Versículo em destaque
Lamentações 4:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Como se escureceu o ouro! Como se mudou o ouro puro e bom! Como estão espalhadas as pedras do santuário sobre cada rua! "
Lamentações 4:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Como se escureceu o ouro! Como se mudou o ouro puro e bom! Como estão espalhadas as pedras do santuário sobre cada rua!
2 Os preciosos filhos de Sião, avaliados a puro ouro, como são agora reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro!
3 Até os chacais abaixam o peito, dão de mamar aos seus filhos; mas a filha do meu povo tornou-se cruel como os avestruzes no deserto.
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Este capítulo começa com um lamento doloroso pela terrível mudança que os juízos de Deus trouxeram sobre Jerusalém. A cidade que antes brilhava como ouro, ouro finíssimo, rica e bela, a perfeição de formosura e alegria de toda a terra, perdeu o seu brilho e o seu valor. Tornou-se como metal opaco, já não é mais o que foi. Que mudança tremenda é essa.
Em primeiro lugar, o templo foi destruído, e aquele templo era a glória e a defesa de Jerusalém. Ele foi entregue ao inimigo. Muitos entendem o “ouro” do versículo 1 como o ouro que cobria o templo, aquele ouro finíssimo (1 Reis 6:22). Quando o templo foi queimado, esse ouro se enegreceu e se arruinou, como se tivesse pouco valor. Foi jogado nos escombros, voltado a uso comum e tratado como nada. As pedras do santuário, pedras cuidadosamente lavradas, foram derrubadas pelos caldeus, os invasores babilônios, quando despedaçaram o templo, ou então caíram quando o fogo as fez desabar. Ficaram espalhadas pelas ruas, misturadas com os entulhos comuns. Quando o Deus do santuário foi provocado pelo pecado a retirar-se, não admira que as pedras do santuário fossem assim profanadas.
Em segundo lugar, os príncipes e os sacerdotes, os filhos escolhidos de Sião, foram insultados e esmagados. Sião abrigava tanto a casa de Deus quanto a casa de Davi. Os filhos dessas duas casas eram preciosos porque eram herdeiros dos privilégios ligados ao sacerdócio e à realeza. Eram como ouro fino, e Israel era mais rico neles do que em prata e ouro. Mas agora são tratados como vasos de barro. São quebrados e lançados fora como utensílios sem valor. Empobreceram e foram levados cativos, de modo que as pessoas os tratam como gente baixa e desprezível. Quando o povo de Deus é desprezado, isso deve nos mover à tristeza.
Em terceiro lugar, crianças de peito estavam morrendo de fome por falta de pão e água. Suas mães que amamentavam não tinham alimento para si mesmas, e por isso não tinham leite para os seus bebês. Eram verdadeiramente compassivas de coração, mas na prática pareciam cruéis, como as avestruzes no deserto que deixam seus ovos na areia (Jó 39:14-15). Sem comida para os filhos, eram forçadas a descurá-los e a tentar esquecê-los, porque doía demais pensar neles sem ter nada para lhes dar. Nisso, eram piores que muitas criaturas do mar, que alimentam os filhotes, pois a filha do meu povo nem isso podia fazer. As crianças não conseguem ajudar a si mesmas como os adultos, por isso era especialmente doloroso ver a língua do que ainda mamava apegar-se ao céu da boca de tanta sede, sem uma gota de água para umedecê-la. Era igualmente dilacerante ouvir as criancinhas, mal sabendo falar, pedindo pão a pais que nada tinham para dar, e sem nenhum amigo que pudesse socorrer. Por mais triste que seja imaginar isso, deve haver gratidão pela fartura que desfrutamos e pelo alimento que temos para nós, nossos filhos e os de nossa casa.
