo se vê claramente nisto: ele lhe ofereceu cura sem que ela pedisse. Quando Jesus a viu, chamou‑a para si (Lucas 13:12). Nada indica que ela tivesse ido esperando receber alguma ajuda dele. Antes que ela clamasse, ele respondeu. Ela tinha ido para ouvir o seu ensino e buscar bem para a sua alma, e então Cristo também aliviou o seu corpo. Aqueles que fazem do bem da alma sua primeira e maior preocupação, geralmente acabam beneficiando mais o próprio corpo, porque as demais necessidades também lhes são supridas. No evangelho, Cristo chama os que labutam sob fraquezas espirituais a irem a ele para serem curados; e, se ele nos chama, certamente nos socorrerá quando nos aproximamos dele.
A cura foi imediata e completa, mostrando o seu poder onipotente. Ele impôs as mãos sobre ela e disse: “Mulher, estás livre da tua enfermidade.” Embora tivesse sofrido por tanto tempo, afinal foi libertada. Ninguém deve desesperar apenas porque uma doença se prolongou. Deus pode socorrer ao final; ainda que pareça demorar, devemos continuar esperando nele.
Embora ela estivesse debaixo de um espírito de enfermidade, e esse espírito fosse maligno, Cristo tem poder maior do que Satanás. Ele é mais forte do que aquele que a mantivera cativa. Embora ela não pudesse se levantar, Cristo podia levantá‑la e fazê‑la ficar de pé. A que estivera curvada foi endireitada imediatamente, cumprindo‑se a Escritura: “O Senhor levanta os que estão abatidos” (Salmo 146:8).
Essa cura ilustra a obra da graça de Cristo na alma do seu povo. Na conversão de pecadores, corações impuros estão sob enfermidade semelhante. Estão “tortos”, com as faculdades da alma desordenadas. O coração pende para baixo, em direção às coisas terrenas. Não consegue elevar‑se a Deus e ao céu, porque a inclinação natural da alma é contrária. Essas almas curvadas não procuram a Cristo, mas ele as chama para si, estende sobre elas a mão do seu poder e de sua graça, e pronuncia uma palavra de cura. Ele as liberta da fraqueza, endireita a alma, restaura a ordem, eleva‑a acima das preocupações mundanas e orienta seus desejos e objetivos para o céu. Ainda que o homem não possa endireitar o que Deus fez torto (Eclesiastes 7:13), a graça de Deus pode endireitar o que o pecado humano entortou.
Também é um retrato do consolo dado ao povo de Deus. Muitos de seus filhos permanecem por longo tempo sob um espírito de fraqueza, um espírito de servidão, em que tristezas e temores oprimem suas almas. Estão aflitos, profundamente abatidos, e andam lamentando o dia todo (Salmo 38:6). Mas Cristo, pelo seu Espírito de adoção, em tempo oportuno os liberta dessa fraqueza e os levanta.
A cura também produziu efeito imediato na alma, e não apenas no corpo. Ela glorificou a Deus, dando‑lhe o louvor pela sua cura, porque todo louvor pertence a ele. Quando almas curvadas são endireitadas, isso aparece em que passam a glorificar a Deus.
Em segundo lugar, o principal da sinagoga se escandalizou com isso, como se Jesus tivesse feito algo terrível ao curar a mulher. Ele se indignou porque isso aconteceu no sábado (Lucas 13:14). Poderíamos supor que o próprio milagre o teria convencido, e que o fato de ter sido realizado no sábado não diminuiria essa convicção. Mas que luz pode brilhar tão clara ou fortemente que um espírito cheio de preconceito, hostil a Cristo e ao seu evangelho, não feche os olhos para ela?
Jamais se fizera honra maior à sinagoga que ele dirigia do que a que Cristo acabara de realizar ali, e no entanto ele ficou irado. Não ousou atacar Cristo diretamente, mas falou ao povo, mirando em Jesus por meio de suas palavras: “Seis dias há em que é mister trabalhar; nestes, pois, vinde para serdes curados, e não no dia de sábado.” Ele menosprezou os milagres de Cristo, como se fossem truques comuns, do tipo que curandeiros itinerantes faziam todos os dias. Aos seus olhos, a cura realizada por Cristo tornou‑se algo banal.
