Versículo em destaque
Isaías 61:4 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E edificarão os lugares antigamente assolados, e restaurarão os anteriormente destruídos, e renovarão as cidades assoladas, destruídas de geração em geração. "
Isaías 61:4
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
2 A apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes;
3 A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do Senhor, para que ele seja glorificado.
4 E edificarão os lugares antigamente assolados, e restaurarão os anteriormente destruídos, e renovarão as cidades assoladas, destruídas de geração em geração.
5 E haverá estrangeiros, que apascentarão os vossos rebanhos; e estranhos serão os vossos lavradores e os vossos vinhateiros.
6 Porém vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus; comereis a riqueza dos gentios, e na sua glória vos gloriareis.
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As promessas aqui são feitas, em primeiro lugar, aos judeus que tinham voltado do cativeiro e se estabelecido novamente na sua própria terra. Mas essas promessas também alcançam a igreja do evangelho e todos os crentes, que são livrados pela graça da escravidão espiritual. Elas podem ser aplicadas de modo espiritual, porque o que Deus fez por Israel é uma figura do que ele faz por seu povo em Cristo.
Primeiro, há a promessa de que suas casas seriam reconstruídas e suas cidades se levantariam de novo das ruínas onde estiveram por tanto tempo. Eles edificariam os lugares antigamente assolados, reparariam as cidades destruídas e restaurariam as antigas desolações, até aquelas que ficaram vazias por muitas gerações. A expansão do cristianismo no mundo reparou a decadência da religião natural e levantou aquelas ruínas de piedade e honestidade, antigas e profundas, que envergonhavam a humanidade havia séculos.
Uma alma não santificada é como uma cidade derribada, sem muros, ou como uma casa em ruínas. Mas, pelo poder do evangelho e da graça de Cristo, essa alma é restaurada, colocada em ordem novamente e preparada para ser morada de Deus pelo Espírito. São justamente os que são libertos do cativeiro que fazem essa obra, porque somos tirados da escravidão para servir a Deus, tanto edificando a nós mesmos para a sua glória como ajudando a edificar a sua igreja na terra.
Segundo, aqueles que até há pouco eram servos, trabalhavam para opressores e viviam à mercê deles, agora teriam servos para fazer seu trabalho. Esses servos não seriam seus irmãos, pois todos os crentes são livres do Senhor, mas estrangeiros e forasteiros, que apascentariam suas ovelhas, lavrariam seus campos e cuidariam de seus jardins, o trabalho comum de pastores, lavradores e jardineiros. É isso o que significa: “Estranhos apascentarão os vossos rebanhos” (Isaías 61:5).
Quando, pela graça de Deus, passamos a nos desprender corretamente dos negócios deste mundo, comprando como se não possuíssemos de modo absoluto o que compramos, então os filhos do estrangeiro se tornam, por assim dizer, nossos lavradores e vinhateiros. Nossas mãos podem estar ocupadas com as coisas terrenas, mas nossos corações não ficam presos a elas. Pelo contrário, permanecem inteiramente entregues a Deus e ao seu serviço.
Terceiro, eles não seriam apenas libertos do cativeiro, mas também grandemente honrados e encarregados de um serviço santo (Isaías 61:6). Enquanto estrangeiros cuidam dos seus rebanhos, eles mesmos cuidariam do santuário. Em vez de serem escravos de feitores, seriam chamados sacerdotes do Senhor, um chamado alto e santo. Os sacerdotes eram como iguais aos príncipes e, em hebraico, eram chamados pela mesma palavra.
Eles seriam ministros do nosso Deus, como os levitas foram. Aqueles a quem Deus liberta, ele também põe a trabalhar. Ele os livra de seus inimigos para que o sirvam (Lucas 1:74-75; Salmo 116:16). Mas o serviço de Deus é verdadeira liberdade e, mais que isso, é a maior honra. Quando Deus tirou Israel do Egito, tomou-o para ser um reino de sacerdotes (Êxodo 19:6). A igreja do evangelho também é um sacerdócio real (1 Pedro 2:9). Todos os crentes são feitos reis e sacerdotes para o nosso Deus, e devem viver de modo condizente, em oração e em toda sua conduta, com santidade ao Senhor marcada sobre eles, de forma que as pessoas possam chamá-los de sacerdotes do Senhor.
Quarto, a riqueza e a honra dos gentios convertidos acrescentariam ao bom nome e ao proveito da igreja (Isaías 61:6). Os gentios seriam trazidos para dentro da igreja. Os que eram estrangeiros se tornariam concidadãos dos santos e trariam consigo o que têm, para ser consagrado à glória de Deus e usado em seu serviço. Os sacerdotes, ministros do Senhor, seriam beneficiados por isso. É grande ajuda, alegria e estímulo para todos os cristãos fiéis ver gentios servindo aos interesses do reino de Deus.
