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Isaías 3:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Porque, eis que o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, tirará de Jerusalém e de Judá o sustento e o apoio; a todo o sustento de pão e a todo o sustento de água; "

Isaías 3:1

menu_book Versículo no contexto

1 Porque, eis que o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, tirará de Jerusalém e de Judá o sustento e o apoio; a todo o sustento de pão e a todo o sustento de água;

2 O poderoso, e o homem de guerra, o juiz, e o profeta, e o adivinho, e o ancião,

3 O capitão de cinqüenta, e o homem respeitável, e o conselheiro, e o sábio entre os artífices, e o eloqüente orador.

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auto_stories Comentário Bible Guided

No final do capítulo anterior, o profeta havia advertido a todos para não confiarem em pessoas nem em qualquer coisa criada. Já tinha dado o motivo geral: a vida humana é frágil e a força humana é fraca. Aqui ele dá um motivo mais específico. Deus estava prestes a destruir todo apoio em que eles se escoravam, de modo que suas esperanças acabariam em decepção (Isaías 3:1).

A expressão “sustento e apoio” indica todo tipo de amparo, tudo aquilo em que confiavam para obter ajuda e alívio. A igreja e o reino deles tinham envelhecido e começavam a fraquejar, como um idoso que precisa se apoiar em uma bengala (Zacarias 8:4). Agora Deus anuncia que vai tirar essa bengala, e então eles cairão. Isso se aplica tanto à cidade quanto ao campo, a Jerusalém e a Judá, que dependiam um do outro.

Quem faz isso é o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, isto é, o governante com plena autoridade e poder para cumprir o que determina. Se ele retira seu apoio, todos os outros apoios se quebram debaixo de nós, porque é ele a força por trás de todos eles. Jerônimo aplicou isso ao claro declínio da nação judaica depois que crucificaram o Salvador (Romanos 11:9, Romanos 11:10). Aqui podemos entender de forma mais ampla, como um aviso a toda nação para não provocar a Deus, pois, se as pessoas o transformam em inimigo, ele pode torná-las miseráveis.

A fartura era um apoio para eles? Em qualquer povo, isso conta como apoio, pois o pão é o sustento da vida. Mas Deus pode tirar todo o sustento de pão e de água, e faz isso com justiça quando o estômago cheio se torna ocasião de pecado (Ezequiel 16:49) e aquilo que foi dado para a vida se transforma em instrumento de luxúria. Ele pode reter a chuva e assim retirar de vez o pão e a água (Deuteronômio 28:23, 24). Ou, mesmo deixando o alimento, pode tirar-lhe o poder de sustentar, retendo a sua bênção, porque o homem vive da palavra de Deus e não só de pão, e é por isso que o pão é chamado de “sustento” (Mateus 4:4). Então o pão não alimenta e a água não refrigera (Ageu 1:6). Cristo é o pão da vida e a água da vida. Se ele é o nosso sustento, temos uma boa parte que não pode ser tirada (João 4:14; João 6:27).

O exército era um apoio para eles, seus generais, comandantes e soldados? Também esses seriam removidos, seja mortos em batalha, esgotados por sucessivas derrotas, debilitados por doenças, ou tornando-se indispostos e incapazes para o serviço. O valente, o guerreiro, e até o oficial de menor patente, como o chefe de cinquenta, seriam todos tirados. É péssimo sinal para qualquer povo quando seus homens corajosos são perdidos. Portanto, que o forte não se glorie na sua força, e que nenhuma nação confie demais em seus guerreiros. Antes, que os fortes glorifiquem a Deus, e que a cidade das nações poderosas o tema, porque ele pode torná-las fracas e pequenas (Isaías 25:3).

Os oficiais civis eram um apoio para eles, seus homens instruídos, políticos, sacerdotes e conselheiros habilidosos? Também esses seriam tirados: os juízes que conheciam a lei e administravam a justiça, os profetas consultados nos casos difíceis, os prudentes conhecidos por sua percepção e bom senso, os adivinhos, se entendidos em bom sentido como homens que pretendiam ter sabedoria, os anciãos, os homens honrados cuja idade e experiência os tornavam aptos a aconselhar, os artífices habilidosos e, por fim, o orador eloquente, o homem perito na palavra, que ainda pode ser útil mesmo sem ser um dos grandes sábios ou anciãos. Moisés não falava bem, mas Arão falava.

