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Isaías 28:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Ai da coroa de soberba dos bêbados de Efraim, cujo glorioso ornamento é como a flor que cai, que está sobre a cabeça do fértil vale dos vencidos do vinho. "

Isaías 28:1

menu_book Versículo no contexto

1 Ai da coroa de soberba dos bêbados de Efraim, cujo glorioso ornamento é como a flor que cai, que está sobre a cabeça do fértil vale dos vencidos do vinho.

2 Eis que o Senhor tem um forte e poderoso; como tempestade de saraiva, tormenta destruidora, e como tempestade de impetuosas águas que transbordam, ele, com a mão, derrubará por terra.

3 A coroa de soberba dos bêbados de Efraim será pisada aos pés.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O profeta começa advertindo o reino das dez tribos sobre os juízos que viriam por causa de seus pecados. Esses juízos logo seriam executados pelo rei da Assíria, que devastaria a terra e levaria o povo para o exílio. Efraim recebeu esse nome por causa de sua fertilidade, pois a terra era rica e suas colheitas excelentes. Tinha muitos vales férteis, e Samaria, construída sobre um monte, ficava no alto desses vales ricos. A terra deles era aprazível e próspera, como o jardim do Senhor. Era a glória de Canaã, assim como Canaã era a glória de todas as terras.

Mas fizeram mau uso de tanta abundância. Aquilo que Deus lhes deu para o servirem, eles transformaram em combustível para as suas paixões. Tornaram-se orgulhosos por causa disso. As bênçãos com que Deus coroou os seus anos deveriam ser uma coroa de louvor a ele, mas se tornaram uma coroa de soberba para o povo. As riquezas muitas vezes tornam as pessoas cheias de si (1 Timóteo 6:17). Seu rei, que usava a coroa, se orgulhava de governar uma terra tão rica, e Samaria, a cidade real, era conhecida pelo orgulho. O profeta, falando em nome de Deus, que resiste aos soberbos, proclama ousadamente um “ai” contra a coroa de soberba. Se as pessoas se orgulham de suas coroas, não pensem que escaparão dessa advertência. Tudo aquilo de que alguém se envaidece se torna, em sua própria mente, como uma coroa. Mas o orgulho leva à queda.

Eles também se entregaram a uma vida sensual. Efraim era conhecido pela bebedeira e pela conduta desenfreada. Samaria, o topo daqueles vales férteis, estava cheia de gente vencida pelo vinho, ou, como se pode dizer, quebrada por ele. Bêbados agem tolamente, e não é de admirar, pois se fazem tolos e até brutais enquanto pecam. Permitem que o vinho os vença, e assim se tornam seus escravos (2 Pedro 2:19). Essa escravidão é especialmente vergonhosa porque foi escolhida voluntariamente. Alguns desses miseráveis escravos já admitiram que não há cativeiro mais duro do que o da bebedeira contínua. Não são apenas vencidos pelo vinho, mas pelo amor ao vinho. Também são quebrados por ele. Seus corpos são danificados, sua saúde destruída, seu trabalho e seus bens prejudicados, e suas almas correm perigo de ruína eterna, tudo por causa de um desejo vil. Ai dos bêbados de Efraim. Os ministros devem aplicar as advertências gerais da Bíblia a pessoas e lugares concretos. É preciso dizer: “Ai deste homem”, se ele é um bêbado. Há um “ai” especial para os bêbados de Efraim, porque estão entre o povo que professa pertencer a Deus. Isso agrava o pecado deles, pois sabem mais e deveriam dar melhor exemplo. Alguns entendem a coroa de soberba como referência às guirlandas usadas pelos que venciam competições de bebida e se vangloriavam de beber mais do que os outros. Gloriavam-se na sua vergonha.

