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Joel 3:9 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Proclamai isto entre os gentios; preparai a guerra, suscitai os fortes; cheguem-se, subam todos os homens de guerra. "

Joel 3:9

menu_book Versículo no contexto

7 Eis que eu os suscitarei do lugar para onde os vendestes, e farei tornar a vossa paga sobre a vossa própria cabeça.

8 E venderei vossos filhos e vossas filhas na mão dos filhos de Judá, que os venderão aos sabeus, a um povo distante, porque o Senhor o disse.

9 Proclamai isto entre os gentios; preparai a guerra, suscitai os fortes; cheguem-se, subam todos os homens de guerra.

10 Forjai espadas das vossas enxadas, e lanças das vossas foices; diga o fraco: Eu sou forte.

11 Ajuntai-vos, e vinde, todos os gentios em redor, e congregai-vos. Ó Senhor, faze descer ali os teus fortes;

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aquilo que o salmista, há muito tempo, dissera que deveria ser anunciado entre as nações (Salmo 96:10), o profeta agora declara que também deve ser proclamado a todos os povos: o Senhor reina, ele vem, e vem para julgar a terra, assim como já vem julgando na terra ao longo da história. Esse aviso sobre Deus julgar as nações pode apontar para a queda de Senaqueribe, Nabucodonosor, Antíoco e, sobretudo, do Anticristo, junto com todos os inimigos soberbos da igreja de Cristo. Mas alguns dos melhores intérpretes, antigos e modernos, especialmente o douto Dr. Polock, entendem que estes versículos descrevem o juízo final por meio da figura de Deus fazendo guerra contra os inimigos de seu reino e recolhendo a seara da terra, duas imagens também usadas em Apocalipse (Apocalipse 19:11; Apocalipse 14:18).

Em primeiro lugar, há aqui um desafio a todos os inimigos do reino de Deus para que façam o seu pior. Para mostrar que Deus já está se preparando para a guerra, eles são convocados a preparar guerra contra ele (Joel 3:9-11). Quando chega a hora do juízo de Deus, meios poderosos são usados para ajuntar todas as nações para a batalha daquele grande dia do Deus Todo‑Poderoso (Apocalipse 16:14; Apocalipse 20:8). As palavras têm tom de ironia: “Proclamai isto entre os gentios. Convocai todos os exércitos do mundo para se unirem contra Deus e o seu povo.” É como em Isaías 7:9: “Ajuntai-vos, ó povos, e sereis quebrantados; cingi-vos, e sereis feitos em pedaços.”

Assim, a ordem é dada: preparai a guerra, ajuntai as forças, despertai os valentes, fazei-os avançar, incitai-os à vigilância e à coragem, e cheguem-se todos os homens de guerra. Que venham enfrentar a Onipotência, se ousarem. Que não reclamem de falta de armas, mas transformem seus arados em espadas e suas foices de poda em lanças. Decidam, se quiserem, nunca mais voltar à lavoura, mas sair para conquistar ou morrer. Que ninguém se escuse por se julgar incapaz de combate, mas até o fraco diga: “Sou forte” e entre na peleja.

Dessa maneira, o Deus de todo poder desafia qualquer ataque das potestades das trevas. Que as nações se enfureçam e que os reis da terra se levantem contra o Senhor e contra o seu Cristo. Que se ajuntem, mas aquele que está assentado nos céus se rirá deles, e, enquanto os convoca, ao mesmo tempo os despreza (Salmo 2:1, Salmo 2:4). As nações precisam ser despertadas, como se fossem levantadas dentre os mortos, para subirem ao vale de Josafá, a fim de receberem sua sentença (Joel 3:12). É como se tivessem de sair de seus túmulos e até subir ao ar para se encontrarem com o Senhor ali.

Josafá significa “o juízo do Senhor”. Assim, o nome aponta para o lugar do juízo de Deus, e provavelmente essa é a principal razão de ser usado aqui. Ele também se ajusta ao nome de um lugar real, já conhecido anteriormente. Ali Deus se assentará para julgar as nações, diante do trono de glória, onde todos os povos serão reunidos (Mateus 25:32). Diante do tribunal de Cristo, todos deverão comparecer.

