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Lucas 1:5 - Significado e aplicação
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Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Existiu, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas de Arão; e o seu nome era Isabel. "
Lucas 1:5
O que significa Lucas 1:5?
Lucas 1:5 situa a história de Zacarias e Isabel em um momento real, sob o governo de Herodes, mostrando que Deus age em tempos difíceis e políticos confusos. Mesmo em ambientes injustos, como um emprego opressor ou crise familiar, a fidelidade de Deus alcança pessoas comuns e transforma sua história.
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Versículo no contexto
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3 Pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelente Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio;
4 Para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado.
5 Existiu, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas de Arão; e o seu nome era Isabel.
6 E eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão em todos os mandamentos e preceitos do Senhor.
7 E não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e ambos eram avançados em idade.
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Os dois primeiros evangelhos começam com o batismo de João e com o início do seu ministério, que se deu cerca de seis meses antes do início público do ministério do nosso Salvador. Como o grande ponto de virada da história estava tão perto, aqueles seis meses tinham um significado especial, embora parecessem pouco antes disso. Lucas, porém, deseja relatar com mais plenitude a concepção e o nascimento de Jesus; por isso ele recua ainda mais no tempo e começa com João Batista, o arauto e precursor de Jesus, como a estrela da manhã que aparece antes do Sol da Justiça.
Ele procede assim em parte porque é natural que as pessoas queiram conhecer o contexto e a origem de grandes personagens. Mas também porque a vida inicial de João, como a do próprio Jesus, foi marcada por muitos milagres e sinais do que viriam a ser. Assim, o escritor inspirado começa pela concepção de João e nos apresenta a história de seus pais.
Eles viviam nos dias de Herodes, rei, isto é, governante da Judeia, um estrangeiro colocado ali pelos romanos, que recentemente haviam incorporado a Judeia ao império. Isso é importante, pois mostra que o governo de Judá havia chegado ao seu declínio completo, e o tempo havia chegado para que aparecesse Siló, o governante prometido, segundo a profecia de Jacó (Gênesis 49:10). A casa de Davi se encontrava abatida justamente quando estava prestes a se erguer de novo no Messias.
Não devemos perder a esperança quanto à verdadeira religião, mesmo quando a liberdade civil se vai. Israel era oprimido, e ainda assim a glória de Israel estava prestes a manifestar-se. O pai de João, Zacarias, era sacerdote, filho de Arão. Nenhuma família foi tão honrada por Deus quanto a de Arão e a de Davi: a primeira recebeu a aliança do sacerdócio, a segunda, a aliança da realeza.
Ambas as linhagens falharam em manter a honra recebida, mas o evangelho lhes restitui honra em seus últimos dias. A casa de Arão é honrada em João Batista, e a de Davi em Cristo. Depois disso, ambas desaparecem de cena. Cristo vem da casa de Davi, e seu precursor vem da casa de Arão, pois a obra sacerdotal de Cristo abriu o caminho para o exercício da sua autoridade real.
Zacarias era da ordem de Abias. Nos dias de Davi, os descendentes de Arão foram divididos em vinte e quatro turnos, para que o serviço fosse feito com boa organização. O oitavo turno era o de Abias (1 Crônicas 24:10), descendente de Eleazar, o filho mais velho de Arão. Alguns estudiosos pensam que muitas famílias sacerdotais se perderam no exílio; por isso, depois do retorno, mantiveram-se os antigos nomes dos turnos, ainda que algumas linhas familiares tivessem se alterado.
A esposa de Zacarias também era da linhagem de Arão, e seu nome era Isabel, o mesmo nome que Eliseba, esposa de Arão (Êxodo 6:23). Diz Josefo que os sacerdotes tinham cuidado de se casar dentro da própria família, para preservar a dignidade do sacerdócio. O que se afirma de Zacarias e Isabel é especialmente importante: eram um casal profundamente piedoso.
Ambos eram justos diante de Deus, isto é, a sua retidão era real, não apenas exterior. Agradavam àquele cujo juízo é verdadeiro. São verdadeiramente justos os que são justos diante de Deus, como Noé na sua geração (Gênesis 7:1). Viviam de modo a obter a aprovação de Deus, e ele, em sua graça, os aceitava.
É uma grande bênção quando marido e mulher são ambos unidos ao Senhor. Isso é especialmente conveniente para os sacerdotes, ministros do Senhor, e para suas esposas: que sejam justos diante de Deus, para servirem de exemplo ao povo e de alegria um para o outro. Eles andavam em todos os mandamentos e preceitos do Senhor, irrepreensíveis.
Sua justiça se via em todo o padrão de vida, não apenas nas palavras, mas nas ações. O culto e a conduta diária combinavam. Andavam não só nos preceitos que diziam respeito ao culto, mas também nos mandamentos que governam a vida comum. Eram cuidadosos em obedecer em tudo; não eram perfeitos, mas constantes e fiéis.
Por isso eram irrepreensíveis: ninguém podia apontar neles pecado público e vergonhoso. Viviam honestamente e sem dar motivo de escândalo, como ministros e suas famílias, em especial, devem fazer, para que o ministério não seja desonrado por causa deles.
