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Jó 33:19 - Significado e aplicacao

Entenda como este versiculo fala com o que voce esta vivendo e como aplica-lo hoje

Traducao: Almeida Corrigida Fiel

" Também na sua cama é castigado com dores; e com incessante contenda nos seus ossos; "

Jó 33:19

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17

Para apartar o homem daquilo que faz, e esconder do homem a soberba.

18

Para desviar a sua alma da cova, e a sua vida de passar pela espada.

19

Também na sua cama é castigado com dores; e com incessante contenda nos seus ossos;

20

De modo que a sua vida abomina até o pão, e a sua alma a comida apetecível.

21

Desaparece a sua carne a olhos vistos, e os seus ossos, que não se viam, agora aparecem.

auto_stories Comentario Bible Guided

Deus já falou uma vez aos pecadores por meio da própria consciência deles, advertindo-os a se afastarem do caminho de destruição, mas eles não dão atenção. Não percebem que aqueles freios interiores, aquelas acusações que o coração faz por causa do pecado, vêm de Deus. Em vez disso, atribuem isso a mau humor, a um temperamento melancólico, ou à rigidez da criação que receberam. Então Deus fala uma segunda vez, isto é, volta a falar de outra forma, para convencer o pecador e trazê-lo de volta.

Ele faz isso por meio das providências, isto é, dos acontecimentos que Ele ordena para nós, tanto dolorosos quanto bondosos. E também por meio do ensino oportuno de bons ministros, que ajudam a interpretar esses acontecimentos. Jó havia se queixado muitas vezes de suas doenças e, a partir delas, concluiu que Deus estava irado com ele. Seus amigos fizeram o mesmo. Mas Eliú mostra que todos estavam enganados, porque muitas vezes Deus aflige o corpo em amor, com bons propósitos para a alma, como o resultado final comprova. Esta parte do discurso de Eliú é muito útil para nós, porque nos ensina a usar bem a enfermidade, já que Deus fala com as pessoas por meio dela.

Aqui vemos o sofredor em seu pior estado, e podemos observar o que a doença faz quando Deus a envia com sua autoridade. A pessoa enferma está cheia de dor por todo o corpo (Jó 33:19). É castigada com dores no leito, dores tão fortes que a mantêm presa à cama, ou tão intensas que nem ali encontra alívio. A dor e a doença podem transformar um leito macio em cama de espinhos, onde a pessoa se revira de um lado para outro até amanhecer. É uma condição muito amarga. A dor é mais difícil de suportar do que a própria doença, e aqui ela é usada como disciplina. Não é uma dor branda, mas aguda e intensa. Muitas vezes, quanto mais forte a constituição da pessoa, mais forte a dor, porque um corpo mais cheio de vigor costuma sentir a enfermidade de forma mais violenta. Não é apenas a pele ardendo, são os ossos doendo. É uma dor interior, que parece enraizada no fundo do corpo, e não só um membro, mas muitos ossos são atingidos. Vemos assim como nossos corpos são fracos e miseráveis. Mesmo sem nenhum golpe de fora, podem ser levados a sofrer por causas que surgem de dentro deles mesmos. Vemos também o que o pecado faz, o estrago que traz. A dor é fruto do pecado, e mesmo assim a graça de Deus muitas vezes usa a dor física para produzir bem à alma.

Além disso, o enfermo perde o apetite, o que é um resultado comum da doença (Jó 33:20). Sua vida passa a “aborrecer o pão”, isto é, rejeita até o alimento mais necessário, e também os manjares deliciosos que antes amava e dos quais desfrutava com prazer. Isto é um bom motivo para não cobiçarmos iguarias, porque são um alimento enganoso (Provérbios 23:3). Logo podemos vir a sentir nojo daquilo que hoje desejamos com tanta avidez. Aqueles que vivem buscando luxo enquanto estão saudáveis podem, quando a enfermidade vier e começarem a ter repulsa às comidas finas, ler seu pecado em seu sofrimento, com tristeza e vergonha. Não amemos demais o sabor da comida, pois pode chegar o tempo em que não suportaremos nem olhar para ela (Salmo 107:18).

