Versículo em destaque
Jeremias 33:10 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Assim diz o Senhor: Neste lugar de que vós dizeis que está desolado, e sem homem, sem animal nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém, que estão assoladas, sem homem, sem morador, sem animal, ainda se ouvirá: "
Jeremias 33:10
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
8 E os purificarei de toda a sua maldade com que pecaram contra mim; e perdoarei todas as suas maldades, com que pecaram e transgrediram contra mim;
9 E este lugar me servirá de nome, de gozo, de louvor, e de glória, entre todas as nações da terra, que ouvirem todo o bem que eu lhe faço; e espantar-se-ão e perturbar-se-ão por causa de todo o bem, e por causa de toda a paz que eu lhe dou.
10 Assim diz o Senhor: Neste lugar de que vós dizeis que está desolado, e sem homem, sem animal nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém, que estão assoladas, sem homem, sem morador, sem animal, ainda se ouvirá:
11 A voz de gozo, e a voz de alegria, a voz do esposo e a voz da esposa, e a voz dos que dizem: Louvai ao Senhor dos Exércitos, porque bom é o Senhor, porque a sua benignidade dura para sempre; dos que trazem ofertas de ação de graças à casa do Senhor; pois farei voltar os cativos da terra como ao princípio, diz o Senhor.
12 Assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda neste lugar, que está deserto, sem homem nem animal, e em todas as suas cidades, haverá uma morada de pastores, que façam repousar aos seus rebanhos.
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Aqui aparece outra promessa sobre o estado feliz de Judá e Jerusalém depois do seu glorioso retorno do cativeiro, um retorno que alcançaria seu pleno sentido no reino do Messias.
É prometido que um povo que por muito tempo viveu em tristeza voltará a ser cheio de alegria. Naquele momento, todos pareciam pensar que a terra ficaria desolada para sempre, sem animais em Judá e sem gente nas ruas de Jerusalém, de modo que apenas uma tristeza duradoura restaria (Jeremias 33:10). Mas, ainda que o choro dure por um tempo, a alegria voltará. Deus tinha advertido que ali cessariam a voz de gozo e de alegria (Jeremias 7:34; Jeremias 16:9), mas aqui ele promete que elas tornarão a se ouvir, porque os cativos voltarão. Então suas bocas se encherão de riso (Salmo 126:1, Salmo 126:2).
Haverá alegria pública, manifestada na voz do noivo e na voz da noiva. Os casamentos voltarão a ser celebrados com cânticos, como antes, ao passo que em Babilônia eles tinham deixado esses cânticos e pendurado suas harpas nos salgueiros. Haverá também alegria em forma de adoração. Os cânticos do templo serão restaurados, os cânticos do Senhor que eles não podiam cantar em terra estranha.
O som será ouvido não só no templo, mas também nas casas e em toda a Judá: dirão, “Louvai ao Senhor dos Exércitos”. Nada dá mais honra a um povo do que fazer de Deus a glória de sua vida, tanto por seu poder quanto por sua bondade. Eles o louvarão como Senhor dos Exércitos e como o Deus que é bom e cuja misericórdia dura para sempre. Embora fosse um cântico antigo, parecerá novo naquela ocasião renovada. Isso se cumpriu literalmente quando voltaram da Babilônia e cantaram louvando ao Senhor, porque ele é bom e porque sua misericórdia dura para sempre (Esdras 3:11).
O culto público de Deus será observado com zelo e regularidade. Eles trarão o sacrifício de louvor à casa do Senhor. Todos os sacrifícios tinham por objetivo honrar a Deus, mas aqui parece haver uma referência especial aos sacrifícios espirituais, o louvor humilde e a ação de graças jubilosa, “os bezerros dos nossos lábios” (Oséias 14:2). Estes agradam mais ao Senhor do que um boi ou um novilho. Os judeus costumam dizer que, nos dias do Messias, todos os sacrifícios cessarão, exceto o sacrifício de louvor, e esta promessa também aponta para esse tempo.
É prometido ainda que o país, que por muito tempo estivera vazio, será novamente povoado e estabelecido. Naquele tempo estava deserto, sem gente e sem animais, mas depois da volta os pastos voltarão a se cobrir de rebanhos (Salmo 65:13). Em todas as cidades de Judá e de Benjamim haverá moradas para pastores (Jeremias 33:12, Jeremias 33:13).
Isso mostra, em primeiro lugar, a prosperidade da terra depois do retorno. Não será um lugar apenas de mendigos sem nada, mas de pastores e lavradores, gente com bens reais e trabalho útil. Em segundo lugar, mostra a paz da terra. Não será lugar de soldados, tendas e quartéis. Haverá pastores porque não se ouvirão mais alarmes de guerra, e ninguém amedrontará os pastores (Salmo 144:13, Salmo 144:14). Em terceiro lugar, mostra a diligência da terra e o retorno ao modo de vida simples e honrado que tinham antigamente, antes que as gerações posteriores se corrompessem.