Entretanto, não tinham filhos, o que era motivo de grande tristeza naqueles dias. Filhos são herança do Senhor, mas muitos casais fiéis são privados desse dom. Isabel era estéril, e quase já não tinham esperança, pois ambos eram avançados em idade. Em regra, as mulheres já cessaram de gerar nessa fase da vida.
Ainda assim, muitos homens notáveis nasceram de mães que por muito tempo foram estéreis: Isaac, Jacó, José, Sansão, Samuel. João Batista nasceu da mesma maneira. Isso tornou o seu nascimento mais admirável e a bênção mais preciosa para seus pais. E mostra que, quando Deus faz seu povo esperar muito, às vezes recompensa essa espera fazendo com que o dom seja ainda mais valorizado quando enfim chega.
Zacarias estava servindo no templo quando um anjo lhe apareceu (Lucas 1:8-11). O profeta Zacarias foi a última pessoa, no Antigo Testamento, mencionada em relação com aparições de anjos, e Zacarias, o sacerdote, é o primeiro no Novo Testamento. Zacarias exercia fielmente seu ministério sacerdotal diante de Deus no turno que lhe cabia.
Era a sua semana de serviço, e ele estava de plantão. Embora sua própria casa não tivesse sido edificada com filhos, ainda assim executava com cuidado o trabalho que naquele dia lhe estava designado. Mesmo quando não recebemos ainda as misericórdias pelas quais ansiamos, devemos continuar cumprindo os deveres que Deus nos confiou. Se permanecermos fiéis no serviço cotidiano, a misericórdia e o consolo podem chegar a seu tempo.
Naquela semana, a sorte recaiu sobre Zacarias para queimar incenso, de manhã e à tarde, enquanto outras tarefas eram distribuídas por sorte a outros sacerdotes. Esses serviços eram determinados por sorte para que alguns não os evitassem e outros não os monopolizassem. Como se entendia que a sorte era dirigida pelo Senhor, recebiam a designação como um chamado divino para aquela obra.
Não se tratava aqui do sumo sacerdote queimando incenso no Dia da Expiação, como alguns supuseram. Alguns imaginam isso para tentar fixar a data do nascimento do nosso Salvador, mas o texto deixa claro que se trata do incenso diário no altar de incenso (Lucas 1:11), que ficava no templo (Lucas 1:9), e não no Santo dos Santos, onde só o sumo sacerdote podia entrar.
Os judeus dizem que nenhum sacerdote queimava incenso duas vezes em toda a sua vida, por haver tantos sacerdotes, ou pelo menos não mais de uma vez na mesma semana. É bem provável que isso tenha ocorrido num sábado, porque havia uma grande multidão presente (Lucas 1:10), o que geralmente não acontecia em dias comuns. Dessa maneira, Deus muitas vezes confere honra especial ao seu próprio dia.
Se estiver certa a observação de Lightfoot, usando o calendário judaico, de que o turno de Abias servia no décimo sétimo dia do terceiro mês, Sivã, que corresponde em parte a maio e em parte a junho, vale notar que as leituras da Lei nas sinagogas naquele dia se ajustavam muito bem ao que ocorria no templo. A lei do nazireado (Números 6) e a história do nascimento de Sansão (Juízes 13) combinavam de modo notável com aquele momento.
Enquanto Zacarias queimava o incenso no templo, toda a multidão estava em oração do lado de fora (Lucas 1:10). Lightfoot observa que, na hora da oração, havia sempre sacerdotes da divisão de serviço naquela semana no templo, e, se fosse sábado, também os que haviam servido na semana anterior. Havia levitas sob as ordens dos sacerdotes, e os chamados “homens de estação”, como os rabinos os designavam, que representavam o povo impondo as mãos sobre os sacrifícios. Muitos outros vinham por devoção, deixando seus afazeres para estarem presentes no culto a Deus. Todos juntos formavam uma grande multidão, especialmente aos sábados e nas festas.
Então se voltavam à oração em silêncio, pois suas vozes não eram ouvidas, e um sino lhes indicava que o sacerdote havia entrado para queimar o incenso. Aqui convém notar algumas coisas. Primeiro, o verdadeiro Israel de Deus sempre foi um povo de oração, e a oração é o principal ato pelo qual honramos a Deus, recebemos sua ajuda e mantemos comunhão com ele.
Segundo, mesmo quando as cerimônias externas estavam em pleno vigor, como essa queima de incenso, ao lado delas eram requeridos os deveres internos e espirituais, e estes é que eram o ponto principal. Davi sabia que, longe do altar, sua oração podia ser ouvida sem incenso, pois podia subir diante de Deus como incenso (Salmo 141:2). Mas, quando estava junto ao altar, o incenso não podia ser aceito sem a oração, assim como a casca não pode ser recebida sem o fruto.
