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Juízes 2:6 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E havendo Josué despedido o povo foram-se os filhos de Israel, cada um à sua herança, para possuírem a terra. "

Juízes 2:6

menu_book Versículo no contexto

4 E sucedeu que, falando o anjo do Senhor estas palavras a todos os filhos de Israel, o povo levantou a sua voz e chorou.

5 Por isso chamaram àquele lugar, Boquim; e sacrificaram ali ao Senhor.

6 E havendo Josué despedido o povo foram-se os filhos de Israel, cada um à sua herança, para possuírem a terra.

7 E serviu o povo ao Senhor todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram depois de Josué, e viram toda aquela grande obra do Senhor, que fizera a Israel.

8 Faleceu, porém, Josué, filho de Num, servo do Senhor, com a idade de cento e dez anos;

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auto_stories Comentário Bible Guided

Esta parte retoma o que já foi dito sobre a boa condição espiritual do povo sob a liderança de Josué, bem como sobre sua morte e sepultamento (Josué 24:29-30). Isso é repetido aqui para preparar o leitor para o relato triste que vem em seguida, mostrando como o povo caiu em pecado e rebelião. O anjo já havia advertido que os cananeus e seus ídolos seriam um laço para Israel, e o narrador mostra agora que essa advertência se cumpriu.

Em primeiro lugar, vemos o estabelecimento feliz de Israel em Canaã. Josué dividiu a terra entre eles e então despediu o povo; cada tribo, e de fato cada pessoa, foi enviada à sua própria herança em paz (Juízes 2:6). Ele não apenas os dispensou, mas os enviou, sem dúvida com sua bênção. Eles passaram da condição de andarilhos à vida estabelecida, e da dureza das provações a uma condição de conforto.

Em segundo lugar, eles conservaram a fé e o temor de Deus enquanto Josué viveu (Juízes 2:7). Haviam feito boas resoluções quando tomaram posse da terra, e por um tempo permaneceram firmes nelas. Bons governantes os ajudaram, dando bom exemplo, instruindo-os e refreando o pecado aberto. Além disso, ainda se lembravam das grandes obras que Deus realizara ao introduzi-los em Canaã. Aqueles que tinham visto esses feitos tiveram bom senso de crer no que viram e servir ao Deus que agira com tanto poder a favor deles; mas as gerações seguintes, que não presenciaram essas maravilhas, não creram.

Em terceiro lugar, a morte e o sepultamento de Josué representaram um duro golpe para a religião entre o povo (Juízes 2:8-9). Ainda assim, eles o honraram em sua morte e o sepultaram em Timnate-Heres, embora em Josué 24 o lugar seja chamado Timnate-Sera. A palavra Heres significa “sol”, e alguns escritores judeus afirmaram que teriam colocado uma imagem de sol sobre o túmulo dele, em memória do dia em que o sol parou ao seu comando. Mas isso parece improvável, pois uma imagem assim facilmente teria levado o povo à adoração do sol, o que seria desonra para Deus.

Em quarto lugar, levantou-se uma nova geração (Juízes 2:10). Em poucos anos, a geração anterior morreu, e com ela se foram o bom ensino e o bom exemplo. Surgiu então outra geração de israelitas que se importava tão pouco com a religião que, em certo sentido, não conhecia o Senhor. Não o conhecia como ele se havia revelado; se o tivessem conhecido de fato, não o teriam abandonado. Estavam absorvidos com o mundo, o trabalho, o conforto e o prazer, e por isso foram facilmente atraídos aos falsos deuses e às suas práticas vergonhosas.

Assim se apresenta o padrão geral da vida de Israel no tempo dos juízes, e o mesmo ciclo triste se repete muitas vezes. Israel abandonou o Deus de Israel e entregou o culto que pertencia só a ele aos deuses sem valor de Canaã. O céu deveria espantar-se com isso, e a terra, ficar admirada (Jeremias 2:11-12). Que outra nação, tão bem suprida e tão bem instruída, trocou o seu Deus, um Deus assim, por madeira e pedra sem vida, incapazes de fazer bem ou mal?

O texto descreve mais de perto o pecado deles em Juízes 2:11-13. Em termos gerais, fizeram o que era mau, e nada poderia ser mais mau, pois provocou a ira de Deus e trouxe dano a eles mesmos. Fizeram isso diante do Senhor, que vê todo o mal, mas dá atenção especial quando as pessoas escolhem outros deuses. Eles abandonaram o Senhor (Juízes 2:12-13). Haviam sido ligados a ele por aliança, mas agora se afastaram dele como uma esposa infiel deixa o marido. A paráfrase caldeia diz que abandonaram o culto do Senhor, e isso é verdade, pois quem abandona o culto de Deus, na prática, abandona o próprio Deus. Sua culpa era maior porque ele era o Deus de seus pais; tinham nascido em sua casa e estavam obrigados a servi-lo. Era também o Deus que os tirara do Egito e quebrara suas cadeias, o que lhes dava outro forte motivo para honrá-lo.

