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Joel 2:18 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então o Senhor se mostrou zeloso da sua terra, e compadeceu-se do seu povo. "

Joel 2:18

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16 Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, congregai as crianças, e os que mamam; saia o noivo da sua recâmara, e a noiva do seu aposento.

17 Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a teu povo, ó Senhor, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que os gentios o dominem; por que diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?

18 Então o Senhor se mostrou zeloso da sua terra, e compadeceu-se do seu povo.

19 E o Senhor, respondendo, disse ao seu povo: Eis que vos envio o trigo, e o mosto, e o azeite, e deles sereis fartos, e vos não entregarei mais ao opróbrio entre os gentios.

20 Mas removerei para longe de vós o exército do norte, e lançá-lo-ei em uma terra seca e deserta; a sua frente para o mar oriental, e a sua retaguarda para o mar ocidental; e subirá o seu mau cheiro, e subirá a sua podridão; porque fez grandes coisas.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Veja como Deus está pronto para socorrer e aliviar o seu povo. Ele está à espera para mostrar misericórdia e, assim que eles se humilham debaixo de sua mão, oram e buscam a sua face, ele logo os encontra com seu favor. Eles haviam pedido que Deus os poupasse, e aqui ele lhes responde com palavras bondosas e consoladoras. As promessas de Deus são respostas reais às orações da fé, porque, para ele, falar e agir nunca são duas coisas separadas.

Note primeiro onde essa misericórdia prometida começa (Joel 2:18): o Senhor será zeloso da sua terra e se compadecerá do seu povo. Ele atentará para a própria honra e para o bom nome da sua aliança com Israel, pela qual lhes deu aquela boa terra e a estimou muito. Agora ele não permitirá que ela seja tratada com desprezo ou vergonha. Ele também olhará para a angústia deles e se compadecerá do seu povo. Nesse compadecer-se, ele lhes devolverá os confortos que haviam perdido. A compaixão de Deus é grande encorajamento para os que se chegam a ele humildemente, como pecadores que se arrependem e como pessoas que pedem socorro.

Depois, observe o que essa misericórdia vai abranger, em vários aspectos. O exército destruidor será espalhado e derrotado (Joel 2:20). Deus diz: “removerei para longe de vós o exército do norte”, isto é, o enxame de gafanhotos e lagartas que viera do norte, trazido por um vento norte, um exército que ninguém podia deter. Quando estiverem em paz com Deus, ele os livrará desses invasores e os lançará em uma terra seca e desolada, aquele vasto deserto onde Israel um dia peregrinou. Ali, depois de terem desfrutado da fartura de Canaã, morrerão por falta de alimento. Os que se dirigem ao mar oriental, o mar Morto, a leste da Judeia, ali perecerão, e a retaguarda do exército se perderá no mar Grande, o Mediterrâneo. Eles haviam tornado a terra seca e vazia, e agora Deus os lançará num lugar seco e vazio. Aqueles que Deus usa para corrigir o seu povo, depois são tratados por ele mesmo, e a vara é lançada no fogo.

Nada restará desses enxames, a não ser o mau cheiro. Quando o Egito foi livrado da praga dos gafanhotos, eles foram lançados no mar Vermelho (Êxodo 10:19). Assim, quando uma aflição cumpre o seu propósito, ela é retirada em misericórdia, como os gafanhotos foram retirados de um povo arrependido. Não é removida em ira, como aconteceu com Faraó, que não quis se arrepender, apenas para dar lugar a outra praga. Muitos intérpretes entendem esse exército do norte como o exército de Senaqueribe, que foi disperso depois que Deus completou a sua obra em Sião e em Jerusalém (Isaías 10:12). Esse inimigo será afastado porque “fez grandes coisas”, isto é, causou grandes males e se gloriou disso com orgulho. Em seguida vem (Joel 2:21): “O Senhor fará grandes coisas” pelo seu povo, assim como o inimigo fizera grandes coisas contra eles. Isso lhes mostra que, sempre que agem com orgulho, Deus está acima deles e permanecerá acima deles. Quaisquer “grandes coisas” que tenham feito, só as fizeram porque Deus permitiu. Do mesmo modo que ele lhes disse: “Ide”, e eles foram; e disse: “Vinde”, e eles vieram; assim eles eram soldados sob o seu comando.

A terra arruinada também será regada e tornada novamente frutífera. Quando o exército se for, o povo ainda pode perguntar o que será dos estragos deixados para trás. Por isso se promete (Joel 2:22) que os pastos do deserto, os campos que os gafanhotos haviam deixado nus, tornarão a verdejar, e as árvores voltarão a dar fruto, especialmente a figueira e a videira. Ao olhar para a devastação, somos tentados a perguntar: “Poderão estes ossos secos viver?” Mesmo que o Senhor abrisse as janelas do céu, ainda assim nos parece impossível. Mas isso acontecerá, porque (Joel 2:23) o Senhor dará a chuva temporã e a serôdia. Se ele as concede em misericórdia, as dará na medida certa, para que a chuva não se torne juízo. E também as dará no tempo oportuno, a chuva serôdia no primeiro mês, quando era necessária e esperada. Será consolo para eles ver que essa bênção vem da mão de Deus e é ordenada por sua sabedoria, porque assim podem estar certos de que tudo está bem ordenado.

