Versículo em destaque
Isaías 65:17 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão. "
Isaías 65:17
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
15 E deixareis o vosso nome aos meus eleitos por maldição; e o Senhor DEUS vos matará; e a seus servos chamará por outro nome.
16 Assim que aquele que se bendisser na terra, se bendirá no Deus da verdade; e aquele que jurar na terra, jurará pelo Deus da verdade; porque já estão esquecidas as angústias passadas, e estão escondidas dos meus olhos.
17 Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão.
18 Mas vós folgareis e exultareis perpetuamente no que eu crio; porque eis que crio para Jerusalém uma alegria, e para o seu povo gozo.
19 E exultarei em Jerusalém, e me alegrarei no meu povo; e nunca mais se ouvirá nela voz de choro nem voz de clamor.
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Se essas promessas tiveram um cumprimento parcial quando os judeus voltaram do cativeiro e se estabeleceram em paz em sua própria terra, elas tiveram um cumprimento mais pleno na igreja do evangelho, primeiro em sua luta na terra e depois em sua glória. A Jerusalém que é de cima é livre, e ela é mãe de todos os crentes. Na graça e no consolo que os crentes recebem de Cristo, é ali que devemos esperar esse novo céu e essa nova terra.
O evangelho é o lugar onde as coisas velhas passam e tudo se faz novo, onde os que estão em Cristo se tornam novas criaturas (2 Coríntios 5:17). Isaías 65:16 falou de uma grande e feliz mudança, em que as aflições passadas seriam esquecidas. Aqui a promessa se eleva muito mais, pois até o mundo antigo será esquecido e não voltará mais à memória. Os que se converteram à fé em Cristo ficaram tão cheios do seu consolo que tudo o que haviam conhecido antes lhes pareceu nada, não apenas as antigas tristezas, mas até as antigas alegrias.
Os santos glorificados esquecerão este mundo porque estarão inteiramente ocupados com o mundo vindouro. “Eis que eu crio novos céus e nova terra.” Vê-se aí o quão ilimitado é o poder de Deus. O mesmo Deus que criou um céu e uma terra pode criar outros. Vê-se também quão completa será a felicidade dos santos. Tudo estará em harmonia. Com os novos céus, Deus também criará para eles, se for necessário para a sua felicidade, uma nova terra. O mundo pertence a quem pertence a Cristo (1 Coríntios 3:22). Quando Deus é reconciliado conosco, o que nos dá um novo céu, as criaturas também são reconciliadas conosco, o que nos dá uma nova terra. A glória futura dos santos será tão diferente de tudo o que conheceram que, com toda propriedade, é chamada de novos céus e nova terra (2 Pedro 3:13). “Eis que faço novas todas as coisas” (Apocalipse 21:5).
Haverá novas alegrias. Todos os amigos da igreja, e todos os que lhe pertencem, se alegrarão: “Alegrai-vos e exultai perpetuamente no que eu crio” (Isaías 65:18). As coisas novas que Deus cria por meio do seu evangelho são e serão alegria duradoura para todos os crentes. “Os meus servos se alegrarão” (Isaías 65:13), e ao fim se alegrarão, embora agora chorem. Entrarão no gozo do seu Senhor.
A própria igreja será causa de alegria, porque sua condição será tão agradável e próspera: “Eis que crio Jerusalém para alegria e o seu povo para gozo.” A igreja não só se alegrará, mas será motivo de alegria para outros. Os que choraram com a igreja se alegrarão com ela. A prosperidade da igreja também será alegria para o próprio Deus, que se deleita na prosperidade dos seus servos (Isaías 65:19). “E exultarei com Jerusalém e me alegrarei no meu povo”, porque em toda a sua angústia ele também se angustiou. Deus não só se alegrará com o bem da igreja, mas terá prazer em lhe fazer o bem e descansará no seu amor por ela (Sofonias 3:17). Aquilo em que Deus se alegra deve ser também motivo da nossa alegria.
Essa alegria não terá perda nem interrupção. “Nela não se ouvirá mais voz de choro.” Se isso se referir a algum estado da igreja ainda nesta vida, significa que as antigas causas de tristeza não voltarão, e o povo de Deus gozará de longa paz sem interrupção. Mas no céu essa promessa será plenamente cumprida, tanto na perfeição quanto na permanência da alegria prometida. Ali toda lágrima será enxugada.
Haverá também uma nova vida (Isaías 65:20). Não mais se conhecerão mortes prematuras pela espada ou pela doença como antes, e assim cessará também a voz de choro (Isaías 65:19). Quando não houver mais morte, não haverá mais dor (Apocalipse 21:4). Assim como a morte reinou pelo pecado, a vida reinará pela justiça (Romanos 5:14, Romanos 5:21).