A justiça de Deus tirará a fartura que eles abusaram. Sua formosura gloriosa, a abundância de que se orgulhavam, é apenas uma flor que cai. É alimento que não permanece. Mesmo a colheita mais rica pode tornar-se apenas uma flor que murcha se Deus sopra sobre ela e a resseca. Ele pode facilmente tomar o cereal no seu tempo (Oséias 2:9) e retomar a terra que foi abusada com culto falso, os bens preparados para Baal. Deus já tem um oficial designado para isso, um poderoso e forte que pode executar a obra, isto é, o rei da Assíria. Ele lançará tudo por terra com facilidade e poder, com uma mão que eles não poderão resistir (Isaías 28:2). A coroa de soberba e os bêbados de Efraim serão pisados aos pés (Isaías 28:3). Serão deixados em vergonha e não conseguirão se reerguer.

Os bêbados muitas vezes falam com orgulho e se gabam mais justamente quando trazem mais vergonha sobre si mesmos, mas isso só os torna mais ridículos. A beleza de seus vales, de que tanto se orgulhavam, será como uma flor que cai. Vai murchar por si mesma e já traz em si a semente da própria ruína. Também será como fruto temporão, que é colhido e comido assim que aparece. Assim também as riquezas deste mundo não apenas tendem a se estragar por si mesmas, como também são facilmente tomadas por outros, como o fruto precoce que todos desejam avidamente (Miqueias 7:1). Ladrões arrombam e roubam. A colheita da qual o mundano se gaba é devorada pelos famintos (Jó 5:5). Assim que outros veem a presa, lançam mão dela e engolem tudo o que podem.

Em seguida, o profeta se volta para o reino de Judá, que ele chama de o restante do seu povo (Isaías 28:5), pois era apenas duas tribos em comparação com as outras dez. Ele lhes promete o favor de Deus e diz que estarão sob seu cuidado e proteção quando a formosura de Efraim estiver exposta para ser pisada e devorada (Isaías 28:5-6). Naquele dia, quando o exército assírio estiver devastando Israel, Judá poderá temer que sua própria casa esteja em perigo, já que o vizinho está em chamas. Mas nesse dia de angústia e confusão, Deus será para o restante do seu povo tudo o que eles precisam e desejam. Isso inclui não apenas o reino de Judá, mas também quaisquer israelitas que tenham permanecido fiéis e, provavelmente, alguns que vieram para Judá para serem protegidos pelo bom rei Ezequias. Quando o assírio, esse poderoso, vier sobre Israel como uma tempestade de saraiva, uma tempestade destruidora, e como uma inundação de águas impetuosas que transbordam a terra (Isaías 28:2), então o Senhor dos Exércitos, o Senhor de todos os exércitos, separará o seu povo com favores especiais. Ele ajudará especialmente aqueles que mostraram devoção firme e singular a ele, e ele mesmo será para eles aquilo de que mais necessitam.

Isso aumenta muito o valor das promessas de Deus. Quando Deus se compromete em aliança a ser tudo-suficiente para o seu povo, assume para si tudo o que eles podem desejar legitimamente. Ele lhes dará toda a honra de que precisam, não apenas para livrá-los da vergonha, mas para lhes conceder respeito e reputação. Ele será para eles uma coroa de glória e um diadema de formosura.

Os que usavam a coroa de soberba olhavam de cima para o povo de Deus e o pisavam. O povo de Efraim havia se tornado um provérbio entre os bêbados, mas Deus agiria em favor de Judá de tal maneira que ficaria claro que ele os favorecia. Esse favor seria a coroa de glória deles, pois nenhum povo pode ter honra maior do que ser reconhecido por Deus. Ele também operaria neles pela sua graça, de modo que sua imagem seria renovada neles. Esse seria o diadema de formosura deles, pois nenhuma pessoa pode ter beleza maior do que a santidade. Aqueles que têm Deus como seu Deus o têm como coroa de glória e diadema de formosura, porque são feitos reis e sacerdotes para ele.

Deus também lhes daria a sabedoria e a graça necessárias para cumprirem os deveres do seu posto. Ele seria espírito de juízo para os que se assentam a julgar. Os conselheiros seriam guiados por sabedoria e bom senso, e os juízes governariam com justiça e equidade. É grande misericórdia para qualquer povo quando aqueles que são chamados a cargos públicos são aptos para sua função, quando os que julgam têm espírito de juízo e de governo.