Ele se torna pele e osso (Jó 33:21). Em poucos dias de enfermidade, talvez, a carne antes cheia e saudável é consumida a ponto de quase desaparecer. Definha de modo espantoso. Seus ossos, que antes estavam escondidos pela carne, agora sobressaem. É possível contar suas costelas e reconhecer todos os ossos. A alma bem nutrida com o pão da vida não será tornada magra pela doença, mas o corpo muda rapidamente. Um homem que antes tinha aparência agradável e, acostumado ao conforto, parecia roliço e vistoso, surpreende a todos os amigos pela mudança. As faces pálidas e os olhos fundos substituem a antiga saúde. Seus ossos, visão terrível, empurram a pele que antes era cheia de carne e gordura.

Ele também é dado por perdido, e já não se espera que viva (Jó 33:22). Sua alma se aproxima da sepultura, isto é, ele apresenta todos os sinais da morte, e tanto os que o cercam quanto ele próprio o veem como um homem moribundo. Os “destruidores”, isto é, as dores da morte, estão quase prontos para agarrá-lo. Cercam-no, como em (Salmo 116:3). Isso também mostra como a morte se torna assustadora quando se coloca diante dos olhos de pessoas que antes a tratavam com leveza, enquanto lhes parecia distante. Quando a morte se aproxima, todos reconhecem que morrer é algo muito sério.

Então vem o socorro provido para a sua instrução, a fim de que o sofrimento se converta em bênção e não seja desperdiçado (Jó 33:23). Ele é bem-aventurado se, em sua enfermidade, tiver com ele um mensageiro, alguém para convencê-lo, guiá-lo e consolá-lo. Essa pessoa é um intérprete, alguém que explica a providência de Deus e o ajuda a entender o que ela significa. É um homem sábio, que conhece a voz da vara e sabe o que ela quer dizer. Quando Deus fala por meio da aflição, muitas vezes não entendemos a linguagem, por isso precisamos de um intérprete. É uma grande coisa quando o temos. A ajuda e o conselho de um bom ministro são tão necessários e adequados na enfermidade quanto a ajuda de um bom médico, especialmente se o ministro é hábil em explicar e aplicar os tratos de Deus. Nesse caso, é “um entre mil” e deve ser estimado assim.

A obra desse intérprete, nesse momento, é mostrar ao enfermo a sua retidão, isto é, a retidão de Deus, que em fidelidade o aflige e não lhe faz injustiça alguma. Precisamos estar convencidos disso para tirarmos proveito da aflição. Ou pode significar a retidão da própria pessoa, isto é, a sua situação correta diante de Deus. Se o enfermo é verdadeiramente piedoso, o intérprete não fará como os amigos de Jó, tentando provar que ele é hipócrita só porque sofre. Ao contrário, mostrará que sua retidão permanece, apesar das aflições, para que possa se consolar nisso e manter a paz do coração, aconteça o que acontecer. Ou ainda pode se referir à retidão no sentido de reforma de vida, a mudança que deve acontecer para que haja vida e paz. Quando a pessoa passa a enxergar que o caminho da retidão é o único caminho seguro para a salvação, e o escolhe e nele anda, a obra está feita.

Segue-se então a aceitação graciosa de Deus, quando a pessoa se arrepende (Jó 33:24). Quando Deus vê que o enfermo está realmente convencido de que o arrependimento sincero, e aquela retidão que é a perfeição do evangelho — isto é, a obediência madura e completa que o evangelho exige — são ao mesmo tempo seu dever e seu bem, então Deus, que espera para ser gracioso e mostra misericórdia ao primeiro sinal de arrependimento verdadeiro, usa de graça para com ele. Recebe-o de volta em seu favor e o mantém em seus pensamentos de bondade. Onde Deus encontra um coração gracioso, mostrará ser um Deus gracioso. E Ele dá uma ordem graciosa de livramento: “Livra-o”, isto é, que seja livrado de descer à cova, daquela morte que é o salário do pecado. Quando as aflições cumprem o seu propósito, são retiradas. Quando voltamos a Deus em obediência, Ele volta a nós em misericórdia.

