Versículo em destaque

Jeremias 19:10 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então quebrarás a botija à vista dos homens que forem contigo. "

Jeremias 19:10

menu_book Versículo no contexto

8 E farei esta cidade objeto de espanto e de assobio; todo aquele que passar por ela se espantará, e assobiará por causa de todas as suas pragas.

9 E lhes farei comer a carne de seus filhos e a carne de suas filhas, e comerá cada um a carne do seu amigo, no cerco e no aperto em que os apertarão os seus inimigos, e os que buscam a vida deles.

10 Então quebrarás a botija à vista dos homens que forem contigo.

11 E dir-lhes-ás: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Deste modo quebrarei eu a este povo, e a esta cidade, como se quebra o vaso do oleiro, que não pode mais refazer-se, e os enterrarão em Tofete, porque não haverá mais lugar para os enterrar.

12 Assim farei a este lugar, diz o Senhor, e aos seus moradores; sim, para pôr a esta cidade como a Tofete.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O aviso de ira dado nos versículos anteriores agora é trazido de modo ainda mais incisivo para que o povo creia nele, e isso é feito de duas maneiras.

Primeiro, é mostrado por um sinal visível. O profeta devia levar consigo uma botija de barro (Jeremias 19:1) e, depois de entregar a mensagem, deveria quebrá-la em pedaços (Jeremias 19:10). As mesmas pessoas que ouviram o sermão deveriam ver o sinal. No capítulo anterior, Deus havia comparado a nação a barro mole, facilmente estragado enquanto está sendo modelado. Mas alguns poderiam dizer: “Isso já não se aplica a nós. Já faz tempo que fomos moldados e endurecidos.” A resposta é: “Ainda assim, um vaso de barro pode ser quebrado com a mesma facilidade na mão de qualquer um.” De certo modo, é até pior do que o barro mole, porque o barro mole, se for danificado, ainda pode ser remoldado, mas um vaso já endurecido, quando é despedaçado, não pode ser recomposto.

As pessoas muitas vezes se impressionam mais com o que veem do que com aquilo que apenas ouvem. Por isso sinais simbólicos eram usados como meio de ensino nos tempos antigos. Ao explicar esse sinal, Jeremias precisa repetir o que já havia dito e, novamente, apontar para Tofete, o vale onde este ato aconteceu.

A botija quebrada mostrava quão fácil, violenta e completamente o exército dos caldeus os destruiria. Eles confiavam na força de sua nação e na firmeza de sua coragem. Pensavam que isso os tornava duros como bronze. Mas o profeta mostra que isso apenas os tornava como vaso de barro, que pode parecer duro, mas é frágil e se quebra mais depressa do que algo que nem é tão duro. Embora tivessem sido feitos para ser vasos para honra, ainda eram vasos de barro, e Deus os faria sentir isso se o desonrassem e falhassem no propósito para o qual foram criados. É Deus quem os fez, e Ele tem poder para quebrá-los: “Quebrarei a este povo e a esta cidade, como se quebra o vaso do oleiro.” Esse é o destino das nações (Salmo 2:9; Apocalipse 2:27), e agora é também o destino de Jerusalém (Isaías 30:14). Um vaso de oleiro, quebrado, não pode ser restaurado. Assim, a ruína de Jerusalém seria total. Ninguém poderia repará-la, exceto aquele que a havia quebrado. Contudo, se se voltassem para Ele, então, ainda que Ele tivesse rasgado, também sararia.

Isso foi feito em Tofete para deixar duas coisas claras. Primeiro, Tofete se tornaria o lugar de sepultamento dos mortos. Enterrariam tantos ali que não sobraria espaço. Os mortos se amontoariam uns sobre os outros, e bastaria então um pequeno pedaço de terra para aqueles que, em vida, cobiçavam casa após casa e campo após campo. Os que, enquanto vivos, queriam ficar sozinhos na terra e obrigavam todos a mantê-los à distância, depois de mortos, estariam deitados no meio da multidão. E há incontáveis outros que já foram antes deles.