Deus ameaça tirar esses homens de duas maneiras. Primeiro, pode torná-los incapazes de servir ao seu país, fazendo os juízes se tornarem insensatos e tirando a palavra dos fiéis e o entendimento dos idosos (Jó 12:17 e seguintes). Toda criatura é apenas aquilo que Deus a faz ser, e não podemos supor que pessoas úteis permanecerão sempre úteis. Segundo, pode simplesmente pôr fim à vida deles. Por isso os príncipes não devem ser objeto de confiança, porque o seu fôlego se vai (Salmo 146:3, 4). A perda de homens úteis, sobretudo quando morrem em plena atividade, é séria advertência para qualquer povo.

O governo era um apoio para eles? Deveria ser. É dever do governante sustentar as colunas da terra (Salmo 75:3). Mas aqui Deus ameaça que esse apoio falhará. Quando os valentes e os sábios forem embora, meninos os governarão. Isso significa crianças em idade, que precisam ser guiadas por tutores, que discutirão entre si e saquearão o jovem rei e seu reino. E também significa homens infantis, pessoas tolas e imaturas, tão pouco aptas para governar quanto bebês no berço. Governarão com toda a loucura, inconstância e teimosia de crianças. Ai da terra cujo rei é assim (Eclesiastes 10:16).

A união do povo entre si, sua boa ordem e harmonia, era um apoio para eles? Quando um povo vive assim, às vezes consegue suportar mesmo quando seus governantes são falhos. Mas aqui Deus ameaça enviar também um espírito mau entre eles, como em Juízes 9:23. Isso faria com que se prejudicassem uns aos outros. O povo oprimiria o próprio povo, e, como seus príncipes seriam crianças, ninguém conteria os opressores nem ajudaria os oprimidos. Seria inútil apelar a eles, o que levaria cada um a tentar ser seu próprio vingador. Logo passariam a morder e devorar uns aos outros, até serem consumidos uns pelos outros.

Isso também os tornaria rudes e desordeiros com seus superiores. Nada é sinal pior para um povo do que quando a geração mais jovem, de modo geral, se torna rebelde, grosseira e ingovernável, quando a criança se levanta com arrogância contra o ancião, embora Deus tivesse ordenado que se levantassem diante das cãs e honrassem o rosto do velho (Levítico 19:32).

Quando os jovens são orgulhosos, agressivos e desrespeitosos com seus superiores, seu comportamento prejudica mais do que a eles mesmos. Enfraquece a ordem pública, afrouxa a disciplina do governo e torna os líderes menos capazes de governar. Um povo também está em apuros quando homens honrados não conseguem manter sua autoridade e os mais baixos e atrevidos os tratam com desprezo. É coisa grave quando juízes são zombados e sua autoridade é abertamente desprezada pela multidão.

Há algum consolo em esperar que, mesmo que as coisas estejam sendo mal conduzidas agora, outros possam surgir que governem melhor. Mas até essa esperança falhará aqui, porque a situação é tão desesperadora que nenhum homem sensato ou responsável quererá assumi-la. O próprio governo terá de “pedir esmola”, por assim dizer, como indica Isaías 3:6. Isso pressupõe que o único meio real de corrigir tais desordens é por meio de bons magistrados, isto é, autoridades públicas investidas de poder por consentimento comum e que o usam para o bem de todos. É provável que muitos governos tenham começado assim, quando as pessoas perceberam que precisavam ser governadas, ou seriam arruinadas.

