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João 20:1 - Significado e aplicação

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Traducao: Almeida Corrigida Fiel

" E no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro. "

João 20:1

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1

E no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro.

2

Correu, pois, e foi a Simão Pedro, e ao outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram.

3

Então Pedro saiu com o outro discípulo, e foram ao sepulcro.

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Os apóstolos estavam profundamente preocupados em fornecer provas sólidas da ressurreição de seu Mestre. Em primeiro lugar, Jesus havia indicado a ressurreição como a prova final e mais forte de que ele era o Messias. Aqueles que não quiseram crer nos outros sinais foram encaminhados ao “sinal de Jonas”, e os inimigos de Cristo estavam ansiosos por ocultar esse fato. Se Jesus realmente ressuscitou, então eles não eram apenas assassinos, mas assassinos do próprio Messias.

Em segundo lugar, toda a obra de redenção de Cristo dependia disso. Se ele entregou a sua vida em resgate e nunca a retomou, não ficaria evidente que seu sacrifício foi aceito. Se ele fosse retido na prisão da morte por causa da nossa dívida e ali permanecesse, então estaríamos perdidos (1 Coríntios 15:17). Em terceiro lugar, ele não se mostrou vivo, depois da ressurreição, a todo o povo (Atos 10:40-41). Seria de se esperar que sua morte vergonhosa fosse reservada e sua ressurreição gloriosa, pública; mas Deus agiu de outra forma.

Deus permitiu que sua morte acontecesse às claras, em plena luz do dia, e até o sol escondeu o rosto naquele momento. Já os sinais de sua ressurreição foram guardados para seus amigos mais íntimos, e, por meio deles, a notícia foi levada ao mundo. Assim, os que não viram ainda podem ser bem-aventurados se crerem. Esse tipo de prova satisfaz plenamente os que estão dispostos a receber o ensino de Cristo, e ao mesmo tempo deixa espaço para a incredulidade teimosa. É uma prova justa para aqueles que estão sendo experimentados.

Nestes versículos vemos o primeiro passo na demonstração da ressurreição de Cristo: o túmulo foi encontrado vazio. Ele não está aqui; e, se é assim, seus inimigos precisam explicar onde ele está, ou então devemos concluir que ele ressuscitou.

Maria Madalena, uma seguidora devota de Jesus, foi ao sepulcro e encontrou a pedra removida. João menciona apenas ela aqui, e não as outras mulheres, porque parece ter sido a mais zelosa e ativa nessa visita, e seu amor por Jesus era especialmente intenso. Esse amor vinha da gratidão, pois ele fizera grandes coisas por ela. Muito lhe havia sido perdoado, por isso ela muito amou. Enquanto Jesus viveu, ela seguiu seu ensino e ajudou a sustentá-lo com seus bens (Lucas 8:2-3).

Ela não tinha outro motivo para estar em Jerusalém, a não ser o desejo de servi-lo. As mulheres não eram obrigadas a subir para a festa, e é provável que ela tenha permanecido perto de Jesus porque sabia que sua partida estava próxima, como Eliseu permaneceu junto de Elias quando seu mestre estava prestes a ser levado (2 Reis 2:1-6). Seu respeito constante por Jesus, tanto antes quanto depois da morte dele, mostra que seu amor era verdadeiro. O amor por Cristo, quando é sincero, permanece firme.

Seu amor foi forte o bastante para fazê-la permanecer junto à cruz, e forte o bastante para conduzi-la ao túmulo. Ela foi ao sepulcro para chorar ali e para ungir o corpo com as especiarias que havia preparado. Um túmulo não é um lugar que as pessoas gostem de frequentar, sobretudo as mais medrosas. A lei judaica também desestimulava o contato com sepulturas e cadáveres além do estritamente necessário.

Ao ir ao túmulo de Jesus, ela também corria o risco de levantar suspeitas, como se tivesse ido ajudar a roubar o corpo. E, do ponto de vista prático, o que ela realmente poderia fazer por ele ali? Ainda assim, seu amor respondia a todas essas objeções. Devemos buscar honrar Cristo mesmo nas coisas em que, à primeira vista, não parecemos poder ser úteis a ele. O amor por Cristo também remove grande parte do temor da morte e do túmulo. Se precisarmos chegar a Cristo passando por esse vale escuro, não temeremos mal algum se o amarmos.

