Versículo em destaque
Jó 29:18 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E dizia: No meu ninho expirarei, e multiplicarei os meus dias como a areia. "
Jó 29:18
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
16 Dos necessitados era pai, e as causas de que eu não tinha conhecimento inquiria com diligência.
17 E quebrava os queixos do perverso, e dos seus dentes tirava a presa.
18 E dizia: No meu ninho expirarei, e multiplicarei os meus dias como a areia.
19 A minha raiz se estendia junto às águas, e o orvalho permanecia sobre os meus ramos;
20 A minha honra se renovava em mim, e o meu arco se reforçava na minha mão.
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O Cuidado do Pastor
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O que coroava a prosperidade de Jó era a doce esperança de que ela continuaria. Ele sabia, em termos gerais, que a aflição podia vir e, por isso, não vivia descuidado (ele mesmo diz em outro momento: “Não estava em descanso, nem sossego”, ver Jó 3:26). Ainda assim, não via motivo concreto para temer, e tinha todas as razões, aos seus olhos, para esperar que sua paz duraria.
Aqui ele nos conta o que pensava nos seus dias de prosperidade: “Então dizia eu: No meu ninho expirarei” (Jó 29:18). Ele havia construído para si um “ninho” quente e confortável, e esperava que nada o perturbasse ali até que a própria morte o tirasse desse lugar. Ele sabia que não havia atraído juízo sobre si por alguma maldade, e não via nenhuma tempestade se levantando para destruir seu ninho. Assim, concluiu que “o amanhã será como hoje”, da mesma forma que Davi disse: “A minha montanha está firme, e não vacilarei” (Salmo 30:6).
Observe-se duas coisas. Primeiro, mesmo na prosperidade ele pensava na morte, e esse pensamento não o perturbava. Ele sabia que, ainda que seu ninho estivesse alto, continuava ao alcance das flechas da morte. Segundo, ainda assim ele se entregou a expectativas vãs: esperava viver muito tempo, multiplicar seus dias como a areia do mar, quando seria mais sábio contar nossos dias como a areia de uma ampulheta, que rapidamente se esgota.
Ele também esperava morrer ainda desfrutando do mesmo sucesso que tivera em vida. Uma esperança assim é boa quando nasce de uma forte fé no cuidado e nas promessas de Deus. Mas, quando vem da autoconfiança e da confiança na estabilidade das coisas terrenas, torna-se mal fundamentada e se converte em pecado. Deseja-se que a confiança de Jó fosse mais semelhante à de Davi, que disse: “A quem temerei?” (Salmo 27:1), e não como a do rico insensato: “Alma, tens em depósito muitos bens... descansa, come, bebe e folga” (Lucas 12:19).
Na perspectiva de Jó, ele tinha razões para pensar assim. Quando olhava para sua casa, via uma base sólida. Sua riqueza era verdadeiramente sua, nenhum vizinho tinha reivindicações contra ele. Não sentia doença crescendo em seu corpo, nem dívidas pesando sobre seus bens, nem fraqueza oculta na raiz de sua prosperidade. Em seus negócios ele avançava, não recuava, e sua honra crescia em vez de minguar.
Ele se descreve como uma árvore de raízes espalhadas junto às muitas águas. Uma árvore assim permanece firme, dificilmente é arrancada, e ao mesmo tempo se alimenta bem, de modo que não murcha. Jó entendia que era abençoado não só com bens terrenos, mas também com o favor do céu, pois “o orvalho permanecia toda a noite sobre o meu ramo” (Jó 29:19). A providência de Deus tornava doces os seus confortos e bem-sucedidos os seus trabalhos. Ninguém deve imaginar que a prosperidade se sustenta apenas com ganhos terrenos, sem a bênção que desce do alto.
Como o favor de Deus permanecia com ele, sua honra se mantinha fresca. As pessoas sempre tinham novos motivos para elogiá-lo, não precisavam repetir apenas antigas histórias. Só a bondade constante preserva o bom nome de alguém e impede que ele se torne algo gasto e sem vida. “O meu arco se renovava na minha mão” (Jó 29:20), isto é, sua força para se defender e responder a inimigos só aumentava. Por isso ele pensava ter tão pouco motivo quanto qualquer outro para temer os sabeus e os caldeus, aqueles invasores que depois o atacariam.
Quando olhava para fora, Jó via também que sua influência estava bem estabelecida. Não tinha motivos para suspeitar de seus inimigos, nem para desconfiar de seus amigos. Mesmo no fim de sua prosperidade, ainda o honravam e se apoiavam em seu juízo. Que razão teria para temer, se dar conselhos era quase o mesmo que ditar leis para seus vizinhos? Nada poderia ser feito contra ele, porque nada se fazia sem ele.
Ele era, de fato, como o oráculo de sua região (Jó 29:21). As pessoas lhe pediam orientação como se perguntassem a um oráculo, e aceitavam seu juízo como decisão final. Quando outros não conseguiam ser ouvidos, todos prestavam atenção a Jó e se calavam diante de seu conselho, sabendo que nada poderia ser dito contra ele e nada precisava ser acrescentado. Depois que ele falava, não havia mais nada a dizer (Jó 29:22).
