Versículo em destaque

Jó 7:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Porventura não tem o homem guerra sobre a terra? E não são os seus dias como os dias do jornaleiro? "

Jó 7:1

menu_book Versículo no contexto

1 Porventura não tem o homem guerra sobre a terra? E não são os seus dias como os dias do jornaleiro?

2 Como o servo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga,

3 Assim me deram por herança meses de vaidade; e noites de trabalho me prepararam.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui Jó procura desculpar aquilo que, na verdade, não podia ser justificado: o seu forte desejo de morrer. Ele se pergunta por que não haveria de ansiar pelo fim da vida, se com ela também terminaria a sua miséria. Para sustentar esse sentimento, ele argumenta a partir da condição comum da vida humana na terra (Jó 7:1).

Ele tem em mente que o ser humano é de poucos dias e cheio de inquietações. Todo homem em breve há de morrer, e todo homem tem, em maior ou menor grau, algum motivo para desejar que a morte chegue logo. Assim, por que o censuram com tanta dureza por desejar morrer? Ou ele quer dizer algo como: não entendam as minhas palavras como se eu imaginasse que o tempo que Deus determinou pode ser antecipado. Ele sabe que esse tempo está fixado. Está apenas usando esse tipo de linguagem para expressar a profundidade da dor presente. Não há, porventura, um tempo determinado, um período de serviço, para o homem sobre a terra? Não são seus dias como os dias de um jornaleiro?

Observe, primeiro, o lugar em que o homem está. Ele está sobre a terra, que Deus deu aos filhos dos homens (Salmo 115:16). Isso nos lembra da nossa pequenez e da nossa condição humilde. Estamos muito abaixo dos lugares mais elevados e gloriosos que existem acima de nós. Ao mesmo tempo, isso mostra a misericórdia de Deus para conosco. Ainda estamos sobre a terra, e não debaixo dela. Estamos na terra, e não no inferno. Nosso tempo aqui é limitado e breve, porque esta própria terra é limitada. Mas o céu não pode ser medido, e os dias do céu não podem ser contados.

Observe, em segundo lugar, a permanência do homem nesse lugar. Não há um tempo marcado para a sua vida aqui? Sim, certamente há. É fácil dizer quem marcou esse tempo: aquele que nos fez e nos colocou aqui. Não fomos destinados a permanecer para sempre nesta terra, nem sequer por muito tempo, mas apenas por um certo período. Esse tempo é estabelecido por aquele que tem nossa vida em suas mãos. Não devemos pensar que somos governados pela sorte cega, como ensinavam alguns filósofos, mas pelo plano sábio, santo e soberano de Deus.

Observe, em terceiro lugar, a condição do homem durante esse tempo. A vida humana é como um serviço militar, e como os dias de um jornaleiro. Devemos nos enxergar neste mundo de duas maneiras. Primeiro, como soldados, expostos a durezas e cercados de inimigos. Devemos servir e viver sob ordens. Quando nosso combate terminar, seremos dispensados, com vergonha ou com honra, conforme tivermos feito por meio do corpo. Segundo, como trabalhadores diaristas, com a tarefa de cada dia a ser concluída no seu próprio tempo, e com uma prestação de contas a ser feita ao anoitecer.

Jó também argumenta a partir de sua condição presente. Ele sentia que tinha tanto motivo para desejar a morte quanto um servo cansado ou um diarista tem para desejar as sombras da tarde, quando receberá o pagamento e poderá descansar (Jó 7:2). A noite é tão bem-vinda ao trabalhador quanto a manhã é ao vigia (Salmo 130:6). Deus, na ordem da criação, proveu descanso para aqueles que trabalham, por isso não é de admirar que o desejem. O sono do trabalhador é doce (Eclesiastes 5:12). Nada parece mais agradável a quem trabalha duro do que o repouso, e nenhum homem rico se alegra tanto com o dia em que recebe seus rendimentos quanto o diarista se alegra com o dia de seu salário.

A comparação é clara, embora as palavras de Jó sejam breves e um tanto difíceis de seguir. Precisamos completar mentalmente algumas expressões para captar bem o sentido. Não se deve exigir exatidão de termos de um homem em tal estado. Ele quer dizer algo assim: “Como o servo anseia pela sombra da tarde, assim eu anseio pela morte, porque fui colocado para viver em miséria.”