O desafio em Joel 3:9 se torna uma convocação em Joel 3:12. Não é apenas “Vinde, se ousardes”, mas “Vireis, queiram ou não”, pois ninguém pode escapar aos juízos de Deus. Em segundo lugar, é dada uma ordem aos ministros da justiça divina para que venham agir contra esses ousados inimigos de seu reino: “Ó Senhor, faze descer ali os teus fortes!” (Joel 3:11). Quando os inimigos trazem suas forças ao campo, que Deus traga as dele. Que a trombeta do arcanjo soe o ajuntamento de seus valentes, isto é, de seus anjos. Talvez por isso a vinda de Cristo do céu, no último dia, seja descrita como “com os anjos do seu poder” (2 Tessalonicenses 1:7). Eles são os exércitos do Senhor, que pelejarão suas batalhas quando ele abater todo governo, poder e autoridade que se opõem e julgar entre as nações (Salmo 110:6).

Alguns entendem que as palavras em Joel 3:9-10, “Preparai guerra, suscitai os valentes”, não são um desafio aos exércitos inimigos, mas um mandado às próprias forças de Deus. Que se cheguem e subam. Quando a causa de Deus precisa ser defendida, seja em tribunal, seja em campo de batalha, ele tem quem esteja pronto para servi-lo bem. Tem testemunhas preparadas para falar em seu favor no juízo e soldados prontos para lutar por ele na guerra. Se for necessário, baterão relhas de arado para fazer espadas. Contudo, é claro que a eles é dada a ordem em Joel 3:13: “Lançai a foice, porque já está madura a seara.” Isso significa que a maldade do povo é grande, sua culpa está completa e eles estão maduros para a ruína. Nosso Salvador explicou isso em Mateus 13:39. A seara é o fim do mundo, e os ceifeiros são os anjos. Eles são instruídos a lançar a foice afiada e recolher tanto a seara quanto a vindima (Apocalipse 14:15, Apocalipse 14:18). A lição é clara: grande maldade torna as pessoas maduras para o juízo de Deus.

Em terceiro lugar, haverá uma multidão imensa naquele grande e solene dia (Joel 3:14): “Multidões, multidões, no vale da decisão.” É o mesmo lugar que antes foi chamado de vale de Josafá, ou juízo do Senhor, porque o dia do Senhor está perto nesse vale. O dia do juízo sempre foi descrito como próximo. Enoque disse: “Eis que vem o Senhor”, como se o Juiz já estivesse à porta, porque esse dia é certo e chegará no tempo determinado. Mil anos, para Deus, são como um dia. As coisas estão rapidamente amadurecendo para esse momento, e devemos estar sempre prontos, pois o nosso juízo está perto.

O dia do juízo será o dia da decisão, quando o estado eterno de cada pessoa será fixado, e o longo conflito entre o reino de Cristo e o reino de Satanás chegará ao fim. A versão caldaica o chama de vale da distribuição do juízo, quando cada um receberá segundo o que tiver feito por meio do corpo. A margem o chama de vale da debulha, continuando a imagem da colheita de Joel 3:13. Ali os inimigos soberbos do povo de Deus serão esmagados e reduzidos a pó, como a palha numa eira de verão.

Incontáveis multidões se ajuntarão ali para receber sua sentença final, assim como, na destruição de Gogue, lemos do vale de Hamom-Gogue e da cidade de Hamoná (Ezequiel 39:15, Ezequiel 39:16). Esses nomes significam a multidão dos inimigos derrotados, e é essa a palavra usada aqui, com espanto, como se dissesse: “Oh, que imensas multidões de pecadores a justiça divina será glorificada em destruir naquele dia!” Um rabino disse que será uma multidão dos vivos e uma multidão dos mortos, pois Cristo virá para julgar vivos e mortos.

Em quarto lugar, haverá então uma mudança espantosa no mundo da natureza (Joel 3:15). O sol e a lua se escurecerão, como já se dissera antes em Joel 2:31.

Seu brilho e esplendor serão ofuscados pela glória infinitamente maior do Juiz quando ele aparecer. Na verdade, eles mesmos serão postos de lado quando todas as coisas forem desfeitas. Os que se perderem no inferno não terão luz própria, pois o próprio Deus será a sua luz eterna (Isaías 60:19). Os que caírem sob a ira de Deus naquele dia serão privados de todo consolo e alegria. Isso é retratado pelo escurecimento não só do sol e da lua, mas também das estrelas.

Os efeitos daquele dia sobre as pessoas do mundo e sobre o povo de Deus serão muito diferentes, conforme o que esse dia representa para cada um. Para os ímpios, será dia terrível. O Senhor então falará desde Sião e desde Jerusalém, do trono de sua glória, do céu, onde se manifesta de modo especial. Em tempos passados, ele às vezes o fazia desde o trono de glória de seu santuário, mas aquilo era apenas uma pálida figura da glória daquele dia. Ele falará desde o céu, do meio de seus santos e anjos, como alguns entendem. Essa santa assembleia pode ser chamada Sião e Jerusalém, pois, quando chegamos à Jerusalém celestial, chegamos à incontável multidão de anjos (Hebreus 12:22, Hebreus 12:25).

