Versículo em destaque

Isaías 2:6 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Mas tu desamparaste o teu povo, a casa de Jacó, porque se encheram dos costumes do oriente e são agoureiros como os filisteus; e associam-se com os filhos dos estrangeiros, "

Isaías 2:6

menu_book Versículo no contexto

4 E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerrear.

5 Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor.

6 Mas tu desamparaste o teu povo, a casa de Jacó, porque se encheram dos costumes do oriente e são agoureiros como os filisteus; e associam-se com os filhos dos estrangeiros,

7 E a sua terra está cheia de prata e ouro, e não têm fim os seus tesouros; também a sua terra está cheia de cavalos, e os seus carros não têm fim.

8 Também a sua terra está cheia de ídolos; inclinam-se perante a obra das suas mãos, diante daquilo que fabricaram os seus dedos.

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auto_stories Comentário Bible Guided

A vocação dos gentios caminhou junto com a rejeição dos judeus. A queda e o declínio deles se tornaram riqueza para os gentios, e o fato de terem sido rejeitados resultou em reconciliação do mundo com Deus (Romanos 11:12-15). Estes versículos parecem apontar para essa verdade e defender a justiça de Deus nisso. Porém, é provável que, em primeiro lugar, tivessem a intenção de despertar o povo do próprio tempo de Isaías, pois os profetas muitas vezes falavam de misericórdias e juízos presentes como figuras de acontecimentos futuros.

Aqui está o anúncio da desgraça de Israel, descrita com duas palavras terríveis, uma no começo e outra no fim desta passagem. Primeiro, sua condição é muito triste, porque o Senhor diz: “Tu desamparaste o teu povo” (Isaías 2:6). É uma coisa miserável quando Deus deixa um povo, e deve ter havido grande ofensa se ele deixou aqueles que em outro tempo haviam sido o seu povo. Esta se tornou a condição trágica da igreja judaica depois que rejeitou Cristo. Como Jesus disse: “A vossa casa vai ficar-vos deserta” (Mateus 23:38). Quando veio angústia sobre os judeus, pode-se dizer que Deus os havia desamparado nesse sentido, retirando deles o seu auxílio e a sua proteção. Mas Deus nunca abandona um povo sem que ele primeiro o tenha abandonado.

Segundo, a condição deles é desesperadora, totalmente desesperadora, porque o profeta diz: “Pelo que não os perdoarás” (Isaías 2:9). Essa frase em tom de súplica é, na verdade, um aviso de que não seriam perdoados, embora alguns entendam também como: “e tu não os perdoarás”. Isso não quer dizer que cada indivíduo estivesse fora do alcance da misericórdia, pois muitos se arrependeram e foram perdoados. Significa que, como nação, haviam recebido uma sentença irreversível, de modo que a estrutura daquela igreja seria derrubada, desfeita, e nunca mais seria restabelecida na mesma forma, nem receberia de volta a antiga posição.

Agora Isaías mostra por que esse juízo foi merecido. Em termos gerais, é o pecado que traz ruína sobre um povo. Nada além disso provoca Deus a desamparar o seu povo. Os pecados que Isaías menciona eram comuns em seus dias, e ele os cita para convencer de culpa os que o ouviam naquele momento. Ele não está apontando apenas para o pecado futuro de crucificar Cristo e perseguir seus seguidores, embora esses pecados posteriores tenham completado a conta. Cada geração acrescentou algo a esse registro terrível. Houve também uma rejeição parcial e temporária da nação no cativeiro da Babilônia, que apontava para a destruição final pelos romanos. Os pecados aqui mencionados se opunham diretamente ao propósito bondoso de Deus para eles.

Deus havia separado Israel para si como um povo especial, elevado acima das demais nações (Números 23:9). Mas eles se encheram de influências do oriente. Acolheram estrangeiros que não tinham abraçado a verdadeira fé, permitiram que se estabelecessem entre eles e se misturaram com eles (Oséias 7:8). A sua terra ficou cheia de sírios, caldeus, moabitas, amonitas e outros povos do oriente. E, junto com eles, absorveram seus hábitos e costumes. Deleitavam-se com os filhos dos estrangeiros, gostavam deles, preferiam seus modos, achando-se mais refinados quando os copiavam. Desse modo, desonraram tanto o seu chamado quanto a sua aliança. Aqueles que se comprazem na companhia de pessoas afastadas de Deus correm o risco de se afastar dele também, pois aprendemos depressa os caminhos daqueles com quem gostamos de conviver.