Ele também lhes daria a coragem e a ousadia necessárias para enfrentar as dificuldades e a oposição que surgiriam. Ele seria força para os que fazem recuar a batalha até a porta, seja atacando cidades inimigas, seja defendendo suas próprias portas contra exércitos sitiante. A força dos soldados depende de Deus tanto quanto a sabedoria dos governantes. Onde Deus concede ambos, ele é uma coroa de glória para aquele povo. Isso aponta bem para Cristo, e a antiga paráfrase caldaica o entende assim: “Naquele dia o Messias será uma coroa de glória”. Simeão o chama de a glória de Israel, e ele foi feito por Deus para nós sabedoria, justiça e força.

O profeta então se queixa dos pecados encontrados também no povo de Judá, bem como da multidão de pessoas corrompidas entre eles. Há bêbados em Jerusalém assim como havia bêbados em Efraim, e isso torna a misericórdia de Deus para com Judá ainda mais admirável. Ele não arrasou Judá como fez com Efraim. Quando a misericórdia nos poupa de modo especial, isso nos coloca sob um dever especial de gratidão.

Os pecados de Efraim foram encontrados em Judá, e ainda assim Judá não sofreu a ruína de Efraim. Eles erraram por causa do vinho. Beber demais já é, em si, um grande erro, porque as pessoas pensam que isso aguça a mente, mas destrói o juízo e as engana. Pensam que ajuda a saúde e a digestão, mas na verdade prejudica o corpo e apressa a enfermidade e a morte. Também leva a muitos erros de crença e de conduta, porque obscurece a mente e enfraquece a consciência. Para continuar sustentando seu pecado, as pessoas então adotam ideias falsas e moldam seu modo de pensar para proteger suas paixões.

Alguns provavelmente foram atraídos à idolatria por causa do amor ao vinho e às bebidas fortes servidas nos banquetes idólatras. Assim, se desviaram por causa do vinho, do mesmo modo que Israel se uniu a Baal-Peor movido pelo desejo pelas filhas de Moabe. Três coisas tornam esse pecado ainda mais grave. Primeiro, os culpados eram justamente aqueles que deveriam ter advertido os outros e ensinado algo melhor, dando bom exemplo. O sacerdote e o profeta foram tragados pelo vinho, isto é, sua vocação foi engolida por esse vício. Os sacerdotes estavam sob uma lei especial de sobriedade (Levítico 10:9) e, como governantes e magistrados, não deviam beber vinho (Provérbios 31:4). Os profetas eram como nazireus e, como homens encarregados de repreender o pecado, deveriam manter-se bem longe dos pecados que condenavam nos outros. No entanto, muitos deles estavam presos a esse mesmo pecado. Que vergonha: um sacerdote, um profeta, um ministro, e bêbado. Tal desonra mancha o próprio ofício que exercem.

Em segundo lugar, os efeitos desse pecado eram profundamente nocivos. Não apenas o mau exemplo causava dano, mas também o profeta, estando embriagado, errava na visão. Falsos profetas muitas vezes revelavam quem realmente eram quando se entregavam à bebida. O sacerdote tropeçava no juízo e esquecia-se da lei (Provérbios 31:5). Cambaleava na mente tanto quanto no corpo. Que sabedoria ou justiça se pode esperar de pessoas que sacrificam a razão, a virtude, a consciência e tudo o que importa ao apetite baixo pela bebida forte? Feliz a terra cujos governantes comem e bebem para ter força, e não para se embriagar (Eclesiastes 10:17).

Em terceiro lugar, a doença já se havia espalhado amplamente, e a maioria dos que mantinham qualquer tipo de mesa estava contaminada. Todas as mesas estavam cheias de vômito. Vê-se quão feio é o pecado da embriaguez e quão ofensivo é para a convivência humana. É algo grosseiro e repugnante, capaz de causar nojo em quem vê, pois as mesas em que se deveria comer estavam imundas com a marca desse pecado. Suas mesas estavam cheias de vômito; por isso, o vitorioso não deveria se gloriar em sua coroa, mas sim envergonhar-se dela. É um péssimo sinal para qualquer povo quando a embriaguez se torna um pecado nacional.

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