Eles comeriam as riquezas dos gentios, não riquezas tomadas à força, mas recebidas de modo justo e livre, como ofertas trazidas ao altar, das quais viviam os sacerdotes e suas famílias. A promessa não é: “Vocês entesourarão as riquezas dos gentios”, mas: “Vocês as comerão.” Isso porque o melhor uso da riqueza é usá-la bem e fazer o bem com ela.
Eles se gloriarão na sua glória. Toda honra que os gentios convertidos tinham antes da conversão — nobreza, riqueza, saber, virtude, posição pública — se converterá em crédito para a igreja à qual se uniram. E toda glória que tiverem depois da conversão — zelo santo, vida rigorosamente correta, utilidade, sofrimento paciente e todos os sinais da mudança bendita que a graça de Deus operou neles — redundará em glória para Deus. Por isso, todas as pessoas piedosas se alegrarão com isso.
Quinto, eles terão grande consolo e satisfação em seus próprios corações (Isaías 61:7). Sem dúvida, os judeus experimentaram isso após o retorno. Era como um novo mundo, e eles aprenderam a valorizar a liberdade e a propriedade, com prazeres que pareciam novamente novos e plenos. Muito mais se alegra todo aquele que é introduzido por Cristo na gloriosa liberdade dos filhos de Deus, especialmente quando as bênçãos da adoção se completam na ressurreição do corpo.
Eles se alegrarão na sua porção. Não apenas teriam de volta o que era seu, mas também, como outro dom de Deus, a capacidade de desfrutar disso com alegria (Eclesiastes 3:13). Embora as casas dos judeus retornados, e o seu templo, fossem bem menos gloriosos do que antes do cativeiro, ainda assim ficariam satisfeitos e gratos. Era a sua porção na sua terra, a sua própria terra, a terra santa, a terra de Emanuel; por isso tinham motivo para se alegrar, sobretudo depois de saber o que era ser estrangeiros em terra alheia. Aqueles que têm Deus e o céu como porção têm todo motivo para dizer que sua porção é boa e para se regozijar nela.
A alegria deles será eterna, isto é, um estado de alegria que dura muito tempo, muito mais do que o cativeiro durou. Entretanto, a alegria da nação judaica muitas vezes foi obscurecida, interrompida e logo teve fim; por isso, essa promessa alcança seu pleno sentido na alegria espiritual que os crentes têm em Deus e na alegria eterna que esperam no céu.
Isso será uma recompensa dobrada, e mais que dobrada, por toda a vergonha e aflição que sofreram na terra do seu cativeiro. “Em lugar da vossa vergonha tereis dupla honra, e na vossa terra possuireis o dobro” em comparação com o que perderam. A bênção de Deus sobre isso, e o consolo que acharão nisso, compensará mais do que plenamente todas as perdas que suportaram.
Eles serão reconhecidos não apenas como filhos de Deus, mas como seus primogênitos (Êxodo 4:22), e assim terão direito à porção dobrada. O cativeiro foi tão amargo que Isaías diz que receberam em dobro por todos os seus pecados (Isaías 40:2). Da mesma forma, o retorno será tão alegre que receberão em dobro por toda a sua vergonha. O primeiro aponta para a satisfação plena que Cristo deu por nossos pecados, em que Deus recebeu mais do que o bastante por eles. O segundo aponta para a plena alegria do céu, em que receberemos mais do que o bastante por todo o nosso serviço e sofrimento.
A vida de Jó é um quadro disso. Quando Deus restaurou a sua sorte, deu-lhe o dobro do que tinha antes. Assim, o povo de Deus pode confiar que suas perdas não serão o fim da história. Ele pode restaurar muito além daquilo que foi tirado.
Deus também será seu guia fiel e permanecerá em aliança com eles, isto é, em um relacionamento de promessa firme com eles. “Firmarei a sua obra em verdade” (Isaías 61:8) significa que Deus, em sua providência, ordenará seus negócios para o melhor, segundo a sua verdadeira palavra. Ele os conduzirá à verdadeira prosperidade por meio da verdadeira sabedoria. Pela sua graça, dirigirá as obras dos justos pelo caminho certo, o caminho que leva à felicidade, e os ajudará a fazer o que é sincero e agradável a ele.