Terceiro, não basta estarmos presentes no lugar em que Deus é adorado se o nosso coração não se une à adoração, acompanhando o ministro em cada parte do culto. Se o sacerdote queima bem o incenso, com oração adequada, sábia e fervorosa, mas nós não oramos com ele ao mesmo tempo, que proveito isso nos trará?
Em quarto lugar, todas as orações que apresentamos a Deus em seus átrios só são aceitáveis e frutíferas por causa do incenso da intercessão de Cristo no céu. Essa parece ser a imagem por trás de (Apocalipse 8:1), (Apocalipse 8:3) e (Apocalipse 8:4). Ali se fala de silêncio no céu, como havia no templo, por cerca de meia hora, enquanto o povo elevava em silêncio o coração a Deus em oração. Também lemos de um anjo, o anjo da aliança, oferecendo muito incenso com as orações de todos os santos diante do trono.
Não podemos esperar participar da intercessão de Cristo se não oramos, se não oramos em espírito e se não perseveramos em oração. Nem podemos esperar que mesmo as nossas melhores orações sejam aceitas e respondidas com paz, senão por meio da mediação de Cristo, que vive para sempre e intercede continuamente por nós. Mediar significa agir como intermediário, aproximando Deus e os pecadores.
2. Enquanto Zacarias se ocupava desse serviço, ele foi honrado por um mensageiro enviado do céu, um anjo do Senhor que lhe apareceu (Lucas 1:11). Alguns observaram que não se lê em nenhum outro lugar de um anjo aparecendo no templo com uma mensagem de Deus, exceto a Zacarias. A ideia é que Deus tinha ali outros meios de tornar sua vontade conhecida, como o Urim e o Tumim e também uma voz mansa e delicada de entre os querubins. Mas, no segundo templo, a arca e o oráculo já não estavam presentes; assim, quando uma mensagem especial precisava ser dirigida a um sacerdote no templo, um anjo foi enviado.
Isso também combinava com o início do evangelho, porque a lei também fora dada em grande parte por meio de anjos. Nos Evangelhos e em Atos encontramos com frequência aparições angelicais. No entanto, tanto a lei como o evangelho, ao chegarem à sua plenitude, tinham por objetivo estabelecer uma forma mais espiritual de comunhão entre Deus e o ser humano.
O anjo pôs-se em pé ao lado direito do altar do incenso, ao seu lado norte, diz o Dr. Lightfoot, e à mão direita de Zacarias. Compare-se com (Zacarias 3:1), onde Satanás se coloca à direita de Josué, o sumo sacerdote, para se lhe opor. Aqui, porém, Zacarias tinha um bom anjo à sua direita para o encorajar. Alguns pensam que o anjo saiu do Santo dos Santos e então se colocou ao lado direito do altar.
3. Isso causou forte impressão em Zacarias (Lucas 1:12). Ao ver o anjo, ele se perturbou e temeu. Ficou transtornado, e caiu sobre ele o temor. Embora fosse justo diante de Deus e irrepreensível em sua conduta, ainda assim não pôde deixar de estremecer à vista de alguém cujo rosto e glória mostravam ser mais que humano.
Desde que o pecado entrou no mundo, a mente humana não consegue suportar a glória de tais revelações, e a consciência teme que mensageiros assim tragam más notícias. Nem mesmo Daniel pôde suportar tal visão (Daniel 10:8). Por isso, em geral, Deus nos fala por meio de homens semelhantes a nós, cuja presença não nos domina de pavor.
III. A mensagem do anjo a ele se encontra em (Lucas 1:13). Os anjos costumavam iniciar suas mensagens com as palavras: “Não temas”. É possível que Zacarias nunca tivesse queimado incenso antes. Sendo um homem muito sério e consciencioso, podemos supor que estivesse se esforçando com todo cuidado para realizar bem aquele serviço. Então, ao ver o anjo, talvez tenha temido que este viesse repreendê-lo por algum erro. Mas o anjo lhe disse: “Não temas. Não trago más novas do céu. Acalma-te, para que possas receber o que vou dizer com o espírito firme.”
Chegamos então ao conteúdo da mensagem: as orações que Zacarias tantas vezes apresentara agora seriam atendidas em paz. “Não temas, Zacarias, porque a tua oração foi ouvida.”
Se por “tua oração” se entende a antiga súplica por um filho que sustentasse sua casa, então era uma oração feita muito tempo antes. Ele e Isabel já não esperavam ter filhos e, provavelmente, já tinham deixado de orar por isso. Como Moisés, tinham o assunto por encerrado e não mais falavam com Deus a respeito (Deuteronômio 3:26). Ainda assim, agora Deus volta muito atrás, àquelas antigas orações, como fizera com Isaque e sua mulher (Gênesis 25:21).
A lição é clara: orações feitas com fé são guardadas no céu. Não são esquecidas, mesmo quando a resposta não vem logo. Orações feitas quando éramos jovens, ao entrar na vida, podem ser respondidas quando formos velhos e estivermos perto do fim. Se por “tua oração” se entende as orações que ele fazia naquele momento, enquanto queimava o incenso, eram provavelmente as súplicas ligadas ao seu ofício sacerdotal, pela causa de Israel e pelo Messias prometido e seu reino. A mensagem do anjo então significaria: “Tua oração acaba de ser ouvida, pois tua mulher conceberá aquele que preparará o caminho do Messias.”