Segundo, Tofete se tornaria uma figura de toda a cidade (Jeremias 19:12). “Farei a esta cidade como fiz a Tofete.” Assim como haviam enchido o vale de Tofete com os mortos que sacrificaram aos ídolos, assim Deus encheria a cidade com os mortos que cairiam como sacrifícios à sua justiça. Lemos em 2 Reis 23:10 que Josias contaminou Tofete porque ali se tinha praticado idolatria. Ele fez isso, ao que parece por Jeremias 19:14, enchendo-o de ossos humanos. Fosse o que fosse antes, a partir de então Tofete passou a ser visto como um lugar detestável. Cadáveres e outros restos da cidade eram levados para ali, e um fogo permanecia aceso para consumi-los. Esse era o estado do vale quando Jeremias foi enviado a profetizar ali. Era um lugar tão vil que, no tempo de Jesus, o inferno passou a ser chamado Geena, nome tirado desse vale de Hinom.

Deus agora declara que, já que aquela boa reforma, quando Tofete foi contaminado, não foi suficientemente profunda e não transformou de fato a nação, Ele faria com a cidade o que Josias havia feito com Tofete. Enchê-la-ia de cadáveres e a transformaria em um montão de ruínas. Até as casas de Jerusalém, inclusive os palácios dos reis de Judá, seriam contaminados como Tofete (Jeremias 19:13) e pelo mesmo motivo: por causa da idolatria praticada ali. Como não permitiram que a reforma contaminasse esses lugares, Deus os contaminaria pela destruição. Tinham queimado incenso nos terraços de suas casas ao exército dos céus.

Terraços planos eram, às vezes, usados por pessoas piedosas como um bom lugar para oração (Atos 10:9). Mas os idólatras os usavam como “altos” para sacrificar a falsos deuses, especialmente ao sol, à lua e às estrelas, pois julgavam que estar no terraço os tornava mais próximos desses astros e lhes dava melhor visão deles. Lemos de pessoas que adoravam o exército dos céus sobre os telhados (Sofonias 1:5) e de altares sobre o terraço da câmara alta de Acaz (2 Reis 23:12). Esse pecado nos telhados trouxe maldição para dentro das casas e as consumiria, transformando-as num amontoado de lixo como Tofete.

Depois, Jeremias repete e confirma solenemente o que havia dito no átrio da casa do Senhor (Jeremias 19:14-15). Ele volta de Tofete para o templo, que ficava acima daquele vale, e ali confirma e provavelmente repete sua mensagem para os que não a tinham ouvido. Ele sustenta tudo o que havia dito. Como costuma fazer, ao mesmo tempo em que adverte quanto ao juízo iminente, também apresenta a causa desse juízo. As duas coisas permanecem bem ligadas aqui, com um olhar para tudo o que já havia sido anunciado.

O juízo ameaçado é o cumprimento das profecias. O povo se consolava com a ideia de que Deus seria mais bondoso do que a sua própria palavra anunciava, e que aquelas advertências serviam apenas para assustá-los por um tempo. Mas o profeta diz que eles se enganam se pensam assim. “Assim diz o SENHOR dos Exércitos”, aquele que tem poder para executar o que declara: “Eis que trarei sobre esta cidade e sobre todas as suas cidadezinhas todo o mal que falei contra ela.” Por mais que as pessoas pensem o contrário, a providência de Deus corresponderá plenamente à sua palavra. Ele se mostrará tão terrível contra o pecado e contra os pecadores quanto as Escrituras o apresentam. A incredulidade humana não enfraquecerá suas promessas nem tornará suas ameaças menos certas.

O pecado apontado contra eles é o desprezo às profecias, e isso é a causa do juízo. É porque endureceram a cerviz e não quiseram se sujeitar ao jugo dos mandamentos de Deus. Não quiseram ouvir suas palavras, ou seja, não lhes deram atenção nem as obedeceram.

Fica claro que a teimosia dos pecadores em seus maus caminhos é responsabilidade exclusiva deles. Se sua cerviz é dura, é porque eles mesmos a endureceram. Se são surdos para a palavra de Deus, é porque fecharam os próprios ouvidos. Por isso, é necessário pedir que Deus, por sua graça, nos livre de corações endurecidos e de qualquer desprezo por sua palavra e seus mandamentos.

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