Ouça a sua queixa. Seus dias lhe pareciam inúteis, e já fazia muito tempo que eram assim. Ele se via totalmente afastado do trabalho e completamente incapaz de realizá-lo. Cada dia era um peso, porque ele não tinha condições de fazer o bem nem de empregar bem o tempo. Não conseguia encher sua vida com nada que fosse proveitoso. Ele chama isso de “meses de vaidade” (Jó 7:3). Para um homem piedoso, aumenta muito a dor da enfermidade e da velhice quando é forçado a se afastar do serviço útil. Ele não ressalta tanto que são dias sem prazer, mas que são dias em que não produz nenhum bem. Por isso são meses de vazio. Ainda assim, quando não podemos trabalhar para Deus, se apenas permanecermos quietos diante dele, isso basta. Seremos aceitos.

Suas noites também eram agitadas (Jó 7:3, Jó 7:4). Em geral, a noite alivia o cansaço e as tensões do dia, não só para os que trabalham, mas também para os que sofrem. Se um enfermo consegue dormir um pouco à noite, isso fortalece o corpo, e há esperança de melhora (João 11:12). Qualquer que seja o sofrimento, o sono concede uma pausa nas preocupações, dores e tristezas que nos oprimem. É como um intervalo no luto. Mas o pobre Jó não conseguia nem mesmo esse alívio.

Suas noites eram cheias de fadiga, e em vez de descansar, apenas se extenuava rolando de um lado para o outro até o amanhecer. Pessoas em dor profunda, seja do corpo, seja da mente, procuram mudar de lado, de lugar, de posição, tentando encontrar algum alívio. Mas, se a causa interior permanece a mesma, nada disso ajuda. É como um espírito inquieto e infeliz, que muda de posição, mas não encontra calma. Assim, Jó passou a temer a noite tanto quanto um servo deseja a sua chegada. E, quando se deitava, logo pensava: “Quando vai acabar a noite?”

Essas noites cansativas também lhe estavam determinadas. Deus, que estabelece os tempos antes que aconteçam, havia designado tais noites para ele. Tudo o que nos parece pesado no momento torna-se mais suportável quando lembramos que nos foi destinado. Isso nos ajuda a aceitar, não só porque é inevitável, mas porque Deus permitiu por algum propósito santo. E, quando temos noites de paz, devemos lembrar que também foram designadas para nós e dar graças. Pessoas melhores do que nós já tiveram muitas noites sem descanso.

Seu próprio corpo estava repugnante e dolorido (Jó 7:5). Suas feridas criavam vermes, as crostas se ajuntavam como torrões de pó, e a pele se rompia. Tal era a doença cruel que se apegara a ele. Isso mostra como nossos corpos são baixos e frágeis, e como temos pouca razão para os mimar ou nos orgulhar deles. Eles já carregam em si mesmos a semente da decomposição. Por mais que hoje tenhamos apego a eles, pode chegar o tempo em que os detestaremos e desejaremos nos ver livres deles.

Sua vida também caminhava rapidamente para o fim (Jó 7:6). Ele julgava não ter motivo para esperar muitos dias, porque sentia que suas forças se esgotavam depressa. “Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão”, diz ele, querendo dizer: “Meu tempo agora é muito curto, e só restam alguns grãos na ampulheta antes que se esgotem.” As coisas naturais se movem mais rápido quando se aproximam do seu centro. Jó pensava que seus dias corriam tão velozes porque acreditava já estar perto do fim da sua jornada. Considerava-os quase consumidos e, por isso, não tinha esperança de ser restaurado à antiga prosperidade.

Isso se aplica à vida humana em geral. Nossos dias são como a lançadeira do tecelão, que é arremessada de um lado ao outro do tecido num instante, e logo volta, indo e vindo, até que o fio se acabe. Então, como o tecelão, cortamos a nossa vida (Isaías 38:12). O tempo avança rapidamente. Seu movimento não pode ser detido, e, uma vez passado, não pode ser recuperado.

Enquanto vivemos, estamos semeando, e assim também estamos tecendo (Gálatas 6:8). Cada dia, como uma lançadeira, deixa um fio atrás de si. Muitos tecem apenas uma teia de aranha, e ela não permanecerá em pé quando for posta à prova (Jó 8:14). Mas, se estamos tecendo para nós vestes santas e roupas de justiça, então desfrutaremos o benefício disso quando a obra for examinada, e cada um colherá o que semeou e vestirá o que teceu.

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