Alguns escritores judeus diziam que, ao queimar o incenso, o sacerdote orava pela salvação de todo o mundo, e agora essa oração seria atendida. Ou o anjo pode estar falando de forma mais ampla: “Tuas orações presentes, e todas as tuas orações, são aceitas por Deus e subiram à sua presença em memorial”, como o anjo disse a Cornélio quando o encontrou orando (Atos 10:30-31). O sinal de que Deus aceitou Zacarias é que Isabel dará à luz um filho. É grande consolo para os que oram saber que suas orações são ouvidas, e as misericórdias se tornam duas vezes mais doces quando chegam como resposta à oração.
Ele terá um filho na velhice, de Isabel, sua mulher, que por tanto tempo fora estéril. Seu nascimento seria quase miraculoso, e isso ajudaria a preparar o povo para receber e crer no milagre absoluto do nascimento virginal de Cristo. O anjo ordena que ele dê ao menino o nome João, a forma hebraica Johanan, que significa “gracioso” ou “o Senhor é gracioso”. Os sacerdotes deviam rogar para que Deus tivesse misericórdia (Malaquias 1:9) e abençoasse o povo nessa esperança (Números 6:25). Zacarias estava pedindo tal misericórdia, e o anjo lhe diz que sua oração foi ouvida. Em sinal dessa resposta, ele deve chamar o menino de “Graça”, no sentido de “O Senhor será gracioso” (Isaías 30:18-19).
Esse filho trará alegria à sua família e aos seus parentes (Lucas 1:14). Será como outro Isaque, um filho de riso, e alguns pensam que isso se reflete em parte no nome João. Será um filho bem-vindo. O próprio Zacarias terá prazer e grande alegria. As misericórdias longamente esperadas são ainda mais doces quando finalmente chegam. O anjo está dizendo, em essência: “Teu filho será tão abençoado que não terás motivo algum para temer o que possa acontecer com ele, como muitos pais temem ao pensar no futuro de seus filhos. Poderás alegrar-te nele com confiança.”
Muitos outros também se alegrarão com o seu nascimento, todos os parentes e amigos mais próximos, porque a criança trará honra e consolo à casa (Lucas 1:58). Todas as pessoas piedosas se alegrarão por um casal tão temente a Deus como Zacarias e Isabel receber um filho, pois saberão que ele será criado com cuidado. Pode ser ainda que muitos se alegrem por uma espécie de santo instinto, como sinal dos dias de alegria que o evangelho traria.
Esse filho será especialmente favorecido pelo céu e grande bênção na terra. A honra de ter um filho é pequena se comparada com a honra de ter um filho assim. Ele será grande diante do Senhor. Essa é a verdadeira grandeza, não a que o mundo estima. Deus o conservará próximo de seu serviço e o enviará em suas missões, e isso o tornará verdadeiramente honroso. Será profeta, e mais que profeta, e por isso tão grande quanto qualquer homem nascido de mulher (Mateus 11:11). Viverá em recolhimento, longe dos olhares públicos, e quando vier a se apresentar ao povo, será em condição humilde. Ainda assim, será grande aos olhos de Deus.
Ele também será nazireu, isto é, separado para Deus e guardado de tudo o que contamina. Em coerência com esse chamado, não deve beber vinho nem bebida forte, ou talvez nem vinho velho nem novo, já que a expressão provavelmente se refere a qualquer bebida embriagante. Como Sansão, por ordem de Deus (Juízes 13:7), e Samuel, pelo voto de sua mãe (1 Samuel 1:11), ele será nazireu por toda a vida. A Escritura menciona como misericórdia especial o fato de Deus levantar filhos por profetas e jovens por nazireus (Amós 2:11). Samuel e João Batista foram formados dessa maneira, mostrando que aqueles que hão de servir a Deus de modo eminente precisam aprender a renúncia e a disciplina. Devem afastar-se dos prazeres do corpo e guardar a mente de tudo o que a obscurece ou perturba.
Ele também seria plenamente capacitado para a grande obra à qual seria chamado. Seria cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe, e isso logo se manifestaria assim que pudesse ser percebido. Aqueles que desejam ser cheios do Espírito Santo devem ser sóbrios, temperantes e moderados no uso de vinho e bebida forte, porque a embriaguez não combina com a obra do Espírito (Efésios 5:18). É possível que crianças sejam alvo da atuação do Espírito Santo ainda no ventre materno. João Batista foi cheio do Espírito Santo ali, e o primeiro sinal disso foi que saltou de alegria no ventre de sua mãe quando o Salvador se aproximou. Depois ficou claro que ele havia sido santificado muito cedo.