Ela foi assim que pôde. Era o primeiro dia da semana, logo depois de terminado o sábado. Ela não tinha pressa de voltar a comprar e vender, mas estava ansiosa por estar junto ao sepulcro. Quem ama a Cristo aproveitará a primeira oportunidade para demonstrar respeito por ele. Esse foi o primeiro sábado cristão, e ela o iniciou buscando a Cristo. Passara o dia anterior lembrando a criação e descansando, mas agora se volta para a redenção e vai a Cristo, e a Cristo crucificado.

Ela foi cedo, ainda escuro. Quem deseja buscar a Cristo e encontrá-lo, deve buscá-lo de madrugada. Isso significa buscá-lo com empenho, com uma preocupação tão intensa que é capaz de tirar o sono. Significa também buscá-lo com diligência, dispostos a negar a nós mesmos e abrir mão de conforto por causa dele. E significa buscá-lo cedo na vida, e cedo a cada dia. “De manhã ouvirás a minha voz.” Um dia que começa assim tende a terminar bem. Aqueles que buscam a Cristo com cuidado enquanto ainda é escuro recebem uma luz que vai brilhando mais e mais.

Quando viu a pedra removida, a cena a surpreendeu, pois não esperava isso. Cristo crucificado é a fonte da vida. Seu túmulo é um dos poços da salvação, e, se nos aproximamos dele com fé, encontramos a pedra removida, como uma nascente que deixa de estar lacrada (Gênesis 29:10). Então temos livre acesso ao consolo que dele procede. Os que buscam cedo costumam ser surpreendidos por consolações.

Isso também foi o início de uma descoberta gloriosa. O Senhor havia ressuscitado, embora ela ainda não entendesse assim. Os que permanecem mais perto de Cristo e continuam a buscá-lo com diligência costumam receber os primeiros e mais doces sinais da graça de Deus. Maria Madalena, que acompanhou Cristo até o fim da sua humilhação, esteve entre os primeiros a encontrá-lo em sua glória. Deus normalmente se revela e concede seu consolo aos poucos, para despertar nossa esperança e manter-nos buscando.

Quando Maria viu a pedra removida, voltou logo para junto de Pedro e João, que provavelmente estavam juntos ali por perto, e lhes contou o que havia visto. “Levaram o Senhor do sepulcro”, disse ela, como se alguém tivesse roubado até a honra de um lugar de sepultamento para ele. “Não sabemos onde o puseram, nem onde encontrá-lo, para lhe prestarmos nossas últimas homenagens.”

Aqui vemos como Maria compreendia as coisas naquele momento. Ela viu a pedra retirada, olhou para dentro do túmulo e o encontrou vazio.

Poderíamos esperar que seu primeiro pensamento fosse: “Certamente o Senhor ressuscitou”, pois sempre que Jesus havia dito que seria crucificado, também afirmara que ressuscitaria ao terceiro dia. Ela acabara de ver essa promessa ser cumprida na crucificação, e estava perto do sepulcro, ou a caminho dele, quando o terremoto aconteceu. No entanto, a ideia da ressurreição parece não ter lhe passado pela mente.

A explicação estranha que ela dá para a pedra removida mostra o quanto seu pensamento estava distante dessa esperança. Quando olhamos para nossa própria conduta em uma época escura e angustiante, muitas vezes nos perguntamos como pudemos deixar passar verdades que depois parecem tão claras. Coisas que deveriam ter sido evidentes podem parecer ocultas justamente quando mais precisamos delas.

Maria Madalena pensou: “Levaram o Senhor.” Ela talvez quisesse dizer que os principais sacerdotes haviam removido Jesus para sepultá-lo em lugar pior, ou que José de Arimateia e Nicodemos, que haviam cuidado do corpo dele, o tinham levado para evitar a ira dos judeus. Seja qual for a hipótese que tenha imaginado, o túmulo vazio a abalou profundamente. Contudo, se ela tivesse compreendido o que estava acontecendo, nada poderia ter sido mais alegre.

Crentes fracos muitas vezes tratam como perda aquilo que, na verdade, é motivo de esperança. Lamentamos quando algum conforto terreno nos é tirado e não sabemos como o recuperaremos. Mas a retirada de consolos temporais, das coisas desta vida, pode estar abrindo espaço para a ressurreição de consolos espirituais, que deveríamos acolher com alegria.

