Versículo em destaque
Isaías 5:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Agora cantarei ao meu amado o cântico do meu querido a respeito da sua vinha. O meu amado tem uma vinha num outeiro fértil. "
Isaías 5:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Agora cantarei ao meu amado o cântico do meu querido a respeito da sua vinha. O meu amado tem uma vinha num outeiro fértil.
2 E cercou-a, e limpando-a das pedras, plantou-a de excelentes vides; e edificou no meio dela uma torre, e também construiu nela um lagar; e esperava que desse uvas boas, porém deu uvas bravas.
3 Agora, pois, ó moradores de Jerusalém, e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha.
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Vê-se quantos meios diferentes o grande Deus usa para despertar os pecadores ao arrependimento, mostrando-lhes o seu pecado, a sua miséria e o seu perigo. Às vezes ele fala em palavras diretas, às vezes em parábolas. Às vezes usa prosa, às vezes cântico, como faz aqui. “Já raciocinamos convosco” (Isaías 1:18); agora, por assim dizer, “vamos pôr o vosso caso em forma de canção, composta em honra do meu Amado”.
Deus Pai põe este cântico em honra de Cristo, seu Filho mui amado, a quem constituiu Senhor da vinha. O profeta também o entoa em honra de Cristo, pois ele também é o seu amado. Os profetas do Antigo Testamento eram amigos do noivo. Cristo é o Filho amado de Deus e o nosso Salvador amado. Tudo o que se diz ou canta a respeito da igreja é, em última análise, para o louvor dele, ainda que, como aqui, ao mesmo tempo exponha a nossa vergonha.
Esta parábola é colocada em forma de cântico para comover mais profundamente o coração. Assim torna-se algo mais fácil de aprender, de guardar na memória com exatidão e de transmitir às gerações seguintes. Ao mesmo tempo, ilumina o cântico de Moisés (Deuteronômio 32), mostrando que o que ali fora predito agora se cumpria. Jerônimo diz que Cristo, o Amado, em certo sentido entoou este cântico triste quando contemplou Jerusalém e chorou sobre ela (Lucas 19:41). Ele também aludiu a esta verdade na parábola da vinha (Mateus 21:33 e seguintes), embora ali a culpa fosse dos lavradores, enquanto aqui a culpa recai sobre as próprias vides.
Em primeiro lugar, vêem-se as grandes coisas que Deus havia feito pela igreja e pela nação judaica. Enquanto o restante do mundo jazia como um terreno comum, ainda não cultivado pela revelação divina, aquele povo era a sua vinha. Eram o seu povo escolhido, separado para si. A terra onde ele os plantou era especial, um outeiro muito fértil, “o chifre do filho do azeite”, como traz a margem. Havia abundância, como um corno da fartura, e havia riqueza: comiam o melhor e bebiam o doce. Deus lhes deu coisas boas para que o honrassem com sacrifícios e ofertas voluntárias. As vantagens do lugar e da posição em que nós mesmos fomos colocados também serão levadas em conta um dia.
Deus fez ainda mais por essa vinha. Ele a cercou com uma sebe, tomando-a sob sua proteção especial e velando por ela dia e noite, para que ninguém a molestasse (Isaías 27:2-3). Se eles não tivessem derrubado a própria cerca, nenhum inimigo poderia ter entrado (Salmo 125:2; Salmo 131:1-4). Ele tirou as pedras, de modo que nada de fora a prejudicasse, nem nada de dentro impedisse a sua frutificação. Nisso, ofereceu sua graça para remover o coração de pedra. Plantou nela a vide excelente, dando-lhes uma religião pura, uma lei excelentíssima e ordenanças adequadas para mantê-los próximos de si (Jeremias 2:21).
Edificou também uma torre no meio da vinha, seja para defesa contra ataques, seja para ali morarem os trabalhadores. Mais provavelmente, era um lugar de onde o dono se assentava para contemplar as vides (Cântico dos Cânticos 7:12), como uma casa de veraneio. Essa torre era o templo, em torno do qual habitavam os sacerdotes, e onde Deus prometera encontrar-se com o seu povo, manifestando-lhe a sua presença e o seu agrado. Fez também nela um lagar, estabelecendo seu altar, para onde seriam trazidos os sacrifícios, como fruto da vinha.