Deus havia prometido derramar o seu Espírito sobre os filhos dos crentes (Isaías 44:3), e a sua conversão precoce a Deus é fruto dessa promessa (Isaías 44:4-5). Quem, então, pode impedir a água, para que tais crianças não sejam batizadas, se, tanto quanto sabemos, receberam o Espírito Santo assim como nós, e têm os princípios da graça plantados em seus corações (Atos 10:47)?
Ele ajudaria a conduzir muitas almas a Deus e a prepará-las para receber o evangelho de Cristo (Lucas 1:16-17). Seria enviado aos filhos de Israel, a nação judaica, a quem o Messias foi enviado em primeiro lugar, e não aos gentios. Serviria a toda a nação, e não apenas à família sacerdotal, embora ele próprio pertencesse a essa família.
Ele iria adiante do Senhor, seu Deus, isto é, iria adiante do Messias. O Messias não seria apenas um rei no sentido comum, um governante político de uma nação. Ele seria o Senhor e o Deus deles, governando e defendendo-os de modo espiritual, operando em seus corações. Tomé entendeu isso melhor quando disse a Cristo: “Senhor meu e Deus meu” (João 20:28), do que Natanael quando disse: “Rabi, tu és o Rei de Israel” (João 1:49). João iria um pouco à frente dele, para anunciar a sua vinda e preparar o povo para recebê-lo.
Ele iria adiante no espírito e poder de Elias. Isso significa, primeiro, que seria um homem semelhante a Elias e faria uma obra parecida com a de Elias. Como Elias, pregaria arrependimento e reforma em uma época extremamente corrupta e pecadora. Como Elias, seria ousado e zeloso em repreender o pecado, mesmo nos lugares mais elevados, e seria odiado e perseguido por isso por um Herodes e sua Herodias, assim como Elias foi por Acabe e Jezabel. Seria também conduzido em sua obra por um poder divino, e esse poder tornaria seu ministério grandemente eficaz.
Assim como Elias precedeu os profetas escritores do Antigo Testamento e, de certo modo, introduziu aquela fase do trato de Deus com Israel, assim João Batista precedeu Cristo e seus apóstolos. Ele introduziu a era do evangelho pregando o chamado básico: “Arrependei-vos”, com o reino dos céus em vista. Em segundo lugar, ele seria a própria pessoa de quem Malaquias falou sob o nome de Elias (Malaquias 4:5), aquele que viria antes do dia do Senhor. O anjo não fala de Elias, o tesbita, como alguns sugeriram erradamente para apoiar tradições judaicas, mas de um profeta com o espírito e o poder de Elias.
Ele converteria muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. Tocaria seus corações para receberem o Messias e acolhê-lo, despertando-os para o seu pecado e para o desejo de justiça. Tudo o que nos afasta do pecado, como a pregação e o batismo de João fizeram, também nos conduz a Cristo como nosso Senhor e nosso Deus. Aqueles que, pela graça, são levados a rejeitar o domínio do pecado, do mundo e da carne, em breve estarão prontos para tomar sobre si o jugo de Cristo.
Desse modo, ele faria com que o coração dos pais se voltasse para os filhos. Isso significa que os judeus seriam inclinados em direção aos gentios, e o profundo preconceito que os judeus tinham contra os gentios seria enfraquecido. O evangelho fez isso na medida em que se espalhou, e João Batista iniciou esse processo. Ele veio como testemunha para que todos cressem por meio dele. Batizou e ensinou soldados romanos, assim como fariseus judeus, e corrigiu o orgulho dos judeus que se gabavam de ter Abraão por pai. Disse-lhes que Deus podia, das pedras, suscitar filhos a Abraão (Mateus 3:9), o que ajudaria a curar sua hostilidade para com os gentios.
Lightfoot observa que os profetas muitas vezes falam da igreja gentílica como filhos em relação à igreja judaica (Isaías 54:5-6, 13; 60:4, 9; 62:5; 66:12). Quando crentes judeus em Cristo passaram a ter comunhão com crentes gentios, então o coração dos pais se voltou para os filhos. Ele também converteria os desobedientes à sabedoria dos justos. Isto é, por meio do evangelho, os que agora eram desobedientes, especialmente os gentios, seriam conduzidos à fé de Cristo, aqui chamada de sabedoria dos justos, juntamente com os judeus crentes. Ou pode significar que ele uniria o coração de pais e filhos, velhos e jovens, trazendo pessoas de todas as idades à verdadeira religião.
Isso produziria uma grande reforma na nação judaica. Levaria o povo a se afastar de uma religião meramente ritual e tradicional, na qual estavam acomodados, e a se voltar para uma piedade sólida e séria. O resultado seria o fim de inimizades e contendas. Aqueles que estavam divididos seriam reunidos em seu batismo e se tornariam mais reconciliados uns com os outros. Isso está de acordo com o relato de Josefo sobre João Batista, que diz que João era um homem bom, que ensinava os judeus a praticar a virtude, a viver na devoção a Deus e na justiça uns para com os outros, e a se reunir no batismo. Josefo também diz que o povo acorria a ele e se deleitava grandemente em seu ensino.
