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Josué 6:17 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Porém a cidade será anátema ao Senhor, ela e tudo quanto houver nela; somente a prostituta Raabe viverá; ela e todos os que com ela estiverem em casa; porquanto escondeu os mensageiros que enviamos. "

Josué 6:17

menu_book Versículo no contexto

15 E sucedeu que, ao sétimo dia, madrugaram ao subir da alva, e da mesma maneira rodearam a cidade sete vezes; naquele dia somente rodearam a cidade sete vezes.

16 E sucedeu que, tocando os sacerdotes pela sétima vez as buzinas, disse Josué ao povo: Gritai, porque o Senhor vos tem dado a cidade.

17 Porém a cidade será anátema ao Senhor, ela e tudo quanto houver nela; somente a prostituta Raabe viverá; ela e todos os que com ela estiverem em casa; porquanto escondeu os mensageiros que enviamos.

18 Tão-somente guardai-vos do anátema, para que não toqueis nem tomeis alguma coisa dele, e assim façais maldito o arraial de Israel, e o perturbeis.

19 Porém toda a prata, e o ouro, e os vasos de metal, e de ferro são consagrados ao Senhor; irão ao tesouro do Senhor.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O povo tinha seguido cuidadosamente as ordens dadas para o cerco de Jericó, e Josué lhes dissera: “O Senhor vos tem dado a cidade” (Josué 6:16). Assim, nestes versículos vemos tanto as regras para tomá‑la como a maneira pela qual Deus executou tudo. Deus lhes deu a cidade, por isso ele também podia decidir como ela seria usada e impor sobre ela os limites que quisesse. Ela lhes foi entregue como cidade consagrada ao Senhor, sendo a primeira, e talvez a pior, de todas as cidades de Canaã.

Em primeiro lugar, a própria cidade devia ser queimada, e toda vida existente nela devia ser entregue à justiça de Deus. Isso já estava claro em Josué 6:17: “A cidade será anátema ao Senhor, ela e tudo quanto houver nela”. Nenhuma vida dentro dela poderia ser poupada em nenhuma condição. Como doador da vida, Deus podia requerê‑la de volta, e, como Juiz dos pecadores, tinha o direito de puni‑los. Quem pode questionar sua sentença? Deus não foi injusto ao agir assim. Mais do poder de Deus foi mostrado na tomada de Jericó do que em qualquer outra cidade de Canaã, por isso Jericó devia ser mais plenamente consagrada a ele do que as demais. Esse juízo severo também poria temor nas outras cidades e enfraqueceria a coragem delas diante de Israel. Raabe e sua família foram a única exceção. Ela mostrara bondade para com Israel, portanto receberia bondade em retorno, e sem demora.

Em segundo lugar, toda a riqueza da cidade, o dinheiro, a prata, o ouro e os bens preciosos deviam ser destinados ao serviço do tabernáculo e acrescentados às coisas consagradas a Deus. Os judeus diziam que isso era porque a cidade fora tomada num sábado. Desse modo, Deus era honrado pelo embelezamento e sustento do seu tabernáculo. Também se providenciava o custeio especial do culto. Ao mesmo tempo, Israel era ensinado a não prender o coração às riquezas nem gastar suas forças em ajuntar bens para si mesmos. Deus lhes prometera uma terra que mana leite e mel, não uma terra que transborda prata e ouro. Ele queria que vivessem com conforto suficiente para servi‑lo com alegria, mas não que corressem atrás de comércio com terras distantes ou ajuntassem riqueza para muitos anos. Queria que se considerassem ricos quando a casa de Deus estivesse enriquecida, e vissem o que ali era depositado como verdadeira honra e verdadeira riqueza.

Em terceiro lugar, eles receberam uma advertência severa para não tocarem no despojo proibido. O que tinha sido consagrado a Deus se tornaria maldição para eles, caso se apropriassem disso. Por isso Josué disse: “Guardai‑vos do anátema” (Josué 6:18). Ele sabia que seriam tentados a estender a mão para aquilo, por isso os advertiu a se conter e a temer qualquer envolvimento com aquilo. Falou como alguém que prevê o pecado de Acã, narrado no capítulo seguinte. Por isso acrescentou a advertência de que não deviam tornar o arraial de Israel em anátema, trazendo sobre ele perturbação, como Acã depois fez.