Ao deixarem o único Deus verdadeiro, não se tornaram ateus. Não disseram que não havia Deus. Em vez disso, seguiram outros deuses. Restava ainda um pouco de senso de divindade na natureza humana, mas a natureza corrompida se manifestou multiplicando deuses e seguindo o costume, em vez da verdade, em matéria de religião. Israel havia sido escolhido e separado acima de todos os povos, e, no entanto, foi infiel aos seus próprios privilégios, preferindo os deuses das nações ao redor. Eles se curvaram diante de Baal e Astarote, ídolos masculinos e femininos, como se estivessem honrando o sol e a lua, ou Júpiter e Juno. Baalim significa “senhores”, e Astarote significa “abençoadas”, ambos no plural, pois quando abandonaram Jeová, que é um só, tomaram para si muitos deuses e muitos senhores. Tudo o que escolheram como deuses, serviram e diante disso se prostraram, dando honra e pedindo ajuda.

Isso provocou a ira do Deus de Israel, e ele os entregou nas mãos de seus inimigos (Juízes 2:14-15). Ele se irou porque é um Deus zeloso, que guarda a honra do seu nome. A forma de castigar a apostasia deles foi permitir que exatamente aqueles que os haviam seduzido se tornassem seus opressores. Ao abandonarem a Deus, tornaram-se tão baixos e miseráveis quanto teriam sido grandes e felizes se tivessem permanecido fiéis.

A primeira mudança foi que as vitórias se inverteram em derrotas. Depois que abandonaram o Senhor, sempre que saíam à guerra, eram vencidos com a mesma certeza com que antes eram vitoriosos. Antes, os inimigos não podiam resistir a eles porque o Senhor estava com eles. Quando começaram a esfriar na religião, Deus retirou seu favor, estancou o avanço deles e deixou de expulsar os inimigos (Juízes 2:3). Então, quando se entregaram completamente à idolatria, a guerra se voltou diretamente contra eles, e já não puderam resistir a seus adversários. Deus preferiu dar sucesso a povos que nunca o tinham conhecido ou confessado, do que àqueles que um dia lhe pertenceram, mas agora o tinham abandonado. Por onde quer que fossem, podiam perceber que o próprio Deus se tornara seu inimigo e lutava contra eles (Isaías 63:10).

Quem quisesse podia saqueá-los, e quem quisesse podia oprimi-los. Deus os entregou aos seus inimigos. Fez mais do que simplesmente deixá-los, como alguém se desfaz de um bem; ele o fez com um propósito sério, para mostrar a honra do seu zelo santo, que não pouparia nem mesmo o seu povo especial quando o provocasse. Ele os vendeu como se vendem devedores insolventes (Mateus 18:25), e usou seus sofrimentos como uma espécie de reparação pela afronta que seu afastamento trouxera à sua glória.

Percebe-se como o castigo combinava com o pecado. Eles haviam servido aos deuses das nações ao redor, ainda que fossem os mais baixos e inúteis, e Deus os fez servir aos príncipes das nações ao redor, mesmo que fossem os mais baixos e inúteis. Quem escolhe a má companhia dos insensatos, com justiça é feito de tolo por eles. O castigo também correspondia ao que Deus já havia declarado. A mão do céu se voltou contra eles, exatamente como o Senhor havia dito e jurado (Juízes 2:15). Isso remete à aliança, em que Deus havia colocado diante deles bênção e vida, maldição e morte. Aqueles que já viram Deus fiel às suas promessas podem estar certos de que ele também será fiel às suas advertências.

Apesar disso, o Deus de infinita misericórdia se compadeceu deles em sua miséria, embora tivessem trazido esse mal sobre si por seu próprio pecado e insensatez, e os livrou. Sua aflição era resultado do pecado deles e do cumprimento da palavra de Deus, mas, no tempo devido, foram resgatados dela (Juízes 2:16-18). A razão desse livramento veio inteiramente da compaixão e da ternura de Deus. A mudança não começou neles, mas nele. Não se diz que o Senhor se comoveu por causa dos pecados deles, pois muitos permaneceram sem arrependimento. Diz-se que o Senhor se moveu por causa dos gemidos deles. Eles gemiam mais por causa do peso do sofrimento do que por causa do peso do pecado. Mereciam perecer para sempre sob a maldição divina, mas ainda era tempo de paciência e prova, por isso Deus não derramou sobre eles todo o seu furor. A justiça poderia tê-los deixado na ruína, mas a piedade não permitiu.

Deus não enviou anjos do céu para salvá-los, nem trouxe uma potência estrangeira em seu auxílio. Em vez disso, levantou juízes dentre eles mesmos, sempre que a necessidade surgia. Eram homens que Deus preparava e chamava de modo especial para aquela obra: reformar Israel e libertá-lo; e Deus concedia grande sucesso a seus esforços. O Senhor estava com os juízes quando os levantava, e assim eles se tornavam libertadores. Mesmo nos piores dias de decadência e tribulação entre o povo de Deus, ele ainda encontra ou suscita pessoas para corrigir o que está errado. É preciso reconhecer a mão de Deus no aparecimento oportuno de homens úteis para o serviço público. Ele lhes dá sabedoria e coragem, e move seus corações a agir e a se arriscar. Todos os que são bênção para sua nação devem ser vistos como dons de Deus. A quem Deus chama, ele também sustenta com sua presença. A quem ele levanta, com esse estará. E os juízes de uma terra são, de certo modo, os seus salvadores.