Os crentes, por meio de Cristo, estarão satisfeitos com a vida, ainda que seja muito breve na terra. Se os dias de uma criança terminarem rapidamente, isso não será contado como morrer cedo demais, pois quanto mais curta a vida, mais longo o descanso. Embora a morte domine sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, os que morrem nos braços de Cristo, o segundo Adão, e pertencem ao seu reino, não devem ser chamados “meninos de poucos dias”. Mesmo uma criança será tida como morrendo com cem anos, porque ressuscitará na plenitude da força e ressuscitará para a vida eterna. Alguns entendem isso também como valendo para crianças que, mesmo na infância, mostram sabedoria e graça incomuns e são cortadas no auge da vida; assim se pode dizer que morrem de cem anos de idade.
Quanto aos idosos, a promessa é que encherão seus dias com o fruto da justiça, que ainda produzirão na velhice, mostrando que o Senhor é reto. Então é uma verdadeira boa velhice. Um ancião sábio, bom e útil pode ser dito, com verdade, que encheu os seus dias. Já os velhos cujo coração está posto no mundo jamais enchem os seus dias, porque nunca se satisfazem com este mundo e sempre desejam mais tempo nele. Mas aquele homem morre velho e farto de dias, que, como Simeão, viu a salvação de Deus e agora deseja partir em paz.
Os incrédulos, por outro lado, ficarão insatisfeitos e infelizes na vida, ainda que vivam muito tempo. O pecador, ainda que viva cem anos, será amaldiçoado. Sua longa vida não será sinal do favor ou da bênção de Deus, nem o resguardará da sua ira e maldição. A sentença contra ele certamente será executada, e sua longa vida é apenas uma longa demora antes do juízo. Mais do que isso, é em si mesma uma maldição, porque quanto mais ele vive, mais ira acumula para o dia da ira, e mais pecados terá de responder. Por isso, importa pouco se nossa vida na terra é longa ou curta; o que importa é se vivemos como santos ou como pecadores.
Haverá também um novo desfrutar dos confortos da vida. Antes, a vida era incerta e frágil. Inimigos habitavam nas casas que o povo de Deus construía e comiam o fruto das árvores que plantavam. Agora será diferente. Eles edificarão casas e nelas habitarão, plantarão vinhas e comerão do seu fruto (Isaías 65:21, Isaías 65:22). Isso mostra que a obra de suas mãos será abençoada e prosperará. Alcançarão o que almejaram, e o que alcançarem será guardado para eles. Desfrutarão de tudo em paz, sem amargura, e viverão o bastante para gozar o fruto do seu trabalho.
Estranhos não invadirão para expulsá-los e tomar o seu lugar, como já aconteceu em outros tempos. “Os meus eleitos gozarão longamente das obras das suas mãos.” O que eles ganham honestamente durará bem. É obra de suas próprias mãos, fruto do próprio esforço, e é grande consolo desfrutar disso em vez de comer o pão da ociosidade ou o pão do engano.
Se temos coração para desfrutar essas bênçãos, isso já é dom da graça de Deus (Eclesiastes 3:13). Se vivemos o bastante para gozá-las, isso também é dom da providência de Deus, e é isso que está prometido aqui: “Porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore.” O sentido é que o povo de Deus durará muito tempo, como um carvalho (Isaías 6:13), que guarda sua força por dentro mesmo quando suas folhas caem. Embora fique desnudo no inverno, torna a brotar e permanece por muitos anos. A antiga tradução grega entende isso como alusão à árvore da vida. Cristo é a árvore da vida para os crentes, e nele eles desfrutam dos confortos espirituais de que essas bênçãos terrenas são apenas sinais.
Não estará no poder dos inimigos tirar essas bênçãos ou perturbar o desfrute delas. Surgirá também uma nova geração depois deles para herdar e desfrutar das mesmas bênçãos (Isaías 65:23). Eles não trabalharão em vão, porque eles mesmos desfrutarão da obra de suas mãos e a deixarão com alegria para os que vierem depois. Não terão a visão triste que Salomão teve quando pensou no que deixaria para trás (Eclesiastes 2:18-19). Não terão filhos apenas para a calamidade, porque eles mesmos são a descendência dos que o Senhor abençoou, e essa bênção se estenderá também aos seus filhos.
Não gerarão filhos para a tribulação. Deus fará de seus filhos um consolo para eles, de modo que possam se alegrar em vê-los andar na verdade. Ele também tornará bons os tempos futuros para seus filhos. Como eles mesmos são bons, bem lhes irá. Seus filhos não nascerão para dias de mal, e nunca se dirá: “Bem-aventurado o ventre que não gerou.” Na igreja do evangelho, o nome de Cristo será levado adiante por uma linhagem de descendentes. “Uma semente o servirá” (Salmo 22:30), a semente dos abençoados do Senhor.