Deus deseja verdade no íntimo. Se fizermos nosso trabalho com honestidade, ele fará conosco uma aliança eterna. Para aqueles que andam perante ele e são íntegros, ele será certamente um Deus suficiente para cada necessidade. Ele não se contenta com uma religião apenas exterior, mas exige corações verdadeiros e vidas honestas.
Essas promessas se firmam no próprio caráter de Deus: “Eu, o Senhor, amo o juízo.” Ele ama a justiça entre as pessoas, tanto nas relações entre governantes e súditos como entre vizinhos. Porque ama a justiça, odeia toda forma de injustiça. Quando o mal é feito ao seu povo por opressores, ele se ira, não só porque são o seu povo, mas porque a própria injustiça fere a equidade eterna. Se as pessoas não praticam a justiça, ele mesmo fará juízo, dando alívio aos oprimidos e punindo o injusto.
Deus defende a causa ferida do seu povo, não apenas porque se importa com eles, mas porque se importa com a justiça. O texto acrescenta que ele odeia o roubo para holocausto. Ele odeia a desonestidade mesmo entre o seu próprio povo, mesmo quando alegam honrá-lo com seus sacrifícios. Ele a odeia ainda mais quando o roubo é cometido contra o seu povo, e mais ainda quando o que foi roubado é oferecido a ídolos. Se ele odeia o roubo até quando é usado para fazer ofertas a si mesmo, certamente odeia quando é usado para encobrir ganância e opressão.
Isso exalta grandemente a verdade de Deus: atos religiosos nunca compensam a quebra dos mandamentos morais. Ninguém pode desculpar o furto dizendo: “Foi para uma oferta” ou “É um presente”. Obedecer é melhor do que sacrificar, e praticar o que é justo e amar a misericórdia é melhor do que milhares de carneiros. Na verdade, o roubo é ainda mais abominável a Deus quando é coberto com linguagem religiosa, porque tenta fazer o Deus justo parecer que aprova a injustiça.
Alguns entendem estas palavras como uma razão por que os judeus foram postos de lado quando os gentios foram trazidos para dentro (Isaías 61:6). Os judeus haviam se corrompido na moral. Eles davam o dízimo da hortelã e do cominho, mas negligenciavam o juízo e a misericórdia (Mateus 23:23). Deus ama a justiça e a exige, e ele odeia tanto o roubo para holocaustos quanto os holocaustos para encobrir roubo, como no caso dos fariseus que faziam longas orações enquanto devoravam as casas das viúvas.
Outros leem as palavras assim: “Eu odeio o roubo praticado na maldade”, referindo-se ao despojo que os inimigos de Deus haviam tomado do seu povo. Deus odiou essa opressão e os chamaria a prestar contas por ela.
Deus também deixará uma bênção para seus filhos depois deles (Isaías 61:9). Sua semente, isto é, os filhos desse povo abençoado, ou seus descendentes na fé, será contada ao Senhor como uma geração permanente (Salmo 22:30). Eles se mostrarão abertamente, de modo que outros os notem. Serão conhecidos entre as nações pela seriedade, humildade, alegria e amor fraternal em sua vida, pelos quais todos os homens os reconhecerão como discípulos de Cristo.
Ao se destacarem dessa maneira, Deus os honrará. Ele os fará uma bênção em seu tempo e um meio de manifestar sua glória. Também lhes dará claros sinais de seu favor, de modo que se tornarão conhecidos e respeitados. Filhos de pais piedosos devem viver de tal forma que se perceba que pertencem a tais famílias, vendo-se neles o fruto de uma boa formação e a resposta das orações feitas por eles. Então podem esperar que Deus os faça conhecidos, assim como prometeu que a geração dos justos será abençoada.
Deus receberá a glória por tudo isso. Todos os que os virem notarão neles tanta graça e favor de Deus que dirão que estes são a semente que o Senhor abençoou e continua a abençoar. É isso o que significa ser abençoado por Deus. Todo bem que aparece em qualquer pessoa deve ser reconhecido como fruto da bênção de Deus, e Deus deve ser honrado por isso.
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Deste capítulo
Isaías 61:1
"O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;"
Isaías 61:2
"A apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes;"
Isaías 61:3
"A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do Senhor, para que ele seja glorificado."
Isaías 61:5
"E haverá estrangeiros, que apascentarão os vossos rebanhos; e estranhos serão os vossos lavradores e os vossos vinhateiros."
Isaías 61:6
"Porém vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus; comereis a riqueza dos gentios, e na sua glória vos gloriareis."
Isaías 61:7
"Em lugar da vossa vergonha tereis dupla honra; e em lugar da afronta exultareis na vossa parte; por isso na sua terra possuirão o dobro, e terão perpétua alegria."
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