A sua voz naquele dia soará para os ímpios como um bramido, forte como o rugido de um leão, que é o sentido da palavra. Ele permaneceu em silêncio por muito tempo, mas agora o nosso Deus virá e não se calará (Salmo 50:3, Salmo 50:21). O juízo do grande dia fará zunir os ouvidos daqueles que persistem como inimigos obstinados do reino de Deus. A voz de Deus então fará tremer de modo terrível o céu e a terra (Isaías 2:21), mais uma vez (Ageu 2:6; Hebreus 12:26). Isso mostra que a voz de Deus, no grande dia, infundirá tal pavor nos ímpios que seria suficiente para lançar céu e terra em espanto.

Quando Deus vier para abater e destruir seus inimigos e pô-los todos por estrado de seus pés, será inútil se céu e terra tentarem defendê-los. A própria criação tremerá diante dele, e não será refúgio seguro para os que estiverem sob a sua ira. As bênçãos que saem de Sião são as mais doces, capazes de fazer céu e terra cantar. Da mesma forma, os terrores que procedem de Sião são os mais agudos, suficientes para fazer céu e terra estremecer.

Para os justos, será um dia de alegria. Quando o céu e a terra tremerem, forem desfeitos e queimados, então o Senhor será a esperança do seu povo e a fortaleza dos filhos de Israel (Joel 3:16), e então Jerusalém será santa (Joel 3:17). Os santos são o Israel de Deus. Eles são o seu povo, e a igreja é a sua Jerusalém. Vivem em aliança e comunhão com ele. Naquele grande dia, seus anseios serão plenamente satisfeitos. O Senhor será a esperança do seu povo. Ele sempre foi a fonte e o fundamento dessa esperança, e então será também o seu coroamento. Ele será o porto seguro do seu povo, seu lugar de descanso, refúgio e lar.

Naquele grande dia, os santos chegarão ao porto que tanto desejaram. Aportarão em terra firme depois de uma viagem tempestuosa. Irão habitar para sempre no lar com Deus, na casa do Pai, a casa não feita por mãos humanas. Sua felicidade também será confirmada. Deus será a força dos filhos de Israel naquele dia, capacitando-os a acolhê-lo e a suportar o peso de sua glória e de sua alegria. Neste mundo, quando os juízos de Deus se espalham e os pecadores caem debaixo deles, Deus é e continuará sendo a esperança e a força do seu povo, a força de seus corações e a sua porção, quando os corações de outros desfalecem de medo.

Sua santidade também será completada (Joel 3:17). Então Jerusalém será santa, verdadeiramente santa. Assim será a Jerusalém celestial e assim será a igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante. Jerusalém será santidade, isto é, perfeitamente santa. Não restará nela nenhum vestígio de pecado. A igreja do evangelho já é um povo santo, mesmo enquanto ainda está na batalha desta vida, mas só se tornará “santidade” em si quando estiver triunfante. Então nenhum estranho passará mais por ela. Nada que contamine ou pratique o mal entrará na Nova Jerusalém. Só estarão ali aqueles que têm direito a estar ali, somente os seus próprios cidadãos. Será uma comunidade pura.

Em tudo isso, Deus será manifestado e engrandecido. Assim sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus. Ao tornar a igreja santa e gloriosa, Deus será conhecido em sua santidade e glória, como o Deus que habita em seu santo monte e o torna santo por habitar ali. Aqueles que são feitos santos e glorificados o são mediante o conhecimento daquele que os chamou. O conhecimento que os verdadeiros crentes têm de Deus é, primeiro, um conhecimento pessoal. Eles sabem que ele é o Senhor seu Deus, não como se fosse apenas deles individualmente, mas deles juntamente com toda a igreja. Ele é o Deus deles, mas habita em Sião, seu santo monte. A fé se apropria das promessas de Deus, mas não as tira dos outros nem as transforma em posse exclusiva. Em segundo lugar, é um conhecimento experimental. Eles o descobrirão como sua esperança e força nos piores tempos, e assim saberão que ele é o Senhor seu Deus. Conhecem melhor a bondade de Deus aqueles que a provaram e a viram por si mesmos, e que o encontraram bom para com eles.

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