Haverá também um bom relacionamento entre Deus e o seu povo (Isaías 65:24). “Antes que clamem, eu responderei.” Deus irá adiante das orações deles com as bênçãos da sua bondade. Davi apenas disse: “Confessarei ao Senhor as minhas transgressões”, e Deus o perdoou (Salmo 32:5). O pai, na parábola, correu ao encontro do filho pródigo quando ele ainda vinha voltando. “Estando eles ainda falando”, antes de terminarem a oração, Deus lhes dará o que pedem ou, ao menos, lhes dará a promessa e o antegozo disso. São palavras grandiosas que mostram como Deus está pronto a ouvir a oração. Vemos isso ainda mais claramente na graça do evangelho do que sob a lei, e devemos esse consolo a Cristo, que intercede por nós junto ao Pai. Em gratidão, devemos ser também prontos em ouvir a Deus quando ele nos chama.
Haverá também um bom relacionamento entre eles e seus próximos (Isaías 65:25). “O lobo e o cordeiro se apascentarão juntos”, como aconteceu na arca de Noé. O povo de Deus, ainda que seja como ovelhas no meio de lobos, estará seguro e ileso. Deus não apenas conterá seus inimigos pela força, como tantas vezes fez antes, mas também transformará seus corações pela sua graça. Quando Paulo, que antes perseguia os discípulos, se uniu a eles e se tornou um deles, então o lobo e o cordeiro se apascentaram juntos. O mesmo ocorreu quando foi removida a inimizade entre judeus e gentios. Então cessaram todas as hostilidades, e passaram a se alimentar juntos como um só rebanho, sob Cristo, o grande Pastor (João 10:16).
Os inimigos da igreja deixaram de causar o mal que antes causavam, e os próprios membros da igreja deixaram de ser tão contenciosos e prejudiciais uns aos outros. Assim não havia, nem de fora nem de dentro, quem ferisse ou destruísse, e nada que perturbasse a igreja, muito menos a arruinasse, em todo o monte santo, conforme prometido em Isaías 11:9. Isso acontece porque as pessoas são transformadas: “O leão deixará de ser uma fera de rapina.” Talvez nunca o tivesse sido, se o pecado não tivesse entrado no mundo; mas agora come palha como o boi, conhece o seu possuidor e permanece junto ao presépio do seu senhor. Quando aqueles que antes viviam de pilhagem e cobiça, e procuravam enriquecer‑se por qualquer meio, são levados pela graça de Deus a aceitar a sua condição, viver de trabalho honesto e estar contentes com o que têm, então essa promessa se cumpre. Quando os que roubavam não roubam mais, mas antes trabalham, fazendo com as próprias mãos o que é bom, o leão está comendo palha como o boi.
Satanás também será acorrentado, o dragão será preso, pois “pó será o alimento da serpente” novamente. Esse grande inimigo, quando lhe é permitido agir, tem‑se alimentado do sangue precioso dos santos, levando pessoas a persegui‑los, e das almas preciosas dos pecadores, levando‑os a se tornarem perseguidores e a arruinarem a si mesmos para sempre. Mas agora será limitado ao pó, de acordo com a sentença: “Sobre o teu ventre andarás, e pó comerás” (Gênesis 3:14). Todos os inimigos da igreja de Deus, agudos e venenosos como serpentes, serão vencidos e abatidos, e obrigados a lamber o pó. Cristo reinará como Rei de Sião até que todos os inimigos do seu reino sejam colocados por estrado de seus pés, e também dos pés do seu povo. Somente no monte santo de cima essa promessa será plenamente consumada, ali e em nenhum outro lugar, onde ninguém ferirá nem destruirá.
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Deste capítulo
Isaías 65:1
"Fui buscado dos que não perguntavam por mim, fui achado daqueles que não me buscavam; a uma nação que não se chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui. Eis-me aqui."
Isaías 65:2
"Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde, que anda por caminho, que não é bom, após os seus pensamentos;"
Isaías 65:3
"Povo que de contínuo me irrita diante da minha face, sacrificando em jardins e queimando incenso sobre altares de tijolos;"
Isaías 65:4
"Que habita entre as sepulturas, e passa as noites junto aos lugares secretos; come carne de porco e tem caldo de coisas abomináveis nos seus vasos;"
Isaías 65:5
"Que dizem: Fica onde estás, e não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu. Estes são fumaça no meu nariz, um fogo que arde todo o dia."
Isaías 65:6
"Eis que está escrito diante de mim: não me calarei; mas eu pagarei, sim, pagarei no seu seio,"
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