Maria não ficou sozinha em sua tristeza. Foi contar a Pedro e João o que havia visto. Esse é um bom uso da comunhão entre os crentes: trazer as dores à luz. Pedro, embora tivesse negado o Mestre, não se separou dos amigos de Cristo. O fato de andar em companhia do discípulo a quem Jesus amava, João, mostrava que seu arrependimento era verdadeiro. E a continuidade da amizade dos outros com Pedro nos ensina a restaurar com mansidão aqueles que caíram. Se Deus os recebe quando se arrependem, por que nós os rejeitaríamos?

Pedro e João então correram ao sepulcro para ver com os próprios olhos se o relato era verdadeiro e, se possível, entender mais (João 20:3-4). Alguns pensam que os outros discípulos estavam com eles quando a notícia chegou, pois as mulheres contaram essas coisas aos onze (Lucas 24:9). Outros entendem que Maria Madalena contou o que vira apenas a Pedro e João, enquanto as outras mulheres falaram com os demais. Em todo caso, somente Pedro e João foram ao túmulo, e ambos estavam entre os três discípulos que Jesus honrara de modo especial. É um bom sinal quando aqueles que receberam maior privilégio no discipulado também são os mais ativos no dever, mais prontos a trabalhar e até a se arriscar por uma boa causa.

Devemos aprender com a experiência dos outros. Quando Maria lhes contou o que havia visto, eles não se contentaram em aceitar sua palavra naquele sentido, mas foram conferir por si mesmos. Se outros nos falam do consolo e da bênção encontrados nos mandamentos e nos dons de Deus, devemos ser despertados a experimentá-los pessoalmente. Vinde e vede como é bom aproximar-se de Deus.

Devemos também estar prontos a partilhar os temores e fardos de nossos amigos. Pedro e João correram ao sepulcro para poder dar a Maria uma resposta clara e aliviar seus medos. Não devemos considerar demais qualquer esforço gasto para ajudar e consolar seguidores fracos ou temerosos de Cristo. E, quando estamos em um bom encargo, devemos apressar-nos. Pedro e João não pararam para pensar em conforto ou dignidade: correram ao sepulcro, mostrando zelo e afeto, sem perder tempo. Se estamos andando nos mandamentos de Deus, devemos correr nesse caminho.

É também bom ter companhia em uma boa obra. Talvez nenhum dos dois discípulos tivesse ido sozinho, mas juntos se dispuseram a ir. Há valor na santa companhia (Eclesiastes 4:9). Há também um tipo digno de “competição” entre discípulos, cada um procurando sobressair-se no que é bom. João, embora mais jovem, correu mais rápido do que Pedro, e isso não foi falta de respeito. Devemos fazer o nosso melhor, sem invejar os que fazem melhor do que nós, nem desprezar os que vêm depois.

João foi o que chegou primeiro ao túmulo, o discípulo a quem Jesus amava de modo especial, e que por isso também o amava de modo especial. O senso do amor de Cristo por nós, quando desperta em nós amor por ele, nos ajuda a crescer fortes na virtude. O amor de Cristo nos impulsiona mais do que qualquer outra coisa a cumprir o nosso dever. Pedro, que veio atrás, era aquele que havia negado seu Mestre e ainda estava abatido por tristeza e vergonha. A culpa pode nos tornar mais lentos e menos livres no serviço de Deus. Quando a consciência está perturbada, perdemos terreno.

Ao chegarem ao túmulo, continuaram investigando, mas a princípio aprenderam pouco. João apenas foi até onde Maria Madalena tinha ido. Ele se inclinou, olhou para dentro e viu que o túmulo estava vazio. Quem quer conhecer a Cristo precisa inclinar-se e olhar atentamente, com um coração humilde que se submete à verdade de Deus nas Escrituras. Mas João não entrou no túmulo. Sentimentos calorosos nem sempre se unem a coragem ousada. Muitos são rápidos para correr na carreira da religião, mas não são fortes para enfrentar as suas batalhas.