O caso é descrito como profundamente miserável. Quando crianças são seus príncipes, cada um se julgará apto para escolher um magistrado, e cada um favorecerá seus próprios parentes. Se os governantes fossem o que deveriam ser, a escolha dos oficiais lhes seria deixada, como convém. Mas aqui o povo será levado a forçar o poder nas mãos daqueles que consideram minimamente aptos. Um homem agarrará outro e o pressionará a se tornar governante, mesmo que este resista. Com frequência as pessoas não suportam ter seus iguais acima delas, como se vê na inveja dos irmãos de José.

As coisas estarão tão ruins que as boas roupas de um homem serão tratadas como qualificação para torná-lo governante. É um requisito muito pobre para um cargo de confiança no governo. Isso mostra como o país tinha empobrecido, quando se tornava incomum encontrar um homem bem-vestido, ou alguém que pudesse arcar com a veste de um edil ou a toga de um juiz. E mostra também quão tolo era o povo, quando dava tanta importância ao homem de roupas finas e anel de ouro (Tiago 2:2-3) a ponto de fazê-lo seu governante. Faria sentido dizer: “Você tem sabedoria, honestidade e experiência, seja nosso chefe”. Mas dizer: “Você tem roupas, seja nosso chefe”, beira o ridículo. Um pobre sábio, mesmo em trapos, libertou uma cidade (Eclesiastes 9:15). Isso também lembra como a humanidade caída estava desesperada quando o Senhor Jesus se dignou a tornar-se nosso irmão e, sem ser cortejado por ninguém, ofereceu-se como nosso Governante e Salvador, tomando sob seus cuidados essa ruína.

Os que forem pressionados a assumir o cargo o recusarão, porque, mesmo que pareçam ter alguns recursos, sabem que não podem arcar com as despesas nem corresponder às expectativas do povo que os escolhe (Isaías 3:7). Ele jurará, levantando a mão, como no antigo costume de jurar: “Não serei o médico. Não me ponhais por governador”. Bons governantes devem ser curadores. Devem trabalhar para unir o povo, e não aprofundar suas divisões. Só aqueles que têm espírito manso, pacífico e restaurador são aptos para governar. Também devem curar as feridas causadas aos interesses do povo, prestando o socorro adequado.

Ele recusa porque “em minha casa não há nem pão nem roupa”. Se ele falava a verdade, isso mostra o quanto as posses das pessoas tinham caído, quando até aqueles que pareciam estar em boa situação, na realidade, careciam do necessário. Essa é uma condição comum e triste. Alguns vivem de modo elegante e mantêm uma boa aparência exterior, mas, na verdade, estão em grande necessidade e andam com o coração pesado por falta de pão e de vestes. Se ele não falou a verdade, então sua consciência estava terrivelmente corrompida, pois preferiu jurar falsamente a ter de arcar com o custo do cargo. É absoluta loucura arruinar a própria alma para poupar dinheiro (Mateus 16:26). Em qualquer dos casos, via-se que a nação estava em péssimo estado, quando ninguém queria ocupar um lugar no governo, temendo não receber nem honra nem proveito com isso.

Essa condição lamentável vinha do próprio pecado do povo, até mesmo entre o povo de Deus, seja o profeta quem disse isso, seja o homem que recusou o cargo (Isaías 3:8). Jerusalém está arruinada, e Judá caiu, e foram eles mesmos que causaram isso. Sua língua e suas obras se levantaram contra o Senhor. Em palavras e em ações violaram a lei de Deus e tinham a intenção de afrontá-lo ao fazerem assim. Ofendiam-no abertamente, demonstrando desprezo por sua autoridade e desafio à sua justiça. Sua língua se levantou contra o Senhor porque contestavam seus profetas, e suas ações correspondiam às suas palavras. Aumentava ainda mais sua culpa o fato de que o olhar de Deus estava sobre eles e sua glória se manifestava no meio deles, e, mesmo assim, o provocavam diante do seu rosto. Quanto mais conheciam sua glória, mais se orgulhavam em desprezá-la e em trazer vergonha sobre ela. É por isso que Jerusalém está arruinada. A ruína de pessoas e nações procede de seus pecados. Se não provocassem a Deus, ele não lhes faria mal algum (Jeremias 25:6).

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