Deus também lhes havia dado sua direção, para que pudessem consultá-lo por meio das Escrituras, dos profetas e do peitoral do juízo, o meio sacerdotal de buscar a vontade divina. Mas eles desprezaram esses recursos e se tornaram parecidos com os filisteus, famosos por seus adivinhos (1 Samuel 6:2). Acolheram videntes, feiticeiros e pessoas que diziam descobrir coisas ocultas ou predizer o futuro pelas estrelas, nuvens, pássaros, entranhas de animais ou outros artifícios mágicos. Os que se afastam da verdadeira religião costumam ser entregues a mentiras desse tipo. Quem abandona Deus e sua misericórdia por falsas esperanças certamente será deixado a enganos sem valor.

Deus também os havia chamado a confiar nele, prometendo ser a sua riqueza e sua força. Mas eles duvidaram do seu poder e de suas promessas, por isso fizeram do ouro a sua esperança e confiaram em cavalos e carros como proteção (Isaías 2:7). Deus havia proibido claramente até mesmo que os reis multiplicassem cavalos e acumulassem prata e ouro, porque queria que dependessem dele somente. Contudo, não consideravam sua posição diante de Deus suficiente, a não ser que tivessem tanta riqueza e força militar quanto seus vizinhos. O problema não é simplesmente possuir prata e ouro, cavalos e carros. O problema está em desejá-los sem limite, sem fim para as riquezas e sem freio para a cobiça. O problema está também em depender deles, como se não pudéssemos estar seguros ou satisfeitos sem essas coisas, e como se, certamente, pudéssemos estar se as tivéssemos.

O próprio Deus era o Deus deles, o único que deveriam adorar, e ele lhes tinha dado ordenanças para esse culto. Mas desprezaram tanto a ele quanto às suas instituições (Isaías 2:8). A terra estava cheia de ídolos, e cada cidade tinha o seu deus (Jeremias 11:13). Como sua terra era fértil, fizeram também imagens belas e bem trabalhadas (Oséias 10:1). Quem pensa que um só Deus não basta descobrirá que dois já são demais, e ainda assim não ficará satisfeito, porque o idólatra vive multiplicando ídolos. Foram tão tolos e enganados que adoravam a obra de suas próprias mãos, como se algo feito pela habilidade humana pudesse ser um deus. Isso tornava sua idolatria ainda pior, porque Deus os havia enchido de prata e ouro, e então eles usaram justamente essa prata e esse ouro para fabricar ídolos. Assim “Jeshurum”, o “reto” ou “justo”, nome dado a Israel, engordou e deu coices, como diz Oséias (Oséias 2:8).

Deus os havia exaltado e dado honra, mas eles se rebaixaram à vergonha (Isaías 2:9). Até o homem comum se curvava diante do seu ídolo, o que está abaixo de qualquer nível ao qual uma pessoa minimamente sensata deveria descer. O pecado traz vergonha sobre o mais pobre e sobre os de posição mais baixa. É adequado que o humilde se incline diante de quem está acima dele, mas é vergonhoso curvar-se diante de um pedaço de madeira (Isaías 44:19).

E não são apenas os simples e humildes que fazem isso. Até os grandes se esquecem de sua posição, humilham-se para adorar ídolos, tratam homens comuns como se fossem deuses e se prostram diante de pedras, que são infinitamente inferiores a eles. Os idólatras são descritos como se afundando até o inferno (Isaías 57:9). É algo muito triste que pessoas poderosas considerem servir ao Deus verdadeiro algo abaixo delas e se recusem a se inclinar diante dele, mas se disponham a ajoelhar-se diante de um ídolo!

Alguns entendem isso também como um aviso de que tanto o humilde quanto o grande serão abatidos pelos juízos de Deus, quando ele os enviar com plena autoridade.

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