Ele lhes deu um mestre de justiça, como aparece na margem em algumas versões, porque a mesma palavra hebraica pode significar tanto “chuva” como “mestre”, e a expressão traduzida por “moderadamente” pode significar “conforme a justiça”. Alguns rabinos disseram que esse mestre de justiça é o Messias, e muitos outros entenderam assim, pois ele é o mestre vindo de Deus, que nos mostra o caminho da justiça. Outros entendem como qualquer profeta que ensina a justiça, e alguns pensam em Ezequias, enquanto outros pensam em Isaías. É um bom sinal de que Deus tem misericórdia preparada para um povo quando lhes envia mestres de justiça, pastores segundo o seu coração.

Todas as suas perdas serão restauradas (Joel 2:25). Deus diz: “Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto.” Ele os consolará na mesma medida em que foram afligidos e lhes dará anos de fartura para compensar os anos de fome. Assim o Senhor mostra, por assim dizer, pesar pelo sofrimento que trouxe sobre os seus servos, quando eles se arrependem. Para mostrar quão plenamente está reconciliado com eles, ele repara o dano causado por seus juízos. Como o carcereiro que lava as feridas, ele cura o que foi machucado. Embora com justiça lhes tenha tirado e não lhes tenha feito nenhum agravo, ainda assim, em compaixão, devolve. Como o pai do filho pródigo, quando o filho voltou, ele supre tudo o que foi perdido por causa do pecado e da insensatez, e o recebe de novo na família, como antes. Os gafanhotos e as lagartas são chamados de grande exército de Deus, que ele enviou contra eles, e ele reparará o que esse exército destruiu, porque era o seu exército.

Também terão grande abundância de todo bem. A terra dará suas colheitas, e eles as desfrutarão. Olhe para seus celeiros: os eirados estarão cheios de trigo, e os lagares transbordarão de vinho e de azeite (Joel 2:24), enquanto antes o vinho e o azeite faltavam e os celeiros estavam arruinados (Joel 1:10, 17). Olhe para suas mesas, onde põem o que armazenaram, e verá que comerão abundantemente e se fartarão (Joel 2:26). Não comerão em excesso, até se empanturrar. Espera-se que os beberrões tenham sido curados pelo recente aperto por causa do seu amor desordenado ao vinho e às bebidas fortes, pois, embora antes clamassem de fome (Joel 1:5), agora voltam cantando por causa da abundância. Ainda assim, todos terão o suficiente, e saberão quando já têm o bastante, porque Deus tornará o alimento nutritivo e lhes dará contentamento. Essas são as misericórdias prometidas, e nelas Deus faz grandes coisas (Joel 2:21). Ele procede maravilhosamente com o seu povo (Joel 2:26).

Aqui Deus mostra o seu poder, provando que pode socorrer o seu povo mesmo quando sua angústia é muito grande. Mostra também a sua bondade, porque fará isso quando se arrependerem, ainda que o tenham provocado grandemente. Quando Deus trata com graça pobres pecadores que voltam para ele, somos obrigados a reconhecer que ele está fazendo coisas maravilhosas.

Alguns intérpretes entendem essas promessas de forma simbólica e veem nelas uma referência à graça do evangelho, isto é, à bondade salvadora que Deus concede em Cristo. Consideram que essas promessas se cumprem no rico consolo reservado aos crentes na aliança da graça, o pacto pelo qual Deus salva o seu povo. Se Deus nos envia suas promessas para nos consolar, sua graça para nos sustentar e seu Espírito para nos dar paz, então podemos dizer, com toda razão, que ele nos deu, conforme a promessa aqui, trigo, vinho e azeite (Joel 2:19), ou algo muito melhor. Nisso, temos todo motivo para estar contentes.

O que deve resultar desses atos de misericórdia, e que bem produzirão? Em primeiro lugar, Deus deve receber a glória. Eles se alegrarão no Senhor, seu Deus (Joel 2:23), e aquilo mesmo que lhes traz alegria trará também ações de graças. Eles louvarão o nome do Senhor, seu Deus (Joel 2:26), e não louvarão seus ídolos, nem dirão que o trigo e o vinho lhes vieram como recompensa de falsos amantes. A abundância de bens terrenos é de fato uma bênção somente quando amplia nosso coração em amor e gratidão a Deus, que nos dá ricamente todas as coisas para delas gozarmos, embora o sirvamos tão mal.

Quando Deus restaura a abundância depois de um tempo de escassez, isso se torna duplamente doce para nós e deve nos tornar ainda mais agradecidos. Quando Israel sai do deserto e entra em Canaã, a terra prometida, e come e se farta, então deve bendizer o Senhor pela boa terra que lhe deu (Deuteronômio 8:10). A bondade de Deus em devolver o sustento deve levar-nos a louvá-lo ainda mais.