Aqueles que acolhem os mensageiros de Deus e entendem corretamente seus intérpretes serão guardados de descer à cova. Isto é, não se perderão, porque dão ouvidos ao aviso de Deus e reconhecem que Ele é justo.

Deus também apresenta uma razão graciosa para esse livramento: “Achei resgate”, ou propiciação, isto é, um sacrifício que desvia a ira de Deus. Jesus Cristo é esse resgate, como Eliú o apresenta aqui, assim como Jó o havia chamado de seu Redentor. Cristo é ao mesmo tempo quem paga e o preço pago, ao mesmo tempo o sacerdote e o sacrifício. As almas humanas são tão preciosas que nada menos poderia resgatá-las, e o pecado é tão grave que nada menos que o sangue do Filho de Deus poderia fazer expiação por ele. Ele deu a sua vida em resgate por muitos.

Esse resgate é descoberta do próprio Deus, um plano da sua infinita sabedoria. Jamais poderíamos tê-lo encontrado por nós mesmos, nem mesmo os anjos poderiam tê-lo descoberto. É a sabedoria de Deus ocultada em mistério, a sabedoria escondida, e continuará sendo um assombro para todos os poderes celestiais, que desejam contemplá-la mais de perto. Note-se como Deus se alegra nessa descoberta, como se dissesse: “Achei, achei o resgate. Eu mesmo fiz isso.”

Daí vem a recuperação do enfermo. Removida a causa, o efeito cessa. Quando o paciente se torna penitente, quando se volta do pecado com tristeza, segue-se uma mudança bendita. Seu corpo às vezes volta a ter saúde, embora isso nem sempre seja resultado do arrependimento e do retorno a Deus. Ainda assim, às vezes é. A cura da enfermidade é de fato uma grande misericórdia quando decorre do perdão do pecado. Nesse caso, é para o bem da alma que o corpo é tirado do abismo da corrupção, quando Deus lança para trás de si os nossos pecados (Isaías 38:17). Esse é o modelo de uma recuperação bem-aventurada: “Filho, tem bom ânimo; os teus pecados te são perdoados”, e então: “Levanta-te, toma a tua cama e anda” (Mateus 9:2, Mateus 9:6). Assim também aqui: se o enfermo é unido ao resgate, sua carne se tornará mais tenra do que a de uma criança, sem vestígio algum da antiga doença. Voltará aos dias de sua juventude, com a beleza e o vigor que um dia teve.

Quando a enfermidade que abatida a natureza é removida, muitas vezes o próprio corpo se restabelece de maneiras surpreendentes. Nisso devemos reconhecer com gratidão o poder e a bondade do Deus que criou e sustém a natureza. Por meio de tratos tão misericordiosos como esses, aos quais o sofrimento dá ocasião, Deus fala uma vez, sim, duas vezes aos homens, fazendo-os perceber, se quiserem atentar, sua dependência dele e a sua terna compaixão.

A alma também volta a ter paz. O homem curado, agora arrependido, torna-se suplicante e aprende a orar. Ele entende que as bênçãos de Deus devem ser buscadas, por isso passará a pedir a Deus perdão e saúde. Se alguém está aflito e enfermo, ore. E quando começar a melhorar, não deve pensar que a oração já não é necessária. Precisamos da graça de Deus tanto para santificar uma misericórdia quanto para santificar uma aflição.

Suas orações são aceitas. Deus se mostrará favorável a ele e se agradará dele. A ira se afastará, e a luz do rosto de Deus voltará a brilhar sobre sua alma. Então ele terá o consolo da comunhão com Deus. Verá novamente o rosto de Deus, visão que antes lhe estava encoberta, e o contemplará com alegria, pois nada pode ser mais reconfortante. Jacó disse: “Tenho visto o teu rosto como se tivesse visto o rosto de Deus” (Gênesis 33:10). Os verdadeiros arrependidos se alegram mais com o retorno do favor de Deus do que com qualquer outro bem ou prazer (Salmo 4:6, Salmo 4:7).

