Versículo em destaque

Isaías 23:15 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Naquele dia Tiro será posta em esquecimento por setenta anos, conforme os dias de um rei; porém no fim de setenta anos Tiro cantará como uma prostituta. "

Isaías 23:15

menu_book Versículo no contexto

13 Vede a terra dos caldeus, ainda este povo não era povo; a Assíria a fundou para os que moravam no deserto; levantaram as suas fortalezas, e edificaram os seus palácios; porém converteu-a em ruína.

14 Uivai, navios de Társis, porque está destruída a vossa fortaleza.

15 Naquele dia Tiro será posta em esquecimento por setenta anos, conforme os dias de um rei; porém no fim de setenta anos Tiro cantará como uma prostituta.

16 Toma a harpa, rodeia a cidade, ó prostituta entregue ao esquecimento; faça doces melodias, canta muitas canções, para que haja memória de ti.

17 Porque será no fim de setenta anos que o Senhor visitará a Tiro, e ela tornará à sua ganância de prostituta, e prostituir-se-á com todos os reinos que há sobre a face da terra.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui é indicado o tempo que Deus determinou para a devastação de Tiro. Não seria uma ruína sem fim: “Tiro será posta em esquecimento por setenta anos” (Isaías 23:15). Durante esse período, ela ficaria desprezada, oculta em escombros. Nabucodonosor a destruiu mais ou menos na mesma época em que destruiu Jerusalém, e Tiro permaneceu arruinada por um tempo semelhante ao de Jerusalém.

Vemos aqui a insensatez daquele conquistador orgulhoso e ambicioso. O que ele de fato ganhou ao tomar Tiro, se o povo foi disperso e ele não tinha súditos para reconstruí-la? É chocante perceber quanta satisfação alguns têm em arrasar cidades e apagar sua memória da face da terra (Salmo 9:6). Ele abateu o orgulho de Tiro e, sem perceber, acabou servindo ao propósito de Deus. Entretanto, fez isso movido por um orgulho ainda maior, e por isso Deus logo o humilhou.

Findos os setenta anos, Tiro seria restaurada à sua antiga posição. O texto fala em “dias de um rei”, no sentido de um só reinado ou dinastia, isto é, a linhagem de Nabucodonosor. Quando esse período se encerrasse, também terminaria a desolação de Tiro. Podemos supor que Ciro, que libertou os judeus e os incentivou a reconstruir Jerusalém, também libertou os tírios e os ajudou a reconstruir Tiro.

Isso mostra como Deus põe lado a lado prosperidade e adversidade, tanto para as cidades quanto para as pessoas. As cidades mais gloriosas não devem se achar seguras, e as mais arruinadas não devem perder a esperança. A providência de Deus novamente olharia com favor para aquela cidade destruída. “O Senhor visitará Tiro” com misericórdia (Isaías 23:17). Ainda que Ele contenda com um povo, não contende para sempre.

Não se diz que os antigos parceiros comerciais de Tiro voltariam primeiro, nem que as colônias fundadas por ela se lembrariam dela, pois a haviam esquecido. Em vez disso, o Senhor a visitaria por um caminho inesperado. Ele faria cessar a sua ira contra ela, e então a vida começaria a voltar a correr pelos antigos canais.

Tiro também faria tudo o que pudesse para recuperar o seu comércio. O texto diz que ela “cantará como uma prostituta”, usando a figura de uma mulher que havia sido disciplinada por seu pecado e agora é solta. Uma vez livre, ela volta a seus antigos modos de atração e negócio. Da mesma forma, os tírios, depois do cativeiro, se esforçariam ao máximo para reconquistar clientes. Buscariam as melhores mercadorias, venderiam a bom preço e ganhariam as pessoas pela cortesia.

A comparação inclui cantar, tocar harpa e andar pela cidade com música agradável. Essas coisas, usadas com modéstia e sobriedade, não são más em si mesmas. Mas quem ama a virtude não deve se orgulhar demais dessas habilidades, pois desde tempos antigos eram frequentemente usadas como instrumentos para seduzir os insensatos. Assim, Tiro pouco a pouco se tornaria de novo um grande mercado das nações. Voltaria ao seu “salário”, ao seu comércio, e retomaria relações com os reinos com os quais havia negociado nos dias de sua prosperidade.