Assim, João voltava o coração de pais e filhos para Deus e uns para com os outros, ao converter os desobedientes à sabedoria dos justos. A verdadeira religião é a sabedoria das pessoas justas, em contraste com a sabedoria do mundo. É ao mesmo tempo sábio e correto ser religioso, pois a religião reúne em si tanto a justiça quanto a prudência. E é possível que aqueles que têm sido incrédulos e desobedientes sejam conduzidos à sabedoria dos justos, porque a graça divina pode vencer a mais profunda ignorância e o mais forte preconceito.
O grande propósito do evangelho é trazer as pessoas de volta a Deus e aproximá-las umas das outras, e João Batista foi enviado exatamente para essa tarefa. A repetida menção de converter e voltar pode também fazer alusão ao nome de Elias, que alguns entendem significar “aquele que converte”, alguém muito usado em obra de conversão. Assim, o Elias do Novo Testamento é descrito como aquele que converte muitos ao Senhor, seu Deus.
Por essa obra ele prepararia para o Senhor um povo bem disposto. Ele arrumaria a mente das pessoas para receberem o ensino de Cristo, para que estivessem prontas para o consolo de sua vinda. Todos os que hão de pertencer ao Senhor e encontrar felicidade nele precisam primeiro ser preparados para ele. Devemos ser preparados pela graça, nesta vida, para a glória na vida futura; pelos terrores da lei, para os consolos do evangelho; e pelo espírito de escravidão, para o Espírito de adoção, isto é, o Espírito que nos dá plena aceitação como filhos de Deus.
Nada prepara mais diretamente as pessoas para Cristo do que receber e se submeter à mensagem de arrependimento. Quando o pecado se torna verdadeiramente pesado para nós, Cristo se torna extremamente precioso para nós.
Zacarias ouviu tudo o que o anjo disse, e deveria ter inclinado a cabeça e adorado o Senhor, dizendo: “Cumpra-se em teu servo segundo a tua palavra.” Mas não foi isso o que aconteceu. Primeiro nos é contado o que a sua incredulidade disse (Lucas 1:18): “Como saberei isto?” Não foi um pedido humilde de ajuda para crer, mas uma objeção aguda ao que lhe tinha sido dito, como se quisesse dizer: “Jamais conseguirei acreditar nisso.”
Ele não podia deixar de perceber que era um anjo que lhe falava. A mensagem também correspondia às profecias do Antigo Testamento, de modo que trazia em si forte prova. Havia muitos exemplos, no Antigo Testamento, de pessoas que tiveram filhos na velhice, e ainda assim ele não conseguia crer que teria esse filho prometido. Olhou para si e para sua esposa, que havia sido estéril por muito tempo e agora era muito idosa, e concluiu que era impossível.
Assim, quis um sinal antes de crer. Mas a aparição do anjo, que havia sido rara na igreja por muito tempo, já era, por si só, um sinal. A mensagem veio no templo, onde Deus manifestava a sua palavra, e onde Zacarias tinha bons motivos para pensar que nenhum anjo maligno seria permitido entrar. Veio também enquanto ele orava e oferecia incenso. E, acima de tudo, ele deveria ter confiado na grande verdade de que Deus é todo-poderoso, e nada é impossível para ele.
Mesmo assim, ao olhar demais para o seu próprio corpo e para o de sua esposa, ele vacilou diante da promessa (Romanos 4:19-20). Não agiu como um verdadeiro filho de Abraão. Sua incredulidade precisava ser silenciada, e ele próprio foi emudecido por causa dela. O anjo primeiro interrompeu suas objeções declarando sua autoridade. Já que Zacarias perguntou: “Como saberei isto?”, o anjo respondeu: “Saberás por isto: eu sou Gabriel” (Lucas 1:19).
O anjo, por assim dizer, assinou a mensagem com o próprio nome e disse: “Creia no que eu digo.” Às vezes, anjos se recusavam a revelar seus nomes, como aconteceu com Manoá e sua esposa; mas este anjo se identificou claramente. Gabriel significa “força de Deus” ou “valente de Deus”, indicando que o Deus que o enviou é plenamente capaz de realizar o que prometeu. Esse nome também faria Zacarias se lembrar das mensagens que Gabriel trouxera a Daniel sobre a vinda do Messias (Daniel 8:16; 9:21). Era como se dissesse: “Sou o mesmo mensageiro que foi enviado naquela ocasião, e agora venho pelo mesmo propósito.”
Gabriel é o anjo que está na presença de Deus, servindo perto do seu trono. Na corte persa, os principais oficiais eram descritos assim, como aqueles que viam o rosto do rei (Ester 1:14). Do mesmo modo, Gabriel diz a Zacarias: “Embora eu esteja falando com você aqui, continuo diante de Deus. Sei que o olhar dele está sobre mim, e não ouso dizer nada além do que fui enviado para dizer. Mas afirmo que fui enviado para trazer estas boas-novas, e você deveria tê-las recebido com alegria.”