Em segundo lugar, vemos a decepção de suas justas e belas expectativas. Ele esperava uvas, e tinha todo o direito de esperá-las. Deus espera fruto daqueles que desfrutam dos privilégios da vinha, não apenas folhas, como em Marcos 11:12. Uma profissão vazia, ainda que vistosa e verdejante, não basta. Boas intenções e bons começos são bons, mas ainda não são tudo. É necessário fruto: um bom coração e uma boa vida, pensamentos e desejos, palavras e ações que estejam de acordo com o Espírito, que comunica a vida rica da vinha (Gálatas 5:22-23). O fruto também deve corresponder aos meios recebidos, ao cuidado que com eles se teve e ao Deus a quem pertencem.
Mas, em vez de uvas, produziu uvas bravas. Isso significa não apenas nenhuma fruta, mas fruta má, pior do que se não houvesse fruto algum, como as uvas de Sodoma (Deuteronômio 32:32). Uvas bravas são as obras de uma natureza corrompida, fruto que brota da raiz velha e selvagem, e não do ramo enxertado, fruto de uma raiz de amargura (Hebreus 12:15). Onde a graça não atua, a corrupção atuará. Uvas bravas são também atos religiosos falsos, que se parecem com uvas, mas são azedos ou amargos, tão longe de agradar a Deus que o provocam à ira, como em (Isaías 1:11). Graças falsificadas são uvas bravas.
Em terceiro lugar, Deus os conclama a julgar a causa por si mesmos, se não devem absolvê-lo e condenar a si próprios (Isaías 5:3-4). O caso é exposto com clareza: “Agora, pois, ó moradores de Jerusalém, e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha”. Isso mostra que Deus estava sendo responsabilizado pela condição deles. Havia uma controvérsia entre ele e o povo, mas a verdade estava tão evidentemente do lado de Deus que ele podia apelar às próprias consciências deles.
Ele convoca qualquer morador de Jerusalém, qualquer homem de Judá que tenha juízo e senso de justiça, para falar com sinceridade. Alguém pode apontar uma única coisa que Deus tenha deixado de fazer por eles? “Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu não lhe tenha feito?” Ele fala aqui dos meios externos de frutificação, aqueles que um viticultor pode prover. Ninguém espera do lavrador que ele mude a natureza da vide. Que mais havia de ser feito? Eles tinham tudo o que era necessário para conhecer o seu dever e serem estimulados a cumpri-lo.
Não lhes faltou estímulo. Deus usou todos os argumentos apropriados para movê-los, seja pela esperança, seja pelo temor. Também tiveram todas as oportunidades possíveis para desempenhar o seu dever: luas novas, sábados e festas solenes. Possuíam as Escrituras, os oráculos vivos, um ministério permanente nos sacerdotes e levitas, além do auxílio extraordinário dos profetas. Nenhuma nação tinha estatutos e juízos tão retos.
E também não tinham desculpa real para procederem tão contrariamente a Deus. Por que haveria a vinha de produzir uvas bravas, se ele esperava uvas? O pecado daqueles que professam religião e desfrutam dos meios de graça é uma das coisas mais irracionais que existem, e toda a culpa disso recai exclusivamente sobre os próprios pecadores. “Se zombares, tu só o suportarás”, e não terás o que alegar em tua defesa no juízo do grande Dia. Deus provará que os seus caminhos são retos, e que tortos são os caminhos do pecador.
Isaías agora já pronunciou a sentença, e ela é justa, considerando o mau tratamento que deram a Deus (Isaías 5:5; Isaías 5:6). Deus diz, por assim dizer: “Já que nada se pode alegar em desculpa para este pecado, eu vos direi o que resolvi fazer à minha vinha. Não me afadigarei mais com ela. Tendo-se mostrado inútil, será tratada como inútil. Deixará de ser vinha e se tornará um deserto. A igreja dos judeus deixará de ser reconhecida como igreja de Deus. Seu privilégio especial será retirado, e eles se tornarão lo-ammi, não-meu-povo”.
Primeiro, não serão mais separados como povo peculiar, mas tratados como os demais. Deus diz: “Tirarei a sua sebe”, e então logo será devorada e deixada como terreno comum. Porque se misturaram com as nações, com justiça foram espalhados entre elas.
Segundo, não mais serão protegidos como povo de Deus, mas ficarão expostos. Deus não apenas deixará o muro arruinar-se, mas ele mesmo o derrubará. Removerá as suas defesas, e então seus inimigos, que há muito aguardavam ocasião de lhes fazer mal, facilmente os pisarão.