Então o acesso à cidade foi aberto pela súbita queda dos muros, ou pelo menos da parte do muro que ficava diante de onde estavam quando gritaram (Josué 6:20). “O muro caiu abaixo”, e provavelmente matou muitas pessoas, incluindo guardas que vigiavam sobre ele ou outros que se comprimiam perto para ver Israel rodear a cidade. A Escritura relata milhares mortos pela queda de um muro (1 Reis 20:30). Aquilo em que confiavam para defesa tornou‑se sua ruína. A queda repentina deve ter lançado a cidade em tal pânico que ninguém teve ânimo para resistir. Tornaram‑se presa fácil da espada de Israel, aprendendo quão inútil é fechar os portões contra um povo cujo Cabeça é o Senhor (Miquéias 2:13). O Deus do céu pode, com facilidade, quebrar qualquer poder que se levante contra ele e contra sua igreja, e certamente o fará. Portas de bronze e ferrulhos de ferro são como palha e madeira podre diante dele (Isaías 45:1‑2). Quem me conduzirá à cidade forte? “Não serás tu, ó Deus?” (Salmo 60:9‑10). Assim também o reino de Satanás cairá, e ninguém prosperará endurecendo‑se contra Deus.

Depois veio a execução das ordens relativas a essa cidade consagrada. Todo ser que respirava foi passado ao fio da espada, não apenas os homens de guerra, mas também mulheres, crianças e velhos. Ainda que suplicassem por misericórdia e implorassem pela vida, nenhuma piedade lhes era permitida. Foram totalmente destruídos (Josué 6:21). Se isso não tivesse sido feito sob um mandamento claro de Deus, confirmado por milagres, jamais poderia ser justificado. Não pode ser usado para justificar nada semelhante hoje, porque não temos tal ordem. Mas, uma vez que o justo Juiz do céu e da terra o determinou, e como ele não erra quando toma vingança, eles serviram como fiéis ministros de sua justiça. Naquele tempo, o trabalho para Deus era trabalho sangrento, e era maldito executá‑lo de forma descuidada ou com espada frouxa (Jeremias 48:10). O espírito do evangelho é bem diferente, pois Cristo não veio para destruir as vidas dos homens, mas para salvá‑las (Lucas 9:56). Suas vitórias eram de outra natureza.

O gado foi morto juntamente com seus donos, como ofertas adicionais à justiça divina. Quando o gado de Israel era morto no altar, era aceito como sacrifício pelo povo. Mas o gado desses cananeus precisava morrer com eles, porque a culpa deles não foi removida por sacrifícios e ofertas. Em ambos os casos, Deus foi glorificado.

A cidade foi então queimada a fogo, junto com tudo o que havia nela (Josué 6:24). Os israelitas podiam ter esperado fazer de Jericó, uma cidade grande e bem edificada, o seu principal acampamento. Mas Deus ainda queria que vivessem em tendas, e por isso queimou esse “ninho” e impediu que se estabelecessem ali. Toda a prata e o ouro, e todo utensílio que pudesse ser purificado pelo fogo, foram levados para o tesouro da casa do Senhor. Ele não precisava disso, mas era honrado assim como Senhor dos Exércitos, o Deus que dera a vitória e, portanto, podia reivindicar o despojo, seja todo ele, como aqui, seja em outras ocasiões apenas o dízimo (Hebreus 7:4).

Raabe, a prostituta, ou hospedeira, foi preservada e não pereceu com os incrédulos (Hebreus 11:31). Os dois espias tinham dado garantia pública de que ela estaria segura, e o fizeram como representantes do povo. Assim, embora a tomada da cidade devesse ter sido apressada e caótica, Josué cuidou para que ela fosse protegida. Os mesmos homens que ela escondera foram usados para garantir a sua segurança (Josué 6:22‑23).

As pessoas mais aptas para executar essa tarefa eram justamente as que conheciam Raabe e os de sua casa. Também eram as mais adequadas, para que ficasse claro que ela era honrada por causa da bondade que demonstrara a eles, e que sua vida lhe era restituída como despojo arrancado da destruição. Todos os seus parentes foram salvos com ela. Como Noé, ela creu, e sua fé resultou na salvação da sua casa; do mesmo modo, a fé em Cristo traz salvação para a casa (Atos 16:31).