Então o anjo calou a boca de Zacarias de uma segunda maneira, usando seu poder: “Ficarás mudo, para que não possas mais objetar” (Lucas 1:20). Se Zacarias queria um sinal para apoiar sua fé, receberia um que, ao mesmo tempo, seria castigo por sua incredulidade. Ele não poderia falar até que a promessa se cumprisse (Lucas 1:20). Ficaria incapaz de falar e, provavelmente, também de ouvir, já que a mesma palavra pode ter ambos os sentidos, e mais tarde seus amigos lhe faziam sinais (Lucas 1:62), assim como ele tinha feito sinais a eles (Lucas 1:22).
Ao deixá-lo mudo, Deus tratou com ele de forma justa, porque ele havia falado contra a palavra de Deus. Isso deve levar à admiração pela paciência e longanimidade de Deus para conosco. Muitas vezes falamos de modo que o desonra, e ainda assim não fomos emudecidos como Zacarias, embora merecêssemos, se Deus lidasse conosco apenas segundo os nossos pecados. Ao mesmo tempo, Deus tratou dele com bondade e ternura. Primeiro, isso o impediu de falar ainda mais palavras de desconfiança e incredulidade. Se alguém alimenta o mal em seu coração e não fecha a própria boca, Deus pode fechá-la. É melhor não falar nada do que falar perversamente. Segundo, esse próprio castigo contribuiu para confirmar a fé de Zacarias, pois o fato de não poder falar lhe deu tempo para refletir mais profundamente. Se as repreensões que sofremos por causa do pecado nos levam a confiar mais plenamente na palavra de Deus, então essas repreensões estão nos fazendo bem.
Perspectivas da IA cristã
Lucas 1:5 começa colocando a história sagrada em um tempo concreto: “no tempo de Herodes”. É um tempo de opressão política, medo e silêncio profético prolongado. Em meio a esse cenário pesado, o texto apresenta … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Lucas 1:5 começa colocando a história sagrada em um tempo concreto: “no tempo de Herodes”. É um tempo de opressão política, medo e silêncio profético prolongado. Em meio a esse cenário pesado, o texto apresenta um casal comum, Zacarias e Isabel, gente de rotina, de serviço, de fidelidade discreta. O versículo parece simples, quase burocrático, mas carrega uma ternura escondida: Deus conhece nomes, famílias, histórias, mesmo quando o mundo é governado por Herodes e não por Davi. A menção às origens sacerdotais dos dois revela um detalhe importante para corações cansados: a fé pode ser antiga na família, o serviço pode ser constante, e ainda assim a vida pode carregar frustrações profundas, esperas longas, orações sem resposta aparente. Nada disso invalida o cuidado divino. Pelo contrário, é justamente nesse chão de cansaço e perseverança silenciosa que o Evangelho começa a se desenrolar de novo. A história de salvação nasce no meio de gente que continua servindo enquanto carrega falta, luto e perguntas, lembrando que Deus encontra também esse lugar, aparentemente comum, mas cheio de dores e esperanças guardadas.
Lucas 1.5 parece apenas uma introdução histórica, mas já concentra temas centrais do evangelho. A menção de “Herodes, rei da Judeia” localiza o relato num tempo de opressão política e crise espiritual em Israel. Em … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Lucas 1.5 parece apenas uma introdução histórica, mas já concentra temas centrais do evangelho. A menção de “Herodes, rei da Judeia” localiza o relato num tempo de opressão política e crise espiritual em Israel. Em meio a um cenário sombrio, surge um casal ligado ao sacerdócio: Zacarias, sacerdote da ordem de Abias, e Isabel, descendente de Arão. O contexto ajuda a Bíblia falar com mais clareza: não se trata apenas de genealogia, mas de legitimidade espiritual. Tanto marido quanto esposa estão enraizados na história sacerdotal de Israel; são gente comum, mas inserida na tradição do templo. Uma leitura cuidadosa sugere um contraste: o rei ilegítimo em Jerusalém e o pequeno sacerdote fiel, quase invisível, por meio de quem Deus começará a agir. Ao mencionar uma ordem sacerdotal específica, Lucas mostra pesquisa cuidadosa e ancora o relato na realidade histórica, afastando a ideia de mito. Ao mesmo tempo, a descendência de Arão prepara o terreno para João Batista como figura de transição entre o antigo culto e a chegada do Messias. Deus começa a renovação não nos palácios, mas no serviço silencioso de um casal piedoso e estéril, tema desenvolvido nos versículos seguintes.
Lucas 1:5 começa como quem coloca a câmera bem aberta: tempo, governo, contexto religioso, linhagem da família. Não há milagre ainda, só rotina. Um rei duro no poder, um sacerdote comum entre muitos, uma mulher … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Lucas 1:5 começa como quem coloca a câmera bem aberta: tempo, governo, contexto religioso, linhagem da família. Não há milagre ainda, só rotina. Um rei duro no poder, um sacerdote comum entre muitos, uma mulher fiel numa linhagem sacerdotal. A cena tem cara de vida normal, até opressiva, mas é justamente nesse cenário que Deus decide agir. Há um contraste forte: Herodes, com poder político e medo de perder o trono; Zacarias e Isabel, com pouca visibilidade, seguindo em obediência silenciosa. O texto valoriza essa fidelidade discreta, não espetacular. Sacerdote e esposa carregam história, tradição e serviço, mas também carências profundas que o capítulo depois revela. Mesmo assim, permanecem no lugar que Deus lhes deu. O versículo lembra que a história de salvação não começa em ambientes ideais, e sim em realidades complicadas, com governo injusto, limitações, idade avançada e frustrações acumuladas. A sabedoria aparece em continuar cumprindo o chamado de cada dia, em meio ao contexto que não se escolheu, enquanto Deus prepara reviravoltas que ainda não se enxerga. Sabedoria também aparece na rotina.
