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Juízes 20:26 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então todos os filhos de Israel, e todo o povo, subiram, e vieram a Betel e choraram, e estiveram ali perante o Senhor, e jejuaram aquele dia até à tarde; e ofereceram holocaustos e ofertas pacíficas perante o Senhor. "

Juízes 20:26

menu_book Versículo no contexto

24 Chegaram-se, pois, os filhos de Israel aos filhos de Benjamim, no dia seguinte.

25 Também os de Benjamim no dia seguinte lhes saíram ao encontro fora de Gibeá, e derrubaram ainda por terra mais dezoito mil homens, todos dos que tiravam a espada.

26 Então todos os filhos de Israel, e todo o povo, subiram, e vieram a Betel e choraram, e estiveram ali perante o Senhor, e jejuaram aquele dia até à tarde; e ofereceram holocaustos e ofertas pacíficas perante o Senhor.

27 E os filhos de Israel perguntaram ao Senhor (porquanto a arca da aliança de Deus estava ali naqueles dias;

28 E Finéias, filho de Eleazar, filho de Arão, estava perante ele naqueles dias), dizendo: Tornarei ainda a pelejar contra os filhos de Benjamim, meu irmão, ou pararei? E disse o Senhor: Subi, que amanhã eu to entregarei na mão.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui se apresenta um relato completo da vitória de Israel sobre Benjamim na terceira batalha. A causa justa finalmente prevaleceu, depois que os líderes corrigiram o que havia saído errado. Quando uma boa causa sofre, muitas vezes a falha está no modo como ela é conduzida.

É importante notar como venceram e como procederam após a vitória. Nas batalhas anteriores, confiaram demais em duas coisas: na justiça da causa e no tamanho do exército. Ambos eram verdadeiras vantagens, mas se apoiaram nelas em excesso e negligenciaram deveres que agora cumprem nesta terceira tentativa.

Primeiro, estavam tão certos de que sua causa era justa que acharam desnecessário buscar a presença e a bênção de Deus. Presumiram que Deus os ajudaria, talvez até que lhes devia o favor por estarem lutando pela justiça. Mas Deus lhes mostrou que não era obrigado a fazer prosperar sua campanha, e que eles é que eram devedores a Ele. Deus os honrou fazendo deles servos de sua justiça, e não o contrário.

Agora se aproximaram como suplicantes humildes. Antes, só haviam consultado o oráculo: “Quem subirá primeiro?” e “Devemos subir?”. Agora, porém, imploram pelo favor divino, jejuam, oram e oferecem holocaustos e ofertas pacíficas perante o Senhor (Juízes 20:26). Essas ofertas visavam expiação, isto é, o encobrimento do pecado e a busca de paz com Deus, e também expressavam dependência dEle. Ao mesmo tempo, mostravam o desejo de tê-lo por perto. Não podemos esperar a presença de Deus se não a buscamos do modo que Ele determinou. Estando com esse coração, buscando sinceramente ao Senhor, Ele não só lhes ordenou que subissem de novo contra Benjamim, mas também prometeu a vitória: “Amanhã eu os entregarei nas tuas mãos” (Juízes 20:28).

Em segundo lugar, eles também haviam confiado demais na própria força. Julgaram não precisar de plano inteligente, emboscada oculta ou qualquer estratégia. Esperavam vencer só pela força. Agora, porém, viram que era necessária uma preparação cuidadosa, como se enfrentassem um inimigo mais numeroso do que eles. Por isso colocaram homens em emboscada (Juízes 20:29), e isso funcionou, como já havia acontecido antes em Ai (Josué 8). Um plano assim tinha mais chance de êxito depois de derrotas anteriores, porque o inimigo, mais confiante, suspeitaria menos de uma retirada fingida.

O modo como executaram esse estratagema é descrito em detalhes. Deus já lhes havia assegurado que venceriam naquele dia, mas essa promessa não os levou à negligência. Pelo contrário, despertou todo o exército para a ação, a fim de cumprir o que Deus tinha anunciado.

O grosso do exército de Israel avançou contra Gibeá, como antes, em direção às portas (Juízes 20:30). Os benjamitas, cuja principal força estava ali, saíram depressa e atacaram com grande coragem. Então os israelitas recuaram rapidamente, como se o medo os tivesse dominado à vista de Benjamim. Benjamim ficou satisfeito em acreditar nisso, pois o êxito anterior os havia tornado confiantes. Israel, de fato, sofreu alguma perda nessa retirada simulada: cerca de trinta homens foram mortos na retaguarda (Juízes 20:31, Juízes 20:39).

Mas, uma vez que todos os benjamitas tinham sido atraídos para fora da cidade, a emboscada tomou Gibeá (Juízes 20:37), deu o sinal ao exército principal (Juízes 20:38, Juízes 20:40), e a força central se voltou de repente contra Benjamim (Juízes 20:41). Parece que outro grande contingente, posicionado em Baal-Tamar, também atacou ao mesmo tempo (Juízes 20:33). Assim, os benjamitas se viram completamente cercados, o que os lançou em profundo pânico. A culpa que carregavam agora lhes tirava a coragem, e quanto mais altas tinham sido as esperanças, maior se tornou a confusão.