O amor às riquezas deste mundo é uma espécie de infidelidade espiritual. Por isso os gananciosos são chamados de adúlteros e adúlteras (Tiago 4:4), e a avareza é vista como idolatria espiritual. Tiro voltaria ao seu tráfico, mas o profeta continua usando a figura da prostituta para descrever seus antigos hábitos de busca desenfreada de lucro.

Contudo, a prosperidade posterior de Tiro seria melhor empregada do que antes. Este seria o bem que nasceria do seu sofrimento. “O seu comércio e o seu salário serão consagrados ao Senhor” (Isaías 23:18). Os lucros do seu negócio seriam separados para a honra de Deus e usados em seu serviço. Não seriam mais ajuntados para alimentar o orgulho ou a confiança carnal, mas empregados no culto e na prática da misericórdia.

O que eles pudessem poupar da manutenção de suas próprias casas seria destinado aos que habitam perante o Senhor, isto é, os sacerdotes, os ministros do Senhor que serviam no templo em Jerusalém. O objetivo não era mantê-los em luxo, mas dar-lhes o necessário para viver. Eles deveriam ter alimento digno, com o mínimo possível de preocupações, para que pudessem se dedicar ao ministério. Deveriam também ter vestes duráveis, simples e resistentes, roupas adequadas inclusive para homens mais velhos. Alguns entendem isso como um chamado a um vestuário sóbrio e grave, tal como o de pessoas idosas e respeitáveis.

Isso supõe que a verdadeira religião seria estabelecida na “Nova Tiro”. Eles passariam a conhecer o Deus verdadeiro e se uniriam ao povo de Deus. Talvez a convivência como cativos com os judeus em Babilônia, onde havia profetas entre eles, tenha ajudado os tírios a participar do culto judaico e a se afastar dos ídolos. Isso se assemelharia ao próprio processo pelo qual os judeus foram curados da idolatria. Então, uma vez libertos e reassentados em Tiro, enviariam dádivas e ofertas ao templo e presentes aos sacerdotes.

Encontramos até homens de Tiro morando em Judá mais tarde (Neemias 13:16). Tiro e Sidom mostraram-se mais receptivas à fé na época de Cristo do que muitas cidades de Israel, pois Jesus disse que, se tivesse feito ali as mesmas obras, teriam se arrependido (Mateus 11:21). Também encontramos cristãos em Tiro (Atos 21:3, Atos 21:4), e o cristianismo floresceu ali por muitos anos depois. Alguns rabinos chegaram a entender esta profecia como apontando para os dias do Messias.

Tudo isso também ensina aos que possuem bens que os usem a serviço de Deus e em favor da religião, considerando melhor empregado aquilo que é assim consagrado. Tanto as mercadorias do comerciante quanto o salário do trabalhador devem ser dedicados a Deus. O trabalho que fazemos e o dinheiro que ganhamos devem ser “santidade ao Senhor”, ecoando as palavras gravadas na lâmina da testa do sumo sacerdote (Êxodo 39:30) e a lei do dízimo (Levítico 27:30). Uma promessa semelhante para os tempos do evangelho aparece novamente em (Zacarias 14:20, Zacarias 14:21).

Mas é necessário primeiro nos oferecer a nós mesmos como santos ao Senhor, antes que qualquer coisa que façamos, possuamos ou ganhemos possa ser verdadeiramente santa nesse sentido. Quando vivemos fielmente nossas vocações, realizamos tarefas comuns de modo piedoso, damos generosamente aos pobres, sustentamos o ministério e favorecemos a propagação do evangelho, então nosso comércio e nosso salário são santidade ao Senhor, se de fato buscamos a glória dele neles. Assim, nossas riquezas não precisam ser acumuladas na terra, porque estão sendo acumuladas no céu, em bolsas que não envelhecem (Lucas 12:33).

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