Lucas 1:5 começa a grande história de redenção em um cenário aparentemente comum: um rei político conhecido, um sacerdote anônimo aos olhos do mundo e uma mulher piedosa com uma linhagem silenciosa. Nada de espetacular … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Lucas 1:5 começa a grande história de redenção em um cenário aparentemente comum: um rei político conhecido, um sacerdote anônimo aos olhos do mundo e uma mulher piedosa com uma linhagem silenciosa. Nada de espetacular à primeira vista. No entanto, é exatamente nesse ponto comum da história que Deus está prestes a romper o silêncio de séculos. Herodes representa o poder visível, ruidoso, muitas vezes opressor. Zacarias e Isabel encarnam a fidelidade discreta, o serviço perseverante, a obediência que segue ofertando incenso mesmo quando o céu parece fechado. Entre o trono de Herodes e o altar de Zacarias, é o altar que se torna o lugar da visitação divina. O texto sublinha a linhagem sacerdotal de ambos, não como detalhe genealógico frio, mas como sinal de continuidade: Deus não abandonou Suas promessas, mesmo quando Israel parece esquecido. Debaixo de um tempo escuro, uma história silenciosa de fidelidade familiar é o terreno em que o novo começo de Deus floresce. A eternidade já começa a tocar o tempo ali, no meio de nomes, funções e rotinas, preparando o coração da história para a chegada do Salvador.
Aplicação para a restauração da saúde
O contexto de Lucas 1:5 apresenta um casal que vive sua fé em meio a um tempo político opressor e imprevisível, sob o governo de Herodes. Esse cenário lembra que ansiedade, medo e sensação de impotência não são experiências modernas. A presença de Zacarias e Isabel, firmes em sua vocação sacerdotal e identidade familiar, mostra a importância de referências estáveis em meio ao caos externo. Em termos clínicos, isso se aproxima do conceito de fatores de proteção: valores, vínculos e rotinas que ajudam a regular emoções diante de estresse crônico, depressão ou traumas coletivos.
A narrativa sugere que saúde emocional não depende de circunstâncias ideais, mas da construção de um “lugar interno” enraizado em sentido, história e pertencimento. Estratégias como reconhecer limites, nomear emoções, buscar apoio comunitário e manter práticas de significado (como rituais, momentos de silêncio, reflexão bíblica ou journaling) atuam como recursos de grounding. Não anulam a dor, mas evitam que o sofrimento se torne a única narrativa. A fé, integrada à psicologia, pode funcionar como base para resiliência, sem negar conflitos, dúvidas ou períodos de aparente silêncio de Deus.
Maus usos comuns a evitar
Uma leitura problemática de Lucas 1:5 ocorre quando o sacerdócio de Zacarias e a linhagem de Isabel são usados para defender a ideia de que somente quem tem “boa origem”, cargo religioso ou comportamento impecável merece cuidado divino. Isso pode gerar culpa intensa, baixa autoestima espiritual e submissão cega a figuras de autoridade religiosa. Outra distorção é usar o texto para justificar infertilidade ou sofrimentos como “prova” de falta de fé, incentivando resistência a tratamento médico ou psicológico. Surgem sinais de alerta quando há pensamentos suicidas, automutilação, isolamento extremo, crises de pânico, depressão persistente, abuso espiritual ou coerção religiosa para manter relacionamentos violentos. Nesses casos, torna-se fundamental buscar apoio profissional em saúde mental. É importante evitar a negação do sofrimento com frases espiritualizadas que silenciam emoções legítimas e impedem o acesso a ajuda adequada.
Perguntas frequentes
Por que Lucas 1:5 é um versículo importante na Bíblia?
Qual é o contexto de Lucas 1:5 no Evangelho de Lucas?
Como aplicar Lucas 1:5 na minha vida hoje?
Quem são Zacarias e Isabel em Lucas 1:5 e qual a sua importância?
O que Lucas 1:5 revela sobre o tempo de Herodes, rei da Judeia?
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Deste capítulo
Lucas 1:1
"Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram,"
Lucas 1:2
"Segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde oprincípio, e foram ministros da palavra,"
Lucas 1:3
"Pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelente Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio;"
Lucas 1:4
"Para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado."
Lucas 1:6
"E eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão em todos os mandamentos e preceitos do Senhor."
Lucas 1:7
"E não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e ambos eram avançados em idade."
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