Ele era também o estimado de sua terra. Todos ao seu redor se agradavam do que ele dizia e fazia, assim como o povo de Davi se agradava dele (2 Samuel 3:36). Jó possuía o coração de seus vizinhos, servos, agregados e súditos. Ninguém foi mais admirado e mais amado do que ele.
Aqueles a quem ele dirigia a palavra se consideravam abençoados. Suas palavras sábias eram tão bem-vindas quanto chuva em terra seca. Seu falar “gotejava” sobre eles, e eles o esperavam como à chuva (Jó 29:22, Jó 29:23). Admiravam as palavras cheias de graça que saíam de sua boca, acolhiam-nas, guardavam-nas e as prezavam como ditos breves, dignos de serem guardados na memória. Seus servos, que estavam continuamente diante dele para ouvir sua sabedoria, não invejariam a casa de Salomão.
Quem sabe valorizar uma palavra sábia é sábio, ou está a caminho de o ser. Deseja a sabedoria, espera por ela, recebe-a como a terra recebe as muitas chuvas (Hebreus 6:7). Aqueles que têm a influência que Jó tinha, em que uma simples frase pesa tanto, têm grandes oportunidades para fazer o bem. Mas também precisam tomar muito cuidado para não fazer mal, porque uma palavra ruim, vinda de alguém assim, se espalha depressa e causa grande dano.
Ainda mais felizes eram os que recebiam o sorriso de Jó, pois se consideravam grandemente favorecidos (Jó 29:24). Se ele ria com eles para mostrar que se agradava, era honra tamanha que quase não podiam crer de alegria, ou por ser tão raro ver aquele homem sério sorrir. Muitos buscam o favor de um governante; Jó era um governante cujo favor era ansiosamente desejado e altamente estimado.
Quando um grande príncipe dá um beijo em alguém, outro pode invejá-lo, ainda que tenha recebido apenas uma taça de ouro. A familiaridade, em muitos casos, tende a diminuir o respeito, mas a bondade de Jó não produzia esse efeito. Se às vezes ele se mostrava acessível e alegre com os que o rodeavam, isso não reduzia a reverência que tinham por ele. Continuavam dando valor ao brilho de seu rosto e não tratavam seu favor como algo comum.
Em certo sentido, ele também era o soberano de sua terra (Jó 29:25). Ele escolhia o caminho do povo, sentava-se ao leme e dirigia por eles. Todos olhavam para sua direção e se submetiam à sua orientação.
É possível que em muitos países a monarquia tenha se originado assim: um homem como Jó, que se destaca muito acima dos vizinhos em sabedoria e integridade, naturalmente é colocado na posição mais elevada. Os insensatos acabam servindo aos sábios de coração e, quando a sabedoria permanece em uma família por certo tempo, a honra e o poder muitas vezes começam a ser transmitidos dentro dela.
Duas coisas, em especial, tornavam Jó apto para governar. Primeiro, ele tinha a autoridade de um comandante ou general. Vivia como um rei no meio de seu exército, dando ordens que não eram contestadas. Nem todo aquele que possui sabedoria tem também o dom de liderança, mas Jó tinha ambos. Quando era necessário, sabia assumir a dignidade de um rei e dizer: “Vai”, “Vem” e “Faz isto” (Mateus 8:9).
Segundo, ele também tinha a ternura de um consolador. Estava sempre pronto a socorrer os aflitos, como se consolar enlutados fosse seu ofício oficial. O próprio Elifaz já havia admitido isso, dizendo que Jó fortalecera as mãos fracas (Jó 4:3). Jó agora se recorda disso com alguma consolação, enquanto ele mesmo sofre. Porém, muitas vezes achamos mais fácil consolar os outros com o consolo que um dia recebemos, do que consolar a nós mesmos com as mesmas palavras que já oferecemos a outros.
Jó também pode ser visto como uma figura de Cristo em seu poder e sucesso. Nosso Senhor Jesus é um Rei como Jó foi, o Rei dos pobres, que ama a justiça e odeia a maldade, sobre quem vem a bênção de um mundo que está à beira de perecer (Salmo 72:2). Que o ouçamos e lhe demos o lugar mais elevado em nossos corações.
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Deste capítulo
Jó 29:1
"E prosseguiu Jó no seu discurso, dizendo:"
Jó 29:2
"Ah! quem me dera ser como eu fui nos meses passados, como nos dias em que Deus me guardava!"
Jó 29:3
"Quando fazia resplandecer a sua lâmpada sobre a minha cabeça e quando eu pela sua luz caminhava pelas trevas."
Jó 29:4
"Como fui nos dias da minha mocidade, quando o segredo de Deus estava sobre a minha tenda;"
Jó 29:5
"Quando o Todo-Poderoso ainda estava comigo, e os meus filhos em redor de mim."
Jó 29:6
"Quando lavava os meus passos na manteiga, e da rocha me corriam ribeiros de azeite;"
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