Mesmo assim, os israelitas corrompidos não foram de fato e plenamente reformados, nem mesmo por meio dos juízes (Juízes 2:17-19). Enquanto os juízes ainda estavam com eles, trabalhando para trazer correção, alguns não queriam ouvir. Naquele próprio tempo corriam atrás de outros deuses, como cônjuges infiéis. Tinham sido ligados a Deus, mas quebraram essa aliança de casamento e se lançaram após deuses falsos. A idolatria é adultério espiritual: tão vil, vergonhoso e traiçoeiro é esse pecado, e aqueles que se tornam viciados nele são muito difíceis de serem reconduzidos.

Alguns que começaram a melhorar em tempos de reforma logo voltaram atrás e ficaram tão maus quanto antes. Afastaram-se do bom caminho em que seus antepassados piedosos tinham andado e que lhes haviam indicado. Rapidamente escaparam tanto da força do bom exemplo de seus pais quanto do benefício de sua boa educação. Filhos ímpios de pais tementes a Deus muitas vezes fazem isso, e terão muito que responder por isso. Quando o juiz morria, eles viam como se a represa que segurava a enchente da idolatria tivesse sido removida, e então o mal voltava a entrar com força ainda maior. A geração seguinte parecia ainda pior por causa dos esforços de reforma que tinham sido feitos. Tornaram-se mais corruptos que seus pais e procuravam superá-los, multiplicando falsos deuses e inventando formas vergonhosas e ímpias de culto, quase como um protesto contra aqueles que tinham tentado reformá-los. Não largavam nenhuma de suas práticas malignas. Não se envergonhavam do culto aos ídolos mais repugnante, nem se cansavam dos atos mais bárbaros. Nem sequer davam um passo para diminuir seu curso teimoso. Aqueles que deixam os bons caminhos de Deus, depois de os conhecerem e professarem, geralmente se tornam mais ousados e desesperados no pecado, com corações ainda mais endurecidos.

Por isso, Deus continuou mantendo o castigo sobre eles. O pecado deles foi poupar os cananeus, desprezando a aliança que Deus havia feito com eles e os mandamentos que lhes tinha dado (Juízes 2:20). A punição foi que os cananeus foram poupados, de modo que Israel foi açoitado com a própria vara que preparou. Nem todos os cananeus foram entregues nas mãos de Josué enquanto ele viveu (Juízes 2:23). Nosso Senhor Jesus, embora tenha vencido principados e potestades, não consumou sua vitória de uma só vez. Ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele. Restos do poder de Satanás ainda permanecem na igreja, assim como alguns cananeus permaneceram na terra. Mas o nosso Josué vive para sempre, e no grande dia ele completará a sua conquista.

Depois que Josué morreu, pouco se fez durante muito tempo contra os cananeus. Israel se acostumou com eles e lhes deu espaço, e por isso Deus não quis mais expulsá-los (Juízes 2:21). Se queriam gente assim vivendo entre eles, que ficassem com eles e vissem o resultado. Deus escolheu os enganos deles (Isaías 66:4). Do mesmo modo, quando as pessoas alimentam seus próprios desejos e paixões corruptas, em vez de mortificá-los, preparam lugar para eles e lhes dão abrigo. Então Deus, com justiça, as deixa sob o poder de seus próprios pecados, que as destruirão. Assim, o juízo que recebem é, de certo modo, obra delas mesmas.

Esses cananeus restantes foram deixados para pôr Israel à prova (Juízes 2:22), para ver se guardariam ou não o caminho do Senhor. Não era para que Deus viesse a conhecer algo deles, mas para que eles mesmos viessem a se conhecer. A prova era se conseguiriam resistir à tentação à idolatria que os cananeus colocariam diante deles. Deus já tinha dito que eles não conseguiriam (Deuteronômio 7:4), mas eles pensavam que podiam. Então Deus permitiu que a prova viesse, e, no teste, ficou claro que o encanto dos tentadores era muito mais forte do que eles.

Deus já nos disse quão enganoso e desesperadamente corrupto é o nosso coração, mas somos lentos em crer nisso. Muitas vezes só aprendemos essa verdade ao nos experimentar diante da tentação e descobrir, para nossa tristeza, por uma experiência dolorosa, que é exatamente assim.

A questão também era se eles iriam aproveitar as aflições causadas pelos povos que ficaram na terra. Aqueles povos restantes trariam muitos sofrimentos. Será que Israel deixaria que esses problemas o convencessem de seu pecado, o humilhassem, o corrigissem e o conduzissem de volta a Deus e ao dever? Será que esses constantes alarmes o manteriam em santo temor, com medo de provocar a ira de Deus?

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