Pedro, embora tenha chegado depois, entrou primeiro e viu mais do que João tinha visto (João 20:6-7). João correu mais, mas Pedro não voltou atrás nem desistiu. Ele seguiu o mais rápido que pôde, e, enquanto João ainda olhava com cautela, Pedro chegou e entrou ousadamente no túmulo. Isso mostra a coragem de Pedro, e também como Deus distribui dons de maneiras diferentes. João podia correr mais que Pedro, mas Pedro podia ser mais ousado que João. Raramente é verdade da mesma pessoa o que o poeta diz de Saul e Jônatas: que eram mais ligeiros do que as águias e mais fortes do que os leões (2 Samuel 1:23). Alguns discípulos são rápidos e ajudam a despertar os que são lentos. Outros são corajosos e ajudam a fortalecer os tímidos. Os dons são diferentes, mas o Espírito é o mesmo.

A entrada de Pedro no túmulo pode nos ensinar várias coisas. Primeiro, quem realmente busca a Cristo não deve se amedrontar com medos imaginários e suposições tolas, do tipo: “Há um leão no caminho”, ou “Há um fantasma no túmulo”. Segundo, cristãos fiéis não precisam temer a sepultura, porque Cristo esteve deitado nela. Para eles, não é um lugar de terror, nem um poço de destruição, e seus vermes não são vermes sem fim. Assim, não devemos ceder ao medo que muitas vezes surge ao ver um corpo morto ou ao ficar sozinho entre sepulturas. Já que em breve também estaremos mortos e sepultados, devemos acostumar-nos à morte e à sepultura como vizinhos próximos, como diz Jó 17:14.

Terceiro, precisamos estar dispostos a passar pela sepultura para chegar a Cristo. Esse foi o caminho que ele percorreu até a glória, e é o caminho que também devemos percorrer. Se não podemos ver o rosto de Deus e permanecer vivos, é melhor morrer do que nunca vê-lo. Veja Jó 19:25 e seguintes.

Note também o que Pedro encontrou no túmulo. Cristo deixara ali as suas roupas fúnebres. Não nos é dito com que roupa ele apareceu aos discípulos, mas ele nunca apareceu vestido com mortalhas, como às vezes se imagina dos fantasmas. Ele as deixou de lado por vários motivos. Primeiro, ele ressuscitou para nunca mais morrer, de modo que a morte já não tinha domínio sobre ele (Romanos 6:9). Lázaro saiu ainda envolto em faixas, porque precisaria delas de novo, mas Cristo ressuscitou para a vida imortal e deixou esses fardos para trás. Segundo, ele estava para ser revestido de vestes de glória, por isso deixou aquelas roupas humildes. No céu, não haverá mais necessidade de vestes do que havia no Éden. Terceiro, quando ressuscitamos da morte do pecado para a vida da justiça, devemos também deixar nossas velhas roupas de sepultura, isto é, nossos pecados e caminhos corruptos. Quarto, Cristo as deixou ali para nosso proveito. Se a sepultura é um leito para os santos, ele já preparou esse leito para eles. O lenço, colocado à parte, também serve aos que choram, enquanto enxugam as lágrimas.

As roupas fúnebres foram encontradas arrumadas com cuidado, o que mostra fortemente que o corpo de Cristo não foi roubado enquanto os guardas dormiam. Ladrões de sepulcro às vezes levam as roupas e deixam o corpo, mas dificilmente alguém levaria o corpo e deixaria as roupas, sobretudo quando eram lençóis de linho finos e novos (Marcos 15:46). Mesmo que ladrões quisessem deixar as faixas, é difícil crer que teriam tomado tempo para dobrá-las.

A ousadia de Pedro então encorajou João, o discípulo a quem Jesus amava. João agora criou coragem e entrou também (João 20:8), e “viu e creu”. Não se trata apenas de crer no relato de Maria de que o corpo não estava mais ali, o que já era evidente. Ele começou a crer que Jesus de fato havia ressuscitado, embora sua fé ainda fosse fraca e incerta.

João seguiu o exemplo de Pedro no ato de ousar entrar. Parece que ele não teria entrado se Pedro não tivesse ido primeiro. É bom quando a coragem de um crente fortalece a de outro. Ver alguém enfrentar um perigo por uma boa causa pode diminuir um pouco os nossos próprios temores. Talvez a rapidez de João tenha feito Pedro correr mais depressa, e agora a ousadia de Pedro fez João ir mais longe do que qualquer um deles teria ido sozinho. Pedro tinha caído recentemente ao negar a Cristo, e João tinha sido honrado ao receber a responsabilidade pela mãe de Jesus; mesmo assim, João não achou indigno seguir Pedro.

