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Tiago 3:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo. "

Tiago 3:1

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1 Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo.

2 Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo.

3 Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O capítulo anterior mostrou como a fé, sem obras, é inútil e morta. Este capítulo adverte que esse tipo de fé também tende a tornar as pessoas orgulhosas, autoritárias e descuidadas com as palavras. Aqueles que defendem o tipo de fé que o capítulo anterior condenou são muitas vezes os que mais facilmente caem em pecados de fala. Mesmo as melhores pessoas precisam ser advertidas contra o uso da língua de modo áspero, condenatório e prejudicial.

Tiago, portanto, nos ensina a não usar a língua para nos colocarmos acima dos outros: “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres” (Tiago 3:1). Isso não proíbe ajudar os outros, orientá‑los em seu dever, ou corrigi‑los de forma cristã quando erram. Mas proíbe o espírito que sempre quer ocupar a cadeira principal, dar ordens e fazer de nossas próprias opiniões a regra para todos os demais. Deus dá diferentes dons a pessoas diferentes e espera que cada um responda pela luz que recebeu.

Tiago apresenta duas razões para essa advertência. Primeiro, aqueles que se fazem juízes e censores dos outros terão um juízo mais rigoroso. Se somos ágeis em encontrar faltas nos outros e rápidos em condená‑los, devemos esperar que Deus seja igualmente minucioso ao examinar nossas palavras e ações (Mateus 7:1-2). Segundo, devemos lembrar que todos tropeçamos em muitas coisas (Tiago 3:2). Se pensássemos mais em nossas próprias falhas, seríamos menos apressados em julgar o próximo. Pessoas que se defendem com veemência muitas vezes estão enganando a si mesmas. Todos somos culpados diante de Deus, e aqueles que falam com orgulho a respeito das fraquezas dos outros muitas vezes não enxergam quantas falhas têm em si mesmos. Seu modo duro e superior de falar pode ser até pior do que os pecados que eles condenam. Por isso devemos ser rigorosos conosco e cheios de caridade para com os outros.

Tiago também nos ensina a governar a fala, para que mostremos ser pessoas maduras, íntegras e com verdadeiro domínio próprio. “Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito varão, capaz também de refrear todo o corpo” (Tiago 3:2). Isso significa que quem é cuidadoso quanto aos pecados de fala e se esforça para evitá‑los dá um forte sinal de graça verdadeira. Por outro lado, se alguém parece religioso, mas não consegue controlar a língua, sua religião é vazia. A pessoa que não peca com suas palavras não é apenas sincera, mas já avançou bastante no crescimento cristão. A mesma graça que o ajuda a governar a língua o ajudará a governar o restante da vida.

Tiago ilustra isso com duas comparações. Primeiro, um cavalo é guiado por um freio em sua boca: “Pom os freios na boca dos cavalos, para que nos obedeçam, e conseguimos dirigir todo o seu corpo” (Tiago 3:3). Há muita selvageria na natureza humana, e ela se manifesta com força pela língua. Por isso a língua precisa ser refreada, como disse o salmista: “Guardarei a minha boca com um freio” (Salmo 39:1). A língua é rápida e viva, por isso precisa de controle cuidadoso. Caso contrário, como um cavalo bravo, pode levar seu dono para onde quiser e até derrubá‑lo. Mas, se a língua é contida por firme propósito e vigilância, debaixo da graça de Deus, o resto da vida se torna mais fácil de dirigir.

Em segundo lugar, Tiago aponta para um navio governado por um pequeno leme: “Vede também as naus, que, sendo tão grandes e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa” (Tiago 3:4). Do mesmo modo, a língua é um pequeno membro do corpo, mas pode gabar‑se de grandes coisas (Tiago 3:5). Um minúsculo leme pode guiar um enorme navio, e uma língua bem governada pode ajudar a governar a pessoa por inteiro. Essas comparações são marcantes porque mostram como algo pequeno pode ter grande poder para o bem ou para o mal. Por isso devemos prestar muita atenção ao uso de nossas palavras.

Por essa mesma razão, devemos temer uma língua solta como um dos males mais perigosos. Tiago a compara a uma pequena chama no meio de material seco, que logo se espalha e destrói tudo ao redor: “Quão grande bosque um tão pequeno fogo incendeia!” A língua é fogo, um mundo de iniquidade (Tiago 3:5-6). Há tanto pecado na fala que ela pode ser chamada, com razão, de um mundo de maldade. Ela produz muitos tipos de contaminação e pode acender muitos incêndios terríveis. Macula a pessoa inteira, e os pecados da língua frequentemente despertam paixões pecaminosas e as mantêm vivas.