No início, a luta foi renhida (Juízes 20:34). Os benjamitas combateram com grande furor, mas, percebendo a armadilha, preferiram fugir a continuar lutando. Ainda assim, não conseguiram escapar. A batalha os alcançou e, para completar sua ruína, os homens de Israel saíram das cidades e se juntaram à perseguição, ajudando a abatê-los. Todas as mãos se levantaram contra eles.

Há várias lições nesse relato. No começo da batalha, os benjamitas julgavam que o dia lhes pertencia: “Eles estão derrotados diante de nós” (Juízes 20:32, Juízes 20:39). Deus às vezes permite que pessoas ímpias se elevem em sucesso e esperança por algum tempo, para que sua queda seja mais severa. A alegria delas é breve, e o triunfo dura só um momento. Ninguém deve gloriar-se na força, se não tem motivo para gloriar-se em Deus.

Eles também estavam em perigo sem saber (Juízes 20:34). Depois, quando já era tarde demais para evitar o mal, perceberam que a calamidade havia caído sobre eles (Juízes 20:41). Não sabemos a que perigos podemos estar expostos em qualquer momento, mas quanto menos se teme o perigo, mais pesadamente ele pode cair. Os pecadores não querem crer que o mal está próximo, mas quão terrível será quando ele chegar e não houver escape (1 Tessalonicenses 5:3).

Embora os homens de Israel tenham lutado bem nesta batalha, a vitória ainda é atribuída a Deus: “O Senhor feriu a Benjamim diante de Israel” (Juízes 20:35). A batalha pertencia a Ele, e o êxito também. Quando Deus luta contra alguém, é fácil esmagá-lo (Juízes 20:43, Malaquias 4:3).

A vitória então foi levada adiante e usada para executar o juízo sobre esses pecadores contra as próprias almas. Primeiro, a própria Gibeá, esse ninho de perversidade, foi destruída. A emboscada que entrou de surpresa na cidade espalhou-se por suas ruas e bairros, pois todos os homens de guerra, tolamente, haviam saído, deixando-a indefesa. Mataram todos os que encontraram, inclusive mulheres e crianças (Juízes 20:37), e queimaram a cidade (Juízes 20:40). O pecado traz ruína sobre as cidades.

Em segundo lugar, o exército em campo foi completamente quebrado: dezoito mil homens valentes ficaram mortos no chão (Juízes 20:44). Em terceiro lugar, os que escaparam do campo foram perseguidos e mortos na fuga, num total de sete mil (Juízes 20:45). Ninguém pode correr mais rápido do que o juízo de Deus. O mal persegue os pecadores e, por fim, os alcança.

Até os que ficaram em casa foram envolvidos na ruína. Continuaram deixando sua espada abater outros até o fim, sem perceber que, no final, isso lhes traria amargura, como Abner mais tarde argumentou, quando liderava um exército benjamita, provavelmente lembrando-se desse acontecimento (2 Samuel 2:25, 2 Samuel 2:26).

Eliminaram todos os que tinham ficado vivos e queimaram todas as cidades (Juízes 20:48). Pelo que se pode perceber, ninguém da tribo de Benjamim restou com vida, exceto seiscentos homens que se esconderam na penha de Rimom, onde ficaram por quatro meses (Juízes 20:47).

É difícil defender tal severidade como ato de Israel. Toda a tribo de Benjamim era culpada, mas isso justificaria tratá-los como os cananeus votados à destruição? Isso aconteceu no calor da guerra, e era esse o modo como Israel muitas vezes havia conduzido suas vitórias. Os israelitas também estavam muito irados com Benjamim por causa da matança nas duas batalhas anteriores. Ainda assim, esses motivos pouco justificam tamanha dureza.

É verdade que haviam jurado que qualquer um que não subisse a Mispa seria morto (Juízes 21:5). Mas, se esse juramento tinha alguma legitimidade, ele se aplicava apenas aos homens de guerra. O restante da tribo não era esperado ali. Mesmo assim, é fácil justificar a mão de Deus em tudo isso. Benjamim havia pecado contra Ele, e Deus advertira que, se o seu povo o esquecesse, pereceria como as nações anteriores (Deuteronômio 8:20). Todas aquelas nações tinham sido eliminadas desse modo.

Tudo isso traz também uma séria advertência sobre o início do pecado. O pecado cresce como água que rompe uma represa; por isso é melhor detê-lo no começo, antes que se espalhe, porque não sabemos onde vai parar. A ruína eterna das almas será pior e mais terrível do que todas essas ruínas de uma tribo. Oséias fala do caso de Gibeá, a cidade onde essa perversidade começou, como o início da corrupção de Israel e um modelo para tudo o que se seguiu (Oséias 9:9; Oséias 10:9). Ele diz que se corromperam profundamente, como nos dias de Gibeá, e que o pecado deles começou desde aqueles tempos. Afirma também que a batalha em Gibeá contra os filhos da iniquidade, a princípio, não os alcançou de imediato.

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