Alguns perguntam como a casa dela, que se dizia estar sobre o muro (Josué 2:15), não caiu quando o muro caiu. Sabemos com certeza que não caiu, porque ela e sua família ficaram em segurança ali. Ou a casa ficava tão junto ao muro que se dizia estar “sobre” ele, mas ainda assim longe o bastante para não cair com ele nem sob ele. Ou, mais provavelmente, aquele trecho do muro onde sua casa estava não caiu de modo algum.

Depois de preservada com vida, ela foi deixada fora do arraial por algum tempo, para ser purificada da superstição gentílica de que estava se afastando e preparada para ser recebida como convertida. No tempo oportuno, foi introduzida no povo de Israel, e ela e sua descendência passaram a morar entre eles. Sua família tornou‑se notável muito tempo depois. Mais adiante a encontramos como esposa de Salmom, um príncipe de Judá, mãe de Boaz, e incluída entre os ancestrais do nosso Salvador (Mateus 1:5). Ela acolhera israelitas como israelitas, e recebeu a recompensa de um israelita.

O bispo Pearson observa que o fato de Josué poupar Raabe, a prostituta, e recebê‑la em Israel prefigurou Cristo recebendo publicanos e meretrizes em seu reino e dando‑lhes lugar ali (Mateus 21:31). Isso também pode apontar para a conversão dos gentios.

Jericó foi então colocada sob uma maldição duradoura. Josué vinculou o povo, isto é, os anciãos e toda a nação de Israel, não apenas pelo próprio compromisso, para que eles e seus filhos nunca reconstruíssem a cidade, mas também pelo mandamento de Deus, já que o próprio Deus a proibira sob a severa pena aqui declarada (Josué 6:26). Deus fez isso por duas razões. Primeiro, para que todos vissem o peso de uma maldição divina. Onde a maldição de Deus repousa, ninguém pode lutar contra ela nem escapar dela. Ela traz uma ruína que não pode ser reparada.

Em segundo lugar, Deus queria que as ruínas ficassem como um sinal permanente de sua ira contra os cananeus, quando o pecado deles chegou ao limite, e também de sua misericórdia para com o seu povo, quando chegou o tempo de eles se estabelecerem em Canaã. A cidade destruída mostrava tanto o favor de Deus a Israel como a vergonha da ingratidão do povo, quando mais tarde se esqueceram daquele que tinha feito tanto por eles. A beleza do lugar e a proximidade com o Jordão provavelmente tornavam Jericó muito útil, o que poderia levar os homens a querer reconstruí-la. Mas eles foram advertidos de que fazê‑lo lhes custaria muito caro.

As pessoas costumam construir pensando nos filhos e netos, mas o homem que reconstruísse Jericó não teria descendentes para desfrutar da obra. Seu filho mais velho morreria quando ele começasse o trabalho e, se ainda assim persistisse em desafiar a ordem divina, seu filho mais novo morreria quando terminasse a construção, sendo provável que os outros filhos morressem entre um momento e outro. Essa maldição, que não foi lançada sem motivo, recaiu sobre o homem que reconstruiu Jericó muito tempo depois (1 Reis 16:34). Porém, não se deve pensar que isso tornou o lugar em si pior quando foi novamente edificado, nem que trouxe dano inevitável aos que ali moraram. Mais tarde encontramos Jericó honrada com a presença de Elias e Eliseu, e também de nosso bendito Salvador (Lucas 18:35; Lucas 19:1; Mateus 20:29). É algo perigoso tentar reedificar o que Deus decidiu destruir (Malaquias 1:4).

Por fim, tudo isso aumentou a honra e a reputação de Josué (Josué 6:27). Tornou‑o não apenas aceito por Israel, mas temido pelos cananeus, porque ficou claro que Deus realmente estava com ele. A tradição caldaica diz que a Palavra do Senhor estava com ele, o próprio Cristo, o mesmo que estivera com Moisés. Nada pode elevar mais a posição de uma pessoa, nem mostrar com mais clareza a verdadeira grandeza, do que ter sinais evidentes de que Deus está com ela.

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