O estrago não para aí. A língua muitas vezes arrasta todo o corpo para o pecado e a culpa. Por isso Salomão advertiu: “Não consintas que a tua boca faça pecar a tua carne” (Eclesiastes 5:6). As armadilhas em que as pessoas caem por causa de suas palavras são dolorosas para elas mesmas e prejudiciais para os outros. A língua também pode inflamar todo o curso da existência, provocando confusão em famílias, sociedades e na vida pública. Não há idade nem condição de vida em que não encontremos exemplos disso.

Tiago acrescenta que a língua é “posta em chamas pelo inferno” (Tiago 3:6). Isso significa que a fala maligna muitas vezes procede de influência satânica e de propósitos perversos. O diabo é chamado de mentiroso, homicida e acusador dos irmãos, e, quando as pessoas usam a língua para mentiras, destruição ou acusações, agem sob esse mesmo fogo das trevas. Em contraste, o Espírito Santo desceu uma vez em línguas como de fogo no dia de Pentecostes (Atos 2).

Quando a língua é guiada e influenciada por um fogo vindo do céu, ela acende bons pensamentos, sentimentos santos e devoção sincera. Mas, quando é incendiada pelo inferno, como acontece em cada explosão pecaminosa de ira, torna‑se destrutiva e produz furor, ódio e outras obras do diabo. Assim como tememos o fogo e as chamas, também devemos temer contendas, insultos, calúnias, mentiras e tudo o que inflama a ira em nosso coração ou no coração dos outros.

Também somos ensinados sobre quão difícil é controlar a língua. Todo tipo de feras, aves, répteis e animais marinhos tem sido domado pela espécie humana, mas nenhum homem pode domar a língua (Tiago 3:7-8). Leões e outros animais selvagens, cavalos e camelos, pássaros difíceis de capturar, serpentes venenosas e criaturas do mar já foram trazidos sob controle humano. Isso não se dá apenas por milagres, como os leões que não fizeram mal a Daniel, os corvos que alimentaram Elias ou o peixe que levou Jonas. São coisas que as pessoas realizam com frequência, e, ainda assim, a língua é pior do que todos eles, e a habilidade humana, sozinha, não consegue dominá‑la. Ninguém pode domar a língua sem a ajuda e a graça de Deus.

Tiago não quer dizer que isso seja impossível, mas que é muito difícil. Será necessário grande vigilância, esforço e oração para mantê‑la em ordem. Mesmo assim, às vezes isso ainda não basta, pois a língua é um mal indomável, carregado de veneno mortal. Animais podem ser mantidos dentro de certos limites, e até serpentes perigosas podem ser manuseadas de forma que não causem dano. Mas a língua tende a romper todos os limites e espalhar seu veneno em algum momento ou outro, por mais cuidadosos que sejamos. Portanto, ela deve ser vigiada, guardada e governada com ainda mais atenção do que uma criatura selvagem ou venenosa, porque seus surtos nocivos podem causar estragos muito maiores.

Tiago também nos ensina a refletir sobre como usamos a língua no culto e no serviço a Deus, para que isso nos impeça de amaldiçoar, julgar com dureza e praticar outros tipos de fala maligna no dia a dia. Com a língua bendizemos a Deus e Pai, e com a mesma língua amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim (Tiago 3:9-10). É profundamente errado que pessoas que oram e louvam a Deus com a língua usem essa mesma língua para maldição, calúnia e pecados semelhantes.

Se bendizemos a Deus como nosso Pai, isso deveria nos ensinar a falar bem e tratar com bondade todos os que carregam sua imagem. Uma língua que fala com reverência a Deus não pode, sem grande incoerência, voltar‑se em seguida para um discurso ríspido e insultuoso contra outras pessoas. Os anjos que louvam a Deus não trazem acusações cheias de ofensas. E, quando pessoas envergonham aqueles que não apenas carregam a imagem de Deus na sua humanidade, mas também foram renovados pela graça do evangelho, isso é uma negação vergonhosa de sua pretensão de honrar a Deus. Essas coisas não deveriam ser assim; e, se mantivéssemos isso em mente, não seriam assim. A verdadeira devoção é desonrada se falta a caridade, isto é, o amor para com o próximo.

A língua se desmascara quando, em certo momento, pretende honrar a grandeza de Deus e, em outro, condena até pessoas piedosas apenas porque não usam as mesmas palavras ou expressões. Tiago reforça esse ponto mostrando que, na própria natureza, não se obtêm resultados opostos de uma mesma fonte, e, portanto, isso também não deve ser esperado na esfera da graça. Uma fonte pode, ao mesmo tempo, jorrar água doce e água amarga da mesma abertura? Uma figueira pode produzir azeitonas, ou uma videira produzir figos? Ou a mesma nascente pode dar água salgada e água doce (Tiago 3:11-12)?

A verdadeira religião não admite contradições, e quem é realmente religioso não deve tolerá-las nem em suas palavras nem em suas ações. Quantos pecados seriam evitados se essa coerência fosse buscada, e quantas pessoas seriam reconduzidas a uma vida firme e consistente.

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