Ainda assim, João parece ter crido antes de Pedro. Pedro viu e se admirou (Lucas 24:12), mas João viu e creu. Uma mente mais inclinada à reflexão tranquila às vezes apreende a verdade divina mais depressa do que uma mente sempre pronta para a ação. Por que foram tão lentos em crer? Porque, como o próprio João diz, ainda não entendiam a Escritura, isto é, ainda não tinham pensado e aplicado devidamente o que sabiam dela: que o Cristo devia ressuscitar dentre os mortos (João 20:9). O Antigo Testamento falava da ressurreição do Messias. Eles criam que Jesus era o Messias, e ele muitas vezes lhes dissera que ressuscitaria conforme as Escrituras. No entanto, não estavam preparados para ligar essas verdades ao que estavam vendo.

Essa lentidão em crer na verdade acaba fortalecendo o testemunho posterior deles. Mostra que os discípulos não estavam ansiosos para acreditar na ressurreição. Não eram do tipo que aceita qualquer coisa facilmente. Se quisessem inventar a história por interesse próprio, teriam agarrado logo o primeiro sinal e construído o relato em torno dele. Em vez disso, suas esperanças tinham sido frustradas, e a ressurreição estava longe de seus pensamentos. Pedro e João foram tão cautelosos no começo que somente as provas mais claras puderam levá-los depois a testemunhar com tanta convicção. Isso mostra que eram homens honestos, que não queriam enganar outros, e cuidadosos, que não se deixariam enganar com facilidade.

A razão de sua demora foi que ainda não entendiam a Escritura. Isso também parece incluir a antiga fraqueza do próprio evangelista junto com a deles. Ele não diz que Jesus ainda não lhes aparecera nem mostrara as mãos e o lado. Diz, sim, que ainda não tinham entendido a Escritura, porque Jesus ainda não lhes abrira o entendimento para a compreenderem (Lucas 24:44-45). A Escritura é a palavra profética mais segura.

Pedro e João não prosseguiram mais na investigação. Pararam ali, ainda oscilando entre a fé e a incredulidade (João 20:10). Voltaram para sua casa, isto é, para o lugar onde se hospedavam com os outros discípulos, pois não tinham residência fixa em Jerusalém. Saíram por dois motivos. Primeiro, temiam ser presos sob suspeita de terem roubado o corpo, ou serem culpados agora que estava desaparecido. Em vez de crescerem na fé, pensaram em sua própria segurança. Em tempos difíceis e perigosos, até pessoas piedosas lutam para seguir adiante com plena coragem. Segundo, não sabiam como interpretar o que tinham visto, nem o que deviam fazer em seguida. Como lhes faltou coragem para permanecer junto ao sepulcro, voltaram para casa e esperaram que Deus esclarecesse o assunto, o que mostra a fraqueza deles naquele momento.

O restante dos discípulos provavelmente estava reunido, e os dois voltaram para contar o que tinham visto e decidir o que fazer em seguida. É bem possível que tenham combinado de se encontrar de novo naquela mesma noite, quando Cristo lhes apareceu.

Vale notar que, antes de Pedro e João chegarem ao sepulcro, um anjo já tinha aparecido ali, removido a pedra, colocado os guardas em pavor e consolado as mulheres. Depois que Pedro e João foram embora, Maria Madalena viu dois anjos dentro do sepulcro (João 20:12). Porém, quando Pedro e João entraram no túmulo, não viram anjo nenhum. Como entender isso?

Os anjos aparecem e desaparecem conforme a ordem de Deus. Eles podem estar realmente presentes mesmo quando não são vistos, e podem até ser vistos por uma pessoa e não por outra ao mesmo tempo (Números 22:23; 2 Reis 6:17). Não devemos tentar explicar exatamente como ficaram visíveis, depois invisíveis e depois visíveis de novo. O relato mostra com clareza que isso de fato aconteceu.

Esse favor parece ter sido concedido aos que perseveraram em buscar a Cristo de maneira cedo e constante. Foi como uma recompensa para os que chegaram primeiro e permaneceram mais tempo, enquanto foi retido daqueles que só fizeram uma breve visita. Os apóstolos não deviam receber suas instruções por meio de anjos, mas do Espírito da graça. Veja Hebreus 2:5.

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