Os descendentes de Jacó se orgulhavam, no início de sua história, de serem pastores (Gênesis 47:3), e voltarão a sê-lo, dedicando-se plenamente a esse trabalho pacífico. Farão seus rebanhos repousar (Jeremias 33:12) e passarão as ovelhas debaixo da mão de quem as conta (Jeremias 33:13). Ainda que sejam muitos os rebanhos, eles ainda assim os contarão, para saber se falta algum e procurá-lo. É sabedoria, mesmo para quem tem muito, manter controle sobre o que possui. Alguns entendem ainda que os rebanhos passam debaixo da mão do que conta para serem dizimados, isto é, para que uma parte seja dada a Deus, como exigia a lei (Levítico 27:32). Assim podemos ter consolo no que possuímos quando Deus já recebeu o que lhe é devido.
Como parecia difícil crer que um povo tão abatido pudesse voltar a desfrutar tanta paz e abundância, Deus acrescenta uma forte garantia: “Cumprirei a boa palavra que falei” (Jeremias 33:14). A promessa pode parecer demorar a cumprir-se, mas caminha com certeza. Os dias virão, ainda que pareçam tardar.
Para coroar todas essas bênçãos, Deus promete o Messias e a justificação duradoura diante de Deus, ou seja, a justiça que ele traria (Jeremias 33:15, Jeremias 33:16). É provável que esta seja a grande boa promessa que Deus cumpriria nos últimos dias, a promessa feita a Judá e a Israel, para a qual o retorno do cativeiro não passava de preparação. Do cativeiro até Cristo temos um dos grandes períodos da história bíblica (Mateus 1:17).
Essa promessa do Messias já havia sido dada antes (Jeremias 23:5, Jeremias 23:6), onde servia para confirmar a promessa dos pastores que Deus levantaria sobre eles. Isso sugere que a promessa aqui sobre pastores e rebanhos também pode ser entendida em forma de figura. Cristo é anunciado aqui de várias maneiras. Ele é um Rei legítimo, um Renovo de justiça, não um estranho que toma o poder para si, pois vem da linhagem de Davi, a casa com a qual Deus fez aliança real.
Ele também é um Rei justo, justo ao legislar, ao guerrear e ao julgar. Defende os oprimidos e pune os que praticam o mal: executará juízo e justiça na terra. Isso pode apontar, em medida menor, para Zorobabel, governador judeu que governou com retidão, ao contrário de Jeoaquim (Jeremias 22:17). Mas aponta sobretudo para aquele a quem todo juízo foi confiado, que julgará o mundo com justiça.
Ele é ainda um Rei que protegerá seu povo de todo mal. Por meio dele Judá será salvo da ira e da maldição e, uma vez salvo, Jerusalém habitará em confiança, livre do medo e desfrutando uma paz santa de coração sob o governo deste príncipe da paz, príncipe da sua paz. É também um Rei a quem seus súditos darão louvor: “Este será o nome com que o chamarão”. Algumas antigas versões o expressam assim. Mais de acordo com o original, pode significar: “Este é aquele que a chamará: O Senhor, justiça nossa”.
Assim como o altar de Moisés foi chamado “O Senhor é minha bandeira” (Êxodo 17:15) e Jerusalém foi chamada “O Senhor está ali” (Ezequiel 48:35), assim aqui a cidade recebe o nome “O Senhor, justiça nossa”. A ideia é que o povo de Deus se gloria no Senhor como aquele que está presente com ele e que lhe dá justiça.
Observa-se que o que antes foi dito como nome de Cristo é aqui dado como nome de Jerusalém, a cidade do Messias, a igreja de Cristo. Cristo é aquele que concede justiça ao seu povo, pois foi feito por Deus justiça nossa. Ao trazer esse nome, Jerusalém declara que toda a sua justiça vem, não de si mesma, mas dele. “No Senhor tenho justiça e força”, diz a profecia (Isaías 45:24). E em Cristo somos feitos justiça de Deus. O povo de Jerusalém pronunciará tanto esse nome do Messias, que ele próprio será chamado por esse nome.
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Deste capítulo
Jeremias 33:1
"E veio a palavra do SENHOR a Jeremias, segunda vez, estando ele ainda encarcerado no pátio da guarda, dizendo:"
Jeremias 33:2
"Assim diz o Senhor que faz isto, o Senhor que forma isto, para o estabelecer; o Senhor é o seu nome."
Jeremias 33:3
"Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes."
Jeremias 33:4
"Porque assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca das casas desta cidade, e das casas dos reis de Judá, que foram derrubadas com os aríetes e à espada."
Jeremias 33:5
"Eles entraram a pelejar contra os caldeus, mas isso é para os encher de cadáveres de homens, que feri na minha ira e no meu furor; porquanto escondi o meu rosto desta cidade, por causa de toda a sua maldade."
Jeremias 33:6
"Eis que eu trarei a ela saúde e cura, e os sararei, e lhes manifestarei abundância de paz e de verdade."
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