Em quarto lugar, pessoas de boa posição foram reduzidas à mais profunda pobreza. Aqueles que tinham nascido em boas condições, bem instruídos, habituados aos melhores alimentos e vestes, que viviam em luxo todos os dias, foram abatidos. Não só vestiam escarlata, mas tinham sido criados em escarlata, vivendo em grande conforto desde o início. No entanto, a guerra lhes tirou tudo. Agora jazem nas ruas, sem casa que os abrigue, sem cama para deitar, sem roupa para cobrir, sem fogo para aquecer. Deitam-se nos monturos, contentes com qualquer lugar para descansar e, talvez, remexendo o lixo à procura de algo para comer, como o filho pródigo que desejava encher o estômago com as alfarrobas. Os que vivem na facilidade e na fartura não sabem que durezas podem enfrentar antes de morrer. Às vezes, o necessitado é levantado do monturo, e às vezes os que estavam fartos precisam se alugar por um pedaço de pão (1 Samuel 2:5). É prudente que os que têm abundância não se tornem delicados demais, pois a adversidade será ainda mais amarga se vier depois de muita comodidade (Deuteronômio 28:56).
Em quinto lugar, pessoas conhecidas por sua dignidade e talvez até por sua piedade também participaram do desastre geral. Seus nazireus foram duramente atingidos. Alguns entendem aqui apenas seus jovens honrados, distintos, limpos e bem vestidos, lavados e perfumados. Mas também pode se referir àqueles devotos que se haviam consagrado ao Senhor pelo voto de nazireado, como em Números 6. Pessoas assim existiam, mesmo em tempos muito pecaminosos, como mostra Amós 2:11, onde Deus diz que levantou alguns dos seus jovens para serem nazireus. Eles não deviam cortar o cabelo, mas, por causa da dieta cuidadosa, de lavagens frequentes e, sobretudo, da alegria de se entregarem a Deus e andarem com ele, seus rostos provavelmente resplandeciam. Eram mais puros que a neve e mais brancos que o leite. Como não bebiam vinho nem bebida forte, com frequência sua saúde e aparência eram melhores que as dos que bebiam à vontade todos os dias. Ou as palavras ressaltam o grande respeito que as pessoas piedosas tinham por eles. Mesmo que não tivessem algo impressionante na aparência externa, eram estimados como se fossem mais preciosos que rubis e polidos como safira. Mas agora seus rostos estão desfigurados, como o de Cristo é descrito em Isaías 52:14. Estão mais negros do que o carvão, com aparência miserável, em parte pela fome, em parte pela dor e confusão. As pessoas já não os reconhecem nas ruas. Aqueles que antes os honravam agora passam sem lhes dar atenção, e até velhos amigos mal os conhecem, porque o longo cerco os transformou completamente. A pele se lhes pegou aos ossos, a carne se consumiu, e ficaram secos e duros como madeira. É profundamente triste quando até os separados para Deus são arrastados para a mesma miséria que os demais em dias de juízos esmagadores.
Em sexto lugar, Jerusalém caiu lentamente e morreu uma morte demorada, porque a fome fez mais para destruí-la do que qualquer outro juízo.
Por causa disso, a destruição de Jerusalém foi maior do que a de Sodoma (Lamentações 4:6). Sodoma foi subvertida num momento. Uma chuva de fogo e enxofre ardente acabou com ela, e nenhum exército inimigo a cercou. Jerusalém, ao contrário, sofreu por muitos meses. Foi mantida em dor e miséria, e parecia morrer aos poucos.
A culpa de Jerusalém também foi maior do que a de Sodoma, portanto não admira que o castigo fosse mais severo. Sodoma nunca teve os meios de graça que Jerusalém teve, isto é, os dons de Deus, sua palavra e seus profetas. Por isso o juízo de Jerusalém seria mais duro e mais difícil de suportar do que o de Sodoma (Mateus 11:23-24).
A terrível fome é mostrada aqui por dois exemplos espantosos. Primeiro, muitos foram mortos pela fome, morrendo de inanição. Seus mantimentos se acabaram, e o suprimento público também estava quase esgotado, de modo que não havia alívio. Estavam tão condenados à morte como se alguém os tivesse atravessado com a espada, mas sua morte foi muito mais miserável.
Os que morrem à espada logo são tirados da dor. Em um momento descem à sepultura (Jó 21:13). Não têm de assistir à morte se aproximando devagar, e mal sentem o golpe quando cai. É apenas uma luta aguda e breve, e então tudo termina. Se estamos prontos para o mundo vindouro, não precisamos temer uma passagem rápida para ele. Quanto mais depressa vier, melhor.