Terceiro, já não terão aparência de vinha, nem de igreja ou comunidade organizada. Serão nivelados e assolados. Isso se cumpriu quando Jerusalém, por causa deles, foi lavrada como um campo (Miquéias 3:12).
Quarto, não receberão mais cuidado por parte de governantes ou ministros, dos trabalhadores e guardas da vinha. Não será podada nem cavada, mas tudo crescerá sem controle. Só surgirão espinheiros e cardos, frutos do pecado e da maldição (Gênesis 3:18). Quando o erro e a corrupção, o vício e a imoralidade ficam sem correção, sem advertência, sem repreensão e sem freio, a vinha fica ao abandono. Logo se torna como a vinha do homem preguiçoso, toda tomada de espinhos.
Quinto, a pena final é que o orvalho do céu será retido. Aquele que governa as nuvens lhes ordenará que não deem chuva, e isso por si só basta para transformá-la em deserto. Deus, em juízo justo, retém a sua graça daqueles que por longo tempo a receberam sem dar fruto. Tudo se resume a isto: os que não quiseram dar bom fruto não darão fruto algum. A maldição da esterilidade é o castigo pelo pecado da esterilidade, como em (Marcos 11:14).
Isso teve um cumprimento parcial na destruição de Jerusalém pelos caldeus, um cumprimento pleno na rejeição final dos judeus, e muitas vezes se cumpre quando o Espírito de Deus se afasta de pessoas que por muito tempo resistiram a ele. Vê-se também quando o evangelho é retirado de lugares que por muito tempo têm sido uma vergonha para ele, embora antes fosse para eles uma honra. Não é nenhuma perda para Deus devastar a sua vinha, pois ele pode, quando quiser, transformar um deserto em campo fértil. Quando ele desnuda uma vinha, é apenas como fez com o jardim do Éden, que, depois que o homem perdeu ali o seu lugar por causa do pecado, logo foi reduzido a terra comum.
Em seguida vem a explicação da parábola, ou a chave para entendê‑la (Isaías 5:7). A vinha representa a casa de Israel, todo o povo reunido como uma só igreja e nação. As videiras, as plantas agradáveis, representam os homens de Judá, a quem Deus tratou com bondade e dos quais esperava um retorno adequado.
As uvas que ele buscava, e as uvas bravas que apareceram, apontam para o fruto que Deus esperava deles. Ele esperava juízo e justiça, isto é, honestidade nos relacionamentos entre o povo e justiça rigorosa por parte dos governantes. Isso era algo razoável de se esperar de um povo ao qual foram dadas leis tão boas e regras tão justas (Deuteronômio 4:8). Mas a realidade era bem diferente. Em vez de juízo, havia opressão; em vez de justiça, ouviam‑se os clamores dos oprimidos.
Tudo era decidido por gritos e força, não por equidade e de acordo com o mérito de cada causa. É algo triste quando a maldade toma o lugar da justiça (Eclesiastes 3:16). Também é algo triste para a alma quando Deus procura humildade, mansidão, paciência, amor e um coração desapegado do mundo, mas encontra orgulho, ira, descontentamento, ódio e desprezo por Deus. Em lugar de oração e louvor, ele encontra maldições e blasfêmias, que o ofendem profundamente.
Alguns escritores antigos aplicam isso aos judeus no tempo de Cristo. Deus buscava justiça, no sentido de que recebessem e acolhessem a Cristo, mas em vez disso ouviu‑se um clamor: “Crucifica‑o, crucifica‑o”.
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Isaías 5:2
"E cercou-a, e limpando-a das pedras, plantou-a de excelentes vides; e edificou no meio dela uma torre, e também construiu nela um lagar; e esperava que desse uvas boas, porém deu uvas bravas."
Isaías 5:3
"Agora, pois, ó moradores de Jerusalém, e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha."
Isaías 5:4
"Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? Por que, esperando eu que desse uvas boas, veio a dar uvas bravas?"
Isaías 5:5
"Agora, pois, vos farei saber o que eu hei de fazer à minha vinha: tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derrubarei a sua parede, para que seja pisada;"
Isaías 5:6
"E a tornarei em deserto; não será podada nem cavada; porém crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela."
Isaías 5:7
"Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das suas delícias; e esperou que exercesse juízo, e eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor."
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