Além disso, ele estendeu a lei muito além de seu sentido, ou de qualquer interpretação justa, tratando um toque de cura ou uma palavra de poder como o tipo de “trabalho” proibido no sábado. Era claramente obra de Deus, e, quando Deus nos separou do trabalho nesse dia, teria ele se separado de sua própria obra? A palavra hebraica que pode significar tanto “piedoso” quanto “misericordioso” mostra que obras de misericórdia e bondade estão intimamente ligadas às obras de devoção e, portanto, são muito próprias para o sábado.
Em terceiro lugar, Cristo defendeu o que havia feito (Lucas 13:15). O Senhor respondeu a ele como já respondera a outros que apresentaram queixas parecidas. Chamou‑o de hipócrita. Como Cristo conhece o coração, ele pode chamar os hipócritas pelo nome, onde para nós isso seria presunção. Nós devemos julgar com bondade, apenas pelo que aparece externamente. Cristo sabia que aquele homem de fato o odiava, bem como ao seu evangelho, e que escondia esse ódio sob um falso zelo pelo sábado. Sabia também que, quando o principal dizia ao povo que viesse nos outros seis dias para ser curado, no fundo não queria que fossem curados em dia nenhum. Cristo poderia tê‑lo desmascarado diretamente, mas preferiu argumentar com ele.
Ele apela a uma prática judaica comum que jamais fora proibida: dar água ao gado no sábado. Os animais guardados no estábulo eram regularmente soltos no sábado e levados à água. Seria crueldade não fazê‑lo, pois o homem misericordioso cuida até da vida do seu animal, especialmente daquele que o serve. Obrigar o gado a “descansar” no sábado, como exigia a lei, seria pior do que colocá‑lo a trabalhar, se isso incluísse deixá‑lo sem comida e sem água, como os animais de Nínive no dia de jejum, quando não lhes foi permitido comer nem beber (Jonas 3:7).
Então ele aplica isso ao caso presente (Lucas 13:16). Se um boi ou um jumento podia receber cuidado no sábado, com o tempo e o esforço de soltá‑lo da estrebaria, levá‑lo à água e trazê‑lo de volta, não deveria esta mulher ser libertada de um fardo muito maior com apenas um toque e uma palavra? Ela é filha de Abraão, parte do povo que todos honravam. É irmã deles, e deveria ser privada de uma bondade que eles concederiam prontamente a um boi ou a um jumento, ainda que isso significasse abrir mão de um pouco de seu rigor sabático? Como filha de Abraão, ela também tem direito às bênçãos do Messias, ao alimento que pertence aos filhos de Deus.
Ela é também alguém a quem Satanás havia ligado. O diabo tivera parte no seu sofrimento, de modo que libertá‑la não era apenas ato de misericórdia para com uma pobre mulher, mas também ato de devoção a Deus, pois quebrava o poder do diabo e o derrotava. Ela estivera nessa triste condição por dezoito anos; tendo surgido a oportunidade de libertá‑la, não deveria ser adiada por mais um dia. Qualquer deles consideraria dezoito anos de sofrimento tempo mais do que suficiente.
Isso produziu efeito bem diferente no povo que o ouviu. Ele demonstrara claramente que era lícito, e até correto, curar aquela pobre mulher no sábado, e fazê‑lo abertamente na sinagoga, diante de todos. Em primeiro lugar, isso trouxe confusão à má vontade de seus inimigos. Quando ele disse essas coisas, todos os seus adversários ficaram envergonhados (Lucas 13:17). Ficaram em silêncio, contrariados por não terem o que responder. Sua vergonha não os levou ao arrependimento, mas à ira. No fim, todos os inimigos de Cristo, de sua doutrina e de seus milagres serão cobertos de vergonha.
Em segundo lugar, isso fortaleceu a fé dos seus amigos. Todo o povo, que via as coisas com mais justiça do que seus líderes, alegrava-se por todas as obras gloriosas que ele fazia. A vergonha dos seus inimigos transformou-se em alegria para os seus seguidores. Aquilo de que um lado se ressentia, o outro lado celebrava.
As obras de Cristo eram obras gloriosas e, ainda que às vezes pareçam ocultas por um tempo, são dignas da nossa alegria. Tudo o que traz honra a Cristo é consolo para os cristãos.
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Deste capítulo
Lucas 13:1
"E, Naquele mesmo tempo, estavam presentes ali alguns que lhe falavam dos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios."
Lucas 13:2
"E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas?"
Lucas 13:3
"Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis."
Lucas 13:4
"E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém?"
Lucas 13:5
"Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis."
Lucas 13:6
"E dizia esta parábola: Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando;"
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