Mas os que morrem de fome vão se consumindo. A fome drena lentamente suas forças e corrói seus corpos. Ao mesmo tempo, agita o ânimo e enche o espírito de profunda angústia. Assim, atormenta a mente tanto quanto o corpo. Há cadeias dolorosas em sua morte (Salmo 73:4).
Segundo, a fome levou a atos bárbaros de assassinato. As mãos outrora ternas de mulheres cozinharam os próprios filhos, depois de primeiro matá-los (Lamentações 4:10). Isso já havia sido mencionado (Lamentações 2:20), e é motivo de profundo pranto, tanto por alguém poder ser levado a tamanha maldade quanto por o cerco tê-los empurrado até esse extremo. Esse resultado horrendo de um cerco prolongado já havia sido advertido antes (Levítico 26:29; Deuteronômio 28:53) e também profetizado especificamente para Jerusalém no cerco caldeu, isto é, o ataque babilônico (Jeremias 19:9; Ezequiel 5:10).
Já era triste o suficiente não terem alimento para seus filhos nem meio de sustentá-los (Lamentações 4:4). Mas foi muito pior que pudessem chegar ao ponto de se alimentar dos próprios filhos. Não é fácil dizer se isso mostra mais o poder da necessidade ou o poder do pecado. Contudo, assim como os gentios idólatras foram justamente entregues a paixões vergonhosas (Romanos 1:26), também estes judeus idólatras, sobretudo as mulheres que faziam bolos para a rainha dos céus e ensinaram seus filhos a fazer o mesmo, foram despojados do amor natural por seus próprios filhos. Ser deixados para desonrar a própria natureza foi um juízo adequado à desonra que haviam lançado sobre Deus.
Jerusalém caiu por completo e de uma maneira que espantou a todos. O Senhor havia terminado a sua ira. Ele levou a julgamento a causa até o fim, cumprindo inteiramente tudo o que havia determinado em furor contra Jerusalém, sem deixar nada do juízo por executar. Derramou até o fim as taças de sua ardente indignação, até a última gota. Também acendeu fogo em Sião, e esse fogo não apenas queimou as casas e as reduziu a ruínas; consumiu até os próprios alicerces, como se a cidade jamais voltasse a ser edificada (Lamentações 4:11).
Essa destruição foi espantosa para os reis da terra, que em geral sabiam da situação de seus vizinhos e perguntavam por eles. Foi espantosa também para todos no mundo que conheciam Jerusalém ou tinham ouvido falar dela. Não podiam sequer imaginar que algum inimigo chegaria a entrar pelas portas de Jerusalém (Lamentações 4:12). Sabiam que a cidade era fortemente defendida, não só por muralhas e fortificações, mas também pelo número e pela força do seu povo. A fortaleza de Sião parecia impossível de ser conquistada.
Sabiam também que Jerusalém era a cidade do grande Rei, onde o Senhor de toda a terra habitava de modo especial. Era a cidade santa, e pensavam que estaria sob tal proteção divina que nenhum inimigo poderia tomá-la. Sabiam ainda que muitos ataques contra ela já tinham fracassado, inclusive o de Senaqueribe. Por isso, quando ouviram que os caldeus a tinham conquistado, ficaram atônitos e concluíram que isso só ocorrera porque o próprio Deus entregara a cidade. O inimigo rompeu as defesas e entrou pelas portas de Jerusalém por ordem dele.
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Deste capítulo
Lamentações 4:2
"Os preciosos filhos de Sião, avaliados a puro ouro, como são agora reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro!"
Lamentações 4:3
"Até os chacais abaixam o peito, dão de mamar aos seus filhos; mas a filha do meu povo tornou-se cruel como os avestruzes no deserto."
Lamentações 4:4
"A língua do que mama fica pegada pela sede ao seu paladar; os meninos pedem pão, e ninguém lho reparte."
Lamentações 4:5
"Os que comiam comidas finas agora desfalecem nas ruas; os que se criaram em carmesim abraçam monturos."
Lamentações 4:6
"Porque maior é a iniqüidade da filha do meu povo do que o pecado de Sodoma, a qual foi subvertida como num momento, sem que mãos lhe tocassem."
Lamentações 4:7
"Os seus nobres eram mais puros do que a neve, mais brancos do que o leite, mais vermelhos de corpo do que os rubis, e mais polidos do que a safira."
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