Ele alcança também uma bem‑aventurada tranquilidade de mente, que vem da certeza de estar em paz com Deus. Deus lhe devolverá a sua justiça. Ele receberá a reconciliação, isto é, o consolo de saber-se em paz com Deus (Romanos 5:11). A justiça lhe será atribuída, e, por causa disso, a paz será anunciada a ele. Ouvirá de novo voz de júbilo e de alegria, coisa que não podia ouvir no dia da sua dor. Agora Deus o tratará como justo, e as coisas lhe irão bem. Ele receberá do Senhor a bênção, que é a justiça (Salmo 24:5). Deus ainda lhe dará graça para ir e não pecar mais. Isso pode apontar para uma vida mudada depois da recuperação. Da mesma forma que passará a orar a Deus, que antes havia negligenciado, também procurará restituir o que deve ao próximo, a quem havia prejudicado. Fará restituição e, no futuro, agirá com justiça.

Desse exemplo podemos extrair uma regra geral sobre o modo como Deus trata com os homens. Assim como os enfermos são restaurados quando se submetem, também todos os que verdadeiramente se arrependem de seus pecados encontrarão misericórdia diante de Deus. O próprio pecado é uma distorção do que é justo, algo profundamente sem razão. É a criatura se rebelando contra o Criador, a carne reivindicando domínio sobre o espírito, um desafio direto aos padrões eternos de bem e mal. É desviar-se dos retos caminhos do Senhor (Atos 13:10), por isso os caminhos do pecado são chamados de caminhos tortuosos (Salmo 125:5). E que lucro o pecado traz? Nenhum. As obras das trevas são infrutíferas. Quando se põem em balança ganho e perda, todo o suposto proveito do pecado fica infinitamente aquém do dano que ele causa. Todo verdadeiro arrependido está disposto a reconhecer isso, e é um pensamento humilhante: “Que fruto tivestes então das coisas de que agora vos envergonhais?” (Romanos 6:21).

O arrependimento é o oposto disso, e é o nosso melhor caminho. Se quisermos mostrar-nos verdadeiros penitentes, precisamos confessar nossos pecados a Deus com coração quebrantado e contrito (1 João 1:9). Devemos confessar o fato do pecado, dizendo: “Pequei”, sem negar a acusação nem tentar nos justificar. Devemos confessar a perversidade do pecado, sua desonestidade e culpa, reconhecendo que torcemos o que era reto. Devemos também confessar a insensatez do pecado: “Tenho sido tolo e ignorante, porque disso nada aproveitei”. E, se enxergamos isso com clareza, que razão teríamos para continuar nele?

Há fortes motivos para tal confissão. Deus a espera. Depois que o homem peca, Deus observa o que ele fará em seguida, se continuará no mesmo caminho ou se voltará atrás. Ele se inclina para ouvir se alguém dirá: “Que é isto que fiz?” (Jeremias 8:6). Ele olha para os pecadores com piedade, desejando ouvir deles o arrependimento, porque não tem prazer na sua ruína. E, assim que vê nascer neles um verdadeiro arrependimento, está pronto para acolhê-los, como o pai que correu ao encontro do filho pródigo que voltava.

Isso também nos trará grande e duradouro bem. A promessa é para todos os que se humilham dessa maneira, sejam quem forem. Não entrarão em condenação, mas serão salvos da ira vindoura. Deus livrará sua alma de descer ao abismo, o abismo do inferno, e o pecado não o destruirá. Além disso, ele será feliz na vida eterna e na alegria sem fim. Sua vida verá a luz, isto é, todo bem na visão e no gozo de Deus.

Para receber essa bênção, se o profeta nos tivesse mandado fazer alguma grande façanha, não a faríamos? Quanto mais, então, quando apenas diz: “Lava-te e fica limpo, confessa e serás perdoado, arrepende-te e serás salvo”?

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