Em segundo lugar, o povo receberá o benefício, o consolo e o bem espiritual ligados a esses dons. Quando Deus voltar a lhes dar abundância e permitir que a desfrutem, a vergonha deles será removida. Ele e o seu povo não serão mais alvo de zombaria, como se tivessem sido infiéis um ao outro. O Senhor declara: “Nunca mais vos porei em vergonha entre as nações” (Joel 2:19), isto é, entre os gentios que haviam zombado do sofrimento deles e os haviam insultado. Ele também diz: “O meu povo nunca mais será envergonhado” (Joel 2:26, Joel 2:27), porque voltarão a ter motivo para se gloriar na boa terra que Deus lhes deu.

Isso mostra grande honra a Deus, porque ele faz aquilo que restaura a honra do seu povo. Os que de fato lhe pertencem não serão para sempre um opróbrio entre as nações. Se nos envergonhamos corretamente dos nossos pecados contra Deus, então nunca teremos vergonha de nos gloriar nele. A alegria deles também retornará. O Senhor diz: “Alegrai-vos, pois, filhos de Sião, e regozijai-vos no Senhor vosso Deus” (Joel 2:23). Tempos de fartura costumam ser tempos de alegria, mas o favor de Deus traz uma alegria mais profunda do que trigo, vinho e azeite jamais poderiam dar.

Acima de tudo, “vós, filhos de Sião”, isto é, o povo de Jerusalém e o povo que adora a Deus, são chamados a se alegrar no Senhor seu Deus (Joel 2:23). Eles haviam chorado em Sião (Joel 2:15), e ali especialmente tornariam a se alegrar. Os que semeiam em lágrimas de arrependimento certamente colherão em alegria agradecida. Os filhos de Sião, que haviam liderado os outros no jejum, deveriam também liderá-los no regozijo. Ainda assim, a alegria deles deve estar no Senhor seu Deus, e não principalmente nos dons em si, mas na boa mão que os concede. Tanto a colheita quanto a festa devem terminar em Deus, em cujo amor devemos provar em todos os seus dons, para que ele se torne a nossa principal alegria, assim como é o nosso bem supremo.

A fé deles em Deus também será fortalecida. Quando Deus usa bênçãos terrenas para ajudar a alma, então essas bênçãos são realmente boas para nós. Quando a fartura para o corpo se torna auxílio, e não perigo, para a alma, então ela é uma verdadeira misericórdia. A promessa aqui é: “Sabereis que eu estou no meio de Israel” (Joel 2:27), isto é, o Santo no meio deles (Oséias 11:9), e que eu sou o Senhor vosso Deus, e ninguém mais.

Fica provado que o Senhor é Deus, e não há outro, porque ele fere e sara, traz tanto o mal quanto a paz (Isaías 45:7; Deuteronômio 32:39). Fica provado também que ele é o Deus de Israel, o Deus que está ligado ao seu povo em aliança e age para com eles como pai. Como um pai corrige e consola seus filhos, assim Deus disciplina o seu povo quando eles pecam e os conforta quando se arrependem. Na profecia de Ezequiel, a mensagem repetida era: “Então sabereis que eu sou o Senhor”, dita a propósito dos juízos. Aqui o mesmo pensamento entra na promessa: “Comereis abundantemente, e vos fartareis, e vos alegrareis, e então sabereis que eu sou o Senhor”.

Devemos buscar crescer no conhecimento de Deus por meio de cada providência, seja ela misericordiosa ou dolorosa. Quando Deus dá ao seu povo fartura, paz e alegria depois que eles voltam para ele, está mostrando que aceita o arrependimento deles, perdoou seus pecados e continua sendo deles tão plenamente como sempre foi. Eles são novamente recebidos na mesma aliança com ele, pois ele é o Senhor seu Deus, e na mesma comunhão, pois ele está no meio deles. Ele está perto deles sempre que o invocam e, como o sol no centro do mundo, espalha sua influência graciosa por todas as partes da sua terra.

Até as criaturas inferiores participarão dessa misericórdia e encontrarão alívio por meio dela. “Não temas, ó terra” (Joel 2:21). “Não temais, animais do campo” (Joel 2:22). Elas sofreram por causa do pecado humano e por causa da contenda de Deus com o homem, mas agora se beneficiarão do arrependimento do homem e da reconciliação de Deus. Os animais até haviam sido descritos como clamando a Deus (Joel 1:20), e agora esse clamor é respondido. São consolados a não temer, porque terão fartura daquilo de que a sua natureza precisa.

Quando Deus poupou Nínive, ele teve até o gado em vista (Jonas 4:11), porque o gado também havia jejuado (Jonas 3:8). Isso pode nos levar a pensar na restauração final de todas as coisas, quando a própria criação, que agora está sujeita à vaidade e geme debaixo desse fardo, será conduzida, se não à plena alegria, pelo menos à liberdade gloriosa